sexta-feira, 13 de junho de 2025

"Bolsonaro é frouxo": vídeo divulgado por bolsonaristas causa hecatombe em grupos de apoio

A "frouxidão" e a "covardia", segundo os próprios apoiadores, de Jair Bolsonaro (PL) diante do ministro Alexandre de Moraes, em depoimento nesta terça-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe caiu como nitroglicerina pura em grupos de Telegram que reúnem aliados extremistas do ex-presidente.

Um vídeo-bomba, feito pelos próprios bolsonaristas sobre o depoimento e divulgado no grupo Águia, que reúne mais de 20 mil apoiadores do ex-presidente, na manhã desta quarta-feira (11) provocou uma verdadeira hecatombe e implodiu o discurso em torno da narrativa, com trocas de acusações entre os membros.

Com legendas em inglês, o vídeo inicia dizendo que "Bolsonaro é frouxo" e mostra claramente o processo de amedrontamento e covardia do ex-presidente, que teria traído a confiança dos "patriotas".

"Bolsonaro é frouxo. Foi eleito como um cavalo de guerra, com promessas de confronto direto contra o sistema. Mas, quando chegou lá em cima o discurso mudou. A coragem virou silêncio. A ação virou covardia. E o povo ficou esperando uma atitude que nunca veio", inicia o vídeo.

Em seguida, as imagens mostram um "conselho" de Olavo de Carvalho, que é tido como um dos gurus da ultradireita neofascista e morreu em janeiro de 2022 já demonstrando decepção com o então governo Bolsonaro.

"Olavo de Carvalho avisou antes: uma vez lá em cima, vai viver de misericórdia de seus inimigos. Foi isso o que aconteceu. O homem que prometia romper com o sistema passou a pedir bençãos a ele", segue o texto, mostrando a imagem em que Bolsonaro "faz uma brincadeira" no depoimento, pedindo para Alexandre Moraes ser seu vice em 2026.

A "piada" foi recebida com revolta pelos bolsonaristas, que se revoltaram, e obrigou Eduardo Bolsonaro a tentar explicar a "estratégia" sorridente e subserviente do pai em frente ao mesmo ministro que, em 7 de setembro de 2021, chamou de "canalha" em ato com apoiadores na avenida Paulista.

"O mesmo sistema que ele dizia combater, o humilhou, calou seus aliados, prendeu manifestantes, destruiu reputações. E ele aceitou tudo calado. Enquanto a direita era censurada, ele fazia live de pastel e moto. Enquanto o STF fechava o cerco, ele fazia sinal de coraçãozinho", segue o vídeo para concluir com um final arrebatador.

"Um homem que teme ser odiado, nunca vai liderar uma revolução. Achou que poderia jogar com regras que já tinham sido queimadas e, no fim, terminou pedindo misericórdia aos mesmos que prometeu enfrentar".

<><> Hecatombe

A publicação do vídeo no grupo Águia causou uma hecatombe, gerando bate-boca entre os apoiadores de Bolsonaro. "Vídeo absurdo feito por um esquerdista lixo canalha", ralhou um deles. "O canal é pro-Bolsonaro ou o quê?", indagou um segundo.

"Desculpe. Achei que fosse um canal de patriota, de direita. Não sabia que era um canal em que o mito é um Deus que não pode ser criticado ou questionado", rebateu o bolsonarista que publicou o vídeo, recebendo apoios e críticas.

O mediador então publicou um card para identificar o grupo como "100% bolsonarista", diante da discordância. "Entendido. Primeira e última vez que questiono", disse a pessoa que publicou, rebatendo as críticas uma a uma.

"Eu tenho minha visão sobre algumas ações dele e vocês acham ele mito e não aceitam questionamento. Ok. Só tem que tomar cuidado para não ficar bitolado. Perfeito só Deus, Jesus. Ninguém está imune a erros e a críticas. Mas, se vocês se ofendem tanto assim, me desculpe", emendou.

 A troca de farpas se acirrou, enquanto o perfil mediador pedia "calma, minha gente". "Claro que o grupo é patriota, mas se tu se acha o sabichão que acha que poderia fazer melhor, tente ir lá fazer melhor", atacou um extremista.

"O que tem a ver? Fala isso para o Bukele e o Milei", rebateu, citando os presidentes de ultradireita neofascista da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele.

Em meio a apelos para apagarem o vídeo - e foi realmente apagado -, sobrou até para Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e ex "super" ministro da Justiça de Bolsonaro.

"Ninguém disse que [Bolsonaro] é um Deus, que não se pode criticar, o que está se dizendo é que jogar toda a culpa do que acontece e chamar o cara de frouxo quando até seu ministro o atacou (Sergio Moro) é jogar do lado inimigo, críticas devem enriquecer e não humilhar ou destruir", afirmou outra bolsonarista que ficou em meio ao fogo cruzado.

Outro seguidores então quiseram expulsar aqueles que não são "100% Bolsonaro, mas eles se recusaram. "Vamos lá patriotas, temos que ser unidos", apelou o moderador.

Um bolsonarista aproveitou então para desferir ataques às Forças Armadas, dizendo que "o aparelhamento está dentro das próprias FFAA, este próprio Tribunal mostra isso".

•        Covarde: Bolsonaro carimba adjetivo em sua testa após depoimento

O Brasil acordou nesta quarta-feira (11), com a hashtag “covarde” disparada em primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do X, antigo Twitter. A razão era uma só: o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante interrogatório no âmbito da ação penal em que réu por tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente, que em vários momentos de seu passado recente desancou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, desta vez abaixou a cabeça. Chegou a pedir desculpas por ter acusado o relator da ação de ter tomado milhões em propina.

Não bastasse isso, atacou os próprios apoiadores, chamando-os de “malucos que ficam com aquelas ideias de AI-5, intervenção militar, que as Forças Armadas jamais iam embarcar nessa”.

Além disso, em um momento de sabujice, convidou o próprio Moraes para ser seu vice em 2026. O fato foi tratado pelo seu filho, o deputado federal licenciado, Eduardo Bolsonaro, como uma “piada” e pelo neto de ditador Paulo Figueiredo como “estratégia”.

<><> Repercussão negativa

A repercussão nas redes foi estrondosa. Logo após o depoimento, a hashtag “frouxo” foi para primeiro nos TTs. Segundo levantamento da consultoria Arquimedes, encomendado pelo jornal O GLOBO, 65% das menções foram negativas.

O mapeamento diz que só ontem foram registradas 350 mil menções a Bolsonaro. Apenas 14% das menções foram positivas. A tônica predominante nas plataformas foi a ironia. Um dos momentos mais compartilhados foi quando o ex-presidente pediu desculpas ao ministro-relator pelas declarações sobre corrupção.

De cabeça baixa, ao ser perguntado por Moraes "quais eram os indícios que o senhor tinha que nós estaríamos levando U$S 50 milhões, U$S 30 milhões?", Bolsonaro afirmou:

“Não tem indícios nenhum, senhor ministro. Tanto é que era uma reunião para não ser gravada. Um desabafo, uma retórica que eu usei. Se fosse outros três ocupando teria falado a mesma coisa. Então, me desculpe, não tinha qualquer intenção de acusar de qualquer desvio de conduta os senhores três", respondeu Bolsonaro.”

No final das contas, como cereja do bolo, ao ser perguntado por que não passou a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor das eleições, ele disse:

"Eu não iria me submeter a maior vaia da história do Brasil."

•        Carlos Bolsonaro rompe silêncio após seu pai bajular Moraes: "Revelador”

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) rompeu o silêncio e comentou publicamente o depoimento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), onde é réu na ação que investiga uma tentativa de golpe de Estado.

A postura adotada por Bolsonaro diante do ministro Alexandre de Moraes durante a audiência gerou indignação entre seus apoiadores. Dois momentos específicos provocaram forte reação nas redes bolsonaristas: quando o ex-presidente chamou de “malucas” as pessoas que acamparam em frente aos quartéis após as eleições, e quando brincou convidando Moraes para ser seu vice na disputa presidencial de 2026.

Diante da repercussão negativa, Carlos Bolsonaro usou seu perfil nas redes sociais para fazer uma publicação cifrada, no estilo irônico e enigmático que costuma adotar, sugerindo que tudo estaria sendo manipulado contra seu pai.

“A orquestra interlestelar está mais uma vez afinadinha hoje. Tudo tão previsível e revelador!”, escreveu.

A "frouxidão" e a "covardia", segundo os próprios apoiadores, de Jair Bolsonaro (PL) diante do ministro Alexandre de Moraes, em depoimento nesta terça-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe caiu como nitroglicerina pura em grupos de Telegram que reúnem aliados extremistas do ex-presidente.

Um vídeo-bomba, feito pelos próprios bolsonaristas sobre o depoimento e divulgado no grupo Águia, que reúne mais de 20 mil apoiadores do ex-presidente, na manhã desta quarta-feira (11) provocou uma verdadeira hecatombe e implodiu o discurso em torno da narrativa, com trocas de acusações entre os membros.

Com legendas em inglês, o vídeo inicia dizendo que "Bolsonaro é frouxo" e mostra claramente o processo de amedrontamento e covardia do ex-presidente, que teria traído a confiança dos "patriotas".

"Bolsonaro é frouxo. Foi eleito como um cavalo de guerra, com promessas de confronto direto contra o sistema. Mas, quando chegou lá em cima o discurso mudou. A coragem virou silêncio. A ação virou covardia. E o povo ficou esperando uma atitude que nunca veio", inicia o vídeo.

Em seguida, as imagens mostram um "conselho" de Olavo de Carvalho, que é tido como um dos gurus da ultradireita neofascista e morreu em janeiro de 2022 já demonstrando decepção com o então governo Bolsonaro.

"Olavo de Carvalho avisou antes: uma vez lá em cima, vai viver de misericórdia de seus inimigos. Foi isso o que aconteceu. O homem que prometia romper com o sistema passou a pedir bençãos a ele", segue o texto, mostrando a imagem em que Bolsonaro "faz uma brincadeira" no depoimento, pedindo para Alexandre Moraes ser seu vice em 2026.

A "piada" foi recebida com revolta pelos bolsonaristas, que se revoltaram, e obrigou Eduardo Bolsonaro a tentar explicar a "estratégia" sorridente e subserviente do pai em frente ao mesmo ministro que, em 7 de setembro de 2021, chamou de "canalha" em ato com apoiadores na avenida Paulista.

"O mesmo sistema que ele dizia combater, o humilhou, calou seus aliados, prendeu manifestantes, destruiu reputações. E ele aceitou tudo calado. Enquanto a direita era censurada, ele fazia live de pastel e moto. Enquanto o STF fechava o cerco, ele fazia sinal de coraçãozinho", segue o vídeo para concluir com um final arrebatador.

"Um homem que teme ser odiado, nunca vai liderar uma revolução. Achou que poderia jogar com regras que já tinham sido queimadas e, no fim, terminou pedindo misericórdia aos mesmos que prometeu enfrentar".

•        Interrogatórios sobre trama golpista fortaleceram a denúncia, avaliam ministros do STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que os interrogatórios do “núcleo crucial” da trama golpista ocorreram dentro do esperado e não trouxeram fatos novos, informa o g1. A avaliação é de que os acusados tentaram se descolar dos crimes, mas admitiram a presença em reuniões em que foi discutida a “minuta do golpe”.

Os interrogados também mencionaram os considerandos da minuta — a parte introdutória do texto —, que teria sido pensada para justificar juridicamente medidas antidemocráticas, segundo o entendimento da acusação. Ainda que os réus tenham negado ter tratado de temas golpistas, investigadores destacam que há elementos que sustentam essa versão, como depoimentos de testemunhas, trocas de mensagens e anotações.

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A PGR considerou especialmente importante o interrogatório do tenente-coronel Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada. Na visão dos procuradores, ele reafirmou os principais fatos já relatados em sua colaboração, que envolvem diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro nas articulações.

Do lado das defesas, chamou atenção a atuação do ministro Luiz Fux, que participou ativamente das audiências com perguntas aos réus. Há expectativa entre os advogados de que Fux possa atuar como um contraponto ao relator, ministro Alexandre de Moraes, no momento do julgamento — ainda que informalmente.

Encerrados os depoimentos, o ministro Alexandre de Moraes abriu prazo de cinco dias para que a PGR e as defesas indiquem se consideram necessário realizar novas diligências. Os pedidos podem ou não ser aceitos e influenciam o ritmo da tramitação.

Na sequência, inicia-se a fase de alegações finais, com prazo de 15 dias para manifestação da PGR. Depois, a defesa de Mauro Cid terá também 15 dias, e o mesmo prazo será então concedido aos demais réus.

Concluídas essas etapas, caberá a Moraes elaborar seu voto como relator da ação penal. Não há prazo definido para isso. Quando o processo estiver pronto, será encaminhado para julgamento na Primeira Turma do STF, que deve ocorrer no segundo semestre.

•        Alexandre de Moraes sai fortalecido dos interrogatórios dos réus da trama golpista

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu fortalecido após os interrogatórios de Jair Bolsonaro (PL) e outros réus na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado, informa Paulo Cappelli, do Metrópoles.

Durante as audiências, Moraes adotou uma postura firme, mas respeitosa: ouviu os depoimentos sem interromper os acusados e chegou a lançar mão de comentários irônicos que chamaram atenção, inclusive da mídia internacional. A reação do próprio Bolsonaro, em tom de provocação, foi convidá-lo a ser seu vice na eleição presidencial de 2026. O gesto, amplamente divulgado nas redes e veículos estrangeiros, teve efeito colateral indesejado para a defesa do ex-mandatário.

Vídeos dos depoimentos, amplamente compartilhados, contribuíram para suavizar a imagem de “perseguidor” e "ditador" que parte da oposição atribui ao ministro. O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), filho de Jair Bolsonaro, é um dos que costuma liderar esse tipo de acusação contra Moraes, mas agora enfrenta dificuldades em sustentar a narrativa diante da repercussão das audiências.

No núcleo bolsonarista, há quem tenha considerado o depoimento de Jair Bolsonaro “fantástico”. Ainda assim, a expectativa entre aliados é de que esse desempenho não seja suficiente para alterar a posição do relator do processo no STF. A avaliação interna é de que o ministro Moraes já teria elementos suficientes para uma eventual condenação do ex-presidente à prisão.

Ao adotar uma conduta tranquila e comedida, Alexandre de Moraes logrou não apenas manter o controle do julgamento, como também inverter o ônus das críticas. Em vez de intensificar tensões, sua atitude reforçou a legitimidade da atuação institucional diante de um dos processos mais importantes da história democrática brasileira recente.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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