Bíblia Hebraica, 39 livros da Bíblia Cristã
A Bíblia que o povo cristão lê não caiu pronta do
céu, foi se formando ao longo de muitos séculos. Herdamos da Bíblia Hebraica 39
livros do Primeiro Testamento. A Bíblia Hebraica deu origem a todas as Bíblias
que conhecemos e estão em uso, sobretudo nas comunidades judaicas, cristãs e
muçulmanas. Importante conhecermos as línguas que estão na sua base, os
manuscritos que formaram a Bíblia, o cânon, sua divisão interna, a tradução da
Bíblia hebraica para o aramaico, o grego, o latim e as línguas modernas.
O nome ‘Bíblia Hebraica’ é dado aos trinta e nove
livros que fazem parte do Primeiro Testamento bíblico, escritos na língua
hebraica e pequenas partes, de alguns livros bíblicos na língua aramaica. As
línguas hebraica e aramaica eram usadas no tempo de Jesus, inclusive. Quase
todo o Primeiro Testamento foi escrito em hebraico e no aramaico são poucos
textos. Ambas as línguas são do mesmo tronco linguístico, o semita.
O hebraico faz parte das línguas semitas, junto com
o antigo cananeu, o ugarítico, o aramaico, o fenício e o moabítico. O primeiro
documento encontrado nesta língua foi o calendário agrícola, na cidade Gezer,
no século IX antes da Era Cristã (a.E.C.). A Stela de Mesha foi encontrada na
mesma época e sua escrita é moabítica, muito parecida com o hebraico. No
período do exílio da Babilônia por volta do séc. VI a.E.C., a língua hebraica
falada decaiu muito, e começou-se a falar o aramaico, embora o hebraico continuasse
a ser a língua oficial e erudita usada na liturgia.
Os escritos que nasceram depois deste período foram
escritos em hebraico. Em ambas as línguas, hebraico e aramaico, o alfabeto é
escrito na forma quadrada. Os exemplos mais antigos que temos da escrita
aramaica são os papiros de Elefantina do séc. V a.E.C. e os manuscritos de
Qumran. A língua aramaica, às vezes, é chamada também de caldaica ou aramaico
antigo, para distingui-la da forma linguística mais recente.
A história do texto hebraico do Primeiro Testamento
pode ser apresentada em três períodos sucessivos: o primeiro período vai até o
final da era veterotestamentária, que compreende a fase da flutuação do texto,
sofrendo algumas mudanças ao confrontar o Texto Massorético (TM)[2] com a
Tradução da LXX que vai até o séc. III-II a.E.C. Nota-se nesta fase, oscilação
na transcrição dos textos, mudança na sequência dos capítulos do TM, por
exemplo, no livro de Jeremias, a LXX coloca os cc. 46-51 após o c. 25,14, alterando
o texto original.
No segundo período que vai do 1º séc. a.E.C. até o
ano 500 da Era Cristã (E.C.), o texto bíblico hebraico e aramaico não sofreram
mais a variação das consoantes, o que significa que uma tradição textual
prevaleceu sobre as demais, este fato pode ter ocorrido talvez no período do
sínodo judaico em Jâmnia, por volta da década de 80 E.C. Nesta época houve
também a fixação do texto hebraico e aramaico, o que é comprovado pela tradução
de Áquila, Símaco e Teodocião. Estas traduções já supõem um texto original, completamente
uniforme e idêntico quanto às consoantes, e ao Texto Massorético.
No terceiro e último período, que vai do ano 500 a
900, o texto bíblico hebraico e aramaico chegou a uma estabilidade definitiva
também quanto ao vocabulário, sem divergências com o Texto Massorético. Os
Massoretas fixaram o texto bíblico hebraico com muita seriedade, observando os
mínimos detalhes deixando o texto original invariável, também se notassem um
erro de transcrição, anotando no alto ou no rodapé as propostas de observações
feitas ao texto e são conhecidas como ‘massora grande’. Na margem lateral do
texto eram feitas as observações de como as palavras deveriam ser escritas e
lidas, esta é conhecida como ‘massora pequena’.
Faz parte do Cânon o conjunto de todos os escritos
que compõem a Bíblia hebraica, na qual existem trinta e nove livros aceitos e
reconhecidos como inspirados por Deus. Canon vem de uma palavra grega e
significa: cana ou tubo que servia para medir, ou ainda pode significar regra
ou norma. Aplicado à Bíblia, é a norma que estabelece o número de livros
inspirados em cada denominação religiosa que faz uso da Bíblia. Canon é usado
também para falar do Canon da Missa, são as normas estabelecidas de como o celebrante
deve proceder para realizar a celebração da Eucaristia.
O cânon da Bíblia hebraica foi fixado em Jâmnia no
final do 1º século da E.C. ele é seguido até hoje pelos Judeus, pelos
Evangélicos e (neo)pentecostais nas suas diversas denominações para o Primeiro
Testamento. Mesmo que a aprovação solene e definitiva do cânon para a Igreja
católica tenha sido no Concílio de Trento em 1546 da E.C., muito antes, ainda
nos tempos apostólicos, os escritos eram aceitos e lidos nas comunidades, o
Primeiro Testamento na Tradução da ‘Setenta’ e o Segundo Testamento os vinte e
sete livros que o integram.
A relação dos trinta e nove livros que formam a
Bíblia hebraica[3] está relacionada em cada uma das três grandes partes que
compõem a sua divisão interna: A Torá (A Lei), Neviim (Os Profetas) e Ketuvim
(Os Escritos).
A primeira parte da Bíblia hebraica é conhecida
pelo nome Torá, normalmente traduzido por Lei, mas a tradução mais adequada
corresponde a: “instrução e ensinamento”. A Lei é entendida como “A lei de
Deus”, dada ao povo por meio do seu servo Moisés e outros: “Deus falou a Moisés
e Arão e disse-lhes: Eis um Estatuto da Lei que Deus prescreve. Fala aos
israelitas” (Nm 19,1-2). É frequente encontrar nestes livros as ordens de Deus,
por isso elas são de valor máximo dentro da tradição judaica.
A Toráh – Lei de Deus! Os livros que integram a Toráh são
cinco e seguem a seguinte ordem dentro da Bíblia hebraica: Gênesis, Êxodo,
Levítico, Números e o Deuteronômio. Na língua original eles são chamados pela
primeira palavra que dá início ao livro. Por exemplo, a transliteração do
primeiro livro da Bíblia hebraica é: “Bereschit” (= Num princípio) corresponde
ao livro do Gênesis, de origem grega e prevaleceu nas traduções dos nomes das
Bíblias e não a denominação hebraica.
Os Neviim – Profetas! A segunda parte da Bíblia
hebraica são os “Neviim”, formada pelos livros proféticos, subdividida, por sua
vez, em dois grupos, os profetas anteriores e os profetas posteriores. São
chamados de profetas anteriores: Josué, Juízes, I e II Samuel e I e II Reis e
profetas posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel com os doze profetas menores:
Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu,
Zacarias e Malaquias. O livro de Daniel não é considerado profético, ele entrou
no bloco dos ‘Escritos’. Este segundo bloco de livros, os proféticos, tem
grande autoridade e são tidos como livros inspirados e canônicos pelo judaísmo.
Os Ketuvim – Escritos! O terceiro e o último bloco
da Bíblia hebraica é formado pelos “Ketuvim”, os Escritos. Fazem parte do grupo
dos Escritos os demais livros, tidos como inspirados, mas de menor autoridade
na comunidade judaica. São eles: Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cântico dos
Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, Esdras, Neemias, I e II
Crônicas. Muitos desses escritos são antigos, alguns Salmos atribuídos a Davi,
coleção de Provérbios coletados por Ezequias, segundo a informação dos próprios
textos.
TaNak é a palavra que sintetiza as três partes da
Bíblia hebraica, usada pelos judeus. São trinta e nove livros do Primeiro
Testamento, exceto sete livros considerados deuterocanônicos e mais os vinte e
sete livros do Segundo Testamento da Bíblia cristã. Os estudiosos tomaram as
letras iniciais da ‘Torá’ normalmente traduzida por Lei, dos ‘Neviim’, profetas
e profetisas e dos ‘Ketuvim’ que são os escritos sapienciais. Estas iniciais
formam a palavra: TaNaK que corresponde ao conteúdo da Bíblia hebraica, enquanto
a Bíblia usada pelos católicos contém setenta e três livros.
Fonte: Por frei Gilvander Moreira, em Racismo
Ambiental

Nenhum comentário:
Postar um comentário