Você
provavelmente não está ingerindo vitamina D suficiente. Veja o que dizem os
especialistas
A
vitamina D é um nutriente essencial para a saúde, ajudando a manter os ossos
fortes e, ao mesmo tempo, auxiliando na função muscular e no sistema
imunológico. Mas as pessoas em todo o mundo não estão recebendo a quantidade
suficiente dessa vitamina, o que faz dela o suplemento mais popular do mercado.
Tudo o
que nosso corpo realmente precisa para produzir esse nutriente é a luz solar,
mas as estimativas mostram que cerca de 25% dos americanos e cerca de 40% dos
europeus têm deficiência de vitamina D, um problema que também é altamente
encontrado no ensolarado Oriente Médio, na América do Sul, na Ásia e na
Austrália.
A
vitamina D tem estado no centro de um paradoxo do bem-estar na última década.
Os pesquisadores não conseguem chegar a um consenso sobre a quantidade
necessária para uma saúde ideal, e nem quais níveis constituem uma deficiência
ou quais benefícios – se é que existem – os suplementos proporcionam,
principalmente para pessoas jovens e saudáveis.
As
orientações sobre como obter vitamina D também são conflitantes. A luz solar é
a melhor fonte, só que nos dizem para nos protegermos do sol para evitar o
câncer de pele. Em seguida, somos aconselhados a seguir uma dieta rica em
vitamina D, embora a maioria dos alimentos não a contenha em quantidade
suficiente.
“Há
tantas recomendações por aí, então como priorizar o que devemos fazer e quais
são as coisas mais importantes a fazer?”, diz Anne Cappola, endocrinologista e
professora de medicina na Penn Medicine. “De certa forma, seria fácil se tudo o
que tivéssemos que fazer fosse tomar suplementos, mas é mais complicado do que
isso”, afirma Cappola.
Veja, a
seguir, o que você deve saber sobre a vitamina D e como lidar com os conselhos
confusos e contraditórios.
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Como a vitamina D pode afetar (ou não) a saúde
A
vitamina D ajuda seu corpo a absorver o cálcio dos alimentos, o que mantém seus
ossos fortes e ajuda a prevenir a osteoporose, uma doença que faz com que os
ossos se tornem mais finos, fracos e menos densos. A vitamina D também protege
você de condições mais graves, como a osteomalácia, ou “amolecimento dos
ossos”, e protege as crianças do raquitismo, uma doença que causa ossos fracos,
pernas arqueadas e outras deformidades ósseas que afetam desproporcionalmente
as crianças negras.
A
vitamina D também desempenha um papel importante na estrutura muscular do
corpo, na comunicação entre os nervos e nas defesas imunológicas contra
bactérias e vírus, de acordo com o National Institutes of Health's Office of
Dietary Supplements.
Dezenas
de estudos descobriram que o tratamento de pessoas com vitamina D está
associado a riscos reduzidos de alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2,
distúrbios cognitivos e doenças cardiovasculares, entre outras doenças
crônicas, autoimunes e infecciosas.
Entretanto,
grandes revisões desses estudos mostram que a maioria desses benefícios é
inconclusiva ou insignificante. A U.S. Preventive Services Task Force
(Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA), tanto em 2014 quanto em 2021,
recomendou que não se fizesse o rastreamento da deficiência de vitamina D na
população em geral, citando evidências insuficientes para apoiar a prática.
“A
vitamina D tem funções importantes, mas provavelmente não são tão amplas quanto
as pessoas dizem que são", diz Cappola. "Isso é parte da confusão por
trás da dúvida sobre o que você deve fazer ou tomar e qual é a importância
disso.”
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Quem corre o risco de ter deficiência de vitamina D e como identificar os
sinais?
Qualquer
pessoa pode ter deficiência de vitamina D, mas certos fatores podem aumentar
seu risco.
Quanto
mais velho você fica, mais difícil é para a sua pele (que fica mais fina)
produzir vitamina D quando exposta à luz solar, com a produção diminuindo em
cerca de 13% a cada década.
Pessoas
com pele mais escura têm mais do pigmento melanina que absorve os raios UV
essenciais para a produção de vitamina D (falaremos mais sobre isso ainda nesse
texto). Portanto, naturalmente, elas produzem menos, diz Henry Lim,
dermatologista da Henry Ford Health. Algumas estimativas mostram que a pele
mais escura é cerca de 90% menos eficiente na produção de vitamina D em
comparação com a pele mais clara.
Outras
pessoas em risco de deficiência de vitamina D são as grávidas, os bebês
amamentados, as pessoas que vivem em latitudes mais ao norte e que recebem menos sol, e as que tomam
medicamentos específicos para tratar doenças como AIDS e convulsões.
O corpo
transforma a vitamina D em sua forma ativa por meio de um processo de duas
etapas que começa no fígado e termina nos rins, portanto, qualquer pessoa com
doenças avançadas em um desses órgãos também corre um risco maior de
deficiência.
A
deficiência de vitamina D, diagnosticada com um exame de sangue, geralmente não
causa sintomas, mas algumas pessoas com um caso grave podem apresentar fadiga,
dor óssea e fraqueza muscular.
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Como você obtém vitamina D do sol?
Dois
tipos de raios ultravioleta atingem a superfície da Terra e penetram em nossa
pele: o UVA é o principal responsável pelo bronzeamento e envelhecimento da
pele, enquanto o UVB está associado a queimaduras solares e à produção de
vitamina D. Ambos podem causar câncer de pele.
Para
pessoas com pele clara, 10 a 20 minutos de exposição ao sol três vezes por
semana são considerados suficientes para fornecer níveis adequados de vitamina
D, diz Lim. As pessoas de pele mais escura precisam de uma exposição três a
cinco vezes mais longa para produzir a mesma quantidade. Mas essas
recomendações gerais dependem muito da estação do ano, da hora do dia e da
latitude, diz Henry Lim.
A
produção de vitamina D ocorre principalmente entre as 10h e as 15h do sia,
quando o sol está mais alto, segundo a pesquisa. Durante o início da manhã, o
final da tarde e o inverno, o ângulo do sol aumenta de forma que os raios UVB
são forçados a percorrer uma distância maior através da camada de ozônio, que
os absorve no processo.
Nuvens,
janelas e poluentes do ar (como ozônio e dióxido de nitrogênio), também
absorvem os raios UVB, reduzindo a quantidade que atinge a pele e, portanto,
diminuindo a produção de vitamina D, explica o dermatologista Lim.
Há
muito tempo, acredita-se que o protetor solar também interrompe esse processo,
mas estudos mais recentes descobriram que esse não é o caso na maioria das
pessoas.
Ainda
assim, depender do sol para obter vitamina D é imprevisível e inconsistente na
melhor das hipóteses. Por conta disso, muitas pessoas não estão obtendo o
suficiente de vitamina D, pois a crescente conscientização sobre o câncer de
pele faz com que as pessoas fiquem em ambientes fechados, diz Lim.
De
fato, a American Academy of Dermatology afirma que os adultos não devem obter
vitamina D só por meio da exposição ao sol ou do bronzeamento artificial, mas
sim por meio de alimentos “naturalmente ricos” ou enriquecidos com vitamina D –
o que é problemático porque não existem muitos.
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Por que você não consegue obter vitamina D suficiente dos alimentos?
Os
alimentos são notoriamente pobres em vitamina D, diz Monique Richard,
nutricionista registrada e porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics.
As
melhores fontes naturais de vitamina D são peixes gordurosos como a truta, o
atum, o salmão e a cavala, bem como óleos de fígado de peixe e cogumelos que
foram expostos à luz UV. Quantidades menores são encontradas em gemas de ovos,
queijo e fígado bovino.
Como a
maioria das pessoas não consome uma quantidade suficiente desses alimentos
todos os dias, determinados produtos, como leite, cereais, suco de laranja e
iogurte, bem como alternativas à base de plantas, como leites de soja, amêndoas
e aveia, são fortificados com vitamina D nos Estados Unidos e em outros países,
como o Reino Unido e a Finlândia.
Mas
isso ainda não é suficiente. O leite, por exemplo, é fortificado com cerca de
120 UI de vitamina D por xícara, ou 3 microgramas. Pessoas com menos de 70 anos
de idade teriam que beber cerca de cinco xícaras de leite todos os dias – ou
pelo menos, comer também outros alimentos, como uma tigela de cereal e salmão
no jantar – para atingir a ingestão diária mínima recomendada de 600 UI (15
mcg) para evitar a deficiência, de acordo com a Endocrine Society. (Adultos com
mais de 70 anos devem consumir pelo menos 800 UI, ou 20 mcg, de vitamina D por
dia).
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Como, então, obter a quantidade suficiente de vitamina D?
Dito
isso, a vitamina D é mais acessível do que você imagina. Trata-se de encontrar
um equilíbrio entre a exposição sensata ao sol, uma dieta rica em vitamina D e
a suplementação que funciona para você. Lembre-se que a exposição sensata ao
sol envolve procurar sombra, usar roupas protetoras e aplicar protetor solar
com FPS 30 ou superior.
Se você
optar por tomar suplementos de vitamina D, que vêm em várias formas, como
comprimidos e gotas, certifique-se de não exagerar. Isso porque o excesso de
vitamina D pode causar náusea, fraqueza muscular, confusão, vômito e
desidratação. Em casos graves, ela pode causar pedras nos rins e insuficiência
renal, batimentos cardíacos irregulares e morte, afirma o NIH.
A
intoxicação por vitamina D não é possível com a exposição ao sol porque sua
pele limita a quantidade de vitamina D que produz.
Não
custa nada ser mais cuidadoso com a vitamina D, diz Cappola, mas se você não
tiver uma deficiência existente, buscar mais dessa vitamina não vai adiantar
muito, segundo a pesquisa. “Você definitivamente precisa ter só o suficiente”,
diz Cappola, “ter a mais nem sempre é melhor”, finaliza a endocrinologista.
Fonte:
National Geographic Brasil

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