segunda-feira, 23 de junho de 2025

Moisés Mendes: Bolsonaro cada vez mais próximo da hora da verdade

São muitos, incluindo os donos de murais de recados da grande imprensa, os que contribuem para o erro de que Bolsonaro não anuncia o seu ungido para 2026 porque pretende se manter vivo como candidato até quando for possível, mesmo se estiver preso.

O que Bolsonaro tenta é se afastar da realidade de que está morto politicamente, para adiar escolhas até o último minuto. Antes de passar mal em Goiás e retornar nessa sexta-feira a Brasília, ele admitiu em discurso que vomita 10 vezes por dia.

Bolsonaro não tem mais pique e saúde para almejar embates políticos pesados e intensos, nem na próxima semana, nem no ano que vem. Bolsonaro perdeu as forças.

Líderes e quadros do bolsonarismo tentam afastá-lo da arena, para que as coisas se definam. E o próprio eleitor bolsonarista já pediu, como mostram as pesquisas, que ele desista de fingir que resiste.

Mas, se abandonar o fingimento, se admitir que pretende sobreviver apenas como mito – e ainda capaz de interferir em escolhas da velha direita –, Bolsonaro terá que dizer quem afinal é o seu candidato. Hoje, seria Tarcísio de Freitas, o cara que já vestiu o boné do neonazismo de Trump e carrega nos ombros a bandeira de Israel.

O governador, que a Folha exalta como o menos rejeitado de todos os pretendeste à bênção de Bolsonaro, tem a seu favor o que Michelle não tem. Tarcísio desfruta do apoio aberto da direita que ficou perdida com o fim do tucanismo.

A maioria dos eleitores tem imagem negativa de Israel. É também a maioria que desaprova Trump, como mostram Datafolha e Quaest. Mas Tarcísio mantém suas adesões de alto risco.

Calculou que poderia colocar o boné vermelho da América grande de novo e voltou a calcular que seria bom aparecer enrolado na bandeira de Israel, na Marcha para Cristo. Nas duas situações, não há impulso, há cálculo político.

Para Tarcísio, o que importa é fidelizar o contingente evangélico, para não deixar Michelle sozinha nesse campo. Israel é ponto de conexão dos neopentecostais com a ideia do Jesus que voltará, mesmo com a confusão, por ignorância bem planejada, entre Cristo e judaísmo.

E Israel é também importante na conexão com as elites econômicas de direita, e não só com judeus, inclusive de esquerda, que associam sionismo ao fascismo brasileiro na luta contra palestinos e o mundo árabe.

E Trump? Tarcísio marcou, com o boné, seus laços com a imagem do líder da extrema direita mundial, e não precisa mais falar nisso. Não precisa voltar a colocar o boné nem andar de novo com a bandeira de Israel nos ombros. O recado foi dado. A rejeição a Israel e a Trump não preocupa, porque se dilui em meio a outros problemas e interesses.

Com boné e bandeira, Tarcísio fideliza a base e começa a pensar no que importa. Alargar esse lastro na direção da direita antiga, que pretende usá-lo, como usou Bolsonaro, como o cara capaz de inviabilizar Lula em 2026.

Com uma diferença importante sobre como os dois são vistos. Em 2018, Bolsonaro foi uma gambiarra pura, genuína, e seria de novo em 2022, mas Tarcísio, não.

Tarcísio é a aposta de que vem aí uma nova direita nascida de uma costela de Bolsonaro, dependente do bolsonarismo, mas aceitável pelas velhas elites ressentidas, desamparadas e hoje sem a menor chance de ter um Zema ou um Eduardo Leite como alternativas viáveis.

Por isso, o Bolsonaro que voltou a passar mal em Goiás se aproxima, sem volta, da hora da verdade, quando terá de dizer publicamente: cansei, estou saltando fora e indico meu preferido.

Porque ninguém mais acredita, nem na família, que possa continuar interpretando o líder fascista que finge estar vivo, enquanto todos desejam que ele se aceite como morto.

•        Veja em que etapa está cada uma das investigações contra Bolsonaro

Réu no inquérito da trama golpista, Jair Bolsonaro (PL) está envolvido em outras investigações que deixam a situação jurídica do ex-mandatário ainda mais complicada. Um dos inquéritos contra o político de extrema-direita foi arquivado — o da falsificação de cartões de vacinação contra a Covid-19. O balanço das investigações contra o político da extrema-direita foi publicado por Karina Ferreira, no jornal O Estado de S.Paulo.

Outros três casos continuam sendo analisados pela Justiça. Um deles é o caso das joias, no qual a Polícia Federal (PF) indiciou Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda precisa se manifestar sobre o caso.

Outra investigação em curso é a do plano golpista, que está no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro responde por cinco crimes: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado com uso de violência e deterioração de patrimônio tombado.

Há ainda o inquérito da "Abin Paralela", que está sob análise da PF e, posteriormente, será encaminhado à PGR para que seja transformado em denúncia — a ser aceita ou não pelo STF.

¬¬¬¬¬¬ Mais investigações

          1. Interferência na PF

Em outra apuração, a PGR precisa se posicionar sobre as acusações de interferência na PF, que teve seu comando trocado quatro vezes durante o governo Bolsonaro. O STF abriu um inquérito para apurar se essas mudanças teriam o objetivo de beneficiar filhos e aliados do ex-presidente em investigações.

          2. Vazamento de dados

Também no Supremo, investigadores analisam se Bolsonaro e outras autoridades vazaram documentos sigilosos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo foi aberto após um pedido do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, em agosto de 2021.

<><> Bolsonaro tenta prisão domiciliar, mas pena deve começar em regime fechado

Réu no inquérito da trama golpista, Jair Bolsonaro (PL) tentará obter prisão domiciliar em caso de condenação. Problemas de saúde seriam alguns dos argumentos para mudar o regime de cumprimento de pena..

Segundo interlocutores do ex-presidente, a condenação é considerada inevitável. Eles também avaliam que o ministro Alexandre de Moraes determinará o cumprimento da pena em regime fechado.

No inquérito sobre o plano golpista, Bolsonaro responde por cinco crimes: golpe de Estado, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado com uso de violência e deterioração de patrimônio tombado.

•        Novas suspeitas sobre votos bolsonaristas em 2022

Deve-se à repórter Thaísa Oliveira, da Folha, a mais recente pista sobre a intervenção da Abin bolsonarista na eleição presidencial de 2022, que Lula venceu num pleito apertadíssimo contra Bolsonaro. Na edição de 21/6/2025 descreve-se uma operação ocorrida quando a faltavam dois meses para o primeiro do turno e a vantagem de Lula sobre Bolsonaro era outra -- chegava a a 47% contra 29% das intenções de voto.

Nessa situação, descreve-se uma reunião na qual um coordenador da prória Abin "ficou elocubrando uma operação que poderia virar a eleição", conta a reportagem, que engorda indícios outras suspeitas, mais antigas, de que o desempenho bolsonarista em 2022 alimentou-se de um jogo sujo incompatível com sua aprovação real. Num país onde o esforço para garantir eleições livres e limpas constitui uma necessidade permanente, o esclarecimento das sombras de 2022 é mais do que urgente.

Alguma dúvida?

•        Adélio, o hacker e a Abin Paralela: o esgoto do poder bolsonarista começa a emergir. Por Joaquim de Carvalho

O relatório da Polícia Federal sobre o inquérito da Abin Paralela cita o hacker Patrick Brito como um dos monitorados (um dos alvos mais monitorados, aliás, 561 consultas no First Mile), mas não faz referência ao trabalho que ele realizou como colaborador da Agência. E não é um mero detalhe. Patrick Brito diz ter sido cooptado para hackear o vice-presidente na época, Hamilton Mourão.

Patrick Brito mostra evidências de que, efetivamente, controlou contas de e-mail e o perfil de Hamilton Mourão no Facebook, como a relação de contatos e prints de mensagens que o então vice-presidente recebeu.

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“Monitoramento intenso de hacker investigado por crimes cibernéticos. ABIN recebeu informações sobre ele via jornalista. Operação ‘MeiaTigela’”, informa documento apreendido pela Polícia Federal na Agência.

O relatório também faz referência a uma entrevista que Patrick deu à TV 247, e diz que tentou tomar depoimento dele, mas Patrick, que mora na Sérvia, não quis. “Segui orientação do meu antigo advogado, e acho que foi um erro. Se houver oportunidade, posso depor ainda”, afirma.

Ele pretende enviar carta ao ministro Alexandre de Moraes, em cuja jurisdição está o inquérito. O relato que Patrick deu ao 247 bate com informações colhidas pela Polícia Federal, no inquérito da Abin Paralela.

Foi o jornalista Fabiano Golgo, que já trabalhou para o Grupo RBS, quem encaminhou à Abin documentos sobre o hackeamento de Patrick antes de agosto de 2019, que teve Jair Bolsonaro como um dos alvos.

Segundo o relatório da PF, Golgo encaminhou 12 e-mails para Marcelo Furtado, um dos dirigentes da Abin na época. Esses e-mails tinham como anexos contas de e-mail, de celular e TV a cabo de Bolsonaro.

Mas não apenas dele. Havia também uma conta de telefone de Adélio Bispo de Oliveira. Em entrevista ao 247, o jornalista Golgo afirmou que, depois de reuniões por videoconferência com Furtado, foi informado de que não haveria investigação.

“Achei estranho, porque, publicamente, Bolsonaro sempre disse que queria investigação profunda do caso Adélio, mas não, de uma hora para outra, perderam o interesse”, diz.

A ação da Abin contra Patrick também pode ter sido motivada pelo hackeamento que fez nas redes sociais do então coronel da Aeronáutica Eduardo Alexandre Bacelar, atualmente brigadeiro do ar.

Ele era o coordenador-geral de Transporte Aéreo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência quando, em junho de 2019, o sargento da Aeronáutica Manuel Silva Rodrigues foi preso na Espanha com 39 quilos de cocaína.

Manuel estava no avião de apoio na comitiva de Jair Bolsonaro que se deslocava para o Japão, e teve a bagagem revistada pela polícia de Sevilha, onde a aeronave parou para reabastecimento.

Bacelar foi hackeado alguns meses depois por razões pessoais de Patrick, uma divergência na família, e teria acionado a Abin, com a participação do jornalista Golgo.

Patrick tem fotos de Bacelar com Bolsonaro e outras de cunho pessoal. E teria feito contato com o próprio coronel, para ameaçá-lo.

As informações do hacker precisam ser tomadas com reserva. O próprio Golgo diz suspeitar de que a conta de Adélio possa ter sido adulterada, com o objetivo de impressioná-lo.

Patrick me relatou a história e atribuiu a um político de centro-direita a encomenda para invadir contas de e-mail de Adélio.

No entanto, não apresentou evidências de que mantinha contato com esse político, daí eu ter interrompido contato com ele.

A conta é de 2016, quando Adélio, garçom e servente de pedreiro, era desconhecido nacionalmente.

Em março deste ano, no entanto, um episódio devolveu a Patrick pelo menos parte da credibilidade, e me fez voltar a me comunicar com ele.

A Polícia Federal indiciou o cunhado da prefeita de Bauru, que é do PSD, por contratá-lo para invadir contas de um jornalistas e de adversários políticos, entre estes uma vereadora do PT.

O indiciamento mostra que seu relato sobre o hackeamento que fez com objetivo político entre julho de 2021 e janeiro de 2022 na cidade de Bauru era consistente.

Outro relato consistente diz a um delegado de polícia que era poderoso em Araçatuba, interior de São Paulo, Carlos Henrique Cotait. Patrick apresentou evidências de que também fez trabalho ilegal para o delegado, tendo como alvo o ministro do Empreendedorismo, Márcio França.

Em razão de suas denúncias, o delegado foi transferido para um departamento administrativo, e responde à investigação na corregedoria.

Em 2023, Patrick pediu asilo na Sérvia, entre outras razões porque, em um áudio entregue à corregedoria, o delegado diz querer matar o hacker. Ele ainda mora na Sérvia.

Patrick deixou o Brasil no dia 27 de fevereiro de 2021, depois de ter sido preso em uma operação da Polícia Civil de São Paulo.

Patrick diz que foi liberado e teve o passaporte devolvido após aceitar a proposta do delegado Cotait de monitorar pessoas ligadas a Márcio França, adversário político de João Doria, então governador.

A decisão de fugir, segundo ele, já estava tomada antes de colaborar com essa investigação, Ele temia represália por conta do hackeamento de Hamilton Mourão.

Segundo seu relato, em julho de 2020, depois das denúncias do jornalista Golgo, a Abin foi até sua casa, no interior de São Paulo.

Patrick, no entanto, passava uma temporada em Canavieiras, Santa Catarina. Sua mãe atendeu a dois agentes, e ligou para ele.

Por telefone, o hacker conversou com um dos agentes e disse que aceitaria conversar com eles, mas teriam que ir à cidade catarinense.

Alguns dias depois, um casal, que se apresentou como Vagner e Soraia, o encontrou em um shopping e perguntou sobre suas atividades como hacker.

Ele contou que já tinha prestado serviços para a Embaixada dos EUA, num monitoramento ilegal de pessoas que frequentavam outra embaixada com sede em Brasília, a do Irã.

Os agentes teriam, então, proposto a ele que trabalhasse também para a Abin, e algumas semanas depois foi contactado para ir a Brasília.

Patrick, efetivamente, se hospedou em um hotel da capital federal por mais ou menos um mês, entre novembro e dezembro.

