terça-feira, 15 de julho de 2025

Miguel do Rosário: O tarifaço de Trump confirma a razão de ser dos BRICS

Foi um presente cobrir os desdobramentos das últimas semanas. Horas antes do presidente americano Donald Trump anunciar em suas redes sociais tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Felipe Barros (PL-RS), sugeriu uma moção de louvor ao presidente americano. Nada poderia ser mais irônico.

Mas talvez os partidos que apoiam o governo Lula, que defendem o multilateralismo e que apoiam os BRICS também devessem se juntar a essa iniciativa de louvor a Trump. Porque nada poderia ser melhor para fortalecer a causa do multilateralismo e consolidar os BRICS do que essas agressões de Donald Trump ao Brasil. Elas simplesmente mostram de forma cristalina a razão de ser dos BRICS, a razão pela qual aconteceu o encontro do Rio de Janeiro e a razão pela qual o bloco foi criado: justamente para criar uma rede de proteção geopolítica, diplomática e comercial dos países contra esse tipo de agressão que agora o Brasil está sofrendo.

Vale lembrar que não é só o Brasil que está sofrendo. O mundo inteiro enfrenta tarifas impostas pelos Estados Unidos que serão pagas pelos importadores e consumidores americanos, mas que evidentemente afetam os negócios e países do mundo inteiro. O Canadá, por exemplo, acaba de receber a notícia de que suas vendas para os Estados Unidos sofrerão tarifas de 25%, e o Canadá não é dos BRICS. É um país totalmente alinhado aos Estados Unidos. A mesma coisa acontece com o Japão e a Coreia do Sul.

<><> Tabela: Tarifas anunciadas por Trump em julho de 2025

País/Região | Tarifa | Data de Vigência
Brasil | 50% | 1º de agosto de 2025
Canadá | 25% | 1º de agosto de 2025
Japão | 25% | 1º de agosto de 2025
Coreia do Sul | 25% | 1º de agosto de 2025
Malásia | 25% | 1º de agosto de 2025
Cazaquistão | 25% | 1º de agosto de 2025
Tunísia | 25% | 1º de agosto de 2025
Argélia | 30% | 1º de agosto de 2025
Líbia | 30% | 1º de agosto de 2025
Iraque | 30% | 1º de agosto de 2025
Sri Lanka | 30% | 1º de agosto de 2025
*Países alinhados aos BRICS

<><> A resposta brasileira: três caminhos estratégicos.

Diante dessa escalada, o governo brasileiro não ficou parado. Segundo análises especializadas, Brasília está trabalhando em três frentes estratégicas para responder às pressões americanas.

O primeiro caminho é a diversificação de parcerias comerciais. O Brasil está intensificando as negociações do acordo Mercosul-União Europeia, que criaria um mercado comum de 700 milhões de pessoas. Simultaneamente, avançam conversas com Canadá, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Vietnã e Indonésia. O acordo com a EFTA (Islândia, Noruega, Liechtenstein e Suíça) também está próximo da finalização.

O segundo caminho aposta na narrativa e no desgaste político de Trump nos próprios Estados Unidos. A estratégia é explorar o “efeito rebote” das tarifas, que inevitavelmente aumentarão os preços para os consumidores americanos, especialmente de produtos como café – onde o Brasil fornece um terço do consumo americano.

O terceiro caminho, caso tudo mais falhe, é a retaliação direta. O Brasil possui desde abril de 2025 a Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo federal a retaliar países que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros. O presidente Lula já sinalizou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.

<><> BRICS+ consolidam alternativa multipolar.

Enquanto Trump escala sua guerra comercial, os BRICS+ consolidaram avanços significativos durante a Cúpula do Rio de Janeiro, realizada em 6 e 7 de julho. O bloco, que cresceu de cinco para onze membros plenos nos últimos dois anos, representa agora quase metade da população mundial e 40% da riqueza produzida no planeta.

Os principais avanços incluem a incubação da Iniciativa Multilateral de Garantias dos BRICS como projeto piloto no Novo Banco de Desenvolvimento, um instrumento para reduzir riscos de investimento e expandir a oferta de recursos. O Acordo de Reservas Contingentes também será revisado para reduzir a dependência do dólar americano, avançando no processo de desdolarização.

Pela primeira vez, a inteligência artificial entrou oficialmente na agenda BRICS, com defesa da regulamentação multilateral e da soberania digital. Na área de saúde, foi lançada a Parceria BRICS para Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, fortalecendo a cooperação entre os países membros.

<><> O paradoxo Trump: fortalecendo o que pretende combater.

A ironia da situação é evidente: ao tentar enfraquecer o Brasil e os BRICS através de pressões comerciais, Trump está acelerando exatamente o processo que pretende combater. As tarifas unilaterais demonstram na prática por que o mundo precisa de alternativas ao sistema dominado pelos Estados Unidos.

A China já se manifestou oficialmente contra as medidas, com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarando que “tarifas não devem se tornar ferramentas de coerção, intimidação ou interferência nos assuntos internos de outros países”. O acordo de swap de moedas Brasil-China, assinado em maio de 2025 no valor de R$ 157 bilhões, ganha ainda mais relevância neste contexto.

O Brasil emerge dessa crise não como vítima, mas como líder natural de uma resposta coordenada. A presidência brasileira dos BRICS em 2025 coincide com um momento histórico em que o mundo busca alternativas ao unilateralismo americano. As pressões de Trump, paradoxalmente, aceleram a construção da nova ordem mundial multipolar que o próprio Brasil ajuda a liderar.

O processo de desdolarização, ou seja, de emancipação do mundo da ditadura do dólar, segue seu curso inexorável. E Trump, sem perceber, tornou-se um dos seus principais catalisadores.

¨      Phillip Inman: O mundo deve estar mais cauteloso do que nunca com o crescente poder econômico da China

A China está usando todos os recursos à sua disposição para combater o bloqueio econômico de Donald Trump, e está funcionando.

O comércio está se recuperando após o grande impacto das tarifas abrangentes de Washington sobre as exportações de Pequim.

De acordo com a provedora de dados Macrobond e a consultoria Gavekal Dragonomics, sediada em Pequim, as exportações para os EUA caíram cerca de US$ 15 bilhões (£ 11 bilhões) em maio, mas aumentaram pela metade esse valor para outros países que negociam com os EUA. As exportações para países africanos também aumentaram acentuadamente.

Enquanto isso, autoridades chinesas estão prontas para fechar acordos para aprofundar a cooperação econômica com países que vão do Brasil e África do Sul à Austrália e Reino Unido.

A mais recente adição à crescente lista de conquistas da China ocorreu na semana passada, quando seu primeiro-ministro, Li Qiang, e o sitiado presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram uma série de acordos de cooperação , incluindo alguns que abrangem inteligência artificial (IA) e aeroespacial, consolidando ainda mais o esquema Cinturão e Rota de Pequim de investimentos vinculados .

É importante para todos que o poder e a influência da China estejam se expandindo porque os objetivos de seu regime autocrático minam os recursos econômicos e políticos do resto do mundo.

A China pode, por alguns, ser considerada a grande provedora, mas seu regime pseudocomunista é um ator maligno no cenário internacional, assim como a Rússia se tornou, e sua busca por maneiras de prosperar deve ser estritamente limitada.

Sem ações firmes, seu apetite voraz por recursos, informações e capital intelectual consumirá todos nós.

Há espiões em todas as grandes universidades, desviando informações para Pequim sobre novos desenvolvimentos e oportunidades de negócios. Quando propriedade intelectual e patentes podem ser hackeadas, elas são devidamente roubadas. Informações digitais são coletadas em grande escala e armazenadas em enormes bancos de dados, aguardando que avanços em IA permitam uma análise mais sistemática por parte das autoridades chinesas.

Pode parecer uma interpretação paranoica do funcionamento diário da China quando os britânicos olham para o próprio governo e acreditam que ele mal consegue fazer um ovo. A China, porém, é um lugar muito diferente.

Converse com autoridades locais e você notará rapidamente o quanto elas estão preocupadas com o básico, assim como em reafirmar o status pré-revolução industrial da China como a maior potência econômica do mundo.

Alimentar 1,4 bilhão de pessoas é uma tarefa diária e uma preocupação constante. Nada deve impedir o esforço para manter a economia atual em movimento e a missão de usurpar rivais como os EUA e transformar vizinhos em suplicantes.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, sabe disso antes de uma viagem a três cidades chinesas neste fim de semana para conversas sobre comércio e investimentos, e o secretário de energia do Reino Unido, Ed Miliband, entende o quão cuidadosamente ele deve agir ao considerar injeções de dinheiro e conhecimento chinês para construir novos parques eólicos offshore.

O que Pequim tem a oferecer é extremamente atraente. Não é apenas a desvalorização de 10% de sua moeda em relação ao dólar que torna suas exportações ainda mais baratas do que há alguns meses.

Ela tem produtos de infraestrutura digital com preços reduzidos que transformarão uma economia, uma oferta especialmente atraente para as nações em processo de industrialização que também estão sendo punidas pelas tarifas de Trump, como África do Sul, Brasil e Filipinas.

No período pós-pandemia de pânico que toma conta de grande parte do mundo, onde os custos para fazer qualquer tipo de melhoria estão crescendo e as dívidas governamentais estão aumentando, a China é um dos poucos grandes investidores fora do Oriente Médio com poder financeiro significativo.

Produtos baratos compensam pressões inflacionárias, enquanto investimentos tentadores atraem países que Pequim sabe que estão tendo dificuldades para cumprir promessas eleitorais.

Neste mundo turbulento, o Reino Unido, a UE e a Austrália podem se defender das demandas da China por maior acesso em troca de investimentos – principalmente acesso à informação digital. Podem usar uma linguagem educada ao dizer não. Ou podem citar a aliança da China com a Rússia se precisarem de uma desculpa mais contundente.

Pequim fornece à Rússia grande parte do que ela precisa em tempos de guerra em troca de petróleo barato. Dessa forma, a Rússia assumiu o status de pária.

Albanese afirma que retomará o porto de Darwin do controle chinês. Da mesma forma, Miliband deve bloquear o investimento chinês em infraestrutura energética do Reino Unido. E David Lammy, o secretário de Relações Exteriores, deve apoiar as objeções de planejamento à proposta de nova embaixada da China em Londres, que o Ministério da Defesa alertou que será uma enorme estação de espionagem.

Manter a China sob controle quando ela tem tanto a oferecer não será fácil. Ela paga os salários de professores universitários enviando dezenas de milhares de estudantes para o Reino Unido. Ela nos envia carros elétricos baratos e muito mais de seu vasto estoque de produtos elétricos e eletrônicos.

Isso não deveria ser desculpa para adotar uma atitude despreocupada e laissez-faire. Talvez não quiséssemos tomar partido. Não há problema com os povos da Rússia e da China, mas seus governos nos forçaram a ser mais independentes e a arcar com o impacto financeiro que isso acarreta.

¨      Tarifas anunciadas por Trump podem fortalecer relação entre Brasil e China, afirmam especialistas

Especialistas em relações internacionais dizem que as tarifas anunciadas por Donald Trump podem acabar fortalecendo ainda mais os laços do Brasil com a China. Os chineses já são o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009.

Distâncias são relativas, no mundo dos negócios. Enquanto os Estados Unidos se afastam do Brasil, a China se aproxima. Um caminho percorrido, em parte, sobre quatro rodas.

A importação de carros chineses pelo Brasil deu um salto em 2023 e atingiu US$ 1 bilhão. No ano passado, US$ 3 bilhões. Neste ano, só até junho, o valor já passa de US$ 2 bilhões.

Mas o desembarque não é mais só de carro pronto. Fábricas inteiras têm vindo da China para o Brasil.

E ocupando espaços que já foram de montadoras ocidentais — seja na Bahia, seja no interior de São Paulo.

Em São Paulo, a linha de produção será inaugurada no mês que vem, pouco mais de dois anos depois da venda do primeiro carro da marca no Brasil.

"Nossa estratégia sempre foi olhar o Brasil, começar a fazer as primeiras vendas, trazer novas tecnologias, mas também preparar uma estratégia para fazer do Brasil uma base de produção para o Brasil, para a América do Sul e para a América Latina", afirma Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais da GWM.

Investimento significa avanço nas relações entre dois países. É como se as duas partes assumissem um compromisso maior, para além da compra e venda de produtos.

E os chineses têm reforçado em ritmo acelerado o interesse pelo Brasil.

Em uma década, a China superou os Estados Unidos na quantidade de dinheiro investido aqui — principalmente em mobilidade, energia limpa e tecnologia.

Túlio Cariello, diretor do Conselho Empresarial Brasil-China explica que a China tem ocupado territórios que os Estados Unidos deixaram de lado.

"A América Latina acabou ficando um pouco à deriva, vamos colocar assim, nas prioridades de política externa americana. E nesse contexto, a China, por ter também uma proximidade ali de complementaridade muito grande com a América Latina — porque é uma região que fornece, por exemplo, insumos essenciais, commodities agrícolas, minerais, energéticas para a China —, essa aproximação é natural", detalha o diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China.

"Então eles têm buscado fortalecer muito também os laços diplomáticos com os países da América Latina, têm fortalecido também a sua presença de investimentos. Isso acaba tendo uma importância muito significativa para tornar mais eficiente a relação comercial entre a América Latina e a China no longo prazo", acrescenta.

Uma proximidade que, na avaliação de Alexandre Uehara, professor de Relações Internacionais, desagrada ao presidente Donald Trump.

Mas mesmo com novas taxas para os produtos brasileiros nos Estados Unidos, ele diz que o Brasil não deve fechar portas.

"Economicamente falando, de fato, não vejo que haja interesse para o Brasil se distanciar de nenhum dos dois, porque os dois são parceiros importantes tanto em termos de investimento como em termos de comércio. Eu entendo que, para o Brasil, é melhor que haja uma negociação, que a diplomacia avance e consiga resolver essas tensões", analisa Uehara, que é coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM.

¨      China irá investir bilhões no Brasil até 2032

O tarifaço imposto por Donald Trump a quase todos os países do mundo causou um furor econômico que não se via há muito tempo. Esse caos levou a maioria das nações afetadas a buscar alternativas para sustentar suas balanças comerciais. Os BRICS e principalmente a China, que detém a segunda maior economia mundial, vislumbraram o distanciamento dos EUA como uma oportunidade de fortalecer o sul global.

O Brasil, buscando fortificar o mercado interno, está usando o momento de crise para criar laços com Beijing, o principal parceiro comercial do Brasil, conquistando investimentos que abarcam setores-chave da nossa economia. A China responde por 28% do valor total exportado e por 41,4% do superavit comercial do nosso país e as áreas de mobilidade, energia renovável, tecnologia, mineração e semicondutores serão as mais desenvolvidas.

Ø  Confira as principais empresas que anunciaram invenstimentos no Brasil:

>>> GWM – Montadora

A Great Wall Motors (GWM) anunciou R$ 6 bilhões para expandir sua operação no Brasil entre 2027 e 2032, com o lançamento de dois novos modelos nacionais. O valor se soma aos R$ 4 bilhões já aplicados entre 2022 e 2025 para reativar uma fábrica em Iracemápolis (SP).

>>> Meituan – Delivery

Líder em entregas na China, a Meituan vai entrar no mercado brasileiro sob a marca Keeta, já presente em Hong Kong e na Arábia Saudita. O investimento supera R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos, com previsão de gerar cerca de 100 mil empregos indiretos. A empresa também deve instalar uma central de operações no Nordeste.

>>> Envision Energy – Energia renovável

A Envision Energy vai investir R$ 5 bilhões na construção do primeiro Parque Industrial Net-Zero da América Latina, no Rio de Janeiro. A unidade será voltada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio verde e amônia verde.

>>> CGN – Energia

A China General Nuclear (CGN) vai investir R$ 3 bilhões em um hub de energia renovável no Piauí. O projeto envolve geração eólica, solar e armazenamento, com capacidade prevista de até 1,4 GW e mais de 5 mil empregos na fase de construção.

>>> Mixue – Alimentação

A rede de fast food Mixue vai iniciar operações no Brasil com um investimento de R$ 3,2 bilhões. A empresa usará frutas brasileiras para produzir sorvetes e bebidas geladas como chás. A expectativa é abrir lojas começando por São Paulo e criar 25 mil empregos até 2030.

>>> Baiyin Nonferrous – Mineração

A mineradora Baiyin Nonferrous adquiriu a brasileira Vale Verde por R$ 2,4 bilhões, impulsionada pela alta demanda chinesa por cobre. A unidade poderá produzir anualmente:

  • 400 mil toneladas de cobre
  • 400 mil de chumbo e zinco
  • 15 toneladas de ouro
  • 500 toneladas de prata

>>> Longsys/Zilia – Tecnologia

A Longsys, por meio da subsidiária Zilia, vai investir R$ 650 milhões para ampliar as fábricas em Atibaia (SP) e Manaus (AM). O foco está na montagem de dispositivos eletrônicos, semicondutores e de memória (DRAM e Flash).

>>> DiDi/99 – Mobilidade e logística

A controladora do app 99, DiDi, anunciou R$ 1 bilhão para relançar o serviço de entregas 99Food e investir na eletrificação da frota. A empresa pretende instalar cerca de 10 mil pontos de recarga no país.

>>> Outras parcerias Brasil-China

Além dos investimentos diretos, há acordos estratégicos entre essas empresas:

  • Nortec Química + empresas chinesas: R$ 350 milhões em insumos farmacêuticos
  • Raízen + SAFPAC: Produção de combustível sustentável de aviação (SAF) na China
  • Fiocruz + Biomm: Produção nacional de insulina para até 16 milhões de brasileiros
  • ABES + ZGC: Cooperação em inteligência artificial, dados e capacitação
  • Eurofarma + Sinovac: Criação do Instituto Brasil-China de Biotecnologia

 

Fonte: O Cafezinho/The Guardian

 

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