quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A democracia vai às ruas — e Flávio revela o despreparo nas telas

O debate realizado neste domingo acrescentou uma dimensão ainda mais preocupante à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Mais do que apresentar propostas, Flávio expôs uma postura agressiva, imatura e incompatível com a responsabilidade exigida de quem pretende ocupar a Presidência da República.

Em vez de demonstrar equilíbrio, preparo e capacidade de formular políticas públicas, o candidato recorreu a ataques, provocações e respostas marcadas pelo radicalismo. Em determinado momento, chegou a defender a castração de indivíduos envolvidos em crimes de abuso sexual contra crianças e estupros. O tema é grave demais para ser tratado como instrumento de efeito retórico ou como frase de impacto em um debate eleitoral.

O abuso sexual infantil exige investigação rigorosa, punição nos termos da lei, proteção integral às vítimas, prevenção, acompanhamento psicológico e fortalecimento das instituições responsáveis. A resposta do Estado não pode ser baseada em vingança, impulsos autoritários ou propostas apresentadas sem discussão jurídica, médica e constitucional. Quando um candidato transforma uma tragédia social em palanque para defender medidas extremas, revela mais sobre sua disposição de explorar o medo do que sobre sua capacidade de governar.

O debate mostrou um Flávio agressivo, mas não necessariamente preparado. Confundiu firmeza com hostilidade e autoridade com intimidação. A postura exibida pode agradar ao núcleo mais radical de seus apoiadores, acostumado a uma comunicação baseada no confronto permanente. No entanto, também pode afastar eleitores indecisos que esperam do próximo presidente serenidade, responsabilidade e capacidade de diálogo.

O Brasil não precisa de um governante que trate a política como uma disputa de provocações. Precisa de alguém capaz de coordenar ministérios, enfrentar crises econômicas e sociais, dialogar com governadores e prefeitos, respeitar o Congresso Nacional, preservar a autonomia dos Poderes e representar o país diante do mundo.

O primeiro turno consolidou uma presença expressiva da extrema direita no Legislativo. O segundo turno definirá quem ocupará a Presidência da República, mas a escolha envolve muito mais do que a preferência por dois nomes. Está em jogo o futuro da democracia, das políticas sociais, da soberania nacional e da capacidade do Estado de enfrentar as desigualdades brasileiras.

As manifestações realizadas nos últimos dias deixaram clara a posição de amplos setores da sociedade. Pessoas foram às ruas para protestar contra as ideias defendidas por Flávio Bolsonaro, reafirmar o compromisso com a democracia e manifestar apoio ao presidente Lula. Os atos foram, em sua maioria, pacíficos e demonstraram que a sociedade brasileira não está indiferente ao que está em disputa.

Durante boa parte da última década, a extrema direita ocupou as redes sociais com uma comunicação agressiva, permanente e altamente organizada. O bolsonarismo transformou a indignação em método político, utilizando vídeos curtos, mensagens emocionais, ataques às instituições e a criação constante de inimigos.

Esse cenário, porém, parece estar mudando.

Os dados recentes de engajamento nas redes sociais chamam atenção. Flávio ainda mantém uma base proporcionalmente muito ativa, capaz de comentar, compartilhar e reagir intensamente a cada publicação. Lula, por outro lado, estaria ganhando aproximadamente duas vezes mais seguidores, o que indica uma expansão mais acelerada de sua presença digital.

A diferença entre engajamento e crescimento precisa ser compreendida. Um candidato pode ter uma militância menor, porém extremamente mobilizada. Outro pode estar ampliando sua base para além do público que tradicionalmente o acompanha. Nesse caso, o crescimento de Lula pode revelar uma mudança mais profunda na dinâmica da disputa.

O debate da CNN reforçou essa percepção. Enquanto Flávio pareceu apostar novamente no confronto, Lula teve a oportunidade de se apresentar como uma alternativa de estabilidade e reconstrução. Não se trata de afirmar que um debate, isoladamente, decide uma eleição. Mas a maneira como cada candidato se comporta pode influenciar eleitores que ainda observam a disputa sem uma decisão definitiva.

A Presidência da República não é um palco para demonstrações de valentia verbal. O país precisa de liderança, não de agressividade; de firmeza, não de brutalidade; de autoridade, não de autoritarismo.

Flávio possui experiência parlamentar. Foi deputado estadual no Rio de Janeiro por vários mandatos e é senador desde 2019. O que não possui é experiência na chefia de um Executivo, muito menos na condução de uma federação complexa, desigual e diversa como o Brasil.

Governar o país exige muito mais do que manter uma base mobilizada. É necessário formular políticas públicas, administrar recursos, enfrentar crises, negociar com diferentes setores da sociedade e respeitar os limites constitucionais. Não basta herdar um sobrenome politicamente conhecido ou repetir a linguagem de uma corrente ideológica.

O Brasil precisa de planejamento, responsabilidade e capacidade de negociação. Precisa reconstruir políticas públicas, gerar empregos, reduzir a pobreza, enfrentar a violência e recuperar sua posição internacional.

A postura apresentada no debate também suscita uma pergunta essencial: como um candidato que reage com agressividade a seus adversários lidará com movimentos sociais, jornalistas, professores, servidores públicos, governadores de oposição e instituições que eventualmente contrariem seus interesses?

A candidatura de Flávio está associada a um campo político que, nos últimos anos, atacou sistematicamente as instituições democráticas. O bolsonarismo questionou, sem provas, a segurança das urnas, pressionou o Supremo Tribunal Federal, atacou a imprensa e transformou universidades, organizações da sociedade civil e movimentos sociais em inimigos políticos.

A crítica às instituições é legítima. Nenhum Poder está acima da sociedade. Mas existe uma diferença entre fiscalizar instituições e tentar destruí-las politicamente. A democracia não sobrevive quando cada decisão desfavorável é apresentada como conspiração e quando a derrota eleitoral é tratada como resultado ilegítimo.

As manifestações de apoio a Lula e à democracia representam justamente uma resposta a esse método. Elas reafirmam que as urnas devem ser respeitadas e que a política não pode ser conduzida por ameaças, mentiras e ataques permanentes às instituições.

A defesa de Lula, nesse contexto, não se limita a uma preferência eleitoral. Para milhões de brasileiros, Lula representa a possibilidade de reconstrução do Estado, fortalecimento das políticas sociais e retomada de um projeto de desenvolvimento com inclusão.

Seus governos foram marcados pela redução da pobreza, pela ampliação do acesso ao ensino superior, pelo fortalecimento de programas de transferência de renda e pela valorização da presença brasileira no cenário internacional. Isso não significa ignorar erros, contradições ou críticas. Significa reconhecer que há uma diferença profunda entre um projeto de reconstrução institucional e uma política baseada na radicalização permanente.

A democracia não é apenas o direito de votar. É também o direito à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho, à alimentação e à dignidade. Uma sociedade profundamente desigual não pode ser considerada plenamente democrática quando milhões de pessoas permanecem excluídas das condições básicas de cidadania.

Na segurança pública, o debate também precisa superar soluções simplistas. A violência contra crianças é uma das formas mais cruéis de criminalidade e deve ser combatida com rigor. Mas a proteção das vítimas não pode ser usada para justificar respostas improvisadas ou propostas incompatíveis com o Estado de Direito.

O combate ao abuso sexual infantil exige investigação especializada, atendimento às vítimas, responsabilização dos criminosos, prevenção, educação, controle das redes de exploração e fortalecimento das instituições. O Estado deve punir, mas também deve agir dentro da lei. Direitos fundamentais não desaparecem diante da indignação, por maior que seja a gravidade do crime.

O mesmo vale para a segurança pública em geral. O combate ao crime exige inteligência, investigação, integração entre as polícias, controle das fronteiras, combate à lavagem de dinheiro e políticas sociais. O armamento indiscriminado, o encarceramento em massa e a ampliação sem controle da força estatal não resolvem as causas da violência.

A extrema direita apresenta a defesa da ordem como sua principal bandeira. Mas não existe ordem verdadeira em uma sociedade marcada pela fome, pelo desemprego, pela precariedade dos serviços públicos e pela violência cotidiana contra a população pobre e negra.

A economia será outro teste decisivo. Promessas de redução de impostos, aumento de benefícios e crescimento acelerado não podem ser feitas sem planejamento e fontes de financiamento. O Brasil precisa retomar o crescimento com geração de empregos, valorização do salário mínimo, fortalecimento da indústria, estímulo à ciência e tecnologia e ampliação dos investimentos públicos.

No campo ambiental, o país precisa combater o desmatamento ilegal, proteger os povos indígenas e fortalecer os órgãos de fiscalização. A Amazônia não pode ser tratada como obstáculo ao desenvolvimento nem como instrumento de disputa ideológica. A floresta está diretamente ligada à agricultura, ao regime de chuvas, à produção de energia e à segurança alimentar.

A política externa também não pode ser conduzida por ressentimentos ou alinhamentos automáticos. O Brasil precisa manter relações equilibradas com China, Estados Unidos, Europa, países africanos e vizinhos sul-americanos. Deve recuperar sua tradição de diálogo, cooperação e defesa do multilateralismo.

A possibilidade de Flávio Bolsonaro conceder indulto ao pai, Jair Bolsonaro, caso chegasse à Presidência enquanto o ex-presidente permanecesse preso, seria outro ponto de profunda preocupação. Ainda que a prerrogativa presidencial de conceder indultos esteja prevista no ordenamento jurídico, sua utilização em benefício de um familiar direto provocaria inevitável questionamento político e ético.

O problema não seria apenas jurídico. Seria republicano. O Estado não pode ser confundido com uma extensão de uma família política. As instituições não podem ser utilizadas para proteger aliados, apagar responsabilidades ou promover vinganças contra adversários.

O debate da CNN não encerra a eleição, mas revelou uma diferença de estilo e de concepção política. Flávio aposta na agressividade, no comportamento que beira a molecagem, como demonstração de força. Lula se apresentar como liderança capaz de reconstruir pontes, recuperar políticas públicas e devolver previsibilidade ao país.

Cabe aos eleitores avaliar qual dessas posturas corresponde aos desafios do Brasil. O país não precisa de um presidente que grite mais alto, ameace mais ou ofereça soluções radicais para problemas complexos. Precisa de um governo que saiba trabalhar, negociar, planejar e respeitar a democracia.

As manifestações recentes e o crescimento do apoio a Lula nas redes mostram que o campo democrático está reagindo. A extrema direita continua possuindo uma base digital disciplinada e muito ativa, mas já não parece monopolizar a capacidade de mobilização política.

O desafio agora é transformar seguidores em participação efetiva, diálogo nos territórios, organização comunitária e defesa ativa do voto. O alcance digital é importante, mas não substitui o trabalho político presencial nem a capacidade de apresentar propostas concretas para a vida real.

A eleição continua indefinida. Flávio mantém uma base sólida e intensamente engajada. Lula cresce com velocidade maior e conquista novos espaços de comunicação. O debate de ontem pode ter reforçado a fidelidade dos apoiadores mais radicais de Flávio, mas também pode ter exposto, para os eleitores indecisos, a falta de equilíbrio e de preparo que uma candidatura presidencial exige.

O segundo turno definirá o presidente, mas o primeiro turno já produziu um novo equilíbrio de forças no Legislativo. Lula, se eleito, terá de governar sob forte pressão de uma direita parlamentar fortalecida. Precisará negociar sem abrir mão de princípios, reconstruir políticas públicas e mobilizar a sociedade em torno de um projeto nacional capaz de enfrentar a desigualdade.

A defesa de Lula, neste momento, é também a defesa de uma concepção de democracia que não se limita às urnas. É a defesa da liberdade, dos direitos sociais, da soberania nacional, da proteção ambiental e da possibilidade de construir um país menos desigual.

As pessoas foram às ruas para afirmar isso. Agora começam a ocupar também as redes. E, depois do debate da CNN, torna-se ainda mais necessário dizer com clareza: governar o Brasil exige muito mais do que agressividade, frases de efeito e disposição para atacar adversários.

Exige maturidade.

Exige responsabilidade.

Exige respeito às instituições.

E, acima de tudo, exige compromisso com o conjunto da sociedade — não apenas com a própria família política ou com o grupo mais radical de seus apoiadores.

 

Fonte: Por Maria Luiza Falcão, em Brasil 247

 

Efeito BYD: como Brasil virou 'laboratório' de empresas chinesas

No início do ano circulou a informação — falsa — de que a Bahia sofria uma invasão chinesa. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam a construção de um complexo de alojamentos que, na retórica da fake news, estaria sendo erguido para receber 10 mil chineses para trabalhar na recém-inaugurada fábrica da BYD.

Essa é a montadora chinesa que superou a Tesla de Elon Musk em 2025 e se tornou a maior produtora de veículos elétricos do mundo.

E escolheu Camaçari, na região metropolitana de Salvador, para sediar sua maior fábrica na América Latina.

Com parte do projeto ainda em obras, a planta foi inaugurada em outubro de 2025. Em menos de um ano, dela já saíram mais de 100 mil carros montados com kits importados, que chegaram a concessionárias em todo o país e alçaram a marca à lista das mais vendidas.

A produção made in Brasil está prevista para começar no fim de 2026. Ainda assim, a unidade já soma 7.618 funcionários diretos. Desse total, 6% (457) são estrangeiros, segundo a empresa. A reportagem apurou que a grande maioria são chineses.

Além deles, também há trabalhadores chineses envolvidos nas obras que estão em andamento, no complexo da fábrica e nos blocos de alojamentos para funcionários.

Nos registros da Polícia Federal constam a emissão de 2.310 vistos de residência em Camaçari e na vizinha Lauro de Freitas desde 2024, a maioria temporários.

<><> 'Eles amam essa liberdade aqui da Bahia'

Em uma cidade de pouco mais de 300 mil habitantes, a presença chinesa não é óbvia. Não existe um bairro onde os recém-chegados se concentrem, uma Chinatown em Camaçari. Eles estão espalhados entre hotéis e alguns condomínios fechados.

