Sérgio Moro, um ex-juiz acima de qualquer suspeita de inteligência
Erros de português não significam, necessariamente,
falta de inteligência. O sujeito pode ser esperto, sem ser sabido. Mas Sérgio
Moro é decididamente pouco sabido e pouco inteligente. E pouco corajoso também.
Sua declaração de que não revelaria seu voto em
relação à indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal, para não
ser alvo de represálias, é de uma burrice poucas vezes vista na área pública.
Primeiro, pela demonstração explícita de falta de
coragem. A suposta coragem do Juiz vingador foi apenas uma construção trágica
da mídia. Moro, ao não declarar voto, seu amigo Deltan Dallagnol, com cenas
explícitas de pânico, apenas realçam os anti-heróis instrumentalizados pela
mídia.
Segundo, pela burrice. Ao não declarar voto
conseguiu ficar sob suspeição tanto da situação quanto dos bolsonaristas.
Terceiro, pela falta de visão estratégica para o
único objetivo do casal: enriquecer. Nunca teve dimensão intelectual ou
conhecimento para entender jogos de poder. Mesmo a indicação para MInistro da
Justiça foi vista, por eles, como oportunidade pessoal.
O que ele não se deu conta é que, suicidando-se
politicamente, fecham-se os mercados para ele.
O advogado Walfrido Ward criou o maior lobby
jurídico contemporâneo, colocando sob suas asas de militares conspiradores,
como Sérgio Etchegoyen, a juristas e políticos de esquerda. No auge da sua
popularidade, Ward contratou um “parecer” de Moro por R$ 500 mil. Obviamente
não foi devido ao notório desconhecimento jurídico do ex-juiz. Agora, Moro não
servirá nem para pareceres junto ao TRF-4.
Ø Os gastos
abusivos de Sergio Moro que podem levá-lo à cassação
Avião, segurança pessoal, transporte, hoteis,
eventos, celular, contratos polêmicos com advogados e até carro comprado
especialmente ao pré-candidato que, juntos, ultrapassaram mais de R$ 2 milhões.
Mas para o senador Sergio Moro (União-PR) não houve prática ilícita. Já para o
Ministério Público Eleitoral do Paraná, o abuso de poder econômico deverá
cassar e tornar inelegível a chapa de Moro e de seu suplente, Luís Felipe
Cunha.
A conclusão consta nas 79 páginas da Procuradoria
Regional Eleitoral do Paraná do parecer enviado ao Tribunal Regional Eleitoral
(TRE-PR), na noite desta quinta-feira (14), analisado pelo GGN.
A Procuradoria detalhou as centenas de notas
fiscais entregues pelos partidos políticos Podemos e União Brasil e as
entidades ligadas a eles, e constatou que ficou “comprovado” um gasto
“mínimo” de R$ 2.030.228 milhões (dois milhões, trinta mil, duzentos e
vinte e oito reais) na pré-campanha de Sérgio Moro.
“Este contexto demonstra que os meios empregados
para a realização de pré-campanha e os valores despendidos nesta empreitada em
prol dos investigados mostrou-se, de fato, desarrazoada, assumindo contornos de
uso excessivo do poderio econômico.”
Segundo os procuradores, a quantia é 110,77%
superior à média dos gastos de campanha dos 10 candidatos ao Senado pelo estado
do Paraná.
“Não há como desvincular os benefícios eleitorais
advindos da alta exposição do primeiro investigado, alcançada por meio da
pré-candidatura à Presidência, de sua efetiva campanha ao cargo de Senador no
estado do Paraná, pois a projeção nacional de uma figura pública desempenha um
papel crucial, mesmo em eleição a nível estadual, influenciando diversos
aspectos do processo eleitoral”, seguiu.
Para o Ministério Público, tal investimento tornou
a posterior disputa ao cargo parlamentar injusta para os demais candidatos.
Enquanto o senador e o União Brasil, seu atual
partido, alegam que os gastos apontados do partido e das fundações “não foram
realizados em benefício único da pré-campanha de Sergio Moro, de forma que
apontam que somente R$ 141.034,70 foram investidos de fato na pré-candidatura
dos réus”, os procuradores encontraram despesas destinadas exclusivamente ao
pré-candidato Sergio Fernando Moro. Confira:
·
Os gastos
Diretamente à Justiça Eleitoral, o Diretório
Estadual do União Brasil afirmou que não realizou despesas de pré-campanha em
favor dos investigados, mas a Procuradoria comprovou com notas fiscais uma
série de pagamentos e custos feitos pelo partido e pelo Podemos a Sergio Moro
para a sua pré-campanha eleitoral.
Uma dos primeiras provas é o gasto de R$ 429.779,05
em transporte aéreo particular da pré-campanha de Moro e de seus
assessores com a empresa Taxi Aéreo Hércules, pago pelo União Brasil.
“Além do transporte dos investigados Sergio
Fernando Moro e Luís Felipe Cunha, também se verifica a existência de
indivíduos ligados aos investigados nas listas de passageiros, notadamente, os
Srs. Fabio Bento Aguayo e Bruno Mundryk Neves, hoje, assessores parlamentares
do primeiro investigado, e o Sr. Daniel Sameshima Santoro, prestador de serviço
de campanha.”
Outro gasto elencado foi o contratado pelo Podemos
com o escritório de advocacia Gustavo Bonini Guedes Sociedade
Individual de Advocacia, ao custo de R$ 60 mil mensal. Entretanto, a
Procuradoria anota que a única mensalidade paga foi usada para também prestar
serviço à esposa de Sergio Moro, Rosângela Moro, e ao partido. Os
investigadores calcularam, então, que proporcionalmente o candidato teria se
beneficiado do serviço advocatício na quantia de R$ 20 mil.
Enquanto inicialmente Moro negou ter feito
pré-campanha à Presidência pelo Podemos, a Fundação Trabalhista Nacional,
ligada ao partido, chegou a financiar em R$ 60 mil o plano de
governo que seria do ex-juiz, caso a candidatura se materializasse, o
“Projeto Nação”.
“É incontroverso que o referido contrato tinha como
objetivo a elaboração de plano de governo para a pretensa candidatura de Sergio
Fernando Moro à Presidência da República e, assim, estes valores hão de ser
inseridos no cálculo de despesas de pré-campanha.”
A mesma entidade gastou R$ 15 mil com um
levantamento sobre direcionamentos políticos de evangélicos para embasar
posturas e políticas para a pré-campanha de Sérgio Moro. Entretanto,
a pesquisa política de evangélicos não foi considerada pela Procuradoria
como despesa de pré-campanha.
Outros R$ 663,5 mil foram gastos pelo Podemos para
pesquisas qualitativas sobre opinião popular, tampouco considerados gastos
diretos de pré-campanha de Moro.
O União Brasil chegou a comprar um carro,
Toyota Corolla, pelo valor de R$ 198 mil para fazer a locomação de Sérgio Moro.
Ainda assim, a Procuradoria não quantificou a compra total do carro, “pois o
patrimônio permaneceu sob tutela do partido político”, então calculou o
proporcional a um aluguel do veículo pelo tempo utilizado pelo pré-candidato.
Chama a atenção, ainda, o gasto de R$ 333 mil com
o escritório de advocacia Vosgerau & Cunha Advogados Associados, para
a assessoria jurídica de Moro. O atual suplente de Moro no Senado, Luis Felipe
Cunha, é um dos sócios do escritório.
O caso já havia sido disseminado pela imprensa.
Quando Moro migrou para o União Brasil, o partido celebrou contrato de R$ 1
milhão com o escritório, que não tinha experiência anterior em direito
eleitoral.
Em depoimento ao Tribunal Regional Eleitoral do
Paraná (TRE-PR), o próprio senador havia indicado que o contrato era
falsificado, ao afirmar que o advogado sócio, seu atual suplente, não havia
prestado assessoria jurídica para ele, contrariando o que estava assinado no
documento.
A Procuradoria também elencou como despesas de
pré-campanha serviços de segurança pessoal, de escolta,
de transporte e locação de veículos do então candidato pelo Podemos e
pelo União, o uso de celulares entregues pelo partido Podemos a
Sérgio Moro, serviços de alimentação, fotografia, coletivas de
imprensa, publicidade e ‘social media’ de ambos os partidos, com
serviços de hotelaria e transporte, e diversas despesas do evento de
filiação de Moro ao Podemos, incluindo limpeza, locação de mobiliário e de
equipamentos, ambulância, contratação de pessoal, etc.
“Desse modo, estabelecidas as premissas de
igualdade do pleito, RESTOU OBJETIVAMENTE COMPROVADO NESTES AUTOS O
EMPREGO DE R$ 2.030.228,09 PELO PODE E UNIÃO NA PRÉ-CAMPANHA DOS INVESTIGADOS,
representando 39,78% do total de despesas contratadas pela própria campanha
eleitoral e 110,77% da média de gastos em campanha eleitoral dos candidatos ao
Senado nesta unidade da federação, o que é por demais grave.”
A Procuradoria concluiu que há elementos
comprobatórios para pedir a cassação integral da chapa e a inelegibilidade de
Sergio Moro e de seu suplente, Luis Felipe Cunha.
“A responsabilidade pessoal dos Srs. Sergio
Fernando Moro e Luís Felipe Cunha encontra-se solidamente comprovada através da
participação direta de ambos nas viagens, eventos e demais atos de
pré-campanha, frisando-se que, ainda que apenas o primeiro investigado tenha
figurado em destaque e apresentando-se ao público como pré-candidato, o segundo
investigado o acompanhou por toda trajetória política, inclusive na condição de
advogado. (…) Deve ser imposta a penalidade de inelegibilidade, impondo-se,
todavia, a cassação integral da chapa eleita no pleito de 2022 para o cargo de
Senador da República.”
·
A resposta de Moro
Nos autos do processo, a defesa de Moro defendeu
não cometer “quaisquer dos ilícitos imputados”, “já que as despesas que de fato
foram efetuadas teriam sido custeadas unicamente pelas agremiações partidárias
respectivas, pois não possuíam relação direta com a campanha de Sergio Moro”.
Fonte: Jornal GGN

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