Jason
Burke: Um cessar-fogo em Gaza parece estar próximo. Eis por que pode acontecer
agora
Após
quase 21 meses de guerra sangrenta, agora parece uma questão de quando, e não
se, um novo cessar-fogo dará uma pausa nos combates que devastaram Gaza,
desestabilizaram a região e horrorizaram espectadores do mundo todo.
Na
sexta-feira, Donald Trump disse esperar que o Hamas concorde em 24 horas com um
acordo já aceito por Israel. Analistas preveem um anúncio formal após a chegada
de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, a Washington na
segunda-feira, em sua terceira visita à Casa Branca desde que Trump
iniciou seu atual mandato.
Se um
novo cessar-fogo entrar em vigor, será o terceiro durante a guerra, na qual
cerca de 57.000 palestinos, a maioria civis, morreram.
A
primeira durou apenas 10 dias, em novembro de 2023. A segunda foi imposta a um
relutante Netanyahu por Trump em fevereiro deste ano e terminou em março , quando Israel
renegou a promessa de passar para uma segunda fase programada que poderia ter
levado ao fim definitivo das hostilidades.
Os
termos do novo acordo incluem a libertação escalonada de reféns mantidos pelo
Hamas; liberdade para centenas de palestinos em prisões israelenses; ajuda
desesperadamente necessária para Gaza; e a retirada gradual das forças
israelenses de algumas partes da faixa tomadas nos últimos meses.
Mais
uma vez, o cessar-fogo durará 60 dias, durante os quais serão realizadas
negociações sobre o que acontecerá em seguida. Trump e as potências regionais
estão oferecendo garantias para tranquilizar o Hamas de que Israel não retornará
simplesmente a uma ofensiva total e que discussões significativas sobre o fim
permanente da guerra realmente ocorrerão.
Um
fator que aproximou um novo cessar-fogo foi o breve conflito do mês passado
entre Israel e o Irã, que culminou em um cessar-fogo mediado pelos EUA. Isso
culminou em uma série de acontecimentos militares e políticos que enfraqueceram
seriamente Teerã e os vários grupos militantes que ela apoiava na região,
incluindo o Hamas.
Mais
importante é o impulso que Netanyahu deu. Embora as pesquisas registrem apenas
um ligeiro aumento no apoio ao seu partido Likud e em sua popularidade pessoal,
muitos israelenses, ainda assim, comemoraram o que foi visto como uma vitória
esmagadora sobre um adversário muito temido.
Se
Netanyahu levar a guerra em Gaza a um final que os eleitores considerem
bem-sucedido, ou pelo menos aceitável, Netanyahu poderá concorrer às eleições —
provavelmente no ano que vem — alegando ser o homem que tornou Israel mais
seguro do que nunca, mesmo que poucos tenham esquecido as falhas estratégicas e
de segurança que levaram ao ataque do Hamas em outubro de 2023, no qual
militantes fizeram 251 reféns e mataram 1.200, a maioria civis.
Até o
final deste mês, o parlamento israelense entrará em recesso de três meses e os
tribunais também não funcionarão, dando a Netanyahu um alívio da ameaça de um
voto de desconfiança ou de uma moção de dissolução, bem como da continuidade do
interrogatório em seu julgamento por corrupção. Isso mina as ameaças de
derrubar o governo feitas durante o conflito em Gaza por aliados da coalizão de
extrema direita, veementemente contrários a um acordo com o Hamas.
Pesquisas
de opinião sucessivas mostram que um acordo que traga os reféns de volta seria
muito popular entre os israelenses, o que também ajudaria Netanyahu nas
eleições. As baixas israelenses em Gaza – 20 soldados morreram em junho – também são
preocupantes. Uma pesquisa publicada pelo jornal israelense Maariv na
sexta-feira mostrou um novo impulso para o primeiro-ministro, com o aumento das
esperanças de um cessar-fogo.
Quanto
ao Hamas, analistas e fontes próximas aos seus líderes afirmam que a
organização militante islâmica está dividida, muito enfraquecida pela ofensiva
israelense em Gaza e ciente de que possui poucos aliados que possam ou queiram
oferecer apoio prático. O principal objetivo de seus líderes agora é manter
alguma presença em Gaza, mesmo que residual. Isso por si só já constituiria
alguma forma de vitória e explica em parte a determinação com que o Hamas busca
o fim permanente dos combates.
Ainda
não está claro se isso acontecerá. A mídia israelense foi informada por
"fontes próximas a Netanyahu" de que, se o Hamas não puder ser
desarmado em Gaza e seus líderes exilados do território devastado por meio de
negociações, Israel retomará as operações militares e que Washington apoiará
sua decisão de retornar à guerra. Muitos "próximos a Netanyahu"
também continuam a apoiar a emigração "voluntária" em massa de Gaza,
ou a realocação de grande parte de sua população para uma área no sul, ou
ambos.
Os
últimos dias têm sido agitados por vozes: americanas, israelenses, sauditas,
catarianas e muitas outras. Mal se ouvem as vozes dos 2,3 milhões de palestinos
em Gaza, onde a ofensiva israelense continua. Na sexta-feira, autoridades
locais e médicos disseram que ataques aéreos israelenses mataram 15 palestinos
no território e outras 20 pessoas morreram em tiroteios enquanto esperavam em
postos de alimentação.
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Contratado de ajuda humanitária em Gaza diz que viu
colegas atirarem em palestinos famintos
Um
ex-contratado de segurança dos novos e controversos centros de distribuição de
ajuda em Gaza — apoiados por Israel e pelos EUA — disse à BBC que testemunhou
colegas abrindo fogo diversas vezes contra palestinos famintos que não
representavam ameaça alguma, inclusive com metralhadoras.
Em uma
ocasião, ele relatou que um guarda disparou de uma torre de vigilância com uma
metralhadora porque um grupo de mulheres, crianças e idosos estava se afastando
do local muito lentamente.
Ao ser
questionada, a Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla
em inglês) afirmou que as alegações eram categoricamente falsas.
A
fundação encaminhou uma declaração dizendo que nenhum civil jamais foi alvo de
disparos nos centros de distribuição da GHF.
A
GHF iniciou suas operações em Gaza no
final de maio,
distribuindo ajuda limitada a partir de vários locais no sul e centro da Faixa
de Gaza. Isso ocorreu após um bloqueio total de 11 semanas imposto por Israel,
durante o qual nenhum alimento entrou no território.
O
sistema tem sido amplamente criticado por forçar um grande número de pessoas a
atravessar zonas de combate ativas até um número reduzido de centros. Desde o
início das operações da GHF, forças israelenses mataram mais de 400 palestinos
que tentavam obter ajuda alimentar nesses locais, segundo a ONU e médicos
locais. Israel afirma que o novo sistema de distribuição impede que a ajuda
chegue ao Hamas.
O
ex-contratado afirmou que, enquanto guardas atiravam contra um grupo de
palestinos em um dos centros da GHF, outro contratado no local, em pé sobre o
barranco com vista para a saída, disparou de 15 a 20 tiros com arma automática
contra a multidão.
"Um
homem palestino caiu no chão, imóvel. E então o outro contratado que estava ali
disse: 'Droga, acho que você acertou um'. E depois riram disso."
O
contratado, que falou sob condição de anonimato, disse que os gestores da GHF
minimizaram seu relato, tratando-o como coincidência, sugerindo que o homem
palestino poderia ter "tropeçado" ou estar "cansado e
desmaiado".
A GHF
afirmou que o autor das denúncias é um "ex-contratado insatisfeito"
que teria sido demitido por má conduta, o que ele nega. Ele mostrou
comprovantes de pagamento indicando que continuou recebendo salário por duas
semanas após deixar o cargo.
O homem
com quem conversamos, que disse ter trabalhado nos quatro centros de
distribuição da GHF, descreveu uma cultura de impunidade, com poucas regras ou
controles.
Ele
afirmou que os contratados não recebiam regras claras de engajamento nem
procedimentos operacionais padrão, e que um líder de equipe teria dito:
"Se você se sentir ameaçado, atire — atire para matar e pergunte
depois".
A
cultura da empresa, segundo ele, era como se "estivéssemos entrando em
Gaza, então não há regras. Faça o que quiser."
"Se
um palestino está se afastando do local e não demonstra nenhuma intenção
hostil, e mesmo assim estamos atirando tiros de advertência, estamos errados,
estamos sendo criminalmente negligentes", disse.
Ele
afirmou que cada centro tinha câmeras de vigilância monitorando a atividade na
área, e que a insistência da GHF de que ninguém havia sido ferido ou alvejado
era "uma mentira descarada".
A GHF
afirmou que os tiros ouvidos nas imagens compartilhadas com a BBC vinham das
forças israelenses.
Líderes
de equipe se referiam às pessoas de Gaza como "hordas zumbis", disse
o ex-contratado, "insinuando que essas pessoas não têm valor".
Ele
também relatou que palestinos estavam sendo feridos de outras formas nos
centros da GHF, por exemplo, atingidos por estilhaços de granadas de efeito
moral, com spray de pimenta ou empurrados pela multidão contra arame farpado.
Ele
disse ter testemunhado várias ocasiões em que palestinos pareceram ter se
ferido gravemente — incluindo um homem que levou uma lata inteira de spray de
pimenta no rosto e uma mulher que, segundo ele, foi atingida por uma peça
metálica de uma granada de efeito moral, disparada de forma inadequada contra a
multidão.
"Essa
peça metálica a atingiu diretamente na cabeça e ela caiu no chão, sem se
mover", disse ele. "Não sei se ela morreu. Sei com certeza que estava
inconsciente e completamente imóvel."
No
início desta semana, mais de 170 instituições de caridade e ONGs pediram o
encerramento da GHF. As organizações, incluindo Oxfam e Save the Children,
afirmam que forças israelenses e grupos armados "rotineiramente"
abrem fogo contra palestinos em busca de ajuda.
Israel
nega que seus soldados atirem deliberadamente em pessoas que recebem ajuda e
afirma que o sistema da GHF fornece assistência direta a quem precisa,
contornando a interferência do Hamas.
A GHF
afirma ter entregue mais de 52 milhões de refeições em cinco semanas e que
outras organizações "ficam impotentes enquanto sua ajuda é saqueada".
O
exército israelense lançou uma ofensiva em Gaza em resposta ao ataque do Hamas
em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e outras
251 feitas reféns.
Desde
então, pelo menos 57.130 pessoas foram mortas em Gaza, segundo o ministério da
saúde do território, controlado pelo Hamas.
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Número de mortos em Gaza é 65% maior que oficial, diz
estudo
Com a
entrada de jornalistas na Faixa de Gaza severamente
restrita pelos israelenses, a fonte de dados sobre o número de vítimas da guerra costuma ser o
Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas – e Israel sempre
rejeitou esses números, alegando que eles seriam exagerados. Agora, um estudo
independente mostra que a contagem real de mortos é provavelmente ainda maior
que os números oficiais.
Uma pesquisa conduzida pelo economista Michael
Spagat, do Royal Holloway College, da Universidade de Londres, estimou que, até
o início de janeiro deste ano, mais de 80 mil palestinos haviam sido mortos na
guerra de Israel em Gaza, 65% a mais do que os nomes que constam nas listas do
Ministério da Saúde local.
Para
Spagat, especializado em guerras contemporâneas e na contagem de vítimas de
conflitos, um dos aspectos importantes do seu trabalho é "lembrar-se de
cada vítima". Que os nomes dos mortos estejam pelo menos escritos em
listas, como o Ministério da Saúde de Gaza faz atualmente.
Ele
considera as listas oficiais "amplamente corretas" – mesmo que o
ministério seja controlado pelo Hamas, classificado como uma organização terrorista pela União
Europeia (UE), pelos Estados Unidos e outros países.
"O
Ministério da Saúde de Gaza lista os nomes dos mortos com seu número de
identificação, idade e sexo. Isso pode ser facilmente verificado", afirma.
Isso já
foi feito: em fevereiro, pesquisadores publicaram um estudo na revista
científica The Lancet que comparou obituários publicados em
redes sociais com as listas do Ministério da Saúde palestino, e chegaram à
conclusão que alguns nomes não haviam sido adicionados à lista oficial – ou
seja, havia nomes faltando. E concluiu que o número de mortos era provavelmente
maior do que o divulgado.
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Pesquisadores em campo em Gaza
Agora,
pela primeira vez, foi apresentado um estudo realizado de forma independente
sobre as listas de mortos publicadas pelo Ministério da Saúde em Gaza. Os
pesquisadores, liderados por Spagat, perguntaram aos moradores do território
palestino sobre os membros falecidos de suas famílias.
Para
fazer isso, eles estabeleceram uma colaboração com colegas do Centro Palestino
para Políticas e Pesquisas de Opinião (PCPSR), uma organização independente de
pesquisa, liderada pelo cientista político Khalil Shikaki, financiada por
fundações privadas e pela UE, entre outros. Ela é sediada em Ramallah, na Cisjordânia, mas também conta
com uma equipe experiente na Faixa de Gaza.
"Não
precisamos ser autorizados a entrar em Gaza. Já estávamos lá", diz Spagat,
explicando como os dados foram coletados na zona de guerra, onde – com exceção
de algumas organizações humanitárias – a autoridade israelense responsável
dificilmente permite a entrada de alguém. Israel vem proibindo a entrada de
jornalistas internacionais desde o início da guerra. "Felizmente, nenhum
de nossos pesquisadores em campo foi morto até agora. Todos os funