Denúncia
contra Moraes mostra que a extrema-direita ainda está ativa, alerta José Dirceu
O
ex-ministro José Dirceu publicou importante análise sobre a denúncia vazia
contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, trazida
pela Folha de S. Paulo e pelo jornalista Glenn Greenwald. "Causa
estranheza o destaque dado pela Folha à denúncia de que o ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal, teria agido fora dos ritos", escreve
Dirceu. "Estranheza porque, como bem disse o ministro Luís Roberto
Barroso, presidente do STF, não fazia sentido o ministro Moraes oficiar a si
mesmo. A fundamentação da denúncia é tão pueril que Moraes recebeu o apoio de
todos os seus pares, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de muitos
políticos e até de expoentes da ultradireita, como o jurista Ives Gandra
Martins e a ex-deputada Janaina Paschoal", acrescenta.
Dirceu
lembra ainda o contexto político. "A denúncia foi publicada na mesma
semana em que se inicia a campanha eleitoral de prefeitos e vereadores e, como
o Brasil não aprovou a regulamentação das plataformas digitais e redes sociais,
que hoje são um importante veículo de propaganda eleitoral, todo o controle da
disseminação das notícias falsas estará em mãos do TSE. Fragilizar a figura do
ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito das fake news e que à
frente do TSE criou o Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e
Defesa da Democracia (Ciedde), que vai atuar pela primeira vez nestas eleições,
é importante para a estratégia eleitoral bolsonarista, pois ela depende da
disseminação de mentiras para manter suas bases estimuladas e alinhadas",
aponta.
O
ex-ministro também destaca o papel do bilionário Elon Musk, um dos grandes
protagonistas da extrema-direita internacional. "Também chama a atenção
que a denúncia tenha repercutido nas redes de direita no exterior e tenha sido
comentada por Elon Musk, dono do X (ex-Twitter) e crítico de Moraes, a quem
acusa de cercear a liberdade de expressão com seu inquérito das fake news,
através do qual determinou a suspensão de contas de extremistas em redes
sociais. Musk, um sul-africano que se fez bilionário nos Estados Unidos e é
dono de várias empresas de tecnologia, é apoiador declarado de Donald Trump,
que, como Bolsonaro e seus seguidores, é adepto da disseminação de mentiras nas
redes sociais", escreve.
O
alvo real, no entanto, é o governo bem-sucedido do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. "Não resta dúvida de que a denúncia, que já começou a refluir,
mostrou que a extrema direita está muito ativa e atenta a todos os movimentos
de que possa se aproveitar para fortalecer sua posição em direção ao seu
projeto de poder para 2026. Mostrou também o quanto setores da sociedade e da
mídia tentam se alinhar com a nova face do bolsonarismo, que responde pelo nome
do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas", afirma Dirceu.
"Tarcísio é aquele que vendeu a Sabesp a preço de banana, fazendo a
alegria dos rentistas, e promete, se chegar à Presidência, privatizar a
Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa e, quiçá, o BNDES. A Faria Lima já faz
fila para apoiá-lo. Não podemos permitir que isso aconteça", finaliza.
• Missão
da Folha no ataque a Moraes é denunciada pelo uso da palavra ‘nulidade’. Por
Moisés Mendes
A
Folha vendeu, desde a primeira manchete contra Alexandre de Moraes, a ideia de
que o não cumprimento de ritos levaria à nulidade das provas das investigações
contra os golpistas.
Mas
o fracasso imediato dos argumentos ‘jurídicos’ levou o jornal, dois dias
depois, a buscar outra tática e a investir na pauta pretensamente ética e
moralista para desqualificar o ministro.
A
palavra nulidade aparece já na manchete de 13 de agosto com uma sutileza. Os
autores da reportagem, Fabio Serapião e Glenn Greenwald, transcrevem conversas
entre o juiz auxiliar Marco Antônio Vargas, do STF, com Eduardo Tagliaferro,
servidor do TSE.
Vargas
brinca com a possibilidade da bandidagem bolsonarista questionar as provas,
prevendo o uso do argumento difundido pela Folha do não cumprimento de ritos.
"Falha na prova, vou impugnar", diverte-se o juiz.
É
quando aparece a sugestão de que os golpistas devem buscar a anulação do
inquérito das fake news. A palavra nulidade, para provas colhidas e para talvez
toda a investigação, aparece aí pela primeira vez. No dia seguinte, a Folha
ouve os ‘especialistas’.
A
manchete é esta: “Atuação de assessores de Moraes fora do rito pode abrir
brecha para nulidade”. A palavra nulidade reaparece aqui por três vezes. E a
palavra anulação aparece uma.
Mas
os especialistas não entram no jogo da Folha e o texto não entrega o que o
título promete. Os juristas negam, em sua maioria, que exista a possibilidade
de anulação das investigações. Talvez só algumas provas poderiam estar sob
risco.
Mesmo
assim, apesar dos depoimentos de juristas que derrubam a própria manchete
examinada, no mesmo dia a Folha publica um editorial em que volta a condenar “o
fluxo alheio às formalidades” na comunicação entre STF e TSE.
E
aumenta o volume do apito para a cachorrada no arremate do texto: “Há acusados
e investigados que poderão, com base nas informações que vêm sendo levantadas
pelo jornalismo profissional, solicitar a nulidade de provas ou a reversão de
decisões”.
A
palavra nulidade é a principal, para concluir a opinião do “jornalismo
profissional”. E no mesmo dia 14, em um texto com perguntas e respostas sobre a
‘denúncia’, a Folha usa de novo a palavra nulidade.
Por
que a Folha enfatiza que se dedica ao “jornalismo profissional”, se tem tanta
convicção dos seus afazeres? Porque o jornal fica inseguro, a partir da
manchete do Globo, que no mesmo dia 14 destruiu a tese da nulidade, também
ouvindo especialistas.
Com
o fracasso da tese dita jurídica, o jornal toca o segundo apito, o da
moralidade. No dia 16, destaca reportagem sobre o uso que Moraes faz de pedidos
“fora do rito” para ter informações da polícia e da Justiça sobre um homem que
faria uma obra em sua casa.
Moraes
teria usado o mesmo TSE para, na insinuação de desvio moral da Folha,
privilegiar-se da estrutura do tribunal para obter informações de interesse
pessoal que seriam protegidas, indevassáveis ou secretas.
Não
havia nada de acesso privilegiado a algo sigiloso. O jornalismo profissional,
que não é só o da Folha, já provou que qualquer criança pode entrar na internet
e obter informações sobre envolvidos em processos judiciais públicos que não
estejam sob segredo de Justiça.
O
que a Folha quis sugerir é que Moraes, caçado pelo fascismo até em aeroportos,
passou dos limites ao querer saber quem entraria em sua casa e poderia ficar
por algum tempo fazendo reformas. A Folha investiu aqui na tentativa de
emparedar o ministro com argumentos éticos.
Se
não conseguiu angariar apoios para a tese da nulidade processual, era preciso
desqualificar a postura do ministro. Que Alexandre de Moraes passasse a ser
visto como uma figura desprezível e equivalente a um Sergio Moro.
Pode
ser nessa linha o que virá mais adiante. Como o jornal tem gigantescos arquivos
vazados sobre a troca de informações entre servidores do STF e do TSE, é
provável que apareçam mais conversas na mesma direção, envolvendo outros
personagens.
Se
começou com informações sobre a ‘devassa’ de dados dos milicianos digitais e de
Eduardo Bolsonaro, protegidos pela Folha apenas como laranjas, para que o
núcleo golpista seja blindado, esperemos novas revelações sobre outros
investigados que estão bem acima das milícias.
Militares
e grandes empresários planejadores e financiadores do golpe podem ter a chance
de aparecer como vítimas do desrespeito aos ritos. As nulidades do bolsonarismo
estão em festa.
• Cresce
pressão interna no STF para encerramento do inquérito das fake news
Após
reportagens que apontaram uma suposta “fuga do rito” por parte do ministro
Alexandre de Moraes, a defesa do encerramento do inquérito das “fake news”
passou a se acentuar nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma
ala de ministros avalia que o inquérito foi importante para a defesa da
democracia e dos próprios integrantes da Corte. Cinco anos, no entanto, é
considerado um tempo longo demais sem conclusão.
O
inquérito das “fake news” foi aberto em 2019 por iniciativa do então presidente
do STF, ministro Dias Toffoli, que designou Moraes como relator. A medida gerou
polêmica desde o início, apesar da previsão no regimento interno do tribunal.
Moraes,
que estava na Corte havia apenas dois anos, ganhou poder ao longo da instrução
da investigação, que acabou se desdobrando em várias outras. Por exemplo: o
inquérito das milícias digitais.
O
jornal Folha de S. Paulo apontou que Moraes pediu de maneira informal a
assessores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do qual era presidente, dados
sobre uma série de alvos do inquérito das “fake news”.
Moraes
afirma ter seguido os procedimentos normais. Publicamente, os ministros Flávio
Dino, Luís Roberto Barroso (presidente do STF), Gilmar Mendes e Cármen Lúcia
(atual presidente do TSE) saíram em sua defesa.
Nos
bastidores, entretanto, há uma percepção geral de que o encerramento do
inquérito evitaria uma escalada do desgaste de Moraes e aplacaria parte das
críticas endereçadas ao ministro, que acabam impactando todo o tribunal.
• Clã
Bolsonaro chama Frota de “jagunço” após vazamento sobre Moraes
O
deputado Alexandre Frota virou alvo do clã Bolsonaro após ter seu nome citado
por um assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), em mensagens divulgadas pela Folha de S.Paulo. Frota foi chamado de
“jagunço de Moraes” por ter sido mencionado em uma mensagem do chefe de
gabinete do magistrado, o juiz Airton Vieira, na qual ele se refere a um pedido
do deputado para que os perfis do cantor gospel Davi Sacer nas redes sociais
fosse bloqueado.
