Bolsonaro,
que acusa Lula de ser antiamericano, atacou os Estados Unidos quando era
deputado
Apesar
de acusar Lula (PT) de ter uma postura antiamericana, o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), quando deputado, também atacou e fez acusações graves contra os
Estados Unidos.
Lula
atacou, diversas vezes nos últimos anos, os Estados Unidos por conta da
operação Lava Jato. Já no atual mandato, em 2024, ele disse:
"Tudo
o que aconteceu neste país foi uma mancomunação entre alguns juízes e
procuradores subordinados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que
nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a Petrobras".
A
posição antiamericana que Bolsonaro acusa Lula de ter neste momento, em meio à
crise com os EUA e Donald Trump, se contrapõe a alguns discursos feitos por ele
mesmo no período em que era deputado federal, na década de 1990.
Bolsonaro
denunciou em plenário da Câmara que os EUA planejavam invadir o Brasil para
tomar a Amazônia na década de 1990. Ele chegou a dar o nome de um militar que
já estaria em campo, infiltrado na floresta, para preparar o ataque.
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Em discurso no dia 7 de outubro 1999, Bolsonaro atacou:
"O
doutor Laerce Bernardes Machado, chefe de Gabinete do Ministério da Defesa,
nomeou-me ouvidor nessa viagem, tendo em vista o grande número de militares que
acorriam a mim para fazer perguntas, as mais variadas possíveis. E, no meu
entender, o mais importante foi o fato de ter chegado ao meu conhecimento a
presença constante na Amazônia de um capitão norte-americano, que faz parte do
8º Grupamento de Forças Especiais dos Estados Unidos, de nome Robert Cody.
Talvez ele tenha falado um pouco demais, quando disse claramente que não há
interesse norte-americano em internacionalizar a Amazônia, porque tudo o que
querem em nosso País conseguem de uma forma ou de outra", disse.
Bolsonaro
continua: "Nessa viagem, a preocupação demonstrada pelos militares, de
maneira quase geral, foi com a cobiça internacional sobre essa rica área,
principalmente dos Estados Unidos, que poderiam ter um plano de, no futuro, se
apossarem da nossa Amazônia, em virtude da escassez de recursos minerais em
todo o mundo, dada a nossa rica e ímpar biodiversidade; pelo fato de lá
existirem as maiores reservas de gás do mundo, que poderia ser a energia de
transição por ocasião do fim do ciclo do petróleo; pela existência de água
potável, escassa em países do Primeiro Mundo, que alguns até citam que possa
ser essa a causa de uma possível 3ª Guerra Mundial; e também pelos grandes
espaços vazios que estamos deixando nessas áreas, principalmente por causa da
indústria das demarcações de terras indígenas. Os países de Primeiro Mundo
gastam muito com propagandas em seus próprios países e no Brasil, tentando
mostrar para o mundo que não temos condições de gerenciar ou explorar a
Amazônia. Senhor presidente [em referência ao presidente da Câmara à época],
pergunto o seguinte: estamos realmente preocupados com a internacionalização da
Amazônia ou não?".
Houve
outro discurso nesse sentido. No dia 22 de novembro de 1995, o deputado
Bolsonaro acusou os Estados Unidos estarem por trás da criação de uma suposta
nação Yanomami.
"Só
dentro da reserva Yanomami estima-se um potencial em minerais de
aproximadamente 3 trilhões de dólares. Quanto mais tempo ficarmos sem saber o
que temos dentro da Amazônia, melhor será, no meu entender, para os países do
Primeiro Mundo, em especial Estados Unidos e França", disse o deputado,
que seguiu.
"Por
quê, senhor Presidente? Porque, com a indústria da demarcação das terras
indígenas, assim como Quebec quase se separou do Canadá num curto espaço de
tempo, os Yanomamis poderão, com o auxílio dos Estados Unidos, vir a se separar
do Brasil."
No dia
16 agosto de 1995, ele fez mais um discurso neste sentido:
"Na
verdade, não são os índios que fazem lobby neste país para conseguir, cada vez
mais, terras, e sim as ONG, que representam países pelo mundo afora, em
especial os Estados Unidos."
Bolsonaro
fez um único elogio aos Estados Unidos por ter exterminados os indígenas quando
avançou na expansão de seu território para o oeste.
"Até
vale uma observação neste momento: realmente, a cavalaria brasileira foi muito
incompetente. Competente, sim, foi a Cavalaria norte-americana, que dizimou
seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país – se bem
que não prego que façam a mesma coisa com o índio brasileiro; recomendo apenas
o que foi idealizado há alguns anos, que seja demarcar reservas indígenas em
tamanho compatível com a população", discursou o deputado Bolsonaro.
E não
terminou quando virou presidente do Brasil. Em 2020, após a vitória de Joe
Biden sobre Donald Trump na eleição norte-americana, Bolsonaro voltou a
expressar sua preocupação com a atuação dos EUA em relação à Amazônia.
