Vitiligo:
doença não contagiosa que pode ser desencadeada ou agravada por fatores emocionais
Caracterizada
pela despigmentação da pele, que causa manchas brancas de tamanhos variados, o
vitiligo é uma doença autoimune que ainda gera muitas dúvidas na população.
Embora não exista dados epidemiológicos oficiais no Brasil sobre a disseminação
da doença, estima-se que ela afete cerca de 0,5% a 2% da população mundial,
seguindo esta média também aqui no país.
Para
trazer mais informações sobre o tema, a Inspirali, ecossistema que atua na
gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, convidou Nadire
Cristina Freire Pontes, dermatologista e professora na Universidade Potiguar –
UNP. Confira:
1. O
que é vitiligo?
O
vitiligo é uma doença de origem autoimune, caracterizada pela perda progressiva
da pigmentação da pele, formando manchas brancas, bem delimitadas e de tamanhos
variados. Isso acontece porque as células responsáveis pela produção de
melanina — os melanócitos — são destruídas. Trata-se de uma doença
relativamente comum nos consultórios dermatológicos, com uma distribuição
igualitária entre diferentes regiões, gêneros e etnias.
2. Qual
a causa da doença?
O
vitiligo tem origem multifatorial. Está relacionado principalmente a processos
autoimunes, nos quais o próprio sistema imunológico ataca e destrói os
melanócitos. Fatores genéticos, ambientais, estresse oxidativo e traumas na
pele (fenômeno de Köebner) também contribuem.
3. Em
quem ela costuma se manifestar?
O
vitiligo pode surgir em qualquer idade, gênero ou etnia, mas costuma se
manifestar principalmente antes dos 30 anos, embora possa surgir mais tarde.
Atinge igualmente homens e mulheres, e pessoas de todas as cores de pele —
embora seja mais visível em peles mais escuras.
4. É
uma condição genética?
Sim,
existe uma predisposição genética. Cerca de 20 a 30% dos pacientes têm
histórico familiar da doença. No entanto, ter um parente com vitiligo não
significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença, pois outros
fatores ambientais e imunológicos também estão envolvidos.
5.
Quais os sintomas?
O
principal sintoma é o surgimento de manchas brancas, bem delimitadas, que podem
aparecer em qualquer parte do corpo. Alguns pacientes relatam:
• Sensibilidade aumentada ao sol nas
áreas despigmentadas;
• Raramente: coceira ou leve
ardência no início das lesões;
Não
provoca dor, não descama e não causa sintomas físicos mais intensos além da
alteração na cor da pele.
6. Como
é feito o diagnóstico?
O
diagnóstico é clínico, realizado através do exame dermatológico. O médico
observa as características das manchas e pode usar uma lâmpada especial chamada
luz de Wood, que evidencia a ausência de melanina. Em casos duvidosos, pode ser
solicitada uma biópsia de pele, além de exames laboratoriais para investigar
doenças autoimunes associadas, como hipotireoidismo.
7. A
doença pode se desenvolver por questões psicológicas?
O
vitiligo não é causado diretamente por fatores emocionais, mas o estresse
físico ou psicológico pode atuar como gatilho para o surgimento ou agravamento
das lesões, especialmente em pessoas geneticamente predispostas. Portanto,
existe uma relação indireta entre fatores emocionais e o desenvolvimento ou
piora da doença.
8. Como
é feito o tratamento?
O
tratamento tem como objetivo controlar a doença, estimular a repigmentação e
melhorar a qualidade de vida. As opções incluem:
• Tratamentos tópicos com cremes/pomadas
de corticoides ou imunomduladores;
• Fototerapia;
• Cirurgias: enxertos de melanócitos em
casos muito selecionados;
• Tratamento sistêmico: com medicamentos
imunomoduladores em casos específicos;
• Camuflagem cosmética: maquiagem para
disfarçar as manchas;
• Suporte psicológico: extremamente
importante para lidar com o impacto emocional da doença.
9.
Vitiligo tem cura?
Não, o
vitiligo não tem cura definitiva até o momento, mas existem tratamentos que
controlam a progressão da doença e podem promover repigmentação parcial ou até
total em algumas pessoas.
10. A
doença causa algum tipo de limitação para a pessoa afetada?
Fisicamente,
o vitiligo não traz limitações funcionais. No entanto, o impacto psicológico e
social pode ser significativo, especialmente quando as manchas são muito
visíveis. Isso pode afetar a autoestima, relações sociais, profissionais e até
causar quadros de ansiedade e depressão em alguns pacientes.
11. É
uma doença contagiosa?
Não. O
vitiligo não é contagioso, não se pega pelo contato, pelo ar, por secreções ou
qualquer outro meio.
• Vitiligo pode ser controlado com
tratamento adequado
O Dia
Mundial do Vitiligo, celebrado anualmente em 25 de junho, foi criado, em 2011,
pela Organização das Nações Unidas (ONU), para despertar a conscientização
sobre a doença e combater o preconceito.
Conforme
o Ministério da Saúde (MS), a patologia atinge de 0,5% a 2% da população
mundial. No Brasil, são mais de um milhão de pessoas (0,54%). Theodoro
Habermann Neto, dermatologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), explica
que a doença é caracterizada pela despigmentação da pele. “São lesões, em
algumas regiões do corpo, de aparência esbranquiçadas, causadas pela diminuição
ou ausência de melanócitos, as células que produzem a melanina, que dá a cor da
nossa pele”, define.
Segundo
o MS, no Brasil o vitiligo acorre em 1,2% das pessoas brancas e 1,9% das
pardas/negras, configurando entre as 25 doenças dermatológicas mais frequentes
em todas as regiões do país. “A causa ainda não está bem definida, mas já
sabemos que fenômenos autoimunes, traumas emocionais, estresse e ansiedade
podem desencadear ou agravar a doença”, explica Habermann.
O
tamanho da lesão pode variar e acometer várias partes do corpo. “Normalmente,
os pacientes têm diminuição de sensibilidade na região afetada ou podem ter
dor. O vitiligo pode acometer a área segmentar (ou unilateral), ou seja, em
apenas uma parte do corpo, também podendo ocorrer em pelos e cabelos, que
acabam descoloridos; e a área não-segmentar (ou bilateral), que é o tipo mais
comum, que manifesta dos dois lados do corpo, por exemplo, duas mãos, dois pés,
dois joelhos, etc. Também pode surgir no nariz e na boca. A região afetada
perde a cor, em algumas fases há o aumento da lesão e em outras há a
estagnação. Esses ciclos podem correr durante toda a vida e a duração e as
áreas pigmentadas tendem a se tornar maiores com o passar do tempo”.
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Diagnóstico
Ao
suspeitar de alguma mancha mais clara pelo corpo, o ideal é procurar um
dermatologista. “O diagnóstico é feito clinicamente e, em alguns casos, é
preciso realizar uma biópsia, que é a retirada de um pedacinho da pele, para
confirma-lo. Exceto na borda da visão, que a gente faz um teste com a Lâmpada
de Wood, que é uma luz negra, específica para ajudar na detecção da doença em
pacientes com pele branca”.
Segundo
o dermatologista, exames de sangue também são comuns para avaliar se o vitiligo
tem alguma doença autoimune associada, como hepatite, doença de Addison e
problemas de tireoide. “Também é válido ressaltar que 30% dos pacientes têm
algum familiar que já apresentou a doença. Então, é muito importante procurar
um dermatologista habilitado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, que
possa dar o diagnóstico, fazer o melhor tratamento e a melhor investigação do
quadro”, ressalta.
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Tratamento
Embora
o vitiligo ainda não tenha cura, existem tratamentos bastante eficientes que
devem ser adotados de forma individualizada. “O foco é cessar o aumento das
lesões, estabilizando o quadro, e também promover a repigmentação da pele.
Existem medicamentos à base de cremes que estimulam a produção de melanina,
derivados da vitamina D e corticoides. Outra opção é a fototerapia, um banho de
luz, com radiação ultravioleta, que é indicado para todas as formas de vitiligo
com resultados muito bons, principalmente em lesões de face e tronco. Já o
ultravioleta com UVA também pode ser adotado, desde que sejam tomados todos os
cuidados com o risco de envelhecimento e câncer de pele. Há ainda tratamentos
com laser e técnicas cirúrgicas, como transplante de melanócitos”.
Segundo
Habermann, algumas medicações imunobiológicas estão em fase de pesquisa na
Europa e nos EUA e, em médio prazo, devem checar ao Brasil, representando mais
um importante avanço no tratamento. Para melhores resultados, a orientação do
dermatologista é para que o paciente com a doença tenha o acompanhamento
psicológico. “Sabemos que as lesões de pele impactam muito na qualidade de vida
e autoestima do paciente, por isso é importante que se tenha o suporte
psicológico de um profissional, o que irá contribuir, inclusive, para os
melhores resultados do tratamento e evitar que problemas como depressão e
ansiedade, por exemplo, interfiram na terapêutica adotada”.
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Sem receitas caseiras
O
médico chama a atenção para os ditos “medicamentos milagrosos”, que muitas
vezes são receitas dadas por pessoas leigas no assunto. “Podem levar a riscos
de queimadura, deixar as áreas ainda mais brancas e causar reações mais graves.
Portanto, o tratamento de vitiligo é individual, deve ser discutido sempre com
o dermatologista e cada caso é um caso, não se devendo passar uma coisa igual
para todos. Depende da característica de cada pele, de cada paciente, e os
resultados vão variar de uma pessoa para outra. Por isso, é importante procurar
um dermatologista para saber qual é o melhor controle da doença e qual a
repigmentação mais adequada”, orienta.
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Cuidados importantes
Para as
pessoas com histórico familiar da doença, algumas medidas podem ser adotadas.
Tais como observar periodicamente a pele, evitar o uso de roupas apertadas que
provoquem atrito e pressão sobre a pele, fazer uso diário de filtro solar e
manter o controle em situações de estresse.
Fonte:
Sáude & Bem Estar

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