sexta-feira, 13 de junho de 2025

Lipedema e linfedema: entenda as diferenças e como tratar

O lipedema e o linfedema são doenças, muitas vezes, confundidas por possuírem nomes semelhantes e atingirem, geralmente, as pernas. Porém, são condições diferentes, com causas, sintomas e tratamentos distintos.

De acordo com Fernando Amato, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo de gordura nos membros, especialmente nas coxas e pernas, poupando mãos e pés. Ela é mais comum em mulheres, principalmente após a adolescência.

"A causa do lipedema não é totalmente compreendida, mas sabemos que fatores genéticos e hormonais desempenham papel central", explica Amato. Entre os fatores de risco associados, estão a predisposição genética, hormônios femininos (com início ou agravamento das condições em períodos de alterações hormonais, como puberdade, gravidez ou menopausa), distúrbios de colágeno e alteração de microcirculação capilar (fluxo sanguíneo através dos menores vasos sanguíneos).

Além disso, de acordo com Guilherme Jonas, angiologista e cirurgião vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), diferentemente do sobrepeso e da obesidade comum, o lipedema não responde de forma significativa a dietas e exercícios físicos convencionais.

Já o linfedema é uma condição causada pela disfunção do sistema linfático, levando ao acúmulo de líquido rico em proteínas (linfa) nos tecidos e causando inchaço persistente e progressivo. Ela pode acontecer desde o nascimento (linfedema primário) ou surgir por lesões nos vasos linfáticos, cirurgias, infecções ou traumas (linfedema secundário).

"Diferentemente do lipedema, que se caracteriza pelo acúmulo de gordura e atinge predominantemente mulheres, o linfedema resulta do comprometimento do sistema linfático, pode afetar ambos os sexos e tem como uma das marcas o comprometimento dos pés e das mãos", explica Jonas. Além disso, o linfedema se manifesta, muitas vezes, de forma assimétrica, com endurecimento da pele.

Entre os fatores de risco para o linfedema, estão cirurgias que envolvam retirada de linfonodos ou vasos linfáticos, radioterapia, infecções recorrentes nos membros, traumas, obesidade e anomalias congênitas do sistema linfático.

•        Quais são os sintomas do lipedema e do linfedema?

O lipedema e o linfedema também costumam gerar sintomas diferentes. No primeiro caso, além do aspecto estético, há sintomas físicos marcantes. Segundo Amato, os principais incluem:

•        Dor e desconforto local;

•        Sensibilidade aumentada nos membros afetados;

•        Cansaço e fadiga nos membros inferiores;

•        Sensação de peso ou "pressão" constante nas pernas;

•        Hematomas espontâneos devido à fragilidade vascular capilar;

•        Coxins de gordura no meio da coxa e da perna que impedem a movimentação habitual dos membros, comprometendo a marcha.

Em estágios avançados, o lipedema pode ter uma associação com linfedema secundário, em uma condição chamada lipo-linfedema.

Já o linfedema não vem acompanhado de dor e nem sensação de peso, diferentemente do linfedema. Além disso, a pele e a camada subcutânea ficam mais endurecidas em estágios mais avançados da doença, segundo o especialista.

•        Como é feito o diagnóstico e o tratamento de cada uma das doenças?

O diagnóstico do lipedema é clínico, baseado na história do paciente, no exame físico e na exclusão de outras condições, incluindo o linfedema.

"Entre os critérios diagnósticos principais estão o acúmulo simétrico de gordura nas pernas e/ou nos braços, a preservação de mãos e pés, dor, sensibilidade e tendência a hematomas e progressão da doença com o tempo", explica Amato. "Exames complementares, como ultrassonografia, podem ajudar a documentar alterações no tecido subcutâneo e excluir alterações vasculares", completa.

Além disso, a bioimpedância e a densitometria corporal podem auxiliar na caracterização da distribuição anormal da gordura. Por fim, exames laboratoriais podem identificar deficiências nutricionais e outras alterações metabólicas que podem estar presentes.

O tratamento do lipedema inclui a mudança no estilo de vida, com a adoção de uma dieta personalizada com controle de peso, além de drenagem linfática manual, compressão elástica, cuidados com a pele e exercícios físicos. Em casos selecionados, pode ser feita a lipoaspiração tumescente com preservação linfática. "Não se trata de lipoaspiração estética. O objetivo é funcional, com melhora de sintomas e de deambulação [ação de caminhar ou mover-se]", explica Amato.

Já o linfedema pode ser diagnosticado com o exame físico e com um exame chamado Sinal de Stemmer, que é feito a partir do pinçamento da pele. Exames complementares podem incluir linfocintilografia, bioimpedância, ressonância magnética ou tomografia com contraste linfático.