"E
como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é,
Ernesto [Araújo, ministro das Relações Exteriores]? Quando acaba a saliva, tem
que ter pólvora, senão, não funciona. Não precisa nem usar pólvora, mas tem que
saber que tem. Esse é o mundo. Ninguém tem o que nós temos", declarou
Bolsonaro em evento no Planalto.
• Lula diz que Bolsonaro mandou filho aos
EUA pedir a Trump para 'salvar' o ex-presidente e 'ameaçar' governo com taxas
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (11) que
Jair Bolsonaro mandou o filho, o deputado licenciado Eduardo (PL-SP), aos
Estados Unidos para pedir a Donald Trump que salve o ex-presidente e ameace o
governo brasileiro com taxas.
O
petista deu as declarações durante evento com ministros e apoiadores em
Linhares, no Espírito Santo, no qual o governo federal apresentou o novo acordo
para indenizar as vítimas do rompimento da barragem do Fundão, em 2015.
"Aquela
coisa covarde, que preparou um golpe nesse país, não teve coragem de fazer,
está sendo processado, vai ser julgado... E ele mandou o filho dele para os
Estados Unidos pedir para o Trump fazer ameaça: 'Ah, se não liberarem o
Bolsonaro eu vou taxar vocês'", declarou Lula.
"A
coisa mandou um filho, que é deputado, se afastar da Câmara para ir lá ficar
pedindo: 'Trump, pelo amor de Deus, salva meu pai'. É preciso essa gente criar
vergonha na cara", completou o petista.
Na
última quarta-feira (9), Trump anunciou que a partir de 1º de agosto entrará em
vigor uma tarifa de 50% para entrada de produtos brasileiros nos EUA.
Trump
fez o comunicado em uma carta endereçada a Lula, que alega erroneamente que os
EUA têm déficit na relação comercial com o Brasil, embora os próprios dados
oficiais mostrem o contrário.
Além
disso, Trump critica o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro — réu no
Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como tentativa de golpe de Estado e
organização criminosa.
Nesta
sexta, Lula voltou a dizer que Trump está "mal-informado" quando
afirma que os EUA têm déficit na relação comercial com o Brasil.
"Em
15 anos, entre comércio e serviços, nós temos uma déficit de 410 bilhões de
dólares com os EUA. Eu que deveria taxar ele", declarou o petista.
Lula
reiterou que deseja negociar, mas, caso não haja solução, retaliará os EUA por
meio da Lei de Reciprocidade.
"Eu
vou tentar brigar em todas as esferas para que não venha a taxação. Vou brigar
na OMC, vou conversar com meus companheiros do Brics. Agora, se não tiver jeito
no papo, no tête-à-tête, nós vamos estabelecer a reciprocidade. Taxou aqui, a
gente taxa lá. Taxou aqui, a gente taxa lá. Não tem outra coisa a fazer",
afirmou.
Crítica
a Trump
Lula
criticou a forma como Trump anunciou a taxação, em sua própria rede social.
"Ele
[Trump] sentou no sofá pá-pá-pá-pá-pá-pá [simulando que digitava]. 'Oh Lula,
vou taxar, se você não soltou o Bolsonaro, vou taxar'. Realmente essas pessoas
não sabem o que é o respeito que nós temos pelo nosso país", afirmou.
No
evento no Espírito Santo nesta sexta, Lula usou um boné azul com a frase
"O Brasil é dos brasileiros", adotado pelos governistas para criticar
a oposição, alinhada a Bolsonaro e Trump.
• 'Tem viés político', diz Flávio
Bolsonaro sobre taxa de 50% imposta por Trump ao Brasil
Senador
pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL) reconheceu o viés político da
taxação de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao
Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao GloboNews Mais nesta sexta-feira
(11).
"Acho
que a gente tem que entender tudo porque a sanção que o Trump impõe não é
meramente econômica, todos nós sabemos. Ela tem um viés, sim, político. É claro
que o Trump olha para a América do Sul e enxerga muito claramente para onde o
Lula está levando o nosso país", afirmou.
Os
processos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram parte dos argumentos
usados por Trump para impor a retaliação ao Brasil. Flávio é defensor de uma
anistia "ampla, geral e irrestrita" para seu pai e para pessoas
condenadas pelos ataques do 8 de janeiro de 2023.
O
senador citou o que chama de interferências do Supremo Tribunal Federal (STF)
durante o governo Bolsonaro a decisão que impediu o delegado Alexandre Ramagem,
hoje deputado federal, de assumir como chefe da Polícia Federal (PF). E,
segundo ele, isso faz parte do contexto da sansão de Trump.
"De
lá para cá, foram várias e várias vezes em que houve uma interferência direta
no Executivo, praticamente fazendo de tudo para dificultar um governo do
presidente Bolsonaro e isso se repetiu dentro da eleição com Alexandre de
Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, desequilibrando
completamente a disputa eleitoral que nós tínhamos contra o Lula", disse.
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Anistia em troca do fim da taxa de 50% de Trump
Flávio
Bolsonaro colocou como forma de solucionar a crise entre Brasil e Estados
Unidos a aprovação de uma anistia para Jair Bolsonaro e condenados na tentativa
de golpe de Estado após as eleições de 2022.
