Retrospectiva 2023: da volta de Lula à tentativa de golpe
Após muito receio por parte da direita, o
presidente Lula tomou posse do Brasil. Do outro lado, a negação da oposição foi
tanta que, em protestos radicais, invadiram e destruíram a praça dos três
poderes em Brasília.
A repercussão do ato golpista respingou durante o
ano todo, através de investigações e prisões. E o lado de lá não parou de
ferver, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado e acabou se tornando
inelegível por oito anos e também enfrenta uma investigação por recebimento de
joias ilegais no Brasil.
Todos esses processos afetaram a política do país,
confira o que movimentou o ano na retrospectiva da política nacional em 2023:
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Janeiro
O ano começou com a troca de governo após a vitória
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra Jair Bolsonaro nas eleições
de 2022. Com um paletó azul e ao lado da sua esposa Janja, Lula e Geraldo
Alckmin (PSB) foram empossados como presidente e vice-presidente do Brasil,
respectivamente, durante sessão solene no primeiro dia do ano, no Congresso
Nacional, em Brasília (DF).
Durante o discurso de posse do seu terceiro mandato, Lula criticou Bolsonaro e prometeu um governo de esperança, com combate
à fome, defesa da democracia, retomada dos programas sociais e compromisso com
a Constituição. Além disso, o petista se comprometeu com o crescimento econômico com
responsabilidade fiscal e definiu como meta do Governo o desmatamento zero na
Amazônia.
Junto à chegada de Lula, os 37 novos nomes para os
ministérios escolhidos começaram a tomar posse.
Sete dias após Lula entrar no poder, no dia 8 de
janeiro, a sede dos Três Poderes em Brasília foi invadida por apoiadores
radicais do ex-presidente Bolsonaro, inconformados com o resultado das
eleições, ocasionando em atos de vandalismo e prisões. Mais de 3000 pessoas furaram o bloqueio e quebraram vidraças, móveis, obras de artes, objetivos
históricos, invadiram gabinetes de autoridades, rasgaram documentos e roubaram
armas.
Com a tentativa de golpe, o presidente Lula decretou intervenção federal na segurança do DF, o
governador Ibaneis Rocha foi afastado e o Secretário de Segurança
Pública do DF, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres foi acusado de omissão, sendo exonerado e
preso.
Lula também demitiu o comandante do Exército e
exonerou o então ministro do GSI, Gonçalves Dias. Com a repercussão, foi
instaurado uma CPI para investigar a invasão que resultou no indiciamento de 61
pessoas. Até dezembro, 30 pessoas foram condenadas.
Durante todos esses acontecimentos, o ex-presidente
esteve nos Estados Unidos onde ficou por três meses.
No final do mês, a morte por desnutrição de uma
criança da etnia yanomami fez o Brasil inteiro voltar os olhos para Roraima,
onde o povo indigena vive em estado de crise humanitária, causada pelo garimpo
ilegal. O Ministério da Saúde decretou situação de emergência e acusou o governo Bolsonaro de ser
"omisso" em relação à saúde aos yanomami.
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Fevereiro
A abertura do ano legislativo começou com a posse dos parlamentares eleitos em outubro de 2022, além
disso, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal elegeram Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD) como respectivos
presidentes para os próximos dois anos.
Já as investigações sobre o 8 de janeiro, ganharam
mais um capítulo. O senador Marcos do Val (Podemos) declarou em uma transmissão
ao vivo que o ex-presidente Jair Bolsonaro o teria o coagido a participar de um
plano que resultaria em um suposto golpe de Estado.
Posteriormente o senador, afirmou que o ex-deputado
federal Daniel Silveira (PTB) o levou a reunião com Bolsonaro e segundo o seu
relato, a ideia de Silveira incluía gravar o ministro Alexandre de Moraes em
busca de declarações comprometedoras do magistrado.
Após a live, Do Val foi acusado de ter dado várias
versões sobre o caso através de transmissões e entrevistas, gerando certa
desconfiança. Com isso, Moraes mandou apurar atos do parlamentar que incluíam
acusações contra o ministro. Houve apuração de falso testemunho, denunciação
caluniosa e coação no curso do processo.
Ainda sobre a tentativa de golpe, o ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura de
173 pessoas que foram presas por causa dos atos golpistas de 8 de janeiro, ele
puderam voltar para suas cidades natais, mas monitorados por tornozeleira
eletrônica. e tiveram que cumprir uma série de medidas cautelares.
No 10º dia do mês, o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se encontraram na
Casa Branca, residência oficial do governo norte-americano em Washington, e fizeram
uma defesa da democracia.
Assim como Lula, Biden também viveu ataques de
oposicionistas às sedes de poderes da República, em ataque ao Capitólio, em 6
de janeiro de 2021. Biden reafirmou apoio à democracia brasileira.
De volta ao Brasil, um dos momentos mais aguardados
pelos eleitores de Lula foi a retomada do programa Minha Casa Minha Vida, Lula
assinou a Medida Provisória (MP) durante um evento de entrega de 684 moradias
em Santo Amaro, na Bahia.
O programa, criado em 2009, tinha deixado de
existir em 2020 no governo Bolsonaro. Na ocasião, a iniciativa passou a se
chamar Casa Verde e Amarela, sofrendo alterações em diversos critérios.
·
Março
Ainda sem a presença de Bolsonaro no país, a
notícia de que o ex-presidente teria tentado entrar ilegalmente no Brasil com R$ 16,5 milhões em joias estourou
logo no início do mês. Com a notícias, a Polícia Federal decidiu abrir um
inquérito para apurar os objetivos recebidos pelo governo.
Um colar, anel, relógio e uma marca de brincos de
diamantes foram entregues à comitiva brasileira em outubro de 2021, quando uma
equipe do ex-presidente fez viagem oficial para a Arábia Saudita.
Dias após estourar a polêmica sobre a possível
ilegalidade, a esposa do ex-presidente Michelle Bolsonaro assumiu, sem a presença do marido, a presidência do
PSL Mulher. O evento foi visto como o “lançamento” da ex-primeira-dama na
política.
Sobre as ações sociais no Brasil, o governo Lula relançou o programa Mais Médicos, criado em
2013 para ampliar o número de profissionais de saúde em áreas de baixo
desenvolvimento econômico e no interior do país.
Já com o novo cargo, a ex-presidente da República
Dilma Rousseff foi eleita para a presidência do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB),
conhecido como Banco dos Brics. Ao longo do mês, a petista foi
sabatinada pelas autoridades estrangeiras, depois que o NDB comunicou o início
da troca de comando. Ela substitui o diplomata e economista Marcos Troyjo,
ex-integrante da equipe do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.
De volta a oposição, meses com o Brasil pegando
fogo, Bolsonaro volta ao país após longa temporada nos EUA. Ele saiu
por uma rota reservada do Aeroporto de Brasília e seguiu, em comboio escoltado
pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
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Abril
Cem dias depois da posse presidencial, o destaque
de Lula é, principalmente, na retomada de programas sociais. Apesar disso, a
pesquisa Atlas Intel revelou que a desaprovação pessoal ao presidente avançou
entre janeiro e abril, embora a taxa de aprovação ainda seja superior. O índice
dos que desaprovam passou de 42% para 44%, enquanto os que aprovam foi de 51%
para 50%.
Reforçando o aumento da desaprovação, Lula acabou
sendo alvo de polêmica após falas consideradas capacitistas. Durante uma
reunião em Brasília com ministros e governadores, para tratar de ações para
prevenir a violência nas escolas, o mandatário disse que pessoas que possuem
problemas mentais têm “desequilíbrio de parafuso”. A frase não pegou bem e mais
tarde ele acabou pedindo desculpas.
Voltando a programação de viagens, o presidente embarcou em viagem oficial à China, com
grande agenda econômica e participação no evento de posse de Dilma no Brics. No
âmbito geopolítico, Lula falou sobre um possível acordo de paz para encerrar a
guerra entre Rússia e Ucrânia.
Em pós-viagem, o governo federal entregou ao
Congresso Nacional a proposta completa para o novo arcabouço fiscal, com o
intuito de substituir o teto de gastos.
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Maio
Próximo à volta de Bolsonaro, o
tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente foi
preso pela PF, que também realizou busca e apreensão em um endereço ligado ao
ex-mandatário no Jardim Botânico, em Brasília.
Cid está envolvido em polêmicas com o youtuber
Allan dos Santos, investigado por disseminação de notícias falsas e atos
antidemocráticos, com o caso das joias sauditas e até suposto pivô da demissão
de um general do presidente Lula.
Ainda sobre aliados de Bolsonaro, o ex-procurador
da República Deltan Dallagnol (Podemos) teve o mandato de deputado federal
cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa.
A decisão dos ministros foi unânime.
Nas medidas focadas para os brasileiros, um dos
principais temas debatidos na Câmara dos Deputados foi o projeto de lei que
estabelece o marco temporal que foi aprovado com 83
votos favoráveis ao projeto e 155 contrários.
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Junho
A saga com Dallagnol evoluiu e a Mesa Diretora
da Câmara confirmou a cassação do deputado por tentativa de burlar a Lei da
Ficha Limpa nas eleições do ano passado.
O ex-deputado federal Luiz Carlos Hauly assumiu a vaga do parlamentar
cassado. A decisão foi após a votação de um recurso do Podemos no Supremo. No
plenário virtual, seis ministros entenderam que a vaga deveria ficar com Hauly,
formando a maioria necessária para aprovação do recurso.
Com o caso próximo, Bolsonaro também foi alvo do
TSE, que condenou o ex-presidente por abuso de poder político e uso indevido
dos meios de comunicação. Com a decisão, a Corte declarou ele inelegível por oito anos, até 2030.
Bolsonaro foi condenado pela realização de
uma reunião com embaixadores estrangeiros, no Palácio da
Alvorada, na qual difamou o sistema eleitoral brasileiro. O encontro, ocorrido
em julho de 2022, foi transmitido pela TV oficial do governo.
O assunto do Val também voltou a repercutir com a
Polícia Federal pedindo a prisão de sua prisão durante operação que fez buscas em endereços ligados ao senador, mas o
pedido foi negado pelo STF, que autorizou apenas a realização de buscas e
apreensão. Marcos esta sendo investigado por obstruir investigações sobre os
atos golpistas do 8 de janeiro.
Sobre o STF, o Senado aprovou o nome de Cristiano Zanin para
ocupar a vaga aberta, a 11ª cadeira, com a aposentadoria do ministro Ricardo
Lewandowski. Zanin, que foi indicado pelo presidente Lula, teve 58 votos a 18.
No Senado, com 57 votos favoráveis e 17
contrários, o plenário aprovou o relatório do senador Omar Aziz (PSD) do novo
arcabouço fiscal. O texto substitui o atual teto de gastos e cria novas regras com
limites para as despesas da União.
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Julho
Assim como no ano anterior, Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença no tradicional cortejo do 2 de
Julho, data de independência do Brasil na Bahia que completou duzentos anos
este ano.
Junto com a primeira-dama, Janja, o presidente da
República saudou o público na Lapinha, mas não deu coletiva de imprensa. Se
limitou a fazer declarações sobre a importância da celebração.
As perguntas dos jornalistas seriam muitas na
ocasião, já que crescia a pressão do Centrão por cargos no governo, além do
imbróglio que envolveu a então ministra do Turismo, Daniela Carneiro.
Indicação do União Brasil para a pasta, Daniela
passou a ser rejeitada em seu partido após, junto com outros cinco quadros,
pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se desfiliar do partido sem
perder o mandato. O motivo que levou a ministra e os outros deputados a pedirem
a desfiliação sem perder o mandato foi "assédio político" por parte
da direção.
Naquele mês, Daniela deixou o governo e voltou a ser deputada, cargo em que estava
licenciada. No seu lugar, entrou o também deputado federal Celso Sabino (União
Brasil-PA).
A primeira mudança de ministro, quem diria, não
aconteceu por troca de favores com legendas do Centrão, mas por conta de uma
briga interna em uma legenda que sequer aderiu em peso ao governo.
Um outro desligamento na política aconteceu no
partido de Jair Bolsonaro. Após posar em foto com ministros fazendo, com as
mãos, o gesto que remete a Lula, o deputado federal Yury do Paredão foi expulso do PL.
O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa
Neto, justificou a exclusão pelo fato de o parlamentar "não comungar
dos ideais de nossa legenda". Yuri continuou na Câmara e meses depois se
filiou ao MDB, que compõe a base do governo Lula.
A primeira nomeação no STF aconteceu em
julho: Cristiano Zanin é nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Passou a
ocupar a cadeira deixada por Ricardo Lewandowski no mês seguinte.
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Agosto
Estado que nos últimos anos têm ganhado destaque
nacional por estar na fronteira com a Venezuela, abrigando dessa forma muitos
venezuelanos, Roraima teve seu governador cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de
Roraima (TRE-RR) em agosto.
O motivo que levou Antonio Denarium (PP) a ser
cassado foi a distribuição de cestas básicas em 2022, durante o período
eleitoral. No entanto, o chefe do Executivo Estadual continuou e deverá
continuar no cargo até que se esgotem todos os recursos. O Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) irá analisar o caso.
Um outro governador que chamou muito a atenção em
agosto foi Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo. Informações de que
ele não estaria satisfeito em seu partido vazaram e a legenda de Jair Bolsonaro logo se mostrou de braços abertos para
acolhê-lo. O motivo da insatisfação seria a aproximação de parte do Republicanos
com o governo Lula. No entanto, Tarcísio se manteve no partido.
Também governador, também alinhado com o
bolsonarismo e também nos holofotes nacionais em agosto, Zema (Novo), de Minas
Gerais, foi acusado de xenofobia ao defender um consórcio de
chefes do Executivo Estadual do Sul e Sudeste. Em sua defesa, o mineiro alegou
que as duas regiões representam 70% da economia brasileira e que por isso reivindicam protagonismo político. Mesmo
políticos de direita se posicionaram contra Zema na ocasião, a exemplo do
ex-ministro bolsonarista Gilson Machado (PL-PE), do ex-deputado federal Capitão
Wagner (União Brasil-CE) e da governadora de Pernambuco Raquel Lyra (PSDB).
Alvo de diversas críticas de bolsonaristas,
Alexandre de Moraes mandou soltar 90 presos que estavam envolvidos nos atos golpistas de 8
de janeiro. Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), os acusados não
representam mais riscos às investigações. Os acusados são réus nos processos
oriundos da investigação e respondem pelos crimes de associação criminosa,
abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e crime contra o
patrimônio público tombado.
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Setembro
Também foi na instância máxima do Poder Judiciário
que aconteceu um dos maiores embates entre a Corte e o Congresso, que envolveu
o posicionamento de cada Poder sobre o Marco Temporal das Terras Indígenas. Se
a Câmara aprovou o texto em maio, o STF interviu no assunto para julgar a constitucionalidade da proposta. O assunto
rendeu até o final do ano e organizações indígenas reforçam que seus territórios
têm sofrido ameaças de grupos que buscam extração mineral ilegal.
Se nenhuma troca de ministros foi feita em todo o
primeiro semestre, entre julho e setembro três chefes de pasta deixaram o
governo: além de Daniela Carneiro em julho, que cedeu seu lugar a Celso Sabino
no Turismo, em setembro Ana Moser deixou os Esportes para o lugar de André Fucuca (PP-MA) e Márcio França deixou Portos e Aeroportos para
que Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) assumisse em seu lugar.
Se Ana Moser, que até então nunca havia feito parte
da política institucional, saiu definitivamente do governo, Márcio França
assumiu outra pasta, que foi criada com a minirreforma ministerial, que se
chama Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno
Porte.
As trocas em setembro, diferentemente da primeira,
envolveram as saídas de uma chefe de pasta de grande apelo popular e de um
aliado do governo para a entrada de indicações do Centrão.
No final de setembro, Lula foi submetido a uma cirurgia no quadril que o
deixou quase todo o mês de outubro despachando da residência oficial, sem sair
de casa.
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Outubro
No dia seguinte da aprovação do Senado, Lula sancionou o
Desenrola Brasil, em 3 de outubro. O programa de renegociação de dívidas do
Governo Federal inicialmente duraria até o final do ano, mas em dezembro foi prorrogado por mais três meses.
Com problemas financeiros atingindo não só pessoas
físicas, mas também empresas, o Senado aprovou o projeto de lei que prorroga,
por mais quatro anos, a chamada desoneração da folha salarial, espécie
de incentivo fiscal destinado a 17 grandes setores da economia brasileira que
mais empregam.
