Tudo
pronto: O plano traçado por Bolsonaro para o futuro na prisão
Encerrada
na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a fase de interrogatórios da ação
penal que julga a tentativa de golpe de Estado transcorrida entre o final de
2022 e o começo de 2023, pelo que indicam interlocutores próximos, a ficha de
Jair Bolsonaro (PL) caiu. O ex-presidente agora já tem certeza de que será
condenado e mandado para a cadeia, opinião igual à dos seus advogados.
O teor
probatório apresentado no inquérito de 884 páginas da Polícia Federal, que
serviu de base para a robustíssima denúncia de 272 páginas apresentada pela
Procuradoria-Geral da República, não leva a outra conclusão que não seja um
desfecho trágico para o extremista que se transformou do dia para a noite numa
das maiores lideranças políticas do Brasil. Suas palavras desastrosas ao
sentar-se logo à frente do ministro Alexandre de Moraes, na tarde de
terça-feira (10), apenas confirmaram o futuro nada promissor que o aguarda.
A
partir dessa constatação, fontes que orbitam a família Bolsonaro afirmam que já
há uma espécie de ‘cronograma’ a ser seguido quando o dia da detenção chegar e
o ex-presidente também estaria ciente de como deve agir e de quais seriam as
talvez longas etapas até que as coisas melhorem para o seu lado.
Antes
de explicar os próximos passos de Bolsonaro, é preciso lembrar do calendário
que deve ser cumprido até o dia da prisão. Espera-se que a sentença
condenatória, que possivelmente preverá uma pena de no mínimo 25 anos de prisão
(a maior parte dos juristas fala em 32 ou 35 anos), saia até a segunda quinzena
de setembro. Logo na sequência, se for possível, os embargos declaratórios e
embargos infringentes devem ser apresentados. Esses mecanismos, que não têm
poder para alterar uma condenação, estariam esgotados e analisados até no
máximo meados de outubro. Partindo dessa data, já seria possível expedir a
ordem de prisão para cumprimento da sentença.
Nesse
ponto, a defesa jurídica de Bolsonaro ainda discute qual seria o melhor caminho
para a primeira providência: o pedido de cumprimento da pena em regime
domiciliar. Alguns acham que a solicitação ao STF deve ser imediata, antes
mesmo de o ex-presidente dar entrada no local em que ficará confinado. Outros,
no entanto, creem que o ideal seria mantê-lo por algumas semanas ou um par de
meses na cadeia para então pedir que ele cumpra a sentença em sua casa, em
Brasília.
A
principal carta na manga que a defesa do antigo ocupante do Palácio do Planalto
tem, dizem interlocutores, é a situação de saúde dele. Após sucessivas
internações por conta da facada que levou em 2018, no abdômen, Bolsonaro foi
submetido a várias cirurgias na região e a mais complexa e problemática foi
justamente a última, no início deste ano. Isso, acredita o séquito do
ex-presidente, seria praticamente um passaporte para que o futuro condenado
consiga cumprir a pena em casa.
Uma vez
preso em casa, se as coisas assim correrem, Bolsonaro inicialmente ficaria
recluso, para algum tempo depois voltar a desafiar as autoridades. Ele passaria
a receber visitas, o que é proibido, e eventualmente mandaria recados pelos
filhos e assessores mais próximos, para que as mensagens sejam postadas nas
redes sociais. A estratégia seria arriscada, uma vez que poderia levar à
revogação da prisão domiciliar, o que faria com que ele fosse mandado de volta
à cadeia imediatamente.
No caso
de não conseguir a prisão domiciliar com facilidade, a aposta dos advogados e
integrantes de seu círculo mais próximo é de que ele teria um prazo de pouco
mais de dois anos para ficar atrás das grades. Esse é o tempo em que eles
acreditam que um novo governo de extrema direita (evidentemente se conseguir
vencer Lula nas urnas em 2026) demoraria para ajeitar o terreno e passar a
levar a cabo um plano para anistiá-lo de alguma forma, apostando também nas
próximas vagas que abrirão no STF, com a aproximação da aposentadoria de Luiz
Fux e Cármen Lúcia, respectivamente em abril de 2028 e abril de 2029. Por essa
lógica, se tudo der certo para o extremista, ele cumpriria ainda pelo menos
três anos de cadeia.