'"Como
sai dessa enrascada? Voltando o Brasil à normalidade, para começar. Eu imagino
que é isso, que é um gesto importante, aprovar uma anistia ampla, geral e
irrestrita, já que na carta dele [Trump], fala claramente que é uma 'caça às
bruxas' a Bolsonaro. Então vamos acabar com 'caça às bruxas' a Bolsonaro? Que é
o que a gente já tinha que fazer independente de pressão externa", disse.
• STF trava anistia, diz Flavio Bolsonaro
O
senador voltou a culpar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de
Moraes pelas taxas impostas por Trump devido à sua ação no tribunal. Moraes é o
responsável por inquéritos no Supremo que envolvem o presidente Bolsonaro, como
a tentativa de golpe de estado após a eleição de 2022.
"É
uma série de coisas que não começaram de ontem para hoje. Há muito tempo que o
Alexandre de Moraes vem atropelando todos os direitos e garantias
constitucionais dos brasileiros, dos advogados, inclusive dos seus pares. Ele
atrai o Supremo Tribunal Federal inteiro para um buraco negro que não era para
estar o Supremo todo. Como uma maioria dá suporte para ele fazer o que está
fazendo...", disse.
Flávio
afirmou que integrantes do STF têm bloqueado o avanço de um projeto de lei para
a anistia de condenados e envolvidos na tentativa de golpe de estado após as
eleições de 2022. Ele falou nominalmente que Alexandre de Moraes "vive de
confusão": "Ele dorme e acorda pensando em Bolsonaro, dorme e acorda
pensando 'como é que eu vou fazer para prejudicar a direita no Brasil'".
"Está
com a gente a bola no sentido Brasil de aprovar a anistia. Por que anistia não
é nem pautada no Congresso Nacional? Porque tem ministro do Supremo que faz
ameaças, inclusive no CPF, a parlamentares. Faz ameaças de que, se aprovada uma
anistia, ela será declarada inconstitucional no Supremo Tribunal Federal. Se
pautar hoje, a gente aprova hoje na Câmara e no Senado a anistia, ninguém quer
mais confusão no Brasil. Só que parece que Alexandre de Moraes vive de
confusão, ele dorme e acorda pensando em Bolsonaro, dorme e acorda pensando
'como é que eu vou fazer para prejudicar a direita no Brasil'. Isso tem que ter
um limite", afirmou.
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Senador diz que Bolsonaro é perseguido
Ao
comentar os processos que seu pai enfrenta no Supremo, Flávio reafirmou a
declaração dada por Trump de que Bolsonaro é perseguido politicamente no país.
A teoria foi usada pelo norte-americano para determinar as taxas de 50% para
todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
"É
óbvio que há uma perseguição e as pessoas não querem enxergar. Ele está sendo
julgado por quem? Todos dão como certa a condenação dele não é pelo que está no
processo, senão ele saia daquela última oitiva absolvido, livre, leve e solto.
Todo mundo dá como certa a sua condenação por causa dos ministros que vão
julgar. A gente não pode fingir que isso está normal, que está tudo bem, que o
país está em uma democracia plena porque não está. Esta é a realidade, doa a
quem doer", afirmou.
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Defesa a Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA
Segundo
o senador, seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado licenciado nos Estados Unidos,
trabalhou para que houvesse algum tipo de sansão ao ministro Alexandre de
Moraes, mas que não tem nada a ver com as taxas econômicas impostas por Trump.
"O
Eduardo Bolsonaro não consegue manipular o Trump, não tem nenhum controle sobre
o presidente da maior democracia do mundo. Ele [Trump] que faz a análise de
cenário e ele que toma à medida que acha a suficiente para atingir os objetivos
dele", disse.
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'Ninguém está feliz, estou angustiado'
O filho
do ex-presidente Jair Bolsonaro se definiu como "angustiado" e
"preocupadíssimo" com os reflexos das taxas impostas por Donald
Trump. Ele destacou as sensações pelo fato de o presidente Lula ser responsável
por negociar para que não ocorram impactos financeiros que prejudiquem o país.
"Ninguém
está feliz com o que está acontecendo com o Brasil. Eu estou angustiado,
preocupadíssimo. E estou mais preocupado ainda porque o presidente é o Lula,
uma pessoa que não tem respeito, capacidade e estatura moral para negociar com
o Trump. Ainda mais o perfil do (presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump,
que todos nós conhecemos: é um perfil bastante agressivo em suas
negociações", afirmou.
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Fala sobre bomba atômica
Durante
a semana, viralizou um vídeo em que Flávio Bolsonaro cita as bombas atômicas
lançadas pelos Estados Unidos no Japão, na 2ª Guerra mundial, como exemplo para
o Brasil negociar com os EUA depois das taxações de 50%. Na entrevista, o
senador afirmou que o trecho foi tirado de contexto.
"Sou
brasileiro, sou patriota, vou defender até o fim da minha vida esse país, só
que a gente não pode ver um canhão ser apontado para o seu peito e você correr
para cima do canhão de peito aberto. Isso é burrice", disse.
Fonte:
g1

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