sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Apoio ao Hamas cresce entre palestinos enquanto Israel segue matando civis e destruindo Gaza

À medida em que Israel intensifica o massacre em Gaza, sob o pretexto de combater o que chama de terroristas, e se vê cada vez mais isolado internacionalmente, uma pesquisa realizada pelo Centro Palestino para Estudo de Política e Pesquisa (PCPSR, na sigla em inglês) mostra que cresceu entre a população palestina o apoio ao Hamas desde 7 de outubro, dia do ataque do grupo a Israel que desencadeou a ofensiva atual.

Quase três em cada quatro palestinos acreditam que o ataque do Hamas foi correto, tendo em vista as consequências causadas até agora: pelo menos 18.608 palestinos, a maioria mulheres e menores de idade, foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Os ataques de Israel levaram ainda a destruição massiva da infraestrutura local, fome e péssimas condições de saúde para o povo palestino. Além disso, a maioria dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foi obrigada a sair de casa e encontrar outro teto para se abrigar, nem que seja em barracas de acampamento, situação que se tornou particularmente precária com a chegada do frio e chuvas intensas nos últimos dias.

O percentual exato de entrevistados que considera correta a decisão do Hamas de atacar Israel é de 72%, ante 22% que a consideram errada e 6% que não responderam ou estavam indecisos. O apoio é maior na Cisjordânia (82%) do que na Faixa de Gaza (57%). O Hamas governa Gaza, enquanto a Autoridade Palestina exerce um governo limitado em partes da Cisjordânia, território ocupado por Israel.

Outro dado notável é que 52% dos habitantes de Gaza e 85% da Cisjordânia (72% dos entrevistados palestinos no geral) expressaram satisfação com o papel do Hamas na guerra. Apenas 11% se disseram satisfeitos com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

O PCPSR constatou que, em comparação com pesquisas anteriores à guerra, o apoio ao Hamas aumentou em Gaza e mais que triplicou na Cisjordânia – embora a ofensiva de Israel esteja concentrada principalmente em Gaza, a Cisjordânia testemunha atualmente os níveis mais altos de violência em anos, com confrontos mortais repetidos entre tropas israelenses, colonos judeus e cidadãos palestinos.

·        Motivação do Hamas e de Israel

Quando questionados sobre as razões do Hamas para lançar a ofensiva em 7 de outubro, a maioria esmagadora (81%, sendo 89% na Cisjordânia e 69% em Gaza) afirmou que foi uma resposta aos ataques de colonos na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém (foco histórico de tensão entre judeus e muçulmanos), e pela libertação de palestinos de prisões israelenses. Apenas 14% (5% na Cisjordânia e 27% em Gaza) veem por trás do ataque um plano iraniano para frustrar a normalização de relações diplomáticas dos países árabes com Israel, que estava em curso e foi suspensa.

Sobre o objetivos de Israel, a maioria (53%) acredita que é destruir a Faixa de Gaza e matar ou expulsar sua população, ante 42% que pensa que é se vingar do Hamas. Porém, a grande maioria (70%) acredita que Israel falhará em erradicar a resistência palestina. Nesse quesito, no entanto, existe uma grande diferença de opinião entre residentes dos dois territórios. Na Cisjordânia, 87% acreditam que Israel vai se dar mal. Em Gaza, apenas 44% têm essa opinião.

A pesquisa revelou ainda que 44% dos habitantes de Gaza afirmam ter comida e água suficientes para um ou dois dias, enquanto 56% dizem que não têm. Quase dois terços dos entrevistados em Gaza, 64%, afirmaram que pelo menos um membro de sua família foi morto ou ferido na guerra.

Para garantir a segurança dos pesquisadores na Faixa de Gaza, as entrevistas foram conduzidas durante o cessar-fogo do início de dezembro. Foram entrevistados presencialmente 1231 adultos, dos quais 750 na Cisjordânia e 481 na Faixa de Gaza, uma amostra que o instituto considera representativa dos moradores das duas áreas. A margem de erro é de 4 pontos percentuais.

·        Pós-guerra

Líderes árabes reunidos no Catar reiteraram sua rejeição à formação de uma força internacional para ocupar Gaza após o fim do ataque de Israel. A situação dos palestinos foi o assunto principal do Fórum Anual de Doha. "Ninguém da região aceitará colocar os pés (em Gaza) na sequência de um tanque israelense. Isso é inaceitável", disse o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, que também se opôs à atuação de qualquer força internacional em Gaza nas condições atuais. "Não devemos sempre falar sobre os palestinos como se precisassem de algum guardião."

Os palestinos foram representados pela Autoridade Palestina, que controla partes da Cisjordânia. Apesar da rivalidade com o Hamas, o primeiro-ministro da AP, Mohammed Shtayyeh, disse que o Hamas não pode ser erradicado. Eles são "uma parte integral do mosaico político palestino", afirmou.

·        Israel mata mais inocentes

As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram nesta quinta-feira (14/12) que seus soldados atacaram militantes do Hamas em áreas densamente povoadas da Faixa de Gaza nas últimas 24 horas, e que confrontos também estão ocorrendo na Cisjordânia ocupada por Israel e na fronteira com o Líbano.

O Ministério da Saúde de Gaza disse que as forças israelenses mataram pelo menos 12 palestinos e feriram mais de 30 pessoas durante uma incursão de três dias em Jenin, na Cisjordânia, na qual soldados cercaram hospitais, realizaram prisões em massa e enfrentaram atiradores nas ruas. Entre os mortos, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que havia "um adolescente desarmado", de 17 anos, alvejado dentro de um hospital.

Na quarta-feira (13/12), um menino de 13 anos doente foi carregado por seu pai para o mesmo hospital porque carros blindados israelenses bloquearam as ambulâncias. Ele morreu logo depois, informou o MSF.

Em Rafah, cidade do sul do Líbano para onde centenas de milhares palestinos se deslocaram para fugir da guerra, pelo menos 20 palestinos foram mortos em ataques aéreos israelenses desde quarta, quando Israel lançou uma série de ataques por toda a Faixa de Gaza. Um deles visou um centro de saúde no campo de refugiados de Jabalia, no norte, associado à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), segundo a agência de notícias palestina Wafa. A agência também relatou que ataques aéreos israelenses impactaram um prédio perto do campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, que abrigava pessoas deslocadas.

 

Ø  Sem priorizar reféns, governo de Israel cancela reunião para negociar libertações e sofre críticas de famílias

 

O governo de Israel cancelou uma viagem ao Catar planejada pelo chefe de inteligência do país (Mossad) para retomar as negociações sobre um possível segundo acordo para libertar reféns detidos pelo grupo palestino Hamas em Gaza.

A informação foi confirmada por uma fonte próxima das negociações à CNN nesta quinta-feira (14/12).

Segundo a publicação, o diretor do Mossad, David Barnea, não viajará para Doha, capital do Catar, onde ocorreram as negociações anteriores de troca de prisioneiros.

Nesta quarta-feira (13/12), a emissora israelense Canal 13 já havia informado que o gabinete de guerra liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tinha cancelado a missão de Barnea.

Logo após, os familiares dos reféns israelenses detidos em Gaza disseram estar "chocados" com a notícia de que o gabinete de guerra de Israel decidiu não enviar o chefe do Mossad ao Catar para negociações sobre um novo acordo com o Hamas.

Os parentes exigiram uma "explicação imediata" a Netanyahu, informou a imprensa local. "Este anúncio soma-se ao desconhecimento do pedido dos pais para se reunirem com o primeiro-ministro e o ministro da Defesa, que ainda não foram atendidos", diz um comunicado.

Desde o início do conflito, em 7 de outubro, cerca de 240 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, foram feitas reféns pelo grupo palestino, que os chamam de prisioneiros de guerra, com o objetivo de serem trocados por palestinos que estão presos em Israel sem penas ou condenações.

Após negociações, dezenas de reféns foram libertados. O governo de Israel acredita que ao menos 135 reféns permanecem em Gaza, sendo 116 vivos, uma vez que seus bombardeios que já vitimaram 18 mil palestinos também atingiram reféns israelenses. 

·        Pausa humanitária

As negociações entre Israel e Hamas para a realização de mais trocas de reféns e tréguas no conflito não foram retomadas desde que as conversas realizadas em Doha foram interrompidas no começo de dezembro.

Após a trégua, Israel voltou a atacar Gaza, mas de Norte a Sul, bombardeando áreas inclusive que anteriormente havia sugerido que palestinos refugiados se direcionassem a procura de um lugar seguro.

Assim, também nesta quinta-feira, o Cogat, órgão militar e civil israelense que governa os territórios, anunciou que o Exército aplicará uma "pausa tática humanitária" até às 14h (horário local) de hoje no subúrbio de Al-Salam, em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, "para permitir que os civis reabasteçam seus alimentos e água".

 

Ø  Puma cede ao movimento de boicote e encerra patrocínio à federação de futebol israelense

 

A Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural de Israel (PACBI) obteve vitória nesta semana após a PUMA, marca de equipamentos esportivos, encerrar seu patrocínio à Associação de Futebol de Israel (IFA).

A iniciativa do movimento Boicote, Desinvestimentos e Sanções, que objetiva a fragilização do Estado de Israel para que sua ofensiva em Gaza seja cessada, informou que após sua campanha, a empresa "não renovará seu contrato com a Associação de Futebol de Israel (IFA)". 

BDS informou que a PUMA "tem sido alvo de campanha mundial desde 2018 [quando firmou seu primeiro acordo com a IFA] por seu apoio ao apartheid israelense que oprime milhões de palestinos" por apoiar uma organização que "defende a manutenção de equipes em assentamentos israelenses ilegais em terras palestinas roubadas". 

A maior rede internacional da sociedade civil pró-palestina, o Comitê Nacional Palestino do BDS, também informou que "a PUMA estava sob enorme pressão para desistir do contrato" uma vez que o conflito já matou mais de 18 mil pessoas, incluindo dezenas de jogadores de futebol.

O movimento deixa assim uma mensagem: "a cumplicidade tem consequências". 

"Os anos de pressão implacável e global do BDS sobre a PUMA e os danos à sua imagem devem ser uma lição para todas as empresas que apoiam o apartheid israelense", declarou a organização, que também acusou a FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) de ser "dominada pelo ocidente" e "proteger Israel de sua responsabilidade". 

Apesar da decisão, o movimento classifica essa como uma "vitória agridoce, pois a limpeza étnica dos palestinos por parte de Israel continua". No entanto "dá esperança e determinação para responsabilizar todos os facilitadores de genocídio e apoiadores do apartheid até que todos os palestinos possam viver em liberdade, justiça e igualdade".

 

Fonte: Opera Mundi

 

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