Paralelamente
a essas ações, o cronograma prevê também um pedido de revisão de pena. Esse é
um recurso a que tem direito qualquer condenado. No caso de Bolsonaro, o pedido
deverá ser feito ao próprio STF. Se o ex-presidente estiver sem causar
problemas e cumprindo com as normas estabelecidas para condenados, seus
advogados argumentariam que, por conta da idade e de sua condição de saúde, sua
pena poder ser reduzida em alguma medida.
• Bolsonaro na cadeia e fascismo na
espreita. Por Florestan Fenandes Jr
Terça
(10/06), finalmente Jair Bolsonaro teve que prestar contas à Justiça
brasileira. O líder da extrema-direita bolsonarista finalmente ficou frente a
frente com Alexandre de Moraes, o homem que nos quatro anos do governo
Bolsonaro enfrentou a fúria do núcleo duro do governo fascista e sua horda de
fanatizados.
Senhor
de todo o processo de investigação e ministro relator do processo, Alexandre de
Moraes surpreendeu a todos pela maneira cordata e até bem-humorada como
conduziu os questionamentos ao ex-presidente e seus sete colaboradores,
acusados de terem participado do planejamento da tentativa golpista.
Como
esperado, Bolsonaro amarelou, chegou a pedir desculpas pelas ofensas e mentiras
que disparou contra a Corte em suas redes sociais e mesmo em recentes
manifestações pela anistia dele e dos golpistas de 8 de janeiro.
Uma das
mentiras das quais Bolsonaro se desculpou foi a proferida em julho de 2022,
quando afirmou que os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís
Roberto Barroso teriam recebido entre trinta a cinquenta milhões de dólares
pela suposta fraude na eleição.
Acompanhando
o chefe, os generais Augusto Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e o
almirante Almir Garnier se acovardaram ao vivo, diante das câmeras da TV
Justiça. Nenhum deles teve coragem de assumir a tentativa de golpe. Ou seja, o
que estava em jogo para os golpistas ouvidos ontem não era a defesa de uma
convicção político- ideológica, mas única e tão somente dos interesses
mesquinhos de se manterem no poder a qualquer custo.
Todos
eles negaram a existência de um plano golpista desencadeado em reuniões com o
ex-presidente Bolsonaro. Os oito réus tentaram desacreditar a denúncia do
ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior que, como
testemunha no âmbito da ação penal, afirmou que se posicionou de forma
contrária à discussão de uma “minuta do golpe” apresentada no ministério da
Defesa, logo após a derrota de Bolsonaro na eleição de 2022.
Sem
argumentos robustos para se defender, Bolsonaro partiu para o que melhor sabe
fazer, bravatas. Convidou, mesmo estando inelegível, Alexandre de Moraes para
ser seu vice numa chapa para 2026. Às gargalhadas, Bolsonaro disse que
arrecadou mais que o “Criança Esperança”, com dezoito milhões de reais
recebidos em doações via PIX, feitas por seus apoiadores.
Ao
transformar seu interrogatório no STF em live de campanha, Bolsonaro demonstrou
a certeza da impunidade. Não por uma vitória na justiça, mas através de futuro
indulto presidencial. Talvez tenha sido este um dos temas das conversas
mantidas entre o ex-presidente e o governador Tarcísio de Freitas no fim de
semana passado (07/08 de junho), período em que ficou hospedado no Palácio dos
Bandeirantes.
Outra
possibilidade para escapar da cadeia seria a fuga do país.
Enquanto
Bolsonaro trabalha para não cumprir pena pela tentativa de golpe, seu filho, o
deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, continua firme na cruzada contra o STF.
Eduardo articula com membros do governo Trump contra Moraes e a Justiça
brasileira. Para isso, se utiliza de narrativas falsas sobre a lisura das
investigações e do julgamento dos envolvidos na trama golpista fracassada,
desencadeada pelo pai.
A
história mostra que a Justiça é a primeira vítima dos autocratas. Destruí-la é
questão primordial para a implantação de um estado ditatorial. Aliás, os
ataques à Suprema Corte do país começaram oito anos atrás.
Quem
não se lembra de uma palestra de Eduardo Bolsonaro, em outubro de 2018, quando
disse que para fechar o STF é necessário apenas um cabo e um soldado? Na
tentativa de golpe, foram muito mais que isso: generais, almirantes,
brigadeiros, policiais militares, agentes da Polícia Rodoviária Federal. Ainda
que não tenham conseguido, deixaram marcas profundas na democracia e nas
instituições da república. Como cupins, corroeram o poder legislativo,
comprometeram o poder executivo e abriram uma avenida para o avanço do
fascismo.
O
Brasil está no momento mais crítico de sua história recente. A extrema-direita
perdeu a primeira batalha, mas não perdeu a guerra. E nesse combate pelos
ideais democráticos, o avanço do julgamento dos golpistas, com a garantia do
contraditório e da ampla defesa aos réus – como temos visto – é de imenso
valor. Que estejamos todos, sociedade civil, instituições, eu e você, como
patriotas que somos, atentos e dispostos a proteger o país e nossa democracia.
• Pedro Serrano analisa principais pontos
do julgamento histórico de Bolsonaro no STF
O Fórum
Onze e Meia desta quarta-feira (11) recebeu o jurista Pedro Serrano para
comentar o julgamento histórico de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus no
Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Os depoimentos
dos oito acusados do Núcleo 1 da trama golpista começaram nesta segunda-feira
(9).
Para
Serrano, o julgamento ocorreu de forma normal, "nada fora do
script".Mas o jurista afirmou que questiona a ideia de transmissão ao
vivo. Serrano argumentou que as pessoas não têm o contexto da linguagem que
está sendo falado durante o julgamento para entender realmente o que está
acontecendo. O jurista explicou, por exemplo, a diferença entre depoimentos de
réus e testemunhas.
Enquanto
o depoimento de testemunhas serve como prova do processo e, por isso, elas não
podem mentir, o réu não é obrigado a responder a verdade, sequer tem obrigação
de responder todas as perguntas, tendo direito de responder somente sua defesa.
Nesse sentido, Serrano avaliou que o julgamento "acaba virando mais
espetáculo do que algo que vá contribuir para qualquer tipo de debate".
"Então,
ali, na realidade, foram atos de defesa. É assim que tem que ser interpretado.
Ninguém que ouve pode tomar aquilo como verdade, porque não é feito sob
compromisso da verdade. Não é prova, não interfere em nada no conjunto
probatório", explicou.
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Legitimidade do processo
O
jurista também comentou sobre a postura do ex-presidente Bolsonaro, que optou
por fazer algumas "brincadeiras" com o ministro Alexandre de Moraes,
que adotou o mesmo tom. Para algumas pessoas, isso poderia apontar uma
banalização do processo. No entanto, Serrano afirmou que a postura do ministro
está correta dentro de uma lógica de reforçar a legitimidade do processo.
"Eu
acho que ele está certo. Eu acho que quando o 'Xandão' pega leve nessas coisas,
ele acerta no alvo. Veja, está sendo filmado por isso mesmo. Qualquer fala mais
dura dele pode ser usada depois para falar que ele foi parcial", disse
Serrano. "Eu acho que é melhor moderar do que ser mais duro",
defendeu.
Serrano
esclareceu que, como juiz, exercendo o poder de polícia, Moraes não pode
permitir que vire bagunça, mas que as "piadinhas" de Bolsonaro não
interferem em nada no curso do processo. "E se o Alexandre entra no jogo,
resolve dar uma dura no Bolsonaro, isso pode prejudicar", destacou.
O
jurista voltou a destacar que seu maior receio nesse processo é que haja um
discurso sobre perda de legitimidade após a decisão final, que deve ser pela
condenação dos réus. "Esse processo não acaba no dia da decisão. A gente
tem que entender - aí é uma outra questão que não é de justiça, é política - é
que vai haver um backlash, ninguém duvida disso", afirmou Serrano.
Diante
disso, o jurista defendeu que o campo progressista precisa ter um
"discurso forte de legitimação do processo e da decisão quando houver essa
reação". "Porque eu acredito, pelo que estou vendo das provas, que a
maioria ali vai ser condenada a penas graves. E vai ser condenada com razão, de
uma forma legítima", acrescentou.
"Até
agora eu não vi motivos para divergência, eu não vi motivo para falar que o
processo não foi legítimo, não foi correto. Se tem críticas a elementos
autoritários do processo, na realidade é uma crítica que deveria ser dirigida a
todo o sistema de justiça brasileiro", declarou Serrano.
O
jurista esclareceu que o Supremo é a a corte "menos abusiva no
sistema". "Se alguém acha abusivo alguma coisa lá, vai ver como
funciona o Tribunal de Justiça de São Paulo e de outros estados no campo
criminal, para daí falar alguma coisa", disse.
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Lideranças devem ser condenadas a penas graves
Em
relação às penas que devem ser aplicadas aos réus em caso de condenação,
Serrano afirmou que todas as lideranças devem receber penas graves, de cadeia.
"A impressão que me deu é que há farta prova para condenar todas as
lideranças desse processo e condenar a penas graves. Estou falando de cadeia,
não estou falando de tornozeleira, por exemplo. As lideranças, pelo menos,
cadeia mesmo", afirmou. Para Bolsonaro, talvez ele consiga uma prisão
domiciliar devido à idade avançada.
Serrano
argumentou que a condenação a penas graves deve simbolizar um recado da
sociedade e das instituições democráticas de que práticas violentas e
extremistas contra a democracia não serão aceitas. "É deixar para a
História, para o nosso neto saber, que quem faz isso é bandido, gente que é
condenada pela justiça criminal a penas graves".
O
jurista defendeu que a posição da justiça brasileira tem que ser clara,
comprovando a observância do devido processo e a produção absolutamente
legítima de provas, inclusive independentemente de qualquer delação.
"Ou
seja, instrumentos absolutamente legítimos de obtenção de prova. E há farta
prova. Farta prova de que houve no Brasil uma tentativa de golpe, de que houve
no Brasil o uso, para essa tentativa de golpe, de uma organização criminosa
armada e de que houve, obviamente, dano ao patrimônio público", declarou
Serrano.
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Assinatura da minuta de golpe
Serrano
também avaliou o discurso bolsonarista que tem viralizado nas redes de que a
minuta do golpe não foi assinada por Bolsonaro, e que isso seria uma
comprovação de que não houve tentativa de golpe. O jurista relatou que, do
ponto de vista técnico e jurídico, a assinatura "pouco interessa".
"Ela
[a minuta] é usada hoje como um dos indícios, um dos elementos de prova que
você tem de que Bolsonaro tentou um golpe. Então, não é muito relevante que ela
tenha sido assinada ou não. O relevante é que tenha circulado, que ele
[Bolsonaro] sabia, que ele estimulou a produção daquela minuta, que ele
dialogou sobre ela com chefes, com comandantes", explicou Serrano. O
jurista explicou que o conjunto de todos esses fatos é que comprovam a
tentativa do golpe. "Tudo isso é um conjunto, não só a minuta isolada, é
um conjunto de fatos e de depoimentos".
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Estratégia covarde
Por
fim, Serrano também avaliou a postura de Bolsonaro durante o depoimento, que
foi chamada de "covarde" até mesmo por seus apoiadores. O jurista
afirmou que há uma estratégia jurídica bem orientada por trás do comportamento
"moderado" do ex-presidente.
No
entanto, o que o jurista chamou atenção é para a "postura afetiva desse
novo fascismo". "A postura afetiva desses caras é a postura do cara
que faz bullying. O cara que faz bullying – eu lembro quando era menino, todo
mundo sofreu um pouco disso – o cara que faz bullying é sempre um
covarde", afirmou Serrano.
O
jurista acrescentou que não consegue ver em Bolsonaro o mesmo caráter do
presidente Lula, que se submeteu à decisão da Justiça, se entregou e ficou
preso "na maior dignidade, alegando corretamente que era uma fraude, uma
perseguição política o que estavam fazendo com ele". "Mas ele encarou
a bronca e saiu pela porta da frente, concorreu a presidente, ganhou a eleição,
deu uma lição para a História", afirmou Serrano.
Já
Bolsonaro é "essencialmente um covarde", disse o jurista, que age
como o cara que pratica bullying, que na hora que é enfrentado se amedronta.
"Ele é feito para subjugar o fraco, essa gente é feita para fazer humor
contra o fraco, para dar risada de fraco, gente que está enfraquecida no
processo social, não encara gente que olha no olho deles".
"São
covardes, por isso que são tão totalitários, por isso que são tão perversos,
tão desumanos", afirmou. "Então, quando a gente fala contra o
fascismo, não é só porque eles têm uma ideologia, é porque é gente menor, são
seres humanos menores como humanidade".
Nesse
sentido, Serrano disse que não acredita que a postura "covarde" de
Bolsonaro vai fazer com que ele perca apoiadores, pois quem o apoia segue a
mesma conduta. "Por que alguém vira ativista do bolsonarismo? Porque quer
virar um pequeno tiranete", disse o jurista.
"Porque
quer ser um pequeno praticante de bullying contra seus filhos, sua mulher, seus
amigos, no ambiente que está inserido. Para mim, não é gente que muda muito o
caráter. Então, é gente que não vai se importar com isso em relação ao
Bolsonaro. Não é gente que está preocupada com valores morais e humanos",
avaliou.
"É
gente que quer um tirano no poder para poder ser um pequeno tirano nas suas
relações pessoais. Então, eu não espero muita coisa do Bolsonaro, mas,
francamente, também não espero nada de quem o apoia. Acho que não vão deixar de
apoiar por ver que o seu líder tem déficit de caráter, porque eles também têm.
Aliás, eles apoiam esse líder por conta desses déficits de caráter",
finalizou Serrano.
• Flávio Dino rebate Bolsonaro sobre
sistema de votação ao lado de André Mendonça
Ao
anunciar seu voto no julgamento que trata da responsabilização das big techs
por mentiras e discurso de ódio nas redes sociais, o ministro Flávio Dino, do
Supremo Tribunal Federal (STF) aproveitou para rebater Jair Bolsonaro (PL) que,
em depoimento a Alexandre de Moraes na ação sobre a tentativa de golpe, citou
um vídeo antigo em que ele teria feito críticas às urnas eletrônicas.
Bolsonaro
chegou a pedir para Moraes para transmitir o vídeo durante a sessão da primeira
turma, o que foi negado. O vídeo de Flávio Dino, que já circula nas redes há
anos, diz respeito a uma declaração do atual ministro da corte entre 2009 e
2013.
As
críticas à época sobre as urnas eletrônicas foram feitas com base em evidências
compartilhadas à época pelo especialista Diego Aranha, que participou do Teste
Público de Segurança (TPS) do TSE em 2012 e divulgou, em um evento com
participação de Dino, as fragilidades encontradas por sua equipe.
Professor
e pesquisador na área de criptografia e segurança computacional, Aranha já
declarou que atualmente, com o aprimoramento do sistema, não há quaisquer
evidências de fraudes eleitorais.
“Observo
ainda que não poderia ser diferente, e que o objetivo de um pesquisador em
segurança é exatamente este: que vulnerabilidades sejam corrigidas”, afirmou
Aranha à agência de checagens em 2023.
Ao
exemplificar as mentiras "profundamente nocivas" que circulam nas
redes sociais, ao dar seu voto no processo das big techs, Dino falou sobre o
caso, sem citar diretamente Bolsonaro.
“A
mentira existe. E ela pode ser profundamente nociva, como mostrarei com o
trecho do meu voto. É falso que tudo é uma questão de opinião. Você imaginar
que a Justiça Eleitoral não funciona tão bem como você gostaria é absolutamente
legítimo. Contudo, dizer que há sala escura no TSE, onde magistrados manipulam
o código fonte, não é opinião. É uma mentira. E uma mentira tipificável”,
afirmou o ministro, mirando Bolsonaro.
Em sua
fala sobre os ataques às urnas eletrônicas, Bolsonaro afirmou a Moraes que
“Flávio Dino, em 2010, quando perdeu a eleição no governo do Maranhão, disse:
‘Hoje, fui vítima de um processo que precisa ser aprimorado’. [Perguntaram:] ‘O
senhor acredita que houve fraude?’ ‘Houve várias fraudes.’ Palavras do senhor
Flávio Dino”.
No
entanto, foi só mais uma mentira dita por Bolsonaro já que Dino nunca se
pronunciou sobre as críticas ao sistema de votação em meio à disputa eleitoral.
Fonte:
Fórum

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