Marcelo
Uchôa: Por que Jorge Messias?
As
especulações sobre nomes para assumir a vaga de ministro do STF, na cadeira
aberta com a saída antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, aumentam
diariamente. Tenho defendido que o nome mais adequado para assumir o posto é o
do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, e explicarei o porquê.
Um
ministro do STF ideal deve conhecer o Direito, compreender e saber interpretar
corretamente a Constituição, procurar ser justo em suas ponderações e decisões.
Deve ser probo, honesto, competente, equilibrado no lidar e não pode ser
arrogante, estando sempre aberto para receber advogados e com humildade
reforçada para escutar a sociedade.
Apesar
de jovem, Jorge Messias é egresso de uma plêiade de juristas que absorveu
lições preciosas de Dalmo de Abreu Dallari. Sabe, por exemplo, que o bom juiz
deve enxergar o cidadão além dos autos processuais, sem resumi-lo a calhamaços
de papéis e documentos. Entende que a justiça se constrói com sensibilidade
ética e coragem institucional e, falando em coragem, que é preciso tê-la para
garantir a autoridade do Direito. Sabe, e sabe muito bem, que o juiz é a voz
viva da justiça e que, se o juiz não fala com a verdade, a justiça fica muda,
como profetizado pelo mestre único Piero Calamandrei.
No
Brasil, todos reconhecem que o Poder Judiciário é tão aristocrático quanto
complexo. É nauseante observar a foto da ministra Cármen Lúcia ladeada de dez
homens de toga, circunstância que agride a vista e, sobretudo, a consciência de
gênero e racial.
Em um
cenário ideal, a Corte seria paritária entre homens e mulheres e diversa em
cor, gênero e inclusão. Esses critérios, em tese, afastariam o ministro Jorge
Messias da preferência para a vaga no STF. Porém, a realidade é bem diferente
da idealização.
A
atualidade do Brasil exige, mais do que tudo, coragem. No país, ainda se estão
juntando os cacos de uma tentativa de golpe cujo trâmite segue em curso desde
os Estados Unidos. Por isso, coragem é algo que o próximo ministro deve agregar
de maneira robusta em seu portfólio pessoal, sendo esse atributo o que Jorge
Messias vem provando ter durante toda sua trajetória no serviço público, em
especial nos últimos dois anos, desde que assumiu a chefia da AGU.
Messias
possui valentia, excelente trânsito institucional entre Poderes e instâncias
federativas e capacidade ímpar de resolutividade nas ações. Não fossem ele e o
atual delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao lado do
ex-ministro da Justiça, atual ministro do STF, Flávio Dino, e respectiva
equipe, em janeiro de 2023 a tentativa de golpe teria se consumado.
Em
mandato vindouro, o presidente Lula terá a oportunidade de indicar outros dois
nomes para o STF. Quiçá seja o momento de minorar a falta de representatividade
feminina e negra na Corte Suprema. Agora, a hora é de fortalecer a Corte com
nomes já testados em termos de arrojo para defender a institucionalidade.
Verdade
seja dita, o presidente Lula não está avesso à necessidade de reduzir as
distorções de gênero e raça no Judiciário e nos espaços políticos em geral.
Neste mandato, só em termos de Cortes Superiores, duas mulheres já foram
indicadas para o STJ, outra para o TSE e outra para o STM, tribunal em que uma
segunda ministra, a atual presidenta, já fora indicada por si em mandato
anterior. O presidente tem nomeado mulheres e negros, egressos da magistratura
ou de quintos constitucionais, em TRFs, TRTs e TREs. Jamais se pode esquecer
que foi o presidente Lula o único mandatário da história republicana a indicar
uma sucessora mulher para a Presidência do Brasil, a ex-presidenta Dilma
Rousseff, que também foi recentemente indicada por ele para assumir a presidência
do importante Banco do BRICS. A propósito, no Executivo, há dez mulheres em
ministérios e, em termos de máquina pública, pelo menos duas mulheres estão à
frente de empresas de elevadíssima relevância nacional: a Petrobras e o Banco
do Brasil.
Portanto,
se a opção do presidente Lula para o STF não for pelo nome do ministro da AGU,
Jorge Messias, que seja pelo de alguém com os mesmos perfis objetivos e
subjetivos, sendo relevante ressaltar a competência, a coragem e o compromisso
com os programas sociais de governo e, também, com as pautas sociais gerais que
defende em sua gestão e que são amplamente recepcionadas pela Constituição.
Porque, para além de ser um grande quadro da República, Jorge Messias,
evangélico “de verdade”, também é um comprovado humanista, defensor das
populações mais sofridas e das pessoas mais vulneráveis.
• Messias se consolida como nome mais
forte para nova vaga no STF
A
disputa pela nova vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aberta com a
aposentadoria de Luís Roberto Barroso, movimenta o meio jurídico e político em
Brasília. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, ministros da Corte avaliam
que o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, desponta como o
nome mais cotado para ser indicado pelo presidente Lula (PT), sobretudo pela
relação de proximidade e confiança construída entre ambos ao longo dos anos.
Nas
duas indicações anteriores de Lula ao Supremo — Cristiano Zanin e Flávio Dino
—, a escolha recaiu sobre nomes com forte vínculo pessoal com o presidente.
Zanin foi o advogado que defendeu Lula durante o período de perseguição
judicial que resultou no golpe de Estado contra Dilma Rousseff, e Dino, seu
ex-ministro da Justiça, é um dos principais aliados políticos do governo. Essa
trajetória reforça a percepção, dentro e fora do Judiciário, de que a lealdade
continua sendo o critério central nas decisões do presidente sobre o STF.
<><>
Messias, o candidato da confiança e da discrição
De
acordo com um ministro do STF ouvido pela Folha, Lula já teria dado sinais de
que Messias seria o próximo nome na fila para o Supremo, ainda durante o
processo de nomeação de Dino. Discreto, o advogado-geral da União evita
declarações públicas e mantém postura institucional enquanto o presidente
avalia os cenários políticos.
Formado
e doutor pela Universidade de Brasília (UnB), Messias defendeu recentemente uma
tese sobre o papel da AGU no desenvolvimento nacional em um contexto de risco
global. No mestrado, também na UnB, dedicou-se ao tema das compras públicas
como instrumento de inovação, refletindo seu perfil técnico e sua preocupação
com políticas de desenvolvimento.
Messias
é visto como competente e leal, com bom trânsito entre magistrados e apoio de
advogados próximos ao PT. O principal trunfo, no entanto, continua sendo a
confiança pessoal do presidente Lula — um fator decisivo nas escolhas
anteriores para o Supremo.
<><>
Pacheco aposta no diálogo com o Judiciário
Caso
Lula opte por uma escolha mais política, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
surge como alternativa. Ele conta com apoio expressivo no Senado e o aval de
ministros influentes como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Desde que
presidiu o Senado, Pacheco cultivou laços estreitos com o STF, aproximando-se
de ministros e defendendo a harmonia entre os Poderes.
O
senador também bloqueou tentativas de impeachment de magistrados e manteve
presença ativa em eventos da Corte. No jantar de despedida de Barroso, em 24 de
setembro, foi o único congressista convidado, além dos presidentes da Câmara e
do Senado. Pacheco reforça seu perfil institucional à frente da comissão de
atualização do Código Civil, projeto que mobiliza juristas e técnicos e é visto
como um gesto de respeito ao meio jurídico.
Apesar
disso, aliados de Lula lembram que o presidente planejava lançá-lo como
candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, o que pode pesar na decisão
final.
<><>
Dantas e a pressão por uma ministra mulher
Entre
os outros nomes citados está o do ministro do Tribunal de Contas da União
(TCU), Bruno Dantas, que também foi cotado na última vaga, ocupada por Flávio
Dino. Dantas mantém boa interlocução com o Senado e o Supremo, mas é
considerado menos provável neste momento.
Há
ainda uma pressão crescente por maior representatividade feminina no STF. Desde
a aposentadoria de Rosa Weber, Cármen Lúcia é a única mulher na Corte. Barroso
é um dos que defendem publicamente que o próximo nome seja feminino, mas,
segundo fontes próximas ao Planalto, Lula deve manter o foco na confiança
pessoal — especialmente após ter nomeado mulheres para o STJ e o STM
recentemente.
<><>
Decisão será tomada após retorno de Lula da Itália
De
acordo com a Folha de S.Paulo, a definição deve ocorrer logo após o retorno de
Lula da Itália, onde o presidente cumpre compromissos oficiais. Antes de
anunciar o nome, ele pretende conversar pessoalmente com Barroso. No Planalto,
há a avaliação de que o tema não deve se arrastar, para evitar pressões
políticas e corporativas.
Enquanto
o presidente não bate o martelo, Messias e Pacheco mantêm silêncio absoluto.
Ambos evitaram manifestações públicas sobre a aposentadoria de Barroso e
limitaram-se a enviar felicitações reservadas ao ministro.
Tudo
indica que a decisão final refletirá o mesmo padrão das escolhas anteriores:
Lula deve optar por quem ele confia plenamente, mantendo no Supremo um aliado
de sua linha política e institucional.
• Jorge Messias amplia diálogo com
evangélicos e busca apoio para chegar ao STF
Cotado
para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União,
Jorge Messias, tem intensificado as articulações políticas e religiosas para
consolidar sua possível indicação.
Messias,
um dos auxiliares mais próximos do presidente Lula, vem atuando para unir
apoios em campos distintos do meio evangélico — dos setores progressistas a
lideranças conservadoras. Essa estratégia tem chamado atenção por poder
resultar em um fato inédito na história do STF: a presença simultânea de dois
ministros declaradamente evangélicos.
<><>
Raízes religiosas e atuação na igreja
Natural
do Recife e criado em família evangélica, Messias mantém forte vínculo com a
Igreja Batista Cristã de Brasília, onde é membro ativo desde 2016. Lá, já
integrou o conselho fiscal e atua como diácono, função que envolve tarefas como
o apoio à Santa Ceia e a recepção de fiéis durante os cultos.
O
pastor da congregação, Sérgio Carazza — que foi secretário-executivo do
Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos na gestão da senadora Damares
Alves (Republicanos-DF) — destacou a fidelidade do ministro à comunidade:
“Messias é um evangélico raiz. Ele é de
esquerda conservadora, que defende os valores cristãos e os trabalhadores.
Sempre foi atuante e dizimista fiel, mesmo depois de se tornar ministro.”
<><>
Pontes com alas conservadoras e diálogo inter-religioso
Embora
ocupe posição de destaque no governo Lula, Messias tem conseguido manter um
diálogo respeitoso com líderes evangélicos próximos da direita. O pastor Silas
Malafaia, por exemplo, afirmou não ver motivos para rejeitar sua eventual
indicação:m “Não vou usar o mesmo critério da esquerda, de bombardear qualquer
um que for indicado. Minha divergência com ele é ideológica, mas não tenho nada
contra a moral dele.”
Além de
seu relacionamento com as chamadas “igrejas históricas”, como batistas e
presbiterianas, Messias também vem se aproximando do campo pentecostal. Desde
2023, ele participa da Marcha para Jesus, organizada pelo bispo Estevam
Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. No evento deste ano, foi aplaudido ao
afirmar que “ama o apóstolo Estevam” e entregou ao líder religioso uma carta em
nome do presidente Lula.
<><>
Apoio institucional e prestígio técnico
Entre
juristas e entidades cristãs, Messias é reconhecido por conciliar fé e rigor
jurídico. O professor Uziel Santana, diretor de assuntos internacionais da
Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (Anajure), elogiou sua trajetória:
“Messias sempre foi um excelente nome técnico, mas que fez questão de afirmar a
identidade evangélica. Isso é importante para nós.”
No
debate sobre o Plano Nacional de Educação, Messias se posicionou contra
tentativas de restringir o ensino religioso confessional em escolas católicas e
evangélicas, amparando-se em decisões do STF que permitem esse tipo de
atividade em instituições públicas.
<><>
Relação cordial com André Mendonça e o STF
A
eventual indicação de Messias reacende o debate sobre a representatividade
religiosa no Supremo. Caso seja confirmado, ele dividirá a Corte com André
Mendonça, também evangélico e indicado durante o governo Bolsonaro. Os dois
mantêm relação amistosa. Em um evento jurídico em Sergipe, Messias se referiu a
Mendonça como
“Uma pessoa por quem tenho muita admiração e
um amigo.”
O
advogado-geral também participou de conferências da bancada evangélica no
Congresso, em que declarou orar “pela vida de cada parlamentar”,
independentemente de divergências políticas.
<><>
Um elo entre Lula e o eleitorado evangélico
Dentro
do PT, Messias é considerado uma figura estratégica por conseguir transitar
entre o mundo jurídico e o religioso. No ano passado, participou de uma série
de vídeos da Fundação Perseu Abramo intitulada O que pensam os evangélicos
petistas, em que afirmou: “A laicidade do Estado é o que garante que minha fé
seja exercida com tranquilidade.”
O
pastor Cesário Silva, integrante do Movimento Evangélico Progressista (MEP),
elogiou a atuação do ministro e expressou apoio à sua nomeação: “Estamos, como
evangélicos, todos orando para que isso possa acontecer.”
<><>Um
perfil técnico com sensibilidade social
Jorge
Messias é hoje um dos auxiliares de maior confiança do presidente Lula. Sua
trajetória combina sólida formação jurídica, dedicação ao serviço público e
identidade religiosa afirmada — características que o colocam como um nome
capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade.
Com a
aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, o nome de Messias
ganha força novamente. Mais do que uma disputa por uma cadeira no STF, sua
eventual nomeação representa um gesto político de aproximação entre o governo e
o crescente público evangélico brasileiro.
• Deputado evangélico, Otoni de Paula
apoia Messias para o STF
O
deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor evangélico e integrante da
oposição, manifestou apoio público ao nome de Jorge Messias, atual ministro da
Advocacia-Geral da União (AGU), para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no
Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita em vídeo publicado em
suas redes sociais, relata Guilherme Amado, do PlatôBR.
De
Paula ressaltou que sua posição não é guiada apenas pela rivalidade política
com o governo. “Não é por que está sendo indicado pelo Lula que eu vou torcer
contra”, afirmou o parlamentar, defendendo a escolha de Messias como uma
oportunidade de aproximar o campo conservador de setores do Judiciário.
<><>
Messias como opção no Supremo
Jorge
Messias aparece entre os nomes mais cotados para a vaga no STF, principalmente
por ser figura de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e
também por sua identidade religiosa. Evangélico, ligado à Igreja Batista,
Messias poderia ajudar o governo a dialogar com uma base eleitoral que
historicamente se mostra resistente às pautas progressistas defendidas pelo
Palácio do Planalto.
Otoni
de Paula destacou justamente esse aspecto em sua fala: “O Jorge Messias, que eu
conheço bem, é crente. Ele é evangélico da Igreja Batista. E é crente mesmo, já
há muitos anos".
<><>
Críticas ao perfil progressista do Supremo
No
vídeo, o deputado explicou que seu apoio a Messias se baseia em derrotas
sucessivas do conservadorismo em pautas sociais dentro do Supremo. “Todas as
derrotas que nós tivemos no campo do conservadorismo, seja na questão de
aborto, seja em pautas familiares ou em outras pautas, nós perdemos na Justiça,
nós perdemos no Supremo, que é um Supremo altamente progressista".
A
declaração do parlamentar confronta a visão de parte do eleitorado evangélico,
que rejeita Messias por ele integrar um governo de esquerda. Otoni, no entanto,
relativizou essa leitura. “A direita é maior que o bolsonarismo e o
conservadorismo é maior que a direita”, afirmou. E completou: “Até na esquerda
você vai ter o conservadorismo, tá certo?”.
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário