Sudene consolida direitos humanos como estratégia de desenvolvimento
regional
Pela primeira vez em sua história, a Sudene traz a
defesa dos direitos humanos como prioridade para o desenvolvimento regional.
Durante o Seminário Desenvolvimento Regional e Direitos Humanos – Nordeste,
realizado nesta quarta-feira (6), foi lançada a Rede de Governança para a
Proteção Social e Direitos Humanos na região, que terá o objetivo de articular
e discutir ações relacionadas ao tema a partir do Plano Regional do
Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE).
“Essa é uma iniciativa inédita da Sudene em um
plano ousado, dando à instituição um lugar de protagonismo histórico ao
convidar a sociedade civil para um debate sobre direitos humanos”, afirmou o
palestrante Manoel Moraes, do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social
(Cendhec).
O superintendente da Sudene, Danilo Cabral,
garantiu que o evento de hoje “marca a instalação de um ambiente de diálogo”.
Ele reforçou, ainda, que “a partir desse encontro será feita a composição de
uma rede, que é a forma como a gente tem trabalhado com os diversos temas
transversais que dialogam com o Nordeste, trazendo para o debate atores que são
importantes”. “Vamos, a partir disso, mobilizar, articular, integrar, para
monitorar e formular políticas que reduzam as desigualdades regionais e que
olhem para a questão dos direitos humanos”, frisou.
Durante o encontro, a estatística Gabriela
Nascimento (Sudene), apresentou o “retrato” de alguns indicadores que servem de
referencial para as ações propostas pelo Plano Regional de Desenvolvimento do
Nordeste (PRDNE). Um dos dados apresentados foi sobre o índice de
vulnerabilidade social (IVS), que reduziu em todas as regiões, com exceção do
Nordeste (que se manteve no índice de média vulnerabilidade), no período de
2011 a 2021. Quando o recorte é a população negra, “todas as regiões
apresentaram maior IVS”, e quando se trata de gênero, “as mulheres da Região
Nordeste são as mais vulneráveis”.
O coordenador-geral de Cooperação e Articulação de
Políticas da Sudene, Danilo Campelo, fez uma apresentação do Plano Regional de
Desenvolvimento do Nordeste 2024-2027, focando no Programa de Fortalecimento da
Proteção Social e Direitos Humanos do eixo de Desenvolvimento Social. O
objetivo do programa é ampliar e qualificar a atenção e os serviços de proteção
social e direitos humanos às famílias, em especial aos jovens, aos
trabalhadores desempregados, às mulheres, aos idosos, às pessoas em situação de
pobreza, risco ou vulnerabilidade social e aos povos tradicionais para redução
das desigualdades.
Está previsto, ainda, o enfrentamento à violência,
ao racismo e à violação de direitos humanos no campo e nas cidades. Fazem parte
das ações estratégicas fortalecer as políticas públicas para a promoção da
igualdade racial e para as juventudes do Nordeste; assegurar aos povos
indígenas o reconhecimento, a posse plena e o usufruto exclusivo de seus
territórios; constituir rede de proteção, promoção e defesa para as pessoas
LGBTQIA+, valorizar a pessoa idosa e promover o envelhecimento ativo e
saudável.
Danilo Campelo destacou os princípios que norteiam
o PRDNE, entre eles “a transparência e participação social: solidariedade
regional e cooperação federativa; planejamento integrado e transversalidade da
política pública; reconhecimento e valorização da diversidade ambiental,
social, cultural e econômica das regiões”. Para a dimensão social, as
diretrizes incluem redução do percentual de jovens que não estudam e nem
trabalham, do grave quadro atual de violência e da degradação das condições de
habitabilidade urbana.
Entre os palestrantes do seminário, o professor
Severino Lepê Correia falou em defesa dos quilombolas e da população negra (com
um enfoque nas mulheres). “Sem igualdade racial não vai haver desenvolvimento”,
acrescentou, além de destacar a importância da educação e do emprego para os
jovens. Célia Maria de Albuquerque Trindade (Cendhec) parabenizou a Sudene por
incluir essa pauta no PRDNE e afirmou que os direitos humanos devem chegar a
todos. Nathália Da Matta (IFPE) enfatizou a importância dessa iniciativa de
olhar para os direitos humanos e a diversidade, buscando “transformar planos em
práticas sociais”. A “disposição da Sudene de ouvir a sociedade” foi elogiada
pelo Padre Delmar Araújo Cardoso (Unicap), que afirmou ser um passo para a
união e reconstrução do país, propostas pelo Governo Federal.
Para Aída Maria Monteiro Silva (Fundaj), a inclusão
desse tema no PRDNE é fundamental, pois “política pública que não incorpora
direitos humanos é política para poucos”. As mulheres estiveram representadas
por Viviane Cesário (Secretaria Nacional da Juventude), que está com 320 ações
que impactem positivamente na vida das mulheres, diminuindo a violência e
ampliando as oportunidades no mercado de trabalho. O Ministério da Igualdade
Racial participou do debate e foi representado por Isadora de Oliveira Silva,
que destacou o Plano Juventude Negra Viva para o público de 15 a 29 anos, com
políticas que garantam segurança pública, dignidade, moradia, educação, emprego
e renda, entre tantos outros direitos. O superintendente da Sudene, Danilo
Cabral, ressaltou a importância de garantir um desenvolvimento que inclua as
pessoas, conectando a Sudene com a pauta da sociedade.
Sudene
promoveu debate sobre a proposta do NE para a construção do Sistema Nacional de
Territorialização da nova política industrial
Para inserir a visão regional na nova política
industrial do País, foi criado o Grupo de Trabalho (GT) da Territorialização e
Desenvolvimento Regional no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Industrial. A Sudene e diversos parceiros atuou ativamente nesta criação e
promoveu um Seminário para levantar os desafios e oportunidades da região
diante do cenário atual. O debate reuniu representantes do GT (Consórcio de
Governadores de Pernambuco, Banco do Nordeste, BNDES e Finep), além de outras
entidades, e abordou o papel das instituições regionais, a participação do
Nordeste nas missões da Nova Política Industrial e os instrumentos de
financiamento para a territorialização dessa política. Na abertura do encontro,
o superintendente da Sudene, Danilo Cabral, falou sobre a importância do grupo
para “integrar o conjunto de ações e de atores”, que resulte em uma “política
estruturada e que dialogue com os principais instrumentos de financiamento”.
Segundo o gestor, o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), que
tem a inovação como eixo central, será um instrumento importante nesse processo
de inserção do Nordeste na Nova Política Industrial do País.
No debate sobre a “Nova Política Industrial e o GT
da Territorialização: As missões da Nova Política Industrial e o Nordeste”,
Abraham Sicsu (ABED Pernambuco) destacou a necessidade “do regional fazer parte
da estratégia nacional”, enfatizando que “regionalização não é apenas sinônimo
de descentralização de recursos. É preciso política estruturada”. Ele elencou as missões da Nova Política
Industrial (transformação digital, moradia e mobilidade sustentável, complexo
de saúde modernizado e competitivo, cadeias agroindustriais sustentáveis e
digitais, transição energética, recuperação da infraestrutura, soberania e
defesa nacional) e fez um link com uma proposta de nova agenda de CT&I para
o Nordeste apresentada ao grupo de transição no início da gestão do presidente
Lula. Entre as ações propostas estão a adoção de políticas de CT&I
articuladas à política macroeconômica e a políticas setoriais; fortalecimento
da agenda de desconcentração da base científica e tecnológica; e criação de
incentivos a partir de novos modelos de financiamento à pesquisa e inovação.
Para Gustavo Travassos (MDIC), a
neoindustrialização deve aproveitar as vocações, potencialidades e interesses
da região, baseando-se na inclusão, inovação e sustentabilidade. Já Ademir
Freire (BNB) falou sobre duas temáticas que considera importantes – o
engajamento do setor empresarial e a inserção do Nordeste nas cadeias globais.
Ele acredita que o GT da Territorialização pode se tornar “o grande fórum da
economia do Nordeste”. Na visão de Paulo Cavalcanti (Idene), a nova
industrialização deve ser “regionalmente especializada, nacionalmente complexa,
reintegradora do território nacional, socialmente equitativa e ecologicamente
transformadora”. Para ele, os eixos estruturantes devem ser o
político-institucional, sócio-ambiental e econômico-inovativo.
Sobre o financiamento das políticas, Ademir Freire
enfatizou o papel do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE),
que apoia dos pequenos aos grandes empreendedores e que “deve encerrar o ano
com contratações na casa dos R$ 39 bilhões”. Além do Banco do Nordeste, a
discussão sobre financiamento para a territorialização da Nova Política
Industrial contou com as participações da Finep (Raffaelly Fortunato) e BNDES
(Eduardo Kaplan). Durante o debate, foi
destacada a importância de utilizar as missões da Nova Política Industrial para
nortear os novos investimentos, além de incorporar os financiamentos já
existentes. Outro ponto levantado foi a necessidade de desconcentração de
recursos, que em sua maioria são destinados ao Sul e Sudeste do País. Rafaelly
citou algumas das linhas de financiamento da Finrep voltadas para inovação em
saúde, transição energética, transformação digital da indústria, entre outras
áreas. Ela informou que existem linhas especiais com taxas de juros fixadas em
TR + 1,5% ao ano.
Participaram do encontro representantes da Sudene,
Banco do Nordeste (BNB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR),
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC),
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Consórcio Nordeste, Instituto de
Desenvolvimento do Nordeste (Idene), Associação Brasileira de Educação à
Distância (ABED Pernambuco) e Conselho Regional de Economia (Corecon).
Fonte: Ascom Sudene

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