terça-feira, 7 de maio de 2024

Comitê Olímpico Brasileiro paga mais em salários de cartolas e gerentes do que para 27 confederações

O valor pago pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) em salários para cartolas e gerentes supera o repasse de verbas das Loterias a 27 das 33 confederações esportivas do Brasil.

Anualmente, segundo dados do próprio portal de transparência do comitê, são gastos mais de R$ 9 milhões com os salários de presidente, vice, sete diretores e dez gerentes, os cargos mais altos do órgão --a soma considera também o pagamento do 13º e o benefício do 14º salário. Alguns pagamentos ultrapassam o teto do funcionalismo público, que é de R$ 44 mil mensais.

Apenas seis confederações recebem, por ano, mais do que isso: as de vôlei (R$ 12,2 milhões), ginástica (R$ 12 mi), desportos aquáticos (R$ 11,3 mi), skate (R$ 10,5 mi), boxe (R$ 9,9 mi) e judô (R$ 9,1 mi).

Os valores têm como base a previsão orçamentária, divulgada pelo próprio COB, para o ano de 2024.

Questionado pela reportagem, o Comitê Olímpico do Brasil afirmou que age conforme a lei, sob os princípios da transparência e da austeridade, que trabalha para reduzir salários e que, em 2022, contratou uma auditoria especificamente para analisar sua folha de pagamento.

"Quando o presidente Paulo Wanderley assumiu, houve uma redução geral dos salários dos cargos mais altos da entidade, ficando abaixo do teto do funcionalismo público federal", disse o comitê em nota.

"Devido à aplicação obrigatória dos índices de correção ao longo dos anos, alguns salários de diretoria ultrapassaram o limite em questão [funcionalismo público]. Assim, em tais casos, o COB paga os salários com recursos das Loterias até o teto do funcionalismo público federal e complementa a diferença com recursos privados, justamente para respeitar a legislação trabalhista."

O órgão também afirmou que o investimento do comitê nas modalidades não se resume aos recursos ordinários descentralizados através da Lei das Loterias. Além deles, prevê mais R$ 311 milhões para a preparação esportiva. E que pelo menos parte dos recursos será direcionada às confederações, em valores que giram em torno de R$ 4 milhões por entidade, mas que, em alguns casos, podem superar os R$ 10 milhões.

O COB disse ainda que esse montante vem crescendo desde 2021, ao passo que os gastos com a parte administrativa caíram 30% desde 2016.

"Atualmente, o COB investe 86% de seus recursos em atividade-fim, ou seja, em esforços voltados ao esporte, um recorde histórico", completou a entidade.

No ano dos Jogos Olímpicos de Paris, o comitê anunciou que o repasse das Loterias às confederações atingiram o recorde de R$ 225 milhões.

O montante que cada confederação recebe do COB é definido por critérios técnicos, como a colocação dos atletas em Olimpíadas e em campeonatos mundiais e também a avaliação de gestão, transparência e prestação de contas das entidades.

O salário dos dirigentes também é pago, em grande parte, por verbas da mesma origem que o repasse às confederações, a arrecadação das Loterias.

A soma da remuneração contabilizada pela reportagem não considerou diárias para viagens, que também são pagas usando a mesma verba.

Nos últimos cinco meses, de outubro de 2023 a fevereiro de 2024, as diárias somam quase R$ 389 mil --o portal do COB apenas disponibiliza, por meio de transparência ativa, os valores referentes aos últimos cinco meses.

"O site do COB reproduz o que é praticado no portal da transparência do Governo Federal, que apresenta os últimos cinco meses de contracheque. Os demais meses podem ser acessados mediante solicitação", afirmou a entidade.

Em 2024, além do desafio olímpico, o presidente Paulo Wanderley concorre à reeleição. Deve sair como seu concorrente o seu atual vice-presidente, Marco Antonio La Porta.

O salário desses dois cargos, no entanto, não são os maiores da cúpula, uma vez que ambos são limitados por lei --são de, respectivamente, R$ 29,1 mil e R$ 26,4 mil.

No entanto, dirigentes e coordenadores, por exemplo, recebem valores acima inclusive do teto do funcionalismo público.

É o caso de Rogério Sampaio, diretor-geral do COB e braço direito de Paulo Wanderley.

Segundo o portal da transparência do COB, o ex-judoca recebe R$ 58,1 mil mensais (R$ 41,6 mil de recursos das Loterias e R$ 16,5 mil de verba privada).

Também Luciano Hostins (diretor jurídico) e Isabele Duran (diretora administrativa e financeira) têm remuneração acima do teto constitucional, ambos de R$ 47,3 mil.

Paulo Wanderley chegou ao COB em 2017, então como vice de Carlos Arthur Nuzman.

Meses depois, Nuzman renunciou e foi preso no âmbito de investigações de corrupção envolvendo as Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Ele chegou a ser condenado, juntamente com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, por suposto pagamento de propina envolvendo os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

No início de março, no entanto, a condenação foi anulada pela Justiça, após o juiz Marcelo Bretas declarar sua incompetência para o caso.

Nas eleições de 2020 do COB, Wanderley se manteve no cargo.

Antes de chefiar o COB, ele foi presidente da CBJ (Confederação Brasileira de Judô) durante 16 anos, de 2001 a 2017.

Além de Wanderley, outros nove nomes dos 19 integrantes da cúpula do COB ou foram da CBJ ou atuavam no judô. Alguns já estavam no comitê antes de ele assumir a presidência.

Ex-judoca e campeão olímpico em Barcelona-1992, Rogério Sampaio foi o único presente na reunião que, logo após o recorde de medalhas obtido em Tóquio-2020, demitiu o então diretor esportivo do comitê, Jorge Bichara.

O episódio marcou o racha entre Wanderley e seu vice, La Porta, que devem se enfrentar na disputa pelo comando do COB neste ano.

Em nota, o COB disse que "o judô é a modalidade com maior número de conquistas em Jogos Olímpicos, e diversos profissionais de destaque da modalidade já atuavam no comitê antes do início da atual gestão".

 

•        Associação de Árbitros promete entrar no STJD após declarações de Bruno Spindel

 

No último sábado (4), o Flamengo foi até Bragança Paulista para enfrentar o Bragantino, pela 5ª rodada do Brasileirão, e saiu do jogo com um empate em 1 a 1. O gol do Rubro-Negro foi marcado por Bruno Henrique.

Além da partida em si, mais uma vez o que chamou a atenção dentro das quatro linhas foi a atuação da arbitragem, composta pelo árbitro Paulo Cesar Zanovelli, os assistentes Guilherme Dias e Celso Luiz, e o VAR Daniel Nobre Bins.

A insatisfação flamenguista começa ainda no primeiro tempo, quando Luan Cândido, sendo o último home da jogada, foi expulso por derrubar De La Cruz. Após chamada do VAR e revisão do lance, foi constatado uma falta do meia do Flamengo na origem da jogada e a expulsão de Luan foi anulada.

Já no segundo tempo, quando o jogo se encaminhava para o empate, Luiz Araújo foi puxado sem bola quando se dirigia para a área na intenção completar um cruzamento. O juiz nem sequer foi chamado pelo VAR para a revisão do lance, o que irritou a comissão técnica.

•        O desabafo de Spindel

Após o fim do jogo, o dirigente do Flamengo, Bruno Spindel, pediu a chance de ser entrevistado pela transmissão do jogo do SporTV e fez fortes críticas à arbitragem e à CBF.

Em um dos trechos, Spinde destacou: “O que aconteceu hoje é um absurdo. Se tivesse a expulsão no começo, mudaria o jogo, assim como o pênalti no Luiz Araújo. Somos prejudicados jogo a jogo. Ofício não adianta. O que respeita é chamar para a CPI em Brasília, dizer que tem assalto… não tem outro jeito de ser respeitado”, disse.

A Abrafut (Associação de árbitros do Futebol Brasileiro), que representa a maioria dos juízes da Série A, não gostou nada nada das declarações de Bruno Spindel e da cúpula flamenguista.

Em publicação nas redes sociais, a Associação se manifestou sobre a polêmica envolvendo o Flamengo e prometeu entrar com uma notificação no STJD. Na nota também é repudiado a fala de Felipe Melo no jogo entre Fluminense e Atlético-MG.

>>>> Nota da Abrafut na íntegra

“No último sábado, 04/05/24, posteriormente à partida entre Fluminense X Atlético Mineiro , após receber um cartão amarelo devidamente aplicado pelo árbitro Raphael Claus, insatisfeito, em tom de reclamação e acusação, o jogador Felipe Melo disse: ” John Textor tem razão “. Essa frase remete à várias acusações infundadas vindas do dono do Botafogo, que tem feito um movimento levando a suspeita de manipulação de resultados no futebol brasileiro.

Outra acusação que também não pode passar é a do diretor do Flamengo, Bruno Spindel. No jogo Bragantino X Flamengo, se revoltou contra a atuação do árbitro Paulo Zanovelli dizendo que o Flamengo está sendo prejudicado e que a arbitragem favorecerá o clube que acusá-la de roubo, fraude, assalto , colocando pressão nos árbitros e dessa forma garantindo resultado favorável à sua equipe.

O que nós da ABRAFUT estamos vendo é um cenário cada vez mais injusto contra a arbitragem. Nossos árbitros estão sendo usados como nuvem de fumaça para cobrir a responsabilidade dos times pelos erros de seus jogadores. Na finalidade de colocá-los como vítimas, acusam e responsabilizam a arbitragem. Porém, não reconhecem que as falhas dos seus jogadores, como também o comportamento em campo dos mesmos e da comissão técnica das equipes, têm papel fundamental e essencial para o bom andamento do jogo.

Vai ser impossível termos um futebol de qualidade tanto para os membros que trabalham nessa modalidade, quanto para os torcedores e espectadores se todas as insatisfações forem justificadas pela injusta desconfiança, descrença, suspeita e incredulidade em cima do trabalho da arbitragem.

A ABRAFUT, em defesa dos seus árbitros, entrará com uma notícia de infração no STJD“. Concluiu a nota.

 

Fonte: FolhaPress/Bola Vip Brasil

 

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