Suas despesas, segundo ele, foram pagas com depósitos na conta de um parente, feitas a partir de comunicação com pessoas que se apresentavam como da Abin.

O objetivo era acessar as comunicações do vice-presidente, quando havia um burburinho de que este estaria sendo sondado para apoiar um processo de impeachment contra Bolsonaro, em razão da sabotagem às medidas sanitárias para enfrentar a pandemia covid-19.

Patrick não encontrou nada que indicasse participação de Hamilton Mourão num suposto movimento pelo impeachment, e as relações com a Abin foram cortadas.

“Nesse momento, quando eles desabilitaram o WhatsApp, fiquei com medo de que a corda arrebentasse e, com isso, a conta viria para o lado mais fraco, no caso eu”, afirma.

O início do monitoramento de Patrick pelo First Mile coincide com a data em que decide deixar Brasília e a um mapa de geolocalização que o mostra na capital.

O monitoramento se encerra em fevereiro, quando ele embarca para a Alemanha, onde fez conexão para a Sérvia.

O relatório da Polícia cita o encontro de prints sobre Patrick Brito no celular de Marcelo Furtado em outubro de 2021.

A data coincide com um suposto diálogo que teve pelo Facebook de Mourão com um homem que se apresentou como capitão, da equipe de segurança da Vice-Presidência.

 Ele teria dito: “Sabemos o que você fez. Não faça mais”.

“Depois desse diálogo a conta foi desabilitada pelo Facebook”, narra Patrick.

Chama a atenção outro episódio envolvendo Adélio, este presente no inquérito policial sobre o evento de Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018.

Os responsáveis pela investigação informa que Adélio tinha sete contas de e-mail quando foi preso. Segundo o inquérito, duas delas estavam desativadas por falta de uso.

Ocorre que a conta Bispoadelio81@gmail.com, citada como em desuso, até hoje está sob controle do hacker. Tanto que enviei um e-mail e ele respondeu, para provar que tinha acesso.

Patrick conta que hackeou os e-mails do homem responsabilizado por esfaquear Bolsonaro em maio de 2018, quando Adélio ainda era desconhecido.

Pedi a ele provas de que teve acesso àquele e-mail antes do evento de Juiz de Fora, e ele ficou de providenciar um extrato do Google, proprietário do gmail.

A Abin Paralela, que teve origem em Juiz de Fora, com a nomeação de três  agentes responsáveis pela segurança naquele 6 de setembro de 2018, é a ponta do iceberg.

Casos de espionagem ilegal já estão comprovados. Mas pode haver mais. Casos mais graves. É preciso investigar.

O relatório da PF narra uma intensa movimentação na Abin e na Polícia Federal para usar o caso de Juiz de Fora antes da eleição e, depois, quando o plano golpista estava em curso.

Esta é uma história que também vou contar nesta coluna. Aguardem os próximos capítulos.

•        Bolsonarismo freou avanço evangélico, diz pastor próximo a Marçal

Em um  vídeo postado nas redes sociais pela página O Fuxico Gospel, o pastor Aluízio A. Silva, fundador da Igreja Videira, comentou os dados do novo Censo do IBGE sobre a religião no Brasil e atribuiu ao bolsonarismo a desaceleração do crescimento das igrejas evangélicas no país.

“De cada quatro brasileiros, um é evangélico. Aleluia! Deus é bom. Espero que sejam regenerados, nascidos de novo. Glória a Deus por isso”, disse o pastor, celebrando os números. No entanto, ele destacou uma preocupação com o ritmo de crescimento da fé evangélica.

“No ritmo que as igrejas vinham crescendo até 2020, a previsão era que em 2032 o Brasil teria mais de 50% de evangélicos. Não sei o que aconteceu, mas o ritmo caiu drasticamente. Depois da pandemia, caiu drasticamente”, afirmou.

Segundo ele, embora o IBGE não aponte as causas, a razão é clara: “Eu vou te dizer qual é a causa disso. Foi o bolsonarismo. Quando os pastores no púlpito resolveram assumir politicamente algo, fecharam a porta da igreja pra montão de gente”, criticou.

O líder religioso que é próximo a Pablo Marçal, que costuma citar a igreja em compromissos e entrevistas e também vai a eventos e cultos, reforçou que o problema não foi apenas afastar pessoas de esquerda, mas também aquelas que “não querem se identificar com um segmento político”. Para ele, a politização dos púlpitos foi uma armadilha: “Isso é distração do maligno. Tenha muito cuidado com isso”, alertou.

 

Fonte: Brasil 247

 

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