O tratamento do linfedema inclui terapia descongestiva completa, considerada padrão ouro para a condição, além da drenagem linfática manual, uso de malhas de compressão, exercícios com compressão e cuidados com a pele.

Em alguns casos que resistem a essas medidas, o tratamento cirúrgico pode ser uma opção, incluindo transplante de linfonodos, lipoaspiração para linfedema em estágio avançado com fibrose e anastomoses linfovenosas -- uma técnica cirúrgica que conecta um vaso linfático e uma veia, permitindo que o fluido linfático seja desviado para a circulação venosa ao invés de se acumular nos tecidos.

•        Alimentação é importante para ambas doenças

Segundo Amato, além dos tratamentos, a alimentação desempenha um papel importante no controle das doenças. "Embora nenhuma dieta 'cure' o lipedema ou linfedema, a alimentação tem papel central no controle da inflamação, da progressão dos sintomas e na qualidade de vida", afirma.

A alimentação equilibrada e individualizada pode contribuir para a redução da inflamação sistêmica, para o controle de peso corporal, redução da resistência insulínica, redução do inchaço e no auxílio da função vascular e linfática.

"Para o lipedema, uma alimentação balanceada, anti-inflamatória e com controle do peso pode ajudar a reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida, minimizando a progressão do quadro", orienta Jonas. "Já no linfedema, manter uma alimentação saudável e evitar o excesso de peso são fundamentais para aliviar o inchaço, facilitar o manejo clínico e reduzir o risco de infecções", completa.

•        Como deve ser a dieta de quem tem lipedema, segundo especialista

A atriz Barbara Reis, 35, revelou recentemente que está em processo de tratar um lipedema. A condição crônica se caracteriza por um acúmulo anormal de gordura geralmente em pernas e coxas e, em alguns casos, nos braços, e ocorre principalmente em mulheres, por conta de componente genético e hormonal.

Para quem vive com o lipedema, uma das preocupações mais comuns é encontrar formas eficazes de controle da doença. Em relato, Reis contou que adotou uma dieta 100% anti-inflamatória. Em entrevista à CNN, a médica nutróloga e pós-graduada em nutrigenômica Nattány Ríbeiro, disse que a alimentação desempenha um papel fundamental nesse processo.

<><> Lipedema é um problema diário

Se não tratada, a doença traz uma limitação de atividade de vida diária. “A paciente pode apresentar limitações na mobilidade e dificuldade emocional devido à aparência e as dificuldades no controle dessa gordura corporal”, explica a especialista.

Outros sintomas são elencados pela médica:

•        Sensibilidade ao toque;

•        Tendência a hematomas;

•        Retenção de líquidos;

•        Sensação de peso nas pernas.

<><> Como deve ser a dieta de quem tem lipedema?

Conforme explica Nattány, o lipedema está fortemente ligado à inflamação crônica, porque o tecido gorduroso adiposo envolvido nessa condição apresenta uma má circulação e uma resposta inflamatória elevada, que vai levar a pessoa a ter dor, inchaço, e piora progressiva do quadro.

Por conta disso, o mais recomendado se torna uma dieta anti-inflamatória, como a da atriz.

“Se você tem uma dieta inflamatória, rica em açúcar, farinha, processados, ultraprocessados e embutidos, isso agravará o lipedema, aumentando a retenção de líquido, que aumenta a inflamação sistêmica, o estresse oxidativo, tornando o processo de perda de gordura ainda mais difícil”, ressalta a profissional.

“Por outro lado, se a gente adota uma dieta anti-inflamatória, a gente vai combater tudo isso, e proporcionar a redução do inchaço, controle da inflamação, e melhorar os sintomas num geral”, complementa.

<><> Como deve ser a dieta anti-inflamatória para quem tem lipedema

Uma dieta saudável precisaria ser rica em alimentos naturais, antioxidantes e com propriedades anti-inflamatórias, segundo Nattány.

Alimentos recomendados:

•        Fonte de proteína magra: peixes, ovos, frangos;

•        Gorduras boas: azeite de oliva, macate, castanhas;

•        Verduras, legumes e frutas com efeito antioxidante: frutas vermelhas, laranja, kiwi, melancia e abacaxi;

•        Ervas e especiarias: cominho, gengibre, alho, canela e pimenta preta;

•        Chás e infusões: chá verde, cavalinha e hibisco.

Alimentos que devem ser evitados: açúcar, farinha branca, pães refinados, alimentos ultraprocessados, embutidos e refrigerantes.

“Outro ponto muito importante na dieta é a hidratação e a prática regular de exercício físico.”

 

Fonte: CNN Brasil

 

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