Centenário
da Coluna Prestes: a coluna hoje
Ao
incorporar-se às comemorações nacionais do centenário da Coluna Prestes,
formada no final de 1924 no Noroeste do estado do Rio Grande do Sul (Prestes,
2024), a UNILA resgata o centenário da chegada dessa Coluna, encabeçada por
Luiz Carlos Prestes — também conhecida como “Invicta” — à Foz do Iguaçu, em
abril de 1925.
- O combate às versões pós-modernas
(irracionalistas) e anticomunistas da história da Coluna Prestes
A
história da Coluna Prestes foi e continua sendo deturpada e falsificada desde
que Prestes se tornou comunista. A adesão do então celebrado “Cavaleiro da
Esperança”, com o seu “Manifesto de Maio” de 1930, à proposta da “revolução
agrária e anti-imperialista” adotada pelo Partido Comunista provocou a
condenação generalizada de Prestes na opinião pública nacional, abrindo caminho
para as crescentes investidas de caráter anticomunista contra ele.
Algumas
das principais lideranças do movimento tenentista, entre as quais se destacavam
ex-comandantes da Coluna Prestes — como por exemplo Juarez Távora — passaram
não só a repudiar as posições de Prestes, mas também a silenciar, desfigurar
e/ou falsificar sua atuação anterior durante a Marcha pelo Brasil. As classes
dominantes do país jamais perdoariam Prestes por sua recusa a compactuar com os
donos do poder — esta era a aposta dos setores oligárquicos de oposição em 1930
— e seu posicionamento junto aos trabalhadores, explorados e oprimidos, e sua
consequente adesão ao Partido Comunista.
Desde
então, tornaram-se comuns as repetidas deturpações e falsificações das ideias
defendidas por Prestes e de suas atitudes e posicionamentos políticos. Da mesma
forma, quando era conveniente aos interesses dominantes, apelava-se para o
silenciamento da vida e da obra de Luiz Carlos Prestes na História do Brasil do
século XX. Por trás dessa estratégia consubstanciada na História Oficial —
elaborada, segundo A. Gramsci, pelos “intelectuais orgânicos” das classes
dominantes —, encontramos a luta ideológica contra o “comunismo”, um fantasma
produzido para justificar o combate às ideias e às atitudes contestadoras e/ou
contrárias aos interesses dos donos do poder.
Principalmente
a partir dos insucessos, durante o ano de 1968, dos movimentos generalizados de
rebeldia em vários lugares do mundo, verificamos na intelectualidade acadêmica,
nas palavras de Eric Hobsbawm, o “crescente ceticismo concernente ao projeto iluminista
de racionalidade” (Hobsbawm, 1998, p. 286), ou seja, um significativo avanço
das correntes irracionalistas (Cardoso, 1988), frequentemente denominadas
“pós-modernas”.
Ciro
Flamarion Cardoso, com base em trabalhos de autoria do marxista inglês Alex
Callinicos, ao examinar “a origem do avanço do paradigma pós-moderno,
progressivamente visível ao longo do período 1968-1969”, destaca que o
pós-modernismo seria o resultado da:
“trajetória
pessoal de intelectuais que podem ser considerados da ‘geração de 1968’ no
decorrer da década de 1970: de portadores de esperanças revolucionárias
desiludidas, muitos deles passaram ao abandono da crença na possibilidade de
uma transformação social global; daí, ao apoio entusiástico a movimentos
parcializados de luta ou reivindicação (feminismo, regionalismo,
movimento gay, ecologismo, movimento negro etc.), associado a um
‘frentismo’ mal-explicado; vários indo além, desembocaram por fim na social-democracia,
no neoconservadorismo ou no neoliberalismo. Tal processo ocorreu tanto no
Ocidente quanto no antigo bloco socialista, mesmo antes de 1989 (…)” (Cardoso,
1977, p. 17).
Hobsbawm
afirma que o chamado pós-modernismo “é profundamente
relativista. Se não há nenhuma distinção clara entre o que é verdadeiro e o que
sentimos ser verdadeiro, então minha própria construção da realidade é tão boa
quanto a sua ou a de outrem, pois ‘o discurso é o produtor desse mundo, não o espelho’”
(Hobsbawm, 1998, p. 286).
Em
contraposição às concepções pós-modernas, segundo as quais todas as narrativas
seriam válidas, Hobsbawm afirma como essencial que “os historiadores defendam o
fundamento de sua disciplina: a supremacia da evidência” (idem),
acrescentando que “se a história é uma arte imaginativa, é uma arte que não
inventa mas organiza objets trouvés” (ibidem, p. 287).
Ainda
segundo Hobsbawm, “insistir na supremacia da evidência e na importância central
da distinção entre fato histórico verificável e ficção é apenas uma das
maneiras de exercer a responsabilidade do historiador”, destacando que “durante
muito tempo, a desconstrução de mitos políticos ou sociais disfarçados como
história foi parte das obrigações profissionais do historiador, independente de
suas simpatias” e “a crítica cética do anacronismo histórico provavelmente é
hoje a principal maneira pela qual os historiadores podem demonstrar sua
responsabilidade pública” (ibidem, p. 288).
Ao
concordarmos com Eric Hobsbawm quando afirma que “o problema para os
historiadores profissionais é que seu objeto tem importantes funções sociais e
políticas” e que “a diferença entre fato histórico e falsidade não é
ideológica”, assim como “a verificabilidade histórica de afirmações políticas
ou ideológicas pode ser de importância vital, se a historicidade for a base
essencial de tais afirmações” (ibidem, p. 284, 287), percebemos a importância
dessas concepções para a pesquisa das narrativas sobre Luiz Carlos
Prestes.
A
influência crescente das correntes pós-modernas entre historiadores, cientistas
sociais e jornalistas tem contribuído, de maneira muitas vezes inconsciente,
para que em seus escritos a vida e a obra de Prestes seja narrada em versões
inventadas, mentirosas, falsificadas e distantes da realidade dos fatos, ou
seja, das evidências, que teriam deixado de ter qualquer significado segundo as
concepções irracionalistas (que passaram a ser denominadas
pós-modernas).
O
reconhecimento do referido papel das correntes irracionalistas no reforço ao
tradicional anticomunismo na sociedade brasileira constitui a comprovação
incisiva de que na atualidade a principal forma da luta de classes é a luta
ideológica ou, em outras palavras, o embate entre as concepções convenientes à
defesa dos interesses da burguesia e as aspirações e os ideais dos combatentes
por justiça social e democracia para os explorados e desprotegidos na sociedade
capitalista. O conflito entre capital e trabalho não desapareceu; adquiriu
novas formas. As concepções pós-modernas contribuem para reforçar o poder do
capital.
- O tenentismo – fruto da crise da
Primeira República
Na
década de 1920, frente à crise da Primeira República, na
inexistência de outras forças políticas em condições de assumir o combate ao
sistema oligárquico então dominante, coube à juventude militar da época — os
chamados “tenentes” — assumir a liderança do movimento oposicionista em
formação (Prestes, 2024). A conspiração tenentista, iniciada ainda em 1921,
resultou nos levantes de 1922, no Rio de Janeiro, e de 1924, em São Paulo, cujo
objetivo era, primeiro, impedir a posse de Artur Bernardes na presidência da
República e, uma vez derrotados, derrubar esse legítimo representante do poder
oligárquico. O programa liberal dos “tenentes”, cuja demanda principal era o
voto secreto, não contemplava, contudo, as múltiplas reivindicações sociais da
época.
Diferentemente
do que é afirmado em grande parte da historiografia, o movimento tenentista
contou com importante apoio e participação de forças políticas civis de
oposição. Esse foi o caso da Campanha da Reação Republicana, com a candidatura
de Nilo Peçanha à eleição presidencial de março de 1922, assim como a aliança
dos “tenentes” com Joaquim Francisco de Assis Brasil, liderança dos
federalistas (os “maragatos”) do estado do Rio Grande do Sul. Afirmar que o
tenentismo teria sido um movimento militarista é uma falsificação histórica;
pesquisa por mim realizada pôde comprovar a participação dos “tenentes” na
Campanha da Reação Republicana, propiciando o nascimento do chamado movimento
tenentista (Prestes, 1994).
- A Coluna Prestes – episódio culminante
do tenentismo
Após a
derrota e a partida para o oeste do estado do Paraná dos participantes do
levante de julho de 1924 em São Paulo, sob o comando do general da reserva
Isidoro Dias Lopes e do major Miguel Costa da Força Pública do Estado de São
Paulo, acelerou-se a conspiração tenentista no Rio Grande do Sul. O capitão
Luiz Carlos Prestes — que servia no 1º Batalhão Ferroviário (1ºBF) da cidade de
Santo Ângelo, no noroeste rio-grandense —, seria uma das lideranças mais
destacadas do movimento, contando com a colaboração estreita do tenente Mário
Portela Fagundes, também do 1ºBF. Após o levante deflagrado em 28 de outubro de
1924, os efetivos tenentistas, de cerca de 1.500 homens e 30 mulheres,
incluindo alguns “maragatos”, com pouco armamento e munição insuficiente, resistiram
na cidade de São Luís Gonzaga ao cerco governista — constituído por 7 colunas
de 2 mil homens cada — até os últimos dias de dezembro de 1924. Era o chamado
“anel de ferro” (Prestes, 2024).
Nesse
momento crucial para o movimento tenentista, dada a inferioridade numérica e de
armamento dos rebeldes, Prestes adotou uma iniciativa inovadora: a tática que
ficou conhecida como “guerra de movimento”, e consistia em deslocar-se com
grande rapidez, mantendo contato com o inimigo para assim conhecer seus
movimentos e persegui-lo com eficácia. Sua aplicação tornou-se possível devido
aos pequenos grupos de combatentes — as “potreadas” —, que se afastavam do
grosso da tropa rebelde para garantir tanto seu abastecimento quanto
informações sobre o relevo geográfico local e, em especial, sobre os movimentos
do inimigo. Tais informações eram primordiais para os comandantes rebeldes; as
“potreadas” foram os olhos da Coluna Prestes, desde então em formação.
Mobilidade
e surpresa constituíram dois aspectos da “guerra de movimento” que garantiram
aos rebeldes o rompimento do cerco de São Luís Gonzaga, a formação da Coluna
Prestes e, a partir do dia 27 dezembro de 1924, sua marcha exitosa ao encontro
dos combatentes de São Paulo, acantonados no oeste do Paraná. Foram comandantes
da Coluna Prestes, ainda no Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Prestes, Mário
Portela Fagundes, Antônio Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Osvaldo
Cordeiro de Farias.
Em
abril de 1925, quando a Coluna Prestes, após enfrentar a intensa perseguição
dos legalistas mobilizados por Artur Bernardes e Borges de Medeiros (governador
do estado do Rio Grande do Sul), chegou ao Paraná, encontrou os rebeldes
paulistas, em grande parte, dispostos a desistir da resistência que vinham
mantendo e partir para o exílio. Derrotados em Catanduvas pelo general Cândido
Rondon, a serviço do governo de Bernardes, os remanescentes desse combate
mostravam-se descrentes na possibilidade de dar continuidade à luta que até
então tinham travado.
Em
reunião da oficialidade rebelde paulista na cidade de Foz de Iguaçu, Luiz
Carlos Prestes, que chegara à frente da Coluna Prestes vitoriosa, declarou que
seus soldados não iriam para o exílio, pretendiam atravessar o rio Paraná e dar
continuidade à Marcha pelo Brasil. Após a desistência de uma parte considerável
da oficialidade paulista, houve a incorporação do grosso dos combatentes de São
Paulo, sob o comando do major Miguel Costa, à Coluna Prestes. Nessa ocasião,
após a reorganização geral das tropas rebeldes, Miguel Costa foi promovido a
general e escolhido comandante da Coluna; Luiz Carlos Prestes, promovido a
coronel, chefe do Estado-Maior; e Juarez Távora, também promovido a coronel,
subchefe do Estado-maior.
Foz de
Iguaçu constitui um momento importante na História da Coluna Prestes, pois foi
a partir dessa região que se deu a continuidade da sua Marcha pelo Brasil,
iniciada ainda no Rio Grande do Sul. Após realizar a travessia do rio Paraná,
considerado uma barreira intransponível pelos governistas, a Coluna percorreu
um trecho do Paraguai, país vizinho, ingressando no estado de Mato Grosso em 3
de maio de 1925.
Ao
pesquisar as evidências existentes sobre a reunião de Prestes com a
oficialidade paulista em Foz de Iguaçu, verifiquei que constitui falsificação
histórica a versão, amplamente difundida pela História Oficial, segundo a qual
no Paraná teria sido formada a Coluna que poderia, então, ser denominada Miguel
Costa – Prestes. Falsificação que, como inúmeras outras, visa diminuir,
desprezar ou silenciar o papel de Prestes nesses acontecimentos. Trata-se de
mais uma concessão ao irracionalismo e ao anticomunismo (Prestes, 2024).
Foram
cerca de 25 mil quilômetros de Marcha de Sul a Norte e de Leste a Oeste do
Brasil, atravessando 13 estados em 2 anos e 3 meses, sem sofrer derrota alguma,
sempre vitoriosa, enfrentando 53 combates com tropas governistas de efetivos
muito superiores aos dos rebeldes, que nunca ultrapassaram mil e quinhentos,
incluindo 50 mulheres.
Essa
epopeia brasileira, que derrotou 18 generais do Exército brasileiro, deve seu sucesso
à adoção da tática da “guerra de movimento”, elaborada por Luiz Carlos Prestes,
e ao heroísmo dos seus combatentes, em sua maioria homens e mulheres de origem
popular, empenhados na derrubada de Artur Bernardes, então presidente da
República, entendendo que assim lutavam por liberdade e justiça. Na
impossibilidade de marchar sobre o Rio de Janeiro, à época capital da
República, a Coluna, sempre perseguida pelas tropas do governo, emigrou para a
Bolívia, sem depor as armas. Afirmar que a Coluna Prestes foi derrotada é mais
uma falsificação histórica bastante repetida nos textos conhecidos. Como
escreveu Lourenço Moreira Lima, que fez o registro da marcha da Coluna Prestes:
“Não vencemos, mas não fomos vencidos” (Moreira Lima, 1979, p. 500).
Outra
falsificação muito difundida sobre a Coluna Prestes é a afirmação de que os
rebeldes teriam cometido violência e abusos de todo tipo contra as populações
das regiões por onde passaram no interior do país. Embora não se possa negar
que houve casos isolados de transgressões do comportamento exigido do
combatente da Coluna, elas foram sempre severamente punidas pelo Comando da
Marcha. As evidências existentes revelam o respeito com que os rebeldes da
Coluna Prestes trataram os homens, mulheres e crianças que encontraram durante
seu longo caminhar (Idem; Prestes, 2024).
- A Coluna Prestes – fator decisivo na
derrubada da Primeira República
A
Coluna Prestes — episódio culminante do tenentismo —, ao emigrar para a Bolívia
sem ter sido derrotada pelos governos oligárquicos de Artur Bernardes e de seu
sucessor, Washington Luís, adquirira enorme repercussão nos meios políticos do
país. No final dos anos 1920, com o agravamento da crise que abalava as
estruturas da Primeira República, os grupos oligárquicos contrários ao poder
monolítico das oligarquias cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais passaram a
apostar na composição de uma chapa de oposição à sucessão presidencial prevista
para março de 1930. Em junho de 1929 foi formada a Aliança Liberal com os nomes
de Getúlio Vargas (Rio Grande do Sul) e João Pessoa (Paraíba) para presidente e
vice-presidente. Ao mesmo tempo, apostava-se no apoio dos “tenentes”,
principalmente se contava em atrair Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da
Esperança”, e utilizar a legenda da Coluna Prestes.
Embora
Prestes insistisse em desmentir qualquer apoio seu à Aliança Liberal, a
campanha eleitoral oposicionista foi realizada utilizando as bandeiras da
Coluna Prestes e o nome do “Cavaleiro da Esperança”. As limitações dos meios de
comunicação da época e o boicote dos “tenentes”, em sua maioria favoráveis à
participação na Aliança Liberal, dificultaram que as posições de Prestes,
exilado na Argentina, chegassem ao público brasileiro. Com a derrota eleitoral,
as forças políticas de oposição apostaram no movimento armado que, contando com
o apoio e a participação dos “tenentes”, levou Getúlio Vargas ao poder em
outubro de 1930.
Durante
a Marcha da Coluna pelo interior do Brasil, Luiz Carlos Prestes ficara
impressionado e indignado com a miséria das populações rurais do país,
percebendo que o programa liberal adotado pelos “tenentes” não seria solução
para os graves problemas sociais que ele verificara. Esta foi uma das
principais razões para propor o encerramento da Marcha e partir para o exílio,
onde Prestes pretendia estudar para encontrar tal solução. Na Argentina, a
partir de 1928, Prestes aproxima-se dos comunistas latino-americanos e estuda
com afinco o marxismo, teoria social em que encontra a resposta que tanto
buscava. O Manifesto de Maio de 1930 consagra a ruptura de Prestes com o
tenentismo e a sua opção pelo marxismo e o comunismo, embora isso não seja
declarado explicitamente.
Até
então o grande prestígio político de Prestes no país lhe garantira a
possibilidade de participar da coligação oposicionista vencedora em 1930,
alternativa por ele rejeitada por compreender que inexistiam na sociedade
brasileira forças populares organizadas e mobilizadas para apoiá-lo nas medidas
revolucionárias que defendia. Caso aceitasse o poder nessas condições, se
tornaria refém dos grupos oligárquicos vencedores. A ruptura definitiva de
Prestes com as classes dominantes foi um gesto imperdoável para quem contava
com a utilização do seu prestígio na defesa de interesses exclusivistas e
antipopulares.
Na
História Oficial, quando lemos sobre o posicionamento de Luiz Carlos Prestes
diante da Aliança Liberal e do movimento armado de 1930, encontramos narrativas
que, ao condenar sem qualquer explicação aceitável sua recusa a apoiar os
chamados “revolucionários de 30” e/ou aderir aos ataques da propaganda
anticomunista, revelam as opções irracionalistas e pós-modernas que são
adotadas como recurso para consagrar falsificações históricas.
- Considerações finais
O
centenário da Coluna Prestes constitui uma oportunidade especial para o resgate
dessa página heroica da nossa História, o que certamente será inspirador para
os jovens latino-americanos de hoje em luta contra a dominação imperialista de
nossos povos, por justiça social e democracia para as grandes massas populares
e, em última instância pelo socialismo — a única solução verdadeira e radical
para os graves problemas em que vive o continente latino-americano.
Fonte:
Por Anita Leocadia Prestes, no Blog da
Boitempo

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