quinta-feira, 12 de junho de 2025

Moisés Mendes: Militares golpistas são um bando de frouxos

O delator Mauro Cid resumiu numa frase, que atribuiu aos homens das chamadas forças especiais do Exército, quase tudo o que disse sobre os colegas de alta patente durante o interrogatório no Supremo.

Cid repetiu essa frase-síntese das queixas nas confrarias dos kids pretos: “Militar é um bando de frouxo”. Enquanto se dedicavam a elocubrações sobre o golpe, os militares das forças especiais – que teriam a missão de matar Lula, Alckmin e Moraes – lamentavam a inércia das chefias.

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Os relatos de Cid sobre o comportamento dos colegas levaram à conclusão de que os generais eram uns frouxos. Como foram frouxos os próprios kids ao recuarem da tarefa a eles atribuída, como soldados de elite, de consumar os assassinatos do plano do Punhal Verde Amarelo.

Talvez se salvassem da frouxidão, mas não foram citados por Cid, o soldado e o cabo que, segundo Eduardo Bolsonaro, poderiam fechar o Supremo. O balanço geral do dedo-duro é implacável com as chefias.

Cid foi, diante de Moraes e Paulo Gonet, um coronel falando como um soldadinho. Provocado pelo ministro a enquadrar seis réus ali presentes, colocando-os nos grupos que ele mesmo dizia serem de conservadores, moderados e radicais, fez um resumo surpreendente. Porque não se lembrava de como havia enquadrado cada um.

Os ex-ministros da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto seriam moderados. Alexandre Ramagem, Anderson Torres e Augusto Heleno não seriam enquadrados por ele em nenhuma classificação. E Almir Garnier seria o único radical.

Sobrou radicalidade só para o almirante ex-chefe da Marinha, já dedurado como uma das vozes mais fortes do golpismo, o único dos comandantes das três armas a ficar com Bolsonaro até o fim.

O grupo dos radicais teria, no núcleo crucial, apenas um integrante. O núcleo duro do golpe era formado por oficiais medrosos. Freire Gomes não seria, na definição de Braga Netto, o único cagão entre os líderes militares. Todos eram frouxos ou meio cagões, com exceção de Garnier.

Não seriam covardes, sob o ponto de vista dos kids, mas não estão no primeiro grupo de réus interrogados, os generais Mario Fernandes e Theophilo Gaspar de Oliveira. Ambos foram citados por Cid como militares representantes das alas radicais das Forças Armadas.

Outros já foram apontados coimo golpistas impositivos nos 12 depoimentos que deu à Polícia Federal. Mas todos, no desfecho da tentativa de golpe, foram expostos como frouxos ou, segundo outra definição de Cid, apenas ”bravateiros”.

O que já se sabia e Cid reafirmou é que, enquanto grileiros, traficantes e garimpeiros tomavam conta da Amazônia, oficiais das forças especiais do Exército participavam do que Moraes definiu como “conversas recreativas” sobre o golpismo.

E chamavam os comandos de frouxos, sempre à espera de uma manifestação mais incisiva dos militares em apoio aos acampados, do aumento da pressão para que Bolsonaro assinasse a minuta do golpe e de ações que disseminassem o caos e ajudassem a derrubar Lula.

Cid explicou por que dividia os grupos de militares em conservadores, moderados e radicais: “Era coisa da minha cabeça”. Porque, teve que explicar, eles não eram organizados nessas três classificações.

O que Cid não disse, nem precisava dizer, é que havia acima de todos um grande grupo, talvez o único que nunca irá desencadear controvérsias. Era o imenso, o monumental, o fantástico grupo dos frouxos.

O grupo que incluía Braga Netto e Bolsonaro. O grupão dos que planejaram um golpe, fugiram e entregaram a tarefa aos 5 mil manés invasores de Brasília.

•        Braga Netto diz que nunca pressionou chefes militares e nega conhecer operações golpistas

Ao ser interrogado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10), o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro Braga Netto negou que teria intimidado chefes das Forças Armadas na tentativa de pressioná-los a aderir ao plano golpista.

"Jamais ordenei ou coordenei ataques a nenhum dos chefes militares. Pelo contato que eu tinha com eles, se eu tivesse que falar alguma coisa, eu falaria pessoalmente com eles", alegou.

Mais cedo, o relator do processo da trama golpista, Alexandre de Moraes, questionou o general sobre as denúncias de que ele teria ordenado ações para pressionar os ex-comandantes Freire Gomes (Exército) e Baptista Júnior (Força Aérea) a aderirem ao plano golpista.

Questionado sobre as operações "Punhal Verde Amarelo" e "Copa 2022", Braga Netto disse: "ministro, eu nunca tinha ouvido falar dessas duas operações".

Braga Netto está preso desde dezembro do ano passado por tentativa de obstruir as investigações. Ele participa do interrogatório por videoconferência.

<><> Braga Netto diz que não entregou dinheiro em caixa de vinho

O general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo Bolsonaro, negou, nesta terça-feira (10), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), ter entregado dinheiro vivo para custear ações da suposta tentativa de golpe de Estado.

A declaração confronta o depoimento prestado na véspera pelo tenente-coronel Mauro Cid. Segundo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, ele teria recebido uma caixa de vinho com dinheiro das mãos de Braga Netto no fim de 2022, no Palácio da Alvorada. A quantia, de acordo com as investigações, seria destinada ao financiamento de atos golpistas.

No depoimento desta terça, o general disse que Cid apenas o procurou perguntando se o PL poderia “arrumar um dinheiro”.

“O Cid mesmo conta que veio atrás de mim e perguntou se o PL poderia arrumar um dinheiro. Era comum outros políticos pedirem para pagar contas de campanha atrasadas. O Cid perguntou, na minha cabeça tinha a ver com campanha. Ele procurou o Azevedo, que veio mais tarde e disse pra mim que o dinheiro que o Cid precisava não tinha amparo. Morreu o assunto”, afirmou Netto em depoimento.

Quando questionado diretamente sobre a caixa de vinho mencionada por Cid, Braga Netto negou: “Eu não tinha dinheiro, não tinha contato com empresários, eles estavam mais interessados no Bolsonaro”.

•        General Heleno, ditador explícito, desmoraliza democracia. Por César Fonseca

Arrogância imensa!

O general Heleno, ex-ministro do GSI, no ex-governo Bolsonaro, não se deu ao direito de respeitar a justiça brasileira, representada na pessoa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, na tomada de depoimentos dos acusados de praticarem golpe contra a democracia, em 8 de janeiro de 2023.

O general admitiu, apenas, responder às perguntas do seu advogado, naturalmente, combinadas com ele, para não cometer escorregadas.

Ficou explícito o desprezo dos generais pela Constituição, quando convocados a dar depoimentos que contrariam seus interesses, exemplo claro dado pelo proto-fascista general Heleno.

Terminado o depoimento, o ministro Alexandre de Moraes, que, claro, presenciou e anotou tudo, não teve a ousadia ou a coragem suficiente para esclarecer que presenciava, naquele momento, o supremo desrespeito de um representante das Forças Armadas pela justiça brasileira, pela Constituição.

O general desmoralizou o juíz.

E o juiz, submissamente, ainda, agradeceu o depoimento, por via indireta, do general ao seu advogado.

Se tivesse se posicionado, naquele momento, chamando às falas o general Heleno, em sua posição antidemocrática, teria, sem dúvida, provocado fato político de extrema repercussão no cenário nacional.

Como não foi capaz de reagir à altura, respaldado no texto constitucional, o ministro Alexandre renunciou à sua autoridade como representante máximo das instituições, na guarda da Constituição.

Ele, na prática, avalizou o que os generais consideram estar acima das leis, quando defendem a supremacia do artigo 142 da Constituição, como legítimos representantes do que denomina poder moderador.

Alexandre de Moraes, ao rebaixar-se diante do general, demonstrou que o STF impõe-se apenas sobre os poderes legislativo e executivo, mas não sobre o poder militar, que não é poder republicano, visto que a Constituição considera como poderes da República, apenas, três: além do executivo e legislativo, o judiciário.

O gesto autoritário do general Heleno, tão somente, confirmou a condição de republiqueta de banana em que vive o Brasil, depois de ter experimentado o ensaio geral do poder nazifascista sob Jair Bolsonaro.

Será que os outros militares, que estão na fila para serem ouvidos pelo judiciário, antes desse poder dar a sentença final contra os golpistas antidemocráticos, repetirão o comportamento do general Heleno?

