segunda-feira, 19 de maio de 2025

Você fez um Pix pro Bolsonaro, que banca Dudu nos EUA? Quer saber Julimar Roberto

Em 2023, aliados promoveram uma campanha nas redes sociais para angariar fundos para que Bolsonaro pudesse arcar com multas judiciais aplicadas durante seu mandato, especialmente relacionadas ao descumprimento de normas sanitárias durante a pandemia de Covid-19. O esforço rendeu-lhe a bagatela de R$ 17,2 milhões enviados via Pix entre janeiro e julho daquele ano.

A campanha ganhou força nas redes sociais, com a divulgação da chave Pix de Bolsonaro por ex-ministros e parlamentares do PL, como os deputados Nikolas Ferreira (MG), Mário Frias (SP), Gustavo Gayer (GO) e André Fernandes (CE), que alegavam que o ex-presidente era vítima de "assédio judicial" e precisava de ajuda para quitar "diversas multas em processos absurdos".

Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foram registradas 769.717 operações de Pix na conta de Bolsonaro nesse período, totalizando R$ 17.196.005,80. A maioria das doações veio de cidadãos comuns, mas foram identificados uma empresária do agronegócio, que doou R$ 20 mil; um empresário da construção civil, que contribuiu com R$ 10 mil; e um escritor, que também enviou R$ 10 mil.

Mas acontece que, esta semana, o próprio Bolsonaro declarou que está utilizando esse recurso para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro e família nos Estados Unidos. Licenciado da Câmara dos Deputados, o filho número três do ex-presidente alegou estar sendo alvo de perseguições no Brasil e saiu do país sob a justificativa de ir em busca da anistia para aqueles que foram presos após os eventos de 8 de janeiro de 2023.

A utilização do valor arrecadado para fins diferentes dos inicialmente declarados gerou críticas e questionamentos sobre a transparência e a responsabilidade na gestão das doações recebidas. Sem contar que toda essa situação levanta sérias questões sobre ética e a relação abusiva entre alguns líderes políticos e seus seguidores.

É importante destacar que a maioria das doações foi feita por cidadãos comuns, muitos deles assalariados, que acreditaram estar contribuindo para uma causa específica. A utilização desses recursos para fins pessoais, como o custeio de estadias em locais como Disney e Palm Beach, foge a qualquer padrão de decência ou moralidade.

Além disso, a justificativa de que Eduardo está nos EUA para "lutar" pela democracia e que só retornará ao Brasil quando o ministro Alexandre de Moraes for punido por "abuso de autoridade" não passa de uma tentativa de evitar responsabilidades legais e políticas.

De minha parte, fica o lamento de que tantos brasileiros e brasileiras tenham sido usados para financiar o conforto de uma família que, ao que parece, pouco se importa com as dificuldades enfrentadas por aqueles e aquelas que os apoiaram. É um triste retrato de como a fé e a confiança do povo podem ser manipuladas por interesses pessoais e políticos.

•        Vestiu a carapuça! Bolsonaro divulga vídeo em que Moraes diz que "internet deu voz aos imbecis"

Com o cerco se fechando, deixando-o cada dia mais próximo à prisão, e aliados históricos abandonando o barco, Jair Bolsonaro (PL) tem se mostrado cada dia mais desesperado, seja em entrevistas ou nas redes sociais.

Neste sábado (17), o ex-presidente resgatou um antigo discurso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem considera seu algoz, e vestiu a carapuça.

O vídeo mostra trecho de uma palestra feita por Moraes no Congresso Brasileiro de Magistrados, realizado na Bahia, em maio de 2022. Na ocasião, Moraes falou sobre a importância de regulação das redes e falou de forma generalizada dos grupos que atuam propagando fake news e discurso de ódio nas redes, afirmando que "a internet deu voz aos imbecis".

"A internet deu voz aos imbecis. Hoje, todo mundo é especialista. A pessoa bota terno, gravata, coloca painel falso de livros atrás e começa a falar desde a guerra da Ucrânia até o preço da gasolina, passando pelo Judiciário e acaba sempre atacando o Supremo", falou Moraes à época, citando exemplos genéricos.

No entanto, no vídeo editado divulgado nesse sábado, Bolsonaro coloca uma fala dele próprio mostrando que a carapuça serviu, como diz o ditado.

"Nós não somos imbecis que passamos a ter voz", diz Bolsonaro no vídeo. "Nós somos cidadãos, que conseguimos com a informação olhar os imbecis que sempre comandaram o Brasil", emenda o ex-presidente, que se aliou ao Centrão durante seu governo e agora é esnobado por representantes.

A estratégia de Bolsonaro é de voltar a incitar os apoiadores radicais, cada dia em menor número, para retomar os ataques ao ministro e ao STF.

No entanto, a publicação mostra também o desespero e o isolamento crescente do ex-presidente.

•        Por que Bolsonaro fala tanto que vai morrer na cadeia. Por Moisés Mendes

O cárcere fortalece figuras públicas e ativistas políticos com perspectiva de vida pessoal e missões coletivas. Bolsonaro tem se dedicado, ao lado de amigos da extrema direita, a subverter a aura da cadeia como provação e passagem para lutas que seguem em frente.

O chefe do golpe tem medo da cadeia. Diz que não terá forças para aguentar a prisão e que vai morrer preso. É o que mais repete, que sairá morto da cadeia. Carla Zambelli diz coisas parecidas.

Ambos convergem na exposição de fragilidades físicas e confessam que não têm força mental para superar suas fraquezas. Não é o modelo de fala de presos que se consideraram perseguidos políticos. Como Bolsonaro e Zambelli acham que são.

Graciliano Ramos, Mandela, Gandhi, Luther King, Mujica, Dilma, Lula transformaram sofrimento em ação política, literatura, resistência e reconstrução de projetos de vida. E mesmo depois de muito sofrimento, tortura e perspectiva de morte.

Porque apostaram na maior vingança contra seus algozes, a sobrevivência para continuar lutando. Muitos desses bravos não resistiriam às crueldades da tortura e foram assassinados. Mas suas memórias resistem até hoje.

Tinham e têm a vocação para ação e pela resistência. Como é, a seu modo, a dos milhares de presos comuns encarcerados por delitos que a Justiça punitiva enxerga em pobres e negros.

Mas Bolsonaro é diferente. Submete-se à sua covardia quando repete, infantilizado, que irá morrer na cadeia. Porque não pensa, como Lula fez, em fortalecer vínculos e afetos e em ler na prisão, para sair mais bem informado sobre o mundo e sobre as próprias circunstâncias.

Porque Bolsonaro sabe que – também ao contrário do que aconteceu com Lula, Mandela, Luther King – não estarão à sua espera, se ficar pouco ou muito tempo preso.

Sabe que só um milagre pode fazer com que ele saia da cadeia maior do que entrou. Deveria saber, mas não sabe, que Olga Benário foi presa, deportada e morta e que o que temos da sua memória hoje só não é maior do que foi o seu sofrimento.

Bolsonaro antevê que sairá da cadeia bem menor, como um traste. Por isso sugere que tem medo de morrer. O adorador de torturadores fala todas as semanas do medo da morte na cadeia, de onde os prisioneiros políticos da ditadura saíam mortos, não por serem covardes, mas por serem valentes.

Bolsonaro está falando é da morte do que ele mesmo representa, quando repete que não aguentará a prisão. A democracia ficou à espera de Lula, depois de 580 dias encarcerado. Mas Bolsonaro sabe que o fascismo pode sobreviver sem ele.

Sabemos, com certeza, que não farão com Bolsonaro o que os ditadores sempre fizeram com seus prisioneiros. Ele ficará preso num ambiente militar, como tenente que foi, e não irão transferi-lo de um lado para outro.

Sabe que não será torturado, que talvez nem fique muito tempo na prisão, mas já antecipa que não vai aguentar. Bolsonaro parece torcer para que acabe morrendo preso. 

O adorador de ditadores e de Brilhante Ustra finge desconhecer que a covardia não transforma ninguém em mártir.

•        Irado com ataques de Cid e Wajngarten a Michelle, Bolsonaro sinaliza punições

Jair Bolsonaro demonstrou indignação ao tomar conhecimento das mensagens trocadas entre aliados próximos em que sua esposa, Michelle Bolsonaro, foi alvo de críticas. Mesmo tentando minimizar o impacto, o ex-presidente de extrema direita deixou claro que está furioso e irado com o conteúdo das conversas e indicou que poderá haver punições para os envolvidos.

Numa declaração dada nesta sexta-feira (16), Bolsonaro foi categórico ao se referir a Mauro Cesar Cid e Fabio Wajngarten, que serve como uma espécie de porta-voz informal do líder extremista. “Falaram besteira. Vou conversar com o Valdemar para decidir o que será feito”. Ele também argumentou que tal postura dos subordinados poderia ser em reação ao que chamou de “atuação firme” da ex-primeira-dama. “Ela botava ordem na casa, e isso incomodava algumas pessoas”, disse fazendo referência a um suposto rigor Michelle no mundo político.

<><> Conversas revelam críticas e desprezo a Michelle

As mensagens vazadas, que foram armazenadas pela Polícia Federal, estavam no celular do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, e mostram diálogos com o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, nos quais ambos demonstram descontentamento com Michelle Bolsonaro.

Em uma das conversas, registrada em janeiro de 2023, Mauro Cid chegou a declarar algo inacreditável. "Prefiro votar no Lula", escreveu, ao ironizar a possibilidade de Michelle concorrer à Presidência. Wajngarten concordou com a afirmação.

Além disso, há um diálogo em que Wajngarten encaminha uma crítica referente ao salário de R$ 39 mil pagos a Michelle pelo PL, acompanhado de questionamento sarcástico sobre a situação do partido, ao que Cid respondeu em áudio sobre Michelle ingressar na política. “Ela vai ser destruída, porque acho que ela tem muita coisa suja... não suja, mas a personalidade dela, eles vão usar tudo contra para acabar com ela”.

<><> Bolsonaro sinaliza providências contra aliados

Diante da exposição das conversas, Bolsonaro deixou claro que não aceitará as falas depreciativas sobre sua esposa sem respostas. “Não justifica essa troca de mensagens, ainda mais em janeiro de 2023, quando eu estava elegível. Um falou besteira, o outro concordou", afirmou o ex-presidente, destacando a gravidade da situação no seu entendimento.

Ele anunciou que vai procurar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para definir quais medidas serão adotadas diante das ofensas e da insubordinação manifestada por seus auxiliares próximos.

•        Michelle vai sozinha à festa de luxo de influenciadora em meio à crise por ataques de Wajngarten

A divulgação da troca de mensagens entre o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), e Fabio Wajngarten, ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e parte do corpo jurídico do ex-presidente, causou incômodo e uma crise no clã Bolsonaro, que avalia o nome da ex-primeira-dama para candidatura ao Planalto em 2026.

A conversa, datada de 27 de janeiro de 2023, um dia após Michelle voltar de Orlando, onde fugiu com o marido no dia 30 de dezembro de 2022, antes da posse de Lula, mostra a antipatia que um grupo próximo a Bolsonaro nutre pela ex-primeira-dama.

Cid estava com Bolsonaro nos EUA e recebeu de Wajngarten a notícia de que Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, estaria cogitando lançar Michelle candidata à Presidência em 2026.

Em tom de chacota, Cid responde: "Prefiro o Lula", com uma "hahahahahahaha", de gargalhadas, em seguida. Wajngarten reage: "idem" - veja as mensagens.

Nenhum dos envolvidos no caso, que foi tornado público nesta sexta-feira (16) pelo portal Uol, se manifestou. Michelle, no entanto, apareceu sozinha na festa de luxo promovida pela influenciadora bolsonarista Bella Falconi, que celebrou seus 40 anos em Belo Horizonte.

Além de Michelle, apenas Nikolas Ferreira (PL-SP) estava com a família no regabofe, que reuniu a burguesia da capital mineira e amigos da influenciadora.

A influenciadora fitness e o marido, Ricardo Maguila, fizeram parte do time de influenciadores da campanha de Bolsonaro em 2022. Em 2023, ela disse em entrevista à Jovem Pan que se aliou à ultradireita neofascista porque não existe “comunista cristão”.

“Se você está em cima do muro, vai ser empurrado. O cristianismo é sobre isso, é sobre posicionamento. A gente não é santo; erra e falha. Toda hora peca em pensamento, mas eu tento viver em acordo com a palavra de Deus. Pelo menos posso usar dessa oportunidade para falar de ideologia de gênero, marxismo cultural", disse à época a musa fitness, que tem mais de 4 milhões de seguidores no Instagram.

<><> Sem Bolsonaro

Em rápida entrevista à aniversariante, publicada nos stories do Instagram, Michelle Bolsonaro não explicou a ausência do marido, se limitando apenas a dizer que "Jair mandou um beijo para você".

"Um beijo presidente querido. A gente te ama. Nos meus 50 você vem, tá?", disparou a influenciadora.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

Nenhum comentário: