BYD na Bahia: A revolução da sua chegada no Brasil
Reduzir em 1 grau centígrado a temperatura do
planeta Terra. Esse é o sonho de muita gente que se dedica a encontrar soluções
para o clima que garantam um futuro sustentável às próximas gerações. No caso
da greentech chinesa BYD, não se trata apenas de um sonho. É
um compromisso. Talvez o mais significativo dentre todos que impulsionam o
desenvolvimento das novas tecnologias às quais a empresa se dedica
desde a sua fundação, em 1995, na cidade de Shenzhen, no sul da China. Seu
propósito: alavancar inovações para uma vida melhor. Não por acaso, a BYD
incorporou ao próprio nome uma provocação. Build Your Dreams. Em tradução
livre, construa seus sonhos.
Até agora, a capacidade de transformar sonhos em
realidade tem sido um dos motores do sucesso da companhia criada pelo
químico chinês Wang Chuanfu quando tinha apenas 29
anos. Inicialmente, seu objetivo era fabricar baterias para equipamentos
eletrônicos. Com o tempo, as atividades se diversificaram, passando a abranger
também os setores automotivo, de energia renovável e transporte ferroviário.
Sempre com a premissa de que as grandes
oportunidades estão na transição energética para uma economia de baixo carbono.
Hoje, com mais de 30 parques industriais em seis continentes, a empresa
vem concentrando no Brasil seus investimentos mais significativos.
Apenas para o complexo industrial de Camaçari,
na Bahia, onde irá aproveitar as plantas desocupadas pela Ford após um acordo
com o governo estadual, a BYD anunciou aportes de R$ 3 bilhões.
O valor se justifica não apenas pela expectativa de
transformar a região em um Vale do Silício brasileiro como também pelos
resultados que a BYD tem obtido em sua operação desde que passou a importar os
carros certos para conquistar o consumidor local.
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“Nosso objetivo é mudar o status quo para tornar acessível o carro
elétrico à população brasileira.” - Tyler Li, presidente da BYB Brasil
Dez anos depois de ter escolhido a cidade de
Campinas, no interior paulista, para instalar uma fábrica dedicada à produção
de chassis para ônibus elétricos, a BYD se tornou sinônimo de carro elétrico
acessível.
O modelo Dolphin, lançado pelo atraente preço
de R$ 149,9 mil, é um fenômeno absoluto de vendas e de reconhecimento. Com
mais de 5 mil unidades comercializadas desde o lançamento, ele já supera a soma
de todos os carros elétricos emplacados no mesmo período no mercado brasileiro.
Para o presidente da BYD do Brasil, Tyler Li,
“o Dolphin é um game changer”. Segundo ele, a montadora inovou ao oferecer um
carro “completo, eficiente, confortável, com autonomia e design”.
Adicionalmente a essas qualidades, ele não gera
gases tóxicos e nem poluição sonora. Por fim, o preço competitivo fez toda a
indústria se movimentar e rever suas políticas de preços.
Houve casos em que os descontos da
concorrência chegaram a R$ 100 mil. Isso ocorreu até em modelos elétricos que
eram oferecidos na faixa de R$ 250 mil e passaram a ser considerados muito
caros depois da chegada do Dolphin. “Esse é o nosso objetivo: mudar o status
quo para tornar acessível o carro elétrico para a população brasileira”,
afirmou.
>>> RECONHECIMENTO
Para a vice-presidente global e presidente da
BYD Americas, Stella Li, tão importante quanto o sucesso instantâneo de vendas
do modelo é a chancela da mídia especializada. Entre novembro e dezembro,
o BYD Dolphin recebeu dez prêmios no Brasil, de diferentes veículos de
comunicação, incluindo Compra do Ano 2024 da revista Motor Show, publicada
pela Editora Três, também proprietária da DINHEIRO. A categoria na qual ele se
sagrou campeão foi de carros elétricos até R$ 200 mil.
Mas o Dolphin não foi o único modelo lançado pela
BYD a encantar os jornalistas. A montadora recebeu um total de 17 prêmios
no segmento automotivo em 2023. Foi a primeira vez que uma companhia chinesa
obteve tanto reconhecimento por parte da imprensa. “Isso comprova que
oferecemos um produto confiável, cujo apelo de compra vai muito além do preço”,
afirmou a VP global. “Queremos que os consumidores tenham carros de
qualidade, com design e tecnologia de ponta, pagando menos do que estão
habituados por isso. Queremos clientes felizes.”
Stella Li falou à DINHEIRO durante o lançamento do
primeiro laboratório de pesquisa e desenvolvimento da América Latina voltado
para o aproveitamento do minério de silício em módulos fotovoltaicos. O
evento, na sexta-feira (15), em Campinas, também serviu para confirmar
o plano da BYD de fabricar baterias automotivas na mesma planta.
Para ela, essa perspectiva se encaixa na estratégia
de baratear os carros que serão feitos pela montadora no Brasil e também nos
esforços de reduzir o custo de manutenção para quem adquire um BYD.
Em sua mais recente visita ao País,
a executiva eleita pela revista Time entre 100 líderes que impulsionam
ações climáticas reais nos negócios em 2023 dedicou boa parte de seu tempo
a visitar revendedores da BYD no País. “Minha intenção com essas visitas era
compreender melhor o mercado brasileiro e também reforçar os valores da marca
junto aos dealers”, afirmou. “Queremos deixar claro que estamos no
Brasil para uma jornada de longo prazo e não para uma aventura passageira.”
A marca tem hoje 100 concessionárias autorizadas,
pertencentes a 20 grupos empresariais distintos do setor de veículos. E está
disposta a comprovar não apenas que chegou para ficar. “O Brasil é
nosso principal investimento fora da China”.
Embora não revele o valor total
do investimento que pretende fazer no País nos próximos anos, a
presidente da empresa para as Américas disse que o valor será ajustado de
acordo com a necessidade. “Já estamos contratando fornecedores de autopeças e
colaboradores para atuar em Camaçari”, disse a VP, referindo-se
ao complexo que empregará 10 mil pessoas para produzir carros nas
instalações deixadas pela Ford.
Segundo o chairman da BYD no Brasil, Alexandre
Baldy, a meta para 2024 é estar no top ten do mercado automotivo nacional.
Hoje, está na 12ª posição. “É um mercado novo, no qual a gente vai ter
que ensinar para as pessoas que existe um novo modelo de dirigir, com a
experiência de carregar o seu carro dentro de casa”, disse Baldy. Além dos
recordes do Dolphin, a BYD lidera o segmento de híbridos plug-in com
o Song Plus, apelidado de pesadelo dos frentistas por rodar mais de 1 mil
quilômetros com o tanque cheio.
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“O Brasil é nosso principal investimento fora da China”. - Stella Li,
vice-presidente global e presidente da BYD Americas
E a BYD quer vender mais. Uma arrojada campanha foi
lançada este mês para impulsionar seus modelos mais caros no Brasil — o luxuoso
sedã Han (vendido a partir de R$ 539.990) e espaçoso
SUV Tan (R$ 529.890). Até o dia 31, quem comprar qualquer um deles na
rede de concessionárias da marca receberá não um kit de recarga mas um
painel solar da BYD Energy totalmente grátis, que poderá ser instalado na
propriedade de sua escolha.
Ou seja, quem fizer a compra não irá pagar mais
nada para carregar a bateria do carro. É algo que nenhuma montadora pode
oferecer, a menos que decida comprar módulos fotovoltaicos para dar de brinde —
provavelmente da própria BYD, que já produziu 2,3 milhões deles no Brasil.
Mais que o valor comercial do kit de painel solar
em si, a campanha tem o objetivo de mostrar ao consumidor que a BYD opera
em todo o ecossistema da energia limpa. Afinal, bem antes de fabricar carros
ela já produzia placas fotovoltaicas. E baterias.
>>> UNIVERSIDADES
Embora tenha origem na China, boa parte do
desenvolvimento tecnológico da BYD no segmento de energia solar tem
ocorrido no Brasil por meio de parceria com universidades públicas. Apenas
a Unicamp já recebeu investimentos diretos de R$ 11 milhões para
pesquisa no único projeto do Brasil na área com laboratório credenciado
pelo Inmetro.
Por intermédio do Programa de Apoio ao
Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis), a BYD apoia
a pesquisa de módulos fotovoltaicos também junto à Universidade Federal de
Santa Catarina, onde a empresa participou da construção do primeiro laboratório
com total integração fotovoltaica do tipo BIPV (Building-Integrated
Photovoltaic System).
Segundo Stella Li, o Brasil é uma das melhores
regiões para uso de painéis solares do mundo. Tanto que a própria empresa já
aproveita o recurso para gerar parte da energia que consome em
suas fábricas no interior paulista:
• uma dedicada à produção de ônibus e caminhões
elétricos,
• outra onde são feitos módulos fotovoltaicos.
Em 2020, a empresa investiu R$ 7 milhões em uma
usina solar que também funciona como laboratório de pesquisa.
A ligação da BYD com o mundo da ciência no Brasil
ganhou um reforço com a inauguração de mais um equipamento: o primeiro
laboratório da América Latina dedicado a estudar todo o ciclo do silício. Ele
foi concebido para acompanhar desde o grau de pureza do minério extraído em
diferentes jazidas do País (principalmente em Minas Gerais, Bahia e Goiás) até
sua aplicação em módulos fotovoltaicos.
Segundo o gerente de P&D da BYD Energy,
Rodrigo Garcia, o Brasil tem potencial para ser autossuficiente no setor. “Em
2022, o País foi o terceiro maior exportador global de silício. Nosso objetivo
é fortalecer a produção de módulos fotovoltaicos em território nacional”,
afirmou. O silício é o material que tem a maior capacidade de converter a luz
do sol em eletricidade. A empresa também fará baterias em Campinas.
Com seus 600 mil colaboradores em todo o
mundo, incluindo 90 mil PhDs, a BYD trabalha para que as exigências de
mobilidade não impactem o meio ambiente. É assim que ela espera conter o
aquecimento global. “No geral, consideramos que as políticas climáticas mais
eficazes são aquelas que incentivam a mudança para energias mais limpas,
incentivam a inovação tecnológica e facilitam a transição de infraestruturas”,
disse Stella Li. “Essas soluções devem ser acessíveis e para todos.
Acreditamos que esses fatores trarão uma mudança real e duradoura na forma como
tratamos o nosso planeta.”
Se ela estiver certa, o sonho de reduzir a
temperatura em 1º C poderá se tornar realidade em menos tempo do que se
imagina. E essa revolução chinesa passa pelo Brasil, onde já circulam ônibus
elétricos (inclusive biarticulados) da BYD em diversas cidades e o mercado de
carros está sendo recriado pelas inovações da empresa.
>>> ENTREVISTA com Alexandre
Baldy, Chairman da BYD no Brasil
“A BYD trouxe uma nova cultura para um segmento que
é paixão nacional”
Com uma carreira no setor público que inclui um
mandato de deputado federal por Goiás, o comando do ministério das Cidades no
governo Temer e a secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de São
Paulo na gestão João Doria, Alexandre Baldy chegou à BYD este ano na
posição de special advisor e acabou se tornando chairman da operação
brasileira. Na nova função, que ele admitiu ser completamente distinta de tudo
que vivenciou nos últimos anos, terá de fazer também a ponte com o poder
público, fundamental para criar uma política de estímulo à substituição da
frota de veículos a combustão por elétricos.
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A BYD se tornou a queridinha dos consumidores e uma
pedra no caminho das rivais, que estão sendo forçadas a rever suas políticas de
preço. Isso aumenta sua responsabilidade?
A BYD é uma greentech que está causando
transformações profundas no setor automotivo brasileiro. Ela não apenas trouxe
novos modelos de carro como uma nova cultura para um segmento que é uma paixão
nacional. Lançou o modelo híbrido plug-in mais econômico do mercado [Song Plus]
que se tornou líder de vendas em sete meses, e alcançou o primeiro lugar entre
os elétricos com o Dolphin em apenas quatro meses. Ter conseguido esses
resultados impõe novos desafios, que passam por uma transformação cultural. Temos
que ensinar as pessoas a usar o carro de outra forma, sem pensar no posto de
combustível e sim em recarregar em casa.
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Como a BYD pretende atuar na infraestrutura de
recarga de elétricos?
O setor automotivo tem se empenhado para
diversificar e capilarizar a infraestrutura de recarga. Isso dará mais
tranquilidade ao consumidor, acostumado a abastecer em qualquer lugar. O
poder público precisa ter sensibilidade para entender as vantagens do carro
elétrico. Além da isenção de IPVA, entendemos que é preciso implantar
carregadores em vias públicas tanto urbanas quanto em estradas.
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Rodar mais com menos dinheiro e não emitir
poluentes é uma premissa do carro elétrico e não só os da BYD. Por que a marca
chinesa conquistou o consumidor brasileiro?
Além de oferecer carros disruptivos, com muita
tecnologia e design pelo preço de venda, a BYD está fazendo um investimento de
R$ 200 milhões só este ano na rede de concessionárias. Nosso custo de
manutenção também é menor. Em alguns casos, uma peça equivalente custa 20% do
preço praticado pela concorrência. O consumidor percebeu não apenas isso como
também o fato de que o compromisso da BYD com o Brasil é de longo prazo, com
investimentos para fazer do polo de Camaçari um parque fabril com o DNA da BYD,
que traz para dentro de casa no mínimo 70% do fornecimento das partes
necessárias para o carro, a começar pelas baterias que usam tecnologia
proprietária. Isso reduz o custo para que a competitividade seja efetiva.
Fonte: IstoÉ

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