Também não há uma onda de novos restaurantes tocados por imigrantes com foco na comunidade. Muitos funcionários da BYD comem no refeitório da própria fábrica, que tem uma área com pratos chineses e outra com receitas brasileiras, ou em casa.

A retórica predominante é a de que trabalham muito e circulam pouco: "A gente [brasileiro] chega em casa, toma um banho, deita no sofá, assiste televisão… Eles não, continuam trabalhando depois de chegar em casa. São muito reservados", diz a corretora Cássia Cotia, que vive em um condomínio em que mais de 60 imóveis estão alugados para chineses.

Assim, as feições desse novo fluxo migratório se revelam aos poucos. No mercado central de Camaçari, entre bananas, camarões secos, café e tapioca, dois restaurantes que servem yakisoba agora têm placas escritas com ideogramas chineses. A comunidade de Testemunhas de Jeová local começou a fazer reuniões em mandarim recentemente.

Os "mais soltos", como descreve Cássia, se aventuram nos forrós e em outros pontos da vida noturna da cidade, e não raro vão parar nas redes sociais. Uma cena que viralizou recentemente no Camaforró mostrava uma moça ensinando um chinês a mexer os quadris e a legenda: "A China vai doutrinar o Brasil / O Brasil doutrinando a China".

Durante a visita à cidade, a reportagem da BBC News Brasil cruzou com um grupo animado tomando cerveja e comendo pizza em uma mesa na calçada na região da Praça dos 46, um dos locais onde a cidade se encontra no fim do dia para fazer caminhada, levar as crianças para brincar no parquinho e comer.

"Eles amam essa liberdade aqui da Bahia. Amam o calor humano", ressalta Cássia, que acabou virando amiga e uma espécie de concierge de muitos de seus clientes chineses, auxiliando-os a navegar tarefas mundanas como pagar contas ou encontrar um eletricista para fazer um reparo.

Eles se falam pelo WeChat, uma espécie de WhatsApp chinês. Ela envia as mensagens em português, eles recebem em mandarim. E agradecem com jantares cheios de iguarias chinesas e presentes sempre que alguém volta de viagem — uma das características mais marcantes da cultura chinesa na construção de relações.

"Eles me convidam… e eu já falei que tenho uma meta, em 2027, de conhecer a China."

São planos que ela nunca havia considerado fazer até pouco anos, quando era dona de um salão de beleza que era frequentado por funcionários de outra montadora: a Ford.

<><> A guerra pela liderança dos elétricos

A presença da BYD no Brasil marca a ascensão da China à liderança do mercado automotivo global, e Camaçari é um lugar simbólico dessa virada: o local onde a montadora constrói sua fábrica na Bahia é o mesmo espaço físico ocupado por uma rival americana, a Ford, que fechou as portas em 2021.

Os Estados Unidos foram o berço da primeira grande revolução do setor automotivo, no início do século 20, quando Henry Ford introduziu a linha de montagem móvel e possibilitou a produção de carros em massa.

O pioneirismo garantiu a liderança do mercado aos americanos, até que vieram as concorrentes europeias e japonesas e também se consolidaram como marcas globais.

Até a virada para o século 21, a China não tinha qualquer protagonismo, mas aproveitou a transformação profunda que enxergava iminente no setor — a substituição dos carros a combustão pelos elétricos — como uma oportunidade para fazer sua ofensiva.

"Diferentemente de todas as outras regiões, a China apostou na eletrificação mais do que todo o mundo", aponta Rogélio Golfarb, que foi executivo da Ford no Brasil por décadas, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e hoje atua como consultor.

"Eles identificaram a possibilidade de ter uma vantagem competitiva e aí tiveram um programa de governo muito bem estruturado, que vinha desde a educação, pesquisa e desenvolvimento", acrescenta Golfarb.

A BYD é uma entre várias marcas de veículos elétricos que se desenvolveram nas últimas duas décadas dentro da lógica particular do capitalismo de estado chinês, com incentivos do governo e forte concorrência interna.

Foram elas que levaram a China a vencer o primeiro round da corrida global pela dominação do mercado de veículos elétricos, com uma fórmula baseada em quatro pilares: pioneirismo, foco na geração de inovação — em vez da mera cópia —, produção em larga escala e a verticalização, ou seja, a produção de quase tudo o que é preciso para colocar um carro na rua. É um modelo bastante diferente das montadoras tradicionais, que geralmente têm uma cadeia de fornecedores de partes e peças.

Essa combinação, ainda segundo Golfarb, deu aos elétricos e aos híbridos chineses uma competitividade enorme, justamente no momento em que Estados Unidos e Europa se fechavam cada vez mais aos produtos chineses.

<><> Bahia no tabuleiro das potências

Foi aí que a bússola apontou para a América Latina, e especialmente para o Brasil, um país de dimensões continentais, rico em matérias-primas usadas nas baterias dos carros, com abundante energia renovável e grande mercado consumidor.

"O Brasil hoje é o maior laboratório chinês que você tem no mundo no mercado automotivo. São mais de 20 marcas aqui", destaca Golfarb.

Além da BYD, vieram a GWM, que comprou a fábrica da Mercedes no Rio Grande do Sul, e a Geely, que firmou parceria com a Renault em São José dos Pinhais, no Paraná, entre outros.

"O novo carro popular brasileiro não é mais aquele carro a combustão. É o carro elétrico", afirma o ex-executivo da Ford.

"O carro que mais vende hoje é o Dolphin da BYD, que é o veículo elétrico. O sonho dos motoristas de Uber é ter um carro elétrico."

A competitividade das marcas chinesas acabou reduzindo os preços de automóveis de forma geral no Brasil.

Levantamento da consultoria automotiva Bright Consulting até junho de 2026 apontava que o preço de transação (pago pelos consumidores) de veículos leves novos havia caído 3,5%, para R$ 152,1 mil.

A queda foi atribuída ao aumento da concorrência de novas marcas, que em muitos casos "oferecem um nível de equipamentos significativamente superior ao dos concorrentes tradicionais, sem cobrança proporcional no preço".

Outra consequência é a mudança na percepção de parte dos brasileiros sobre os produtos chineses, por muito tempo vistos como cópias baratas e de baixa qualidade.

"Esse choque tecnológico e a velocidade com que eles trouxeram toda a linha de produtos neutralizou essa questão", opina Golfarb.

<><> Sindicalismo à chinesa

Dentro da fábrica, o ritmo mais acelerado é claro, na visão do presidente dos Sindicatos dos Metalúrgicos local, Júlio Bonfim.

"Eu tive a Ford, que teve 12 mil carros Courier enquanto treinava o pessoal durante dois anos e produzindo depois. A BYD já está produzindo, trocando o pneu com o carro a 180 quilômetros por hora", ilustra.

Segundo ele, os conflitos trabalhistas têm crescido na mesma cadência.

"O assédio moral hoje é um problema sério dentro da BYD", diz Bonfim, emendando que têm se multiplicado as reclamações de funcionários queixando-se de pressão e tratamento grosseiro.

"Por uma questão cultural, pela concepção que é passada da cultura chinesa para os líderes brasileiros, eles acabam se comportando como capitães do mato, perseguindo e assediando moralmente os trabalhadores", acrescenta.

O Ministério Público do Trabalho chegou a abrir procedimento para investigar as alegações do sindicato de ocorrência de assédio moral e sexual, mas o arquivou recentemente sob a justificativa de falta de provas.

A reportagem da BBC News Brasil buscou por dois meses pedir autorização para entrar na fábrica, mas a BYD não permitiu a visita. Também procuramos funcionários, mas eles evitam conversar com a imprensa por medo de represálias.

Em nota, a BYD afirmou que "não tolera qualquer forma de assédio, discriminação ou conduta que viole a lei". Também disse que "mantém canais internos que permitem denúncias de forma confidencial e anônima e trata com seriedade todo relato recebido, com apuração e adoção das medidas cabíveis".

Comparando passado e presente, o presidente do sindicato dos metalúrgicos lembra que nos primeiros anos da Ford também houve conflitos, especialmente em relação à remuneração e condições de trabalho e, segundo ele, por diversos episódios de xenofobia.

"Eles achavam que a gente só sabia fazer acarajé, dormir em rede, estereótipo equivocado que no Sul-Sudeste é passado do nordestino, do baiano que é preguiçoso, que só sabe dormir em rede e tomar água de coco", ressalta Bonfim.

A vantagem, naquele caso, era que a Ford chegava à Bahia tendo passado pela experiência do movimento sindical americano — a combativa United Auto Workers (UAW) — e do movimento sindical brasileiro no ABC Paulista.

Ele relata que, depois de uma série de greves entre 2004 e 2007, a relação com a empresa melhorou, assim como as condições de trabalho no chão de fábrica. A Ford chegou a produzir 250 mil carros no pico, mas teve que diminuir o ritmo a partir de 2013, quando a economia desacelerou. O cenário de crise se aprofundou com a pandemia de covid-19 e em 2021, a montadora decidiu fechar as portas. Desativou todas as fábricas no país.

Para Bonfim, a situação agora é diferente também por uma particularidade da China, um país com regime autoritário e sem liberdade sindical.

"É muito difícil para os chineses entenderem o movimento sindical brasileiro porque eles não têm sindicato na China. Na China o sindicato é o próprio governo", afirma.

O sindicato fez a primeira paralisação na BYD em julho de 2026, durante uma assembleia em frente à fábrica. 2700 trabalhadores voltaram para casa, segundo ele, em protesto contra a notificação de dois dirigentes sindicais.

Ainda durante a construção da fábrica, no fim de 2024, 163 cidadãos chineses foram resgatados do trabalho em condições análogas à escravidão no canteiro de obras da BYD.

"Essa história já é bem conhecida, nós identificamos o tráfico de pessoas por trabalho escravo, retenção de passaporte, restrição de liberdade de comoção, vigilância armada nos alojamentos, condição degradante, alojamentos superlotados, ausência de colchão", relembra Luciano Aragão, coordenador nacional de erradicação do trabalho escravo e enfrentamento ao tráfico de pessoas do Ministério Público do Trabalho (MPT).

"Ausência de conforto térmico, um banheiro para uma quantidade imensa de trabalhadores, comida armazenada de forma completamente inadequada, inclusive em portas de banheiros no canteiro de obras", acrescenta.

A BBC News Brasil mostrou em reportagem os bastidores da operação. Na ocasião, a empresa não se manifestou sobre o caso. Procurada novamente, comunicou: "Em dezembro de 2025, foi firmado acordo com Ministério Público do Trabalho para encerrar o processo relacionado aos fatos apurados no ano anterior. Pelo acordo, as empreiteiras terceirizadas concordaram em pagar integralmente o valor de R$ 40 milhões. O caso foi solucionado por acordo, sem julgamento de mérito ou condenação judicial."

<><> 'Eles querem aprender português pra vir pra cá'

O mercado automotivo é só um dos canais que têm aproximado o Brasil à China. Em 2025 o país foi o principal destino de investimentos chineses no mundo, concentrando 10,9% dos quase US$ 60 bilhões, conforme os dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

São muitos os fatores que tornam o Brasil atrativo para o capital chinês, diz o diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, Tulio Cariello. O país tem grande mercado consumidor, é aberto ao investimento estrangeiro, tem abundância de energias limpas — um elemento importante para a indústria chinesa, que está tentando se descarbonizar —, e mão de obra qualificada.

"Já ouvi de empresários chineses que vêm para cá falando muito bem dos engenheiros [brasileiros], dos quadros técnicos de forma geral", acrescenta.

"A gente oferece tantas vantagens em um mundo que está se fechando para a China, que é praticamente impossível a China não querer vir para cá", completa.

O aumento da presença de empresas chinesas também fez crescer o fluxo migratório de forma mais ampla para o país. Entre 2023 e 2025 triplicou o número de autorizações de residência para trabalho emitidas para cidadãos chineses no Brasil, de 3 mil para 10 mil no ano passado.

Diante desse cenário, é crescente o interesse de chineses pelo português brasileiro, conta Alice Oliveira, cientista social que acabou se tornando professora de português para chineses depois de fazer parte, em 2023, da primeira turma de ensino de mandarim do então recém-aberto Instituto Confúcio em Salvador.

A organização promove a língua e a cultura chinesas e é vinculado ao governo da China. Já são 14 espalhados pelo país, um sintoma de um movimento que vai além das cifras de investimento e reflete uma tentativa de aproximação cultural com o Brasil.

Alice já estava concluindo o curso de Ciências Sociais — e infeliz com a perspectiva de passar parte da carreira na área de pesquisa — quando entrou no curso e se apaixonou pelo mandarim.

Já teve cinco alunos chineses, um deles vendedor de máquinas que trabalha com outro grande projeto chinês na Bahia, a ponte Salvador-Itaparica, que, quando concluída, deve se tornar a maior ponte sobre lâmina d'água da América Latina.

Até pouco tempo, ela conta, os chineses costumavam aprender português com sotaque de Portugal, em muito por conta da proximidade com Macau, uma pequena ilha ao sul da China que é ex-colônia portuguesa.

Era comum aprender o idioma para ir para Moçambique e Angola, que nas últimas décadas têm estreitado laços com a China.

"Agora, porém, com aproximação Brasil e China, o pessoal tá querendo aprender português brasileiro pra vir pra cá."

A ligação cada vez mais forte entre os dois países acabou virando objeto da rixa ideológica entre direita e esquerda no Brasil, especialmente com a consolidação da China como grande rival dos Estados Unidos e com a volta de Donald Trump à Casa Branca. A fake news dos 10 mil chineses invadindo Camaçari teve como origem essa disputa e foi replicada por diversos perfis em março deste ano.

Quem quer que vença o segundo turno, entretanto, terá de navegar esse cenário em que EUA e China, as duas maiores potências do mundo hoje — e os dois maiores parceiros comerciais do país — olham para um Brasil que pode ser estratégico, como mercado consumidor, fornecedor de alimentos e produtor de terras raras.

"O período de vinculação a uma superpotência ou a outra passou", opina Wendel Henrique Baumgartner, professor do departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

"Temos que tomar muito cuidado para que a gente não mude a dependência que tínhamos no período colonial da Europa, que depois foi substituída pelos Estados Unidos, para agora criar uma dependência com a China. Eu acho que a gente tem que ser muito estratégico e abrir as portas para o mundo", avalia o professor, emendando que hoje o país tem a possibilidade de escolher e que, por isso, não deveria escolher entre um lado ou outro.

"Precisamos escolher o Brasil, e entender que é importante para o Brasil vender seus produtos, receber esses investimentos, melhorar sua infraestrutura, diversificar ainda mais o parque industrial e, principalmente, desenvolver tecnologia. Não só importar tecnologia, mas usar essa esses recursos que estão chegando em abundância no Brasil para que a gente desenvolva tecnologia própria."

 

Fonte: BBC News Brasil

 


                                   Que rujam os leões: na encruzilhada eleitoral, a definição da identidade nacional

Na década de 1980, o Brasil deixava no passado o rastro da ditadura – um regime centralizador, permeado pelo insulamento burocrático, que silenciou e assassinou opositores. Durante a redemocratização, a participação nas decisões de governo foi uma bandeira de muitas lutas. Seguindo a trilha aberta, foi realizada uma Assembleia Legislativa com a participação de diversos segmentos da população. Nosso povo, nossa gente, conquistou direitos que ficaram impressos na Constituição de 1988. Em tal cenário, surgiu uma “estrela” que representava a voz de um povo atordoado pelas violências. Eram os sinais do “modo petista de governar”, simbolizado por Luiz Inácio Lula da Silva. Sonhamos e avançamos, tendo no horizonte os princípios de inclusão e diversidade.

Na segunda década dos anos 2000, surgiram novos apelos pela ditadura, o louvor aos torturadores, o vocabulário violento de extermínio dos diferentes. Entramos em um processo antipetista de condicionamento massivo que colocou grande parte da população em um “labirinto de espelhos”, arquitetado por revisionismo histórico e guerra cultural. A quem esse projeto beneficia? Entre 2019 e 2022, o vimos em ação durante o governo Bolsonaro. Foi um período que denominamos de destruição, de retrocesso. Na sequência, de 2023 a 2026, Lula conduziu o governo com o objetivo de reconstruir a governança democrática. Sua trajetória, inevitavelmente, espelha a história do Brasil. Neste momento, nos vemos em uma encruzilhada definidora da identidade do país, consubstanciada na escolha entre dois modos de governar.

<><> “Voltar a existir”: o Brasil que voltou em 2023

A gestão Lula mostrou seus princípios e símbolos. Ele subiu a rampa do planalto para tomar posse junto com representantes de segmentos sociais diversos: indígenas, negros, mulheres, crianças, pessoas com deficiência, trabalhadores de diferentes profissões. Criou o Ministério dos Povos Indígenas, das Mulheres, da Igualdade Racial, entre outros. O então ministro dos Direitos Humanos realizou um discurso difícil de ser apagado da história, durante o qual mencionou muitos segmentos sociais saudando-os com a frase “vocês existem e são importantes para nós”.

O formato da reconstrução era participativo e, assim, os sistemas de assistência social, de saúde e de segurança alimentar voltaram a contar com as Conferências de Políticas Públicas, com os Conselhos consultivos e deliberativos, já que, em abril de 2019, o presidente Bolsonaro havia expedido o decreto nº 9.759, extinguindo grande parte dos colegiados da administração pública. Por meio da Secretaria Geral da Presidência da República (SGPR), o diálogo com os movimentos sociais também voltou. Muitas decisões foram revistas, beneficiando as camadas mais humildes, que voltaram a ter mais oportunidades. Um exemplo foi a revisão do teto de gastos, que limitava o gasto público. Tivemos também o valor de salários e benefícios corrigidos e políticas públicas criadas e impulsionadas, democratizando o acesso aos bens públicos. É nesse sentido que escuto os indígenas Yanomami, situados em Roraima, bradarem que o governo Lula é “nosso aliado”. Essa etnia viveu uma tragédia humanitária durante o governo bolsonarista, que incentivou a invasão de garimpeiros às suas terras e os negou a assistência dos serviços de saúde (Cf. ADPF 709). Desde quando não prezar pelo bem dos que mais precisam e odiar o “outro”, a ponto de lhe querer tirar a vida, passou a mobilizar mais que o amor e, assim, a não honrar as estrelas que brilharam em nossas noites mais escuras?

Com o desejo de ver a reconstrução que se anunciava, participei das etapas da Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) em 2023, a partir do estado de Alagoas. Foram os segmentos populares que se deslocaram para Brasília, onde ocorreu a Conferência Nacional, anunciada como “um grande símbolo da reconstrução”, marcando a reinstalação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Na Conferência, a presidente do Consea, Elisabetta Recine, afirmou: “só voltamos a existir em fevereiro deste ano; resistindo a todas as destruições que ocorreram” (11 dez. 2023). Outros participantes enfatizavam “nunca mais políticas públicas sem nós”, festejando o retorno de uma “lógica coletiva e inclusiva”, na qual “a tradição mantém a roda aberta” – afirmou um dos delegados ao microfone. Portanto, dizia-se que o “Brasil voltou”. Mas vemos que falta, a muitos brasileiros, “voltar” a ser mais humanos.

<><> “Tudo ruindo”: a desconstrução bolsonarista

Em seu governo, Bolsonaro seguiu um receituário de austeridade fiscal – afinado com as demais gestões populistas mundo a fora (Bauer, 2021) – e de repressão às minorias e à esquerda. Foram realizados: desmonte de políticas públicas, cortes orçamentários, desindexação de salários e demais benefícios, diversos cerceamentos à liberdade de expressão (Cf. NT CGU nº 1556/2020) e militarização de órgãos públicos (a exemplo da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep).

A intenção de privatizar vários serviços levava ao ataque das missões e das atribuições de instituições de governo; como me disse uma funcionária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): “Tudo ruindo, um buraco que não tem fundo”. Com isso, as denúncias de assédio moral recebidas na Controladoria-Geral da União aumentaram em 380%. A este sofrimento, junta-se o de tantos grupos que se viram desassistidos em razão do desmonte de serviços públicos. Muitas universidades públicas sequer tinham recursos para pagar as contas de energia elétrica. Como resultado último, aumentaram a fome, a pobreza e as mortes. Essas foram algumas das consequências avassaladoras de um governo que privilegiou os interesses econômicos de uma minoria nacional abastada, enquanto indígenas, quilombolas, pequenos produtores rurais e outros vários grupos viram os seus direitos e a si mesmos em perigo. Enquanto isso, o presidente tomava medidas legais para flexibilizar a posse e o porte de armas de fogo.

<><> No labirinto de espelhos: a vitória do lobo

Há alguns anos, cientistas escrevem sobre a racionalidade neoliberal que vem formando a consciência da humanidade (Brown, 2015) e, mais recentemente, sobre as feições dos governos populistas iliberais (Bauer, 2021). Com a vitória de Flávio Bolsonaro nessas eleições de 2026, venceria o projeto neoliberal autoritário, que relega aos mais empobrecidos e aos alternativos a margem da nação. Contudo, é preciso que os eleitores não percebam que serão desfavorecidos. Os conquistadores sempre usaram a mentira e as diversas formas de enganar como artifício. Como na tão citada narrativa do “lobo em pele de cordeiro”, Flávio Bolsonaro muda seu discurso, acenando com benefícios à população a fim de se eleger. Usa uma máscara que não encaixa bem.

Suas promessas eleitoreiras não resistirão à sua má intenção contra os diversos segmentos populares. Isto tanto é verdade que anunciou um “tesouraço”, já evidenciando os cortes de gastos que virão para desamparar grande parte da população; anunciou a mudança da Constituição, que garante direitos buscados por anos; anunciou sua subserviência aos Estados Unidos, que colocam seus ambiciosos interesses de enriquecimento em primeiro lugar, à custa da pilhagem de outras nações. O que acontecerá com a Petrobras, as terras raras e a Amazônia? O governo bolsonarista marcaria a volta dos desmontes, do autoritarismo, do ataque à liberdade de expressão e da ampla política voltada para o fazer morrer.

Infelizmente, permaneceríamos nesse labirinto de espelhos, em que múltiplos reflexos são usados para confundir a percepção, fazendo com que as pessoas se percam em caminhos falsos e becos sem saída. Se o espelho simboliza a verdade, podemos dizer que a maioria não enxerga sua condição e posição na história brasileira diante das versões que os aprisionam. Ao que tudo indica, o projeto democrático e participativo daria seus últimos suspiros.

<><> A verdade vencerá? Desamarrando as cordas do condicionamento

Com a vitória de Lula nas eleições de 2026, nos manteríamos no rumo de um projeto de país que reconhece a sua identidade coletiva, apostando no aprofundamento da participação social e da democratização. Além disso, apostaríamos na construção de um “novo modelo civilizatório”, pois foi sobre ele que refletimos durante as palestras realizadas na Conferência de SAN em 2023.

Para isso, uma grande parte da população precisaria despertar da ilusão que lhe apresentam ou do condicionamento narrativo que lhe impuseram. Conscientizar-se da sua real condição requer compreender a história que nos trouxe até esta encruzilhada. Mas podemos nos inspirar agora na fábula daquele pequeno leão que foi criado por ovelhas e se entendia e se comportava como elas. Mesmo que assim domesticado, este leão foi reconhecido por outro leão que passava e, decidindo se aproximar, pôs-se a rugir, despertando o leão condicionado para a sua verdadeira essência – assim como precisamos despertar os cidadãos para aquele nosso projeto coletivo que começou a ser construído ao fim da ditadura. É muito simbólico que a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, seja atacada por grupos bolsonaristas, já que ela é conhecida por quebrar as correntes ao lado dos escravizados. É nesse momento que alguns leões precisam rugir para despertar os demais. Com a “estrela no peito”, com o projeto democrático e participativo em nossas mentes, a verdade vencerá!

 

Fonte: Por Monique Florencio de Aguiar, no Le Monde

Ajuste fiscal versus gastos públicos: os modelos econômicos de Lula e Bolsonaro se enfrentam nas urnas

Uma tábua de salvação para Lula da Silva na reta final do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. O Senado aprovou na quinta-feira uma redução histórica na jornada de trabalho sem perda de salário, uma das principais promessas de campanha de Lula. Com a aprovação do fim do regime de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho e um de folga por semana), todos os trabalhadores contratados terão direito a dois dias de folga por semana a partir de dezembro. Além disso, a jornada semanal será reduzida de 44 para 40 horas. A medida afeta 37,11 milhões de pessoas que trabalham mais de 41 horas por semana, segundo o Ministério do Trabalho.

“O fim da jornada de trabalho 6x1 é mais do que apenas uma mudança na jornada. Trata-se de ter mais tempo para viver, descansar, estar com a família, ver os filhos crescerem, cuidar de si mesmo e aproveitar a vida”, declarou Lula nas redes sociais. Em uma reviravolta de última hora, o Partido Liberal (PL) do candidato Flávio Bolsonaro votou a favor para evitar repercussões eleitorais (73% dos brasileiros apoiam a medida). No entanto, Flávio Bolsonaro já indicou à comunidade empresarial que irá rever a medida caso vença as eleições.

Inicialmente, o fim da escala 6x1 não fazia parte dos planos do governo Lula. O catalisador veio de Rick Azevedo, um farmacêutico do Rio de Janeiro que havia acabado de ser eleito para o Congresso. Em setembro de 2023, ele gravou um vídeo para o TikTok para expressar sua frustração após receber uma ligação do chefe em seu único dia de folga: “Quero saber quando nós, da classe trabalhadora, vamos ter uma revolução neste país em relação à escala 6x1. É escravidão moderna”.

O vídeo viralizou, levando à criação do Movimento Vida Além do Trabalho. A congressista Erika Hilton, que recebeu mais de um milhão de votos no dia 4, tornou-se a principal defensora do fim da escala 6x1. O governo Lula abraçou a proposta. A pressão de Lula foi fundamental para sua aprovação esmagadora no Congresso em maio.

Há meses, Flávio critica o fim do regime de trabalho 6x1 e defende uma lei alternativa para "horários de trabalho flexíveis", a PEC 12/2026, na qual os trabalhadores são remunerados por hora trabalhada. "A proposta intensifica a exploração do trabalho. Vai contra quase todos os sistemas jurídicos ocidentais, contradizendo inclusive acordos estabelecidos há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT)", disse Nasser Ahmad Allan, advogado especializado em direito do trabalho e sócio do escritório Gasam Advocacia, ao elDiario.es.

<><> Pontos de vista opostos

As posições de Lula e Flávio Bolsonaro em relação à escala 6x1 revelam duas visões econômicas opostas. A vitória de Flávio representa a continuidade das políticas de ajuste fiscal do governo Jair Bolsonaro (2019-2022); a vitória de Lula, a continuidade de suas políticas de expansão dos gastos públicos.

<><> Cortes ao estilo Milei

Após vencer o primeiro turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro anunciou um corte massivo de 200 bilhões de pesos nos gastos públicos, deixando intactos os programas sociais. Seu programa de governo inclui a eliminação de pelo menos dez ministérios, reforma tributária, cortes de impostos e a retomada da privatização de empresas estatais. Daniella Marques, assessora econômica de Flávio Bolsonaro, afirmou em setembro que seu potencial governo eliminaria mais de mil regulamentações, "inspirando-se no governo de Javier Milei na Argentina".

Ao final do mandato de Jair Bolsonaro, a dívida pública foi reduzida para 72,9% do PIB. Parte dessa redução veio da privatização de empresas direta ou indiretamente controladas pelo Estado: 83 empresas públicas foram privatizadas (o número caiu de 213 para 130). Flávio Bolsonaro afirmou repetidamente durante sua campanha que privatizará, entre outras, a estatal Correios. Durante o governo Lula, a dívida pública aumentou para 82,9% do PIB em agosto. Lula se mostra relutante em aumentar os gastos sociais. "Muito dinheiro nas mãos de poucos é pobreza", argumentou Lula em entrevista ao vivo na última quinta-feira.

<><> Programas e gastos sociais

Lula afirmou há alguns dias que os cortes orçamentários anunciados por Flávio Bolsonaro afetarão os gastos sociais, uma alegação apoiada pela maioria dos economistas. Maria Lourdes Mollo, professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), disse ao Monitor Mercantil que não é possível fazer cortes substanciais no orçamento público sem impactar os programas sociais. Lula cita o legado do governo Jair Bolsonaro, quando “políticas como 'Farmácia Popular', 'Minha Casa, Minha Vida' e 'Mais Médicos' perderam financiamento ou foram reduzidas”.

O relatório "Depois do Desmantelamento 2019-2022", do Instituto de Estudos Socioeconômicos, revelou um declínio generalizado nos gastos sociais do governo Jair Bolsonaro. O programa "Casa Verde Amarela", que substituiu o antigo "Minha Casa, Minha Vida", teve seu orçamento reduzido de 78,7 milhões de reais (13,8 milhões de euros) para 29,7 milhões. O investimento na "Farmácia Popular", que fornece medicamentos gratuitos para famílias de baixa renda, caiu 59%. O Bolsa Família, programa social lançado por Lula em 2003 e renomeado Auxílio Brasil, foi o único programa a receber aumento de verbas. No entanto, isso se deveu a uma medida legislativa aprovada pelo Congresso durante a pandemia. Recentemente, Lula aumentou o Bolsa Família, que beneficia 19,28 milhões de famílias, em 15%. Cada família passará a receber 691 reais (121 euros), em vez de 600 reais (105 euros).

Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apoiam a manutenção do Bolsa Família. No entanto, Flávio criticou o programa e quer vinculá-lo à geração de empregos.

Salários e aposentadorias

Durante a campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro apresentou seu plano previdenciário a um grupo de líderes empresariais. A proposta, que posteriormente vazou para a imprensa, prevê o aumento da idade de aposentadoria para 67 anos (atualmente 65 para homens e 62 para mulheres). Simultaneamente, a economista Laura Carvalho, autora do ensaio "Valsa brasileira: Do boom ao caos econômico", denunciou no podcast "Calma Urgente" que Flávio Bolsonaro quer desvincular os aumentos previdenciários dos aumentos do salário mínimo. Essa medida impediria o reajuste automático do salário mínimo pela Política de Valorização Permanente do Salário Mínimo, criada por Lula em 2003 e reinstaurada em 2023. Embora Jair Bolsonaro tenha aumentado tanto o salário mínimo quanto as aposentadorias em linha com a inflação, ele abandonou a política de indexação das aposentadorias à inflação, que também incorpora o crescimento do PIB dos dois anos anteriores.

Por essa razão, o salário mínimo no Brasil aumentou proporcionalmente mais durante o governo Lula. O salário mínimo no Brasil subiu de 1.212 reais (212,2 euros) ao final do mandato de Jair Bolsonaro para 1.621 reais (283,8 euros) em 2026. O salário médio é de 3.777 reais.

<><> Inflação e a economia do dia a dia

O governo Lula teve um desempenho melhor do que o governo Jair Bolsonaro no controle da inflação. O aumento acumulado de preços durante a presidência de Lula, até setembro, foi de 17,9%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos últimos doze meses, a taxa de inflação do Brasil ficou em 4,58%. Durante o governo Bolsonaro, até setembro de 2022, a inflação acumulada chegou a 25,26%. O pior ano foi 2021, quando a inflação subiu para 10,16% ao ano.

No entanto, com o aumento dos preços da gasolina devido à guerra comercial Irã-Contras e dos preços de alguns produtos agrícolas devido às mudanças climáticas e à demanda global (por exemplo, o café), a sensação de alto custo de vida é generalizada. Em agosto, durante os primeiros dias da campanha eleitoral, a equipe de Flávio Bolsonaro divulgou diversos vídeos gravados em frente a supermercados denunciando os altos preços dos produtos.

Patricia Costa, economista do Departamento Interuniversitário de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), disse à TVT News que a insatisfação decorre do forte aumento dos preços dos alimentos durante o governo de Jair Bolsonaro: “Durante a pandemia, o preço do óleo de soja dobrou. Chegou a cerca de 6 reais (1,04 euros) e nunca mais baixou. A cesta básica de alimentos como um todo aumentou 68% entre 2019 e 2022 na cidade de São Paulo e 14% durante a presidência de Lula”.

Durante o governo Bolsonaro (entre janeiro de 2019 e agosto de 2022), os preços de alimentos e bebidas subiram 44,2%, em comparação com 17,1% sob o governo Lula até agosto passado. O relatório da Dieese revela que alguns produtos, como o arroz, tiveram queda de preço durante a presidência de Lula. O preço do quilo de arroz, que chegou a 5,88 reais (1,02 euros) em agosto de 2024, caiu para 4,45 reais (0,77 euros) em agosto deste ano, graças à Política Nacional de Abastecimento Alimentar (PNAAB), implementada por Lula em dezembro de 2023 por meio de decreto presidencial. O decreto permite ao governo acumular reservas de alimentos básicos para liberá-las no mercado em períodos de escassez.

Dívida das famílias e jogos de azar online

Em agosto, o Brasil bateu seu recorde de endividamento das famílias. 81,7% das famílias têm algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). “O maior culpado continua sendo o cartão de crédito. Muitas pessoas recebem limites de crédito maiores do que podem pagar”, disse a economista Carla Beni, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao G1.

No entanto, o verdadeiro aumento do endividamento ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro. Enquanto no início de 2019 o percentual de famílias endividadas era de 59,8%, ao final de 2022 havia chegado a 79,3%. Por trás da relativa estabilidade do percentual de famílias endividadas durante a presidência de Lula, estão algumas de suas políticas públicas, como o programa Desenrola 2, que disponibilizou recursos públicos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para reduzir o endividamento. Por outro lado, a principal iniciativa de Lula para combater o endividamento foi a proibição de jogos de azar online.

Os jogos de azar, como são popularmente conhecidos, representam o maior fator de endividamento das famílias no Brasil. Além disso, durante a campanha eleitoral, Lula pressionou com sucesso o Congresso e o Senado para aprovarem um projeto de lei complementar à Lei do Microempreendedor Individual (MEI), que perdoa parte das dívidas contraídas com bancos públicos. A elevada taxa de juros oficial durante o governo Lula, definida independentemente pelo Banco Central, dificultou a redução do endividamento das famílias. Atualmente, ela está em 13,75%. Jair Bolsonaro iniciou seu mandato em 2019 com uma taxa de juros de 4,50%.

Por sua vez, Flávio Bolsonaro se opõe à proibição das apostas. Sua proposta para reduzir o endividamento das famílias segue a linha de Lula: comprar dívidas e refinanciá-las a juros mais baixos com recursos públicos.

<><> Poder de compra, desigualdade e emprego

A renda familiar per capita no Brasil atingiu 2.316 reais (405,4 euros), segundo o Instituto Brasileiro de Geoestatística (IBGE). Esse valor, um recorde histórico, representa um aumento significativo (em 2022, era de 1.625 reais). O aumento foi mais acentuado entre os que ganham menos. Apesar disso, os 10% mais ricos da população viram sua renda aumentar em 8,7%.

O aumento da renda familiar per capita, além de estar ligado a programas sociais, está diretamente relacionado à queda do desemprego. Lula alcançou o pleno emprego, reduzindo a taxa de desemprego para 5,3% em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Jair Bolsonaro, cujo governo registrou 14,2% de desemprego em 2020, encerrou seu mandato com 8,4%. Além disso, durante o governo Lula, o emprego informal foi reduzido a um mínimo histórico (37,2%). Por outro lado, durante o governo Jair Bolsonaro, o Brasil entrou para o mapa da fome da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) entre 2019 e 2021. O Brasil retornou ao mapa da fome no triênio 2022-2024, quando o percentual da população que sofre de desnutrição ou falta de acesso a alimentos caiu para menos de 2,5%.

Em artigo publicado no Le Monde Diplomatique, a economista Juliane Furno destaca a importância da isenção fiscal aprovada pelo governo Lula para quem ganha até 5.000 reais por mês (874,6 euros), válida a partir do final de 2025: “A isenção do imposto de renda, financiada por um imposto mínimo sobre rendimentos elevados, representa o primeiro passo histórico concreto em décadas para tornar a estrutura tributária brasileira menos regressiva”. Além disso, a recente aprovação da lei complementar para autônomos eleva o limite de faturamento de 80.000 reais para 110.000 reais em 2027 e 140.000 reais em 2028.

PIB, mercado de ações e a economia global. Quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência do Brasil, o país ocupava a nona posição entre as maiores economias do mundo. A contração de 3,3% em 2020 fez o Brasil cair para a décima terceira posição. Embora o Brasil tenha crescido em 2021 (4,8%) e 2022 (2,9%), só retornou ao top 10 durante o governo Lula. Em 2023, o Brasil recuperou a nona posição. De 2024 até o presente, o Brasil ocupa a décima posição.

Durante a presidência de Lula, o PIB brasileiro cresceu moderadamente : 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Em 2026, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento será de 2,2%. O FMI prevê que será a oitava maior economia do mundo em 2027, com um PIB projetado de US$ 2,65 trilhões, muito próximo da Itália (US$ 2,7 trilhões) e da Rússia (US$ 2,83 trilhões).

Em termos de comércio exterior, Lula apresenta um desempenho melhor do que Jair Bolsonaro. A balança comercial durante o governo de Jair Bolsonaro acumulou um superávit de US$ 208,5 bilhões, segundo a Secretaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Comércio Exterior. O governo Lula, até agosto, acumulou um superávit de US$ 365,9 bilhões.

 

Fonte: El Diário

 

“Pátria submissa”: os planos dos EUA de Trump para os minerais críticos do Brasil com Flávio Bolsonaro

Não é novidade que o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, é um lacaio dos Estados Unidos de Donald Trump, assim como são seu pai, o ex-presidente e atual presidiário Jair, e seu irmão, o ex-deputado federal e atual foragido da Justiça, Eduardo. Mas “Pátria submissa”, o novo episódio do Revelando, projeto especial do Calma Urgente feito em parceria com um coletivo de jornalistas e profissionais da comunicação, e recentes manifestações de Flávio e sua equipe apresentam um dos lados mais sórdidos deste subjugo: as terras raras brasileiras.

As terras raras se tornaram um ativo de grande importância econômica em todo o mundo, por serem essenciais para a transição energética e a indústria de defesa, entre outras aplicações. O Brasil detém a segunda maior reserva desses minerais, atrás apenas da China. Com os chineses restringindo sua exportação para os EUA, Trump tem em Flávio Bolsonaro o boneco necessário para entregar ao “agente laranja” esta imensa riqueza brasileira. A troco de banana e sem qualquer ganho para a população do nosso país.

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Assim, os interesses dos EUA nas eleições brasileiras fazem parte de uma trama que envolve submissão, soberania nacional e terras raras, destaca o ator Wagner Moura, apresentador do “Pátria Submissa”. O episódio ainda traz uma entrevista exclusiva com o general Santos Cruz, militar de três estrelas e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, conduzida pelo jornalista Bruno Torturra, informam ICL Notícias e Revista Fórum. Santos Cruz critica severamente a subserviência quase canina de Flávio Bolsonaro e seus asseclas a Trump e afirma com todas as letras que as propostas dos Bolsonaro não são de direita, mas sim uma “vigarice” e um projeto familiar, não de país.

“De cada dez quilos de terras raras que os Estados Unidos importam, sete vêm da China. E a China e os Estados Unidos estão numa briga que não acaba, por isso e um monte de outras coisas”, narra Wagner Moura. No entanto, a intenção de Donald Trump vai além das trocas comerciais. O presidente norte-americano quer mesmo “que o minério dos outros seja dele”, reforça o ator. O caminho para isso passa por uma combinação de pressões econômicas (como o tarifaço contra o Brasil, alimentado pelos Bolsonaro); interferência política (como as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra o governo brasileiro); e acordos que favorecem os interesses de Washington.

“Pátria submissa” lembra ações do governo Trump para garantir seus interesses. Seja pela violência, como na Venezuela e no Irã, seja pela subserviência servil, como na Ucrânia, na Colômbia e na Argentina. E o Brasil entrou na mira do “agente laranja” das duas formas: na violência, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas tenta criar uma “porteira” para ações militares estadunidenses aqui; na subserviência, o símbolo é Flávio Bolsonaro, que tem inclusive recebido uma “forcinha” da Meta, acusada de criar barreiras para posts pró-Lula em suas redes sociais.

E a pouco mais de uma semana do 2º turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro resolveu reforçar seu compromisso de entregar as terras raras brasileiras a Trump. O papel do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado pela política nacional de minerais críticos, deve ser revisado em um eventual governo do filho de Jair Bolsonaro, informa o Brasil 247.

Segundo a CNN Brasil, há críticas ao que se considera um elevado grau de discricionariedade do colegiado, especialmente em relação à possibilidade de interferência do governo em negócios do setor privado, como fusões, aquisições e contratos internacionais de fornecimento de minerais estratégicos. O que deixa claro que Flávio vai mesmo “abrir a porteira” das terras raras para Trump, e que se dane a população brasileira.

 

Fonte: ClimaInfo