O
senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro ironizaram a relação e
atacaram Moraes. Em suas redes sociais, Flávio publicou um trecho das mensagens
divulgadas e a frase “Jagunço do Ditador?!”.
“Até
Alexandre Frota passava informações ao complexo industrial de perseguição de
Moraes. Mas, claro, tudo dentro do rito… dos outros!”, escreveu Flávio
Bolsonaro.
“O
mais alto nível do Judiciário cumpria ordens do Frota! Quem vai passar pano
para o Frota agora? Flávio Dino? Pacheco?”, atacou Eduardo Bolsonaro.
Ex-bolsonarista,
o nome de Alexandre Frota foi citado por Vieira durante conversa com outro
assessor de Moraes à época, Eduardo Tagliaferro, demitido em maio de 2023 após
um caso de violência doméstica.
Tagliaferro
adverte Vieira sobre o risco de reação ao bloqueio das contas de Davi Sacer.
“Não sei sei se é uma boa ir para cima do Davi Sacer. Esse cara é o cantor
gospel mais famoso e influente. Vai revelar católicos e evangélicos, como
também outros cantores, não seria melhor esperar um pouco? A bruxa não tem esse
bom senso, é totalmente partidária sem pensar nas consequências”, diz
Tagliaferro.
“O
problema é que foi o ministro [Moraes] quem passou. Depois recebi pelo deputado
Frota… Paciência. Vamos em frente”, responde Vieira.
O
termo “jagunço” foi usado por outro assessor de Moraes em uma das conversas
divulgadas. Nas mensagens, o juiz auxiliar Marcos Antônio Vargas critica a
postura da Interpol com relação ao jornalista Allan dos Santos, que teve sua
prisão decretada por Moraes, mas sua extradição foi negada pelo governo dos
Estados Unidos, onde mora.
“Dá
vontade de mandar uns jagunços pegar esse cara na marra e colocar em um avião
brasileiro”, desabafou Vargas.
A
conversa entre assessores de Alexandre de Moraes fazem parte de uma reportagem
publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na última terça-feira (13/8), que aponta
o uso do TSE fora do rito para investigar bolsonaristas no STF.
O
material inclui mensagens trocadas de agosto de 2022, no período eleitoral, a
maio de 2023. As mensagens e os documentos não vieram de interceptação ilegal
ou acesso hacker.
As
mensagens reveladas até o momento mostram Airton Vieira repassando pedidos pelo
WhatsApp. Tagliaferro fazia os monitoramentos, produzia os relatórios e os
enviava por e-mail como se eles tivessem sido produzidos por iniciativa da
Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED).
• Malafaia
prepara ataque inédito a Moraes no ato do 7 de Setembro
Organizador
da manifestação contra Alexandre de Moraes prevista para o 7 de Setembro, em
São Paulo, Silas Malafaia prepara a sua mais dura ofensiva voltada ao ministro
do STF. Será a primeira vez que, em discurso público, o pastor usará o
microfone para defender que o magistrado seja preso.
“Não
sei o que as outras pessoas que vão discursar vão dizer. Mas eu direi com todas
as letras, na manifestação do 7 de Setembro, o que tem que acontecer com o
Moraes. Ele tem que ser preso, porque tem sangue nas mãos. O que ele fez com o
Clezão [Clériston da Cunha], que morreu na Papuda, foi criminoso”, opinou
Malafaia.
“A
gente sempre acreditou que havia uma perseguição a bolsonaristas e opositores
do governo Lula, mas não tinha como provar. As reportagens da Folha de S.Paulo
escancaram uma suspeita que já era de todos”, concluiu o coordenador do
protesto, planejado para ocorrer na Avenida Paulista.
Segundo
Malafaia, os ataques mais duros partirão dele próprio, do senador Magno Malta e
do deputado Nikolas Ferreira. O objetivo dos bolsonaristas é avançar uma casa
em relação aos protestos realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro, no
primeiro semestre deste ano.
A
coluna apurou que Bolsonaro ainda modula o tom do discurso que fará. A oposição
acredita que novas revelações sobre Moraes poderão vir à tona até o dia da
manifestação.
• Posição
do ministro
Após
a publicação das reportagens pela Folha de S. Paulo, Alexandre de Moraes se
pronunciou sobre o assunto.
“Nenhuma
das matérias preocupa meu gabinete, me preocupa a lisura dos procedimentos.
Todos os procedimentos foram realizados no âmbito de inquéritos já existentes”,
disse Moraes, referindo-se aos inquéritos relatados por ele no Supremo. “E,
obviamente, seria esquizofrênico, eu, como presidente do Tribunal Superior
Eleitoral, me auto-oficiar”, ponderou.
Ao
se manifestar sobre o tema, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, saiu em
defesa de Alexandre de Moraes. “Na vida, às vezes existem tempestades reais e
às vezes existem tempestades fictícias. Acho que estamos diante de uma delas”,
disse o magistrado.
Fonte:
Brasil 247/Metrópoles

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