terça-feira, 7 de maio de 2024

Foragido da Lesa Pátria, empresário diz estar comendo lixo nos EUA

O empresário mineiro Esdras Jonatas dos Santos, apontado como um dos principais líderes do acampamento golpista montado próximo ao 4º Comando da Região Militar do Exército, em Belo Horizonte (MG), teve mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lesa Pátria, ação coordenada pela Polícia Federal e que apura os responsáveis pelos ataques às sedes dos poderes no fatídico 8 de janeiro de 2023. A decisão do ministro Alexandre de Moraes é do último 22 de abril.

A Justiça brasileira também determinou a suspensão das contas do investigado nas mídias sociais. No Instagram, Esdras Jonatas colecionava cerca de 65 mil seguidores e costumava pedir doações. Ele dizia que precisou fugir com a família para os Estados Unidos, onde estaria passando por necessidades, precisando, inclusive, comer comida do lixo. “O ministro Alexandre de Moraes está caçando a liberdade dos brasileiros. Saia para rua e venha se manifestar”, disse o empresário em um dos vídeos gravados nos EUA.

Nas imagens, o empresário também aparece com cabelo e barba desgrenhados, enquanto chora e improvisa refeições no banheiro de um hotel. Contudo, apesar de ele tentar comover os seguidores com uma rotina aparentemente precária, investigadores acreditam que a realidade de Esdras Jonatas é bem diferente da retratada na internet.

Ao buscar eventuais bens do casal, a Polícia Federal (PF) identificou que a esposa de Esdras, Kathy-Le Thi Thanh My Dos Santos, é dona de um Porsche Cayenne Turbo, comprado do próprio marido em 31 de agosto de 2022, por R$ 330 mil. O veículo de luxo foi apreendido no último dia 26.

A coluna Na Mira apurou que Kathy-Le também teve mandado de prisão expedido pelo STF, por financiar os ataques de 8 de janeiro de 2023. A reportagem identificou que ela abriu empresa na Flórida (EUA), em março de 2023, período em que já fugia das autoridades brasileiras.

O casal foi indiciado por incitação ao crime; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; e golpe de Estado. Ambos estão acompanhados do filho, de 7 anos. A família segue foragida.

•        Mais problemas com a justiça

Devido à forte atuação junto aos acampamentos golpistas montados em Belo Horizonte, Esdras dos Santos já tinha mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça de Minas Gerais.

À época, o empresário ficou conhecido por chorar enquanto a Guarda Civil de Belo Horizonte (MG) desmontava o acampamento montado em frente ao quartel do Exército do estado. O mineiro chegou a dizer nas redes sociais que deixou o Brasil em 8 de janeiro do ano passado. O primeiro mandado de prisão aberto contra ele foi em fevereiro de 2023 por ter incitado agressões a dois jornalistas em um ato golpista na capital mineira.

•        Empresário convocou “fortes e guerreiros” a se “alistarem” para 8/1

Fugindo das autoridades brasileiras, o empresário mineiro Esdras Jonatas dos Santos  é apontado como um dos financiadores dos ataques golpistas registrados na capital federal em 8 de janeiro de 2023. O homem, que atualmente se esconde dos Estados Unidos para não ser preso, publicou vídeos nos quais convocava “homens fortes e guerreiros” para se “alistarem” com o objetivo de se dirigirem até Brasília para “eventos” que seriam realizados na data da tentativa de golpe.

Em uma live, Esdras afirma que conseguiu um ônibus com 60 lugares para transportar pessoas ao Distrito Federal e convoca homens e mulheres “fortes”, “valentes” e “guerreiros” para se alistarem para ir até a capital, advertindo que não seria uma viagem para passeio.

Nesse contexto, a esposa de Esdras, Kathy-Le Thi Thanh My Dos Santos teria organizado e, possivelmente, financiado parcialmente o fretamento ao menos dois ônibus que levou pessoas que participaram dos atos do dia 8/1.

•        Lesa Pátria

Conforme a coluna revelou, o empresário, apontado como um dos principais líderes do acampamento golpista montado próximo ao 4º Comando da Região Militar do Exército, em Belo Horizonte (MG), teve mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lesa Pátria, ação coordenada pela Polícia Federal e que apura os responsáveis pelos ataques às sedes dos poderes no 8 de janeiro de 2023. A decisão do ministro Alexandre de Moraes é do último 22 de abril.

A Justiça brasileira também determinou a suspensão das contas do investigado nas mídias sociais. No Instagram, Esdras Jonatas colecionava cerca de 65 mil seguidores e costumava pedir doações. Ele dizia que precisou fugir com a família para os Estados Unidos, onde passaria por necessidades e precisaria, inclusive, comer comida do lixo. “O ministro Alexandre de Moraes está caçando a liberdade dos brasileiros. Saia para rua e venha se manifestar”, disse o empresário em um dos vídeos gravados nos EUA.

 

•        Mesmo em liberdade, Cid pode ser denunciado por obstrução de Justiça

 

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) Mauro Cid pôde enfim voltar à sua casa no Setor Militar Urbano, em Brasília, na sexta-feira (03/05). O tenente-coronel estava preso desde 22 de março e conseguiu a liberdade por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Entretanto, mesmo em liberdade, Cid pode se ver encrencado com a Justiça. Isso se o Ministério Público entender que o militar tentou atrapalhar as investigações. Cid estava preso após o vazamento de áudios em que criticou a Polícia Federal (PF) e o STF.

Integrantes do MP consultados pelo blog dizem que há elementos suficientes para denunciar Cid, mesmo com a delação premiada do tenente-coronel ainda valendo.

Dessa forma, além dos crimes investigados no inquérito das milícias digitais, que incluem desde a falsificação de comprovante de vacina à trama golpista de 8 de Janeiro, Cid pode ser enquadrado por obstrução de Justiça.

A PF deve romper o acordo de delação premiada, sem mais oitivas com o militar. Mesmo assim, Cid não perderá os benefícios já conquistados pelas colaborações até aqui. O acordo está em sigilo, mas os termos estariam baseados em uma imunidade à mulher dele, Gabriela Cid.

Todo esse enrosco se originou pela revelação da revista Veja de áudios nos quais o tenente-coronel diz que a PF e o ministro Alexandre de Moraes “estão com a narrativa pronta”. Cid foi ouvido pela PF sobre os áudios revelados, mas não informou quem era a pessoa para quem enviou as mensagens.

“Eles [PF] queriam que eu falasse coisa que eu não sei, que não aconteceu […]. Eles [PF e Alexandre de Moraes] estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade, eles queriam só que eu confirmasse a narrativa deles. Entendeu? […] O Alexandre de Moraes já tem a sentença dele pronta”, disse Cid nos áudios.

•        Um ótimo dia para Mauro Cid, e um péssimo para Bolsonaro

Se a pomba é vista como sinônimo de liberdade, de efemeridade da vida e de esperança, lá se foram embora mais duas, para angústia de Bolsonaro que só coleciona más notícias desde que deixou a presidência frustrado com o golpe que não conseguiu aplicar. Bem que tentou. Não foi por falta de empenho, mas de apoio.

De forma unânime, inclusive com o voto de um ministro nomeado por ele, o Tribunal Superior Eleitoral negou recurso de Bolsonaro e do seu companheiro de chapa, o general Walter Braga Netto, contra a declaração de inelegibilidade por oito anos. Os dois foram condenados por fazer campanha eleitoral com dinheiro público.

O julgamento de mérito fora concluído no ano passado quando, por 5 votos a 2, o tribunal entendeu que os então candidatos a presidente e a vice-presidente cometeram abuso de poder político e econômico nas comemorações do Bicentenário da Independência em 7 de setembro de 2022, a um mês das eleições que os derrotariam.

No fim da tarde da sexta-feira (3/5), após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, deixou a prisão e voltou para casa, em Brasília. Moraes manteve a “integralidade” do acordo de delação premiada de Cid.

Para decepção de Bolsonaro, escreveu Moraes no seu despacho:

“Foram reafirmadas a regularidade, legalidade, adequação dos benefícios pactuados e dos resultados da colaboração à exigência legal e a voluntariedade da manifestação de vontade”.

Cid estava preso pela segunda vez porque, em conversa gravada por um amigo, disse que a Polícia Federal pusera em sua boca afirmações que ele jamais fizera a respeito de Bolsonaro, e que o incriminavam. Não bastasse, ainda atacou Moraes dizendo que ele prendia quem bem quisesse, comportando-se como um ditador.

À época, discretamente, Bolsonaro comemorou o desabafo de Cid, imaginando que se abriria com ele uma eventual passagem para recuperar a elegibilidade. Mas Cid renegou seu desabafo, alegando que o fizera em um momento de desespero, e que estava arrependido. Então, a segunda pomba voou para não mais ser vista.

Cid é a peça-chave em três processos que Bolsonaro responde: tentativa de golpe de Estado; roubo de joias milionárias presenteadas ao governo brasileiro por governos estrangeiros; e a falsificação de certificados de vacina contra a Covid-19. O novo julgamento deverá ter início ainda este ano, estendendo-se pelo próximo.

 

       Presidiário negocia cargos públicos em troca de proteção a servidores

 

A Polícia Federal deflagrou a Operação Mandare contra um grupo criminoso que atua em João Pessoa (PB) e região metropolitana.

O principal alvo é um presidiário que negocia cargos públicos em troca de proteção a servidores. A ação ocorre em conjunto com a Polícia Militar do Estado da Paraíba.

A investigação teve início após intensa movimentação financeira do grupo investigado, uma vez que eles se valeriam de “laranjas” para operacionalizar valores referentes às atividades criminosas, especialmente o tráfico de drogas.

Durante as apurações, a PF identificou que um preso do sistema penitenciário estadual da Paraíba, o qual tem posição de liderança em organização criminosa, articulou a obtenção de vantagens em órgão público, notadamente cargos, e em contrapartida oferecia apoio a servidores para entrarem em comunidades controladas ou que sofrem forte influência do crime.

São cumpridos 18 mandados judiciais, sendo sete de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão, além do bloqueio em contas bancárias. Cerca de 44 policiais federais e 40 policiais militares participam das diligências.

A coluna apurou que as equipes cumpriram mandados de busca e apreensão nas secretarias de Saúde, Direitos Humanos e Cidadania, e na Autarquia de Limpeza Urbana de João Pessoa.

A Prefeitura de João Pessoa (PMJP) emitiu uma nota afirmando que está colaborando com a PF. “O Poder Executivo Municipal reitera que condena veementemente qualquer tipo de ato ilícito e que determinou a instauração de procedimento administrativo para apurar a responsabilidade dos servidores citados na investigação”.

A ação policial teve o apoio de dados de inteligência e de análise fornecidos pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba, a qual é composta pela Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais – Senappen, Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba e Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba.

 

Fonte: Metrópoles

 

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