Ou o STF irá enquadrar os demais, se tentarem se comportar como seu colega de farda, que se revelou ditador ao desrespeitar, explicitamente, a Constituição brasileira?

•        A estranha reação de Heleno no depoimento de Bolsonaro a Moraes sobre o golpe

O general Augusto Heleno prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na ação em que é réu por tentativa de golpe de Estado.

Se, durante a sua fala, Heleno chamou a atenção por causa de alguns atos falhos e levou até bronca de seu advogado, posteriormente, no depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se tornou assunto novamente.

Durante o depoimento de Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno foi flagrado pelos fotógrafos presentes tirando uma baita soneca enquanto o ex-presidente falava.

A reação de Augusto Heleno é, no mínimo, estranha e revela um total desinteresse com o desdobramento do julgamento e com a fala de Bolsonaro, que o elogiou e revelou "amá-lo".

<><> O ato falho de Heleno que pode complicar a vida de Bolsonaro e dos golpistas

 O general de reserva Augusto Heleno prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10) como réu da ação penal da tentativa de golpe de Estado. Heleno usou do direito ao silêncio e apenas respondeu às perguntas de seu advogado, Matheus Milanez.

Durante o interrogatório combinado com o seu advogado, Augusto Heleno cometeu um ato falho que pode complicar a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro e de todos os outros réus acusados de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Ao responder a uma espécie de pinga-fogo, quando apenas se responde "sim" ou "não" para perguntas realizadas pelo interlocutor, Augusto Heleno não se aguentou e deu a entender que "não havia clima" para orientar instituições a produzirem relatórios com informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Advogado: "O senhor coordenou ou orientou a ABIN...?"

Heleno: "Não havia clima..."

Advogado interrompe o ato falho: "Responda só sim ou não."

Heleno: "Porra... desculpa."

•        Ex-ministro da Defesa diz ter alertado Bolsonaro sobre a "gravidade" de decretar estado de defesa ou de sítio

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira relatou uma reunião realizada em 7 de dezembro de 2022, no Palácio da Alvorada.

Nogueira contou que, durante o encontro, o então presidente Jair Bolsonaro expôs "considerandos" sobre como o governo havia sido prejudicado diante do resultado das eleições de 2022 e discutiu possíveis respostas para a situação, como a decretação do estado de sítio ou do estado de defesa.

Também teriam participado da reunião o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos.

“Depois que terminou a reunião, eu cheguei ao presidente. Eu, pessoalmente, acho que Freire Gomes como estava do meu lado. No mesmo dia. Alertando da seriedade, da gravidade, se ele tivesse pensando em estado de defesa, estado de sítio. A gente conversando ali, uma tempestade de ideias, as consequências de uma ação futura, que eu imaginava que poderia acontecer, se a evolução realmente das coisas fosse em frente”, afirmou em interrogatório.

<><> Paulo Sérgio se desculpa no STF por críticas ao TSE: “Usei palavras completamente inadequadas”

Durante depoimento prestado nesta terça-feira (10) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, recuou das críticas feitas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 e apresentou um pedido público de desculpas ao ministro Alexandre de Moraes.

A audiência integra a ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim daquele ano.

Ao ser confrontado sobre sua postura na reunião ministerial de julho de 2022, quando atacou a integridade do processo eleitoral brasileiro, Paulo Sérgio admitiu ter se excedido e lamentou as declarações:

“Quero me desculpar publicamente por ter feito as declarações naquele dia. Eu não tinha nem 3 meses de Ministério da Defesa, vinha do Exército brasileiro. E coincide com essa reunião em que eu trato com palavras completamente inadequadas o trabalho do Tribunal Superior Eleitoral. E mais ainda olhando para vossa excelência (Moraes), porque nós trabalhamos juntos nesse processo. Quando vi esse vídeo posteriormente, eu não acreditei.”

O general também elogiou a atuação de Alexandre de Moraes à frente do TSE naquele período, destacando a contribuição do ministro para o entendimento com as Forças Armadas no processo de fiscalização das urnas:

“A assunção de vossa excelência ao TSE facilitou a minha vida. Ponto. Eu cito o nosso teste de integridade com biometria.”

A manifestação de Paulo Sérgio é parte de uma série de depoimentos de oito réus apontados pela Procuradoria-Geral da República como integrantes do "núcleo crucial" da suposta trama golpista. O grupo é acusado de crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

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