Duas tragédias, uma no Rio de Janeiro e outra no
Oriente Médio, tiveram impacto na política do país. Em um quiosque no bairro da
Barra da Tijuca, três médicos foram mortos e um ficou ferido após um ataque de homens armados. Uma das vítimas era irmão da deputada
federal Sâmia Bombim (PSOL-SP), que se afastou das atividades parlamentares por
um tempo pouco depois do episódio.
Chegou a se suspeitar de crime político. No
entanto, ao longo das investigações, se constatou que um dos colegas do irmão
de Sâmia pode ter sido confundido com um acusado pelo Ministério
Público estadual de integrar a milícia de Rio das Pedras.
Já em Israel, um ataque do grupo Hamas provocou diversas mortes e sequestros. O Estado
israelense respondeu com ataques em territórios palestinos, em busca de pessoas
que tivessem ligação com a coordenação dos ataques e com o Hamas.
A Faixa de Gaza foi a região mais afetada pelos
ataques israelenses. Brasileiros e parentes de brasileiros que estavam no local
esperaram por negociações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil,
também chamado de Itamaraty, com países envolvidos no conflito, como Israel e
Egito, este último com fronteira em Gaza. Apenas a partir de novembro os
brasileiros e seus parentes puderam deixar Gaza e irem em direção ao Brasil, onde
foram recebidos por Lula.
Mesmo após resistir ao flerte do Centrão, Lula
cedeu e trocou Rita Serrano por Carlos Antônio Vieira Fernandes no comando da Caixa Econômica Federal. Em visita a
Salvador no primeiro semestre, Rita dizia já ter ciência do risco de não ser mantida no cargo.
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Novembro
Em novembro, o cenário geopolítico na América do
Sul impactou diretamente no debate político nacional como em nenhum outro mês
do semestre. Se a vitória eleitoral de Daniel Noboa no Equador, no mês
anterior, teve um impacto menor, a campanha de Javier Milei na Argentina fez
com que se temesse uma ruptura diplomática com o Brasil.
Em entrevista a uma emissora de TV local, o
ultraliberal chegou a chamar Lula de corrupto. Após sua vitória eleitoral, porém,
afagos foram feitos ao Palácio do Planalto. A começar pela visita a Brasília da
chanceler escolhida por Milei, Diana Mondino, que conversou com o chefe do
Itamaraty, Mauro Vieira, sobre a relação entre os dois países.
O continente ferveu também quando o presidente da
Venezuela, Nicolás Maduro, demonstrou publicamente seu interesse em anexar o território de
Essequibo, que corresponde a 74% da área da Guiana e que é rico em petróleo e
minerais. Apesar da boa relação com a Venezuela, Lula precisou se posicionar contra os planos de Maduro.
Não só Lula, mas a classe política como um todo
também precisou se posicionar com relação a ameaça de rompimento de uma mina da Braskem em Maceió. Capital
de um estado que durante todo o ano viveu o embate entre o presidente da
Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o senador e ex-presidente do Senado, Renan
Calheiros (MDB-AL), Maceió sofre ameaça enquanto trocas de acusações sobre a
responsabilização do problema na mina são repercutidas em todo o país.
A polarização que atingiu Alagoas, porém, não se
restringe ao estado e está presente em todo o país. Se por um lado o grupo
governista via na delação de Mauro Cid sobre joias de Bolsonaro uma
oportunidade para aumentar as chances de prisão do ex-presidente, a oposição
foi “presenteada” com uma denúncia contra um dos principais responsáveis pela
comunicação da campanha de Lula em 2022: o deputado federal André Janones
(Avante-MG), suspeito de “rachadinha”.
Janones estava na crista da onda e dias antes foi elogiado pelo marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira, pelo seu
trabalho com comunicação digital. A repercussão dos áudios em que o parlamentar
admitiu pegar salário de assessores para pagar despesas pessoais foi tão
grande que até o ex-assessor de Bolsonaro, Queiroz, que também é suspeito de
envolvimento no mesmo tipo de crime, usou as redes sociais para tirar sarro.
O gabinete de Janones passou a não atender o telefone e a maioria dos seus
correligionários na Câmara optou pelo silêncio. Dos seis deputados federais do Avante,
quatro são de Minas, incluindo o próprio Janones. Nenhum deles se pronunciou.
Os outros parlamentares do partido, Pastor Isidório (Avante-BA) e Waldemar
Oliveira (Avante-PE), saíram em defesa do suspeito.
Em outros três assuntos a oposição fez críticas ao
governo: a descoberta de que uma mulher condenada por tráfico de drogas visitou o prédio do Ministério da
Justiça e Segurança Pública, a morte de um preso pelos atos golpistas de 8 de janeiro e a
escolha de Flávio Dino para o lugar de Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal.
No primeiro caso, uma reportagem do jornal Estado
de S. Paulo apontou que Luciane Barbosa Farias, que é esposa de um líder do
grupo Comando Vermelho no Amazonas, foi ao prédio público junto com uma
comitiva de advogados representando a ONG da qual é presidente, a Associação
Instituto Liberdade do Amazonas (ILA). Segundo a Polícia Civil do Amazonas, a
ILA é uma ONG que atua em prol dos presos ligados ao Comando Vermelho e é
financiada com dinheiro do tráfico de drogas.
O ministro Flávio Dino e outros membros do governo
disseram não saber da procedência de Luciane, que foi condenada a dez anos de
prisão e recorre em liberdade. Em 19 de março, Luciane esteve com o secretário
nacional de Assuntos Legislativos da pasta, Elias Vaz, enquanto que no dia 2 de
maio, a presidente da ILA se encontrou com Rafael Velasco Brandani, titular da
Secretaria Nacional de Políticas Penais. O motivo das visitas seria levar as
"denúncias de revistas vexatórias" no sistema prisional amazonense.
A morte de Cleriston Pereira da Cunha, de 46 anos,
mobilizou a oposição ao governo Lula a ir para as ruas pedindo justiça.
Cleriston sofreu um mal súbito no Complexo Penitenciário da Papuda, em
Brasília, durante o banho de sol. Em abril, ele foi denunciado pela
Procuradoria-Geral da República (PGR) por cinco crimes e virou réu.
No entanto, de acordo com registros da
penitenciária, Cleriston sofria de diabetes e hipertensão e utilizava
medicação controlada. Sua vulnerabilidade era de ciência do STF, apontaram
bolsonaristas que passaram a pedir punição contra Alexandre de Moraes.
O clima pesado após os episódios, no entanto, não
impediu Lula de nomear Flávio Dino ao cargo de ministro do STF. Sabatinado e
aprovado pelo Senado no mês seguinte, o ex-governador do Maranhão será empossado na Corte apenas no ano que vem. Enquanto
isso, especula-se quem ficará em seu lugar na pasta. Entre os cotados,
estão Ricardo Lewandowski, Jaques Wagner e Simone Tebet.
A desoneração da folha, aprovada pelo Senado, foi vetada por Lula em novembro. O Senado, no entanto, ainda insiste
em reverter o veto.
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Dezembro
A proximidade do verão fez com que o clima se
tornasse um dos assuntos mais discutidos do país, inclusive no meio político.
Para além da conversa de elevador sobre o calor em Salvador, autoridades em
todo o mundo discutiram a mudança climática na COP28, que foi
realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O compromisso da Conferência, para todos os países,
é triplicar as fontes renováveis. Ironicamente, o evento aconteceu em uma
região do planeta, o Oriente Médio, que teve enorme crescimento econômico por
conta da exploração do petróleo, combustível que não é renovável.
Quase um ano depois dos atos golpistas em Brasília,
um novo ataque se tornou assunto de segurança nacional: a conta da primeira-dama Janja na rede social “X” foi invadida. Uma
pessoa reivindicou o ataque em áudio. A Polícia investiga o caso.
Ataques contra a democracia não foram perdoados por
Lula, que no indulto de Natal, excluiu os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Também teve um natal infeliz o ex-deputado estadual
de São Paulo Fernando Cury, que foi condenado por importunação sexual pela
Justiça do estado. Cury pode recorrer.
Em sessão histórica, o Congresso promulgou a emenda constitucional da reforma tributária. Após
30 anos de discussão, a reforma tributária simplificará a tributação sobre o
consumo e provocará mudança na vida dos brasileiros na hora de comprar produtos
e serviços, segundo seus defensores.
Fonte: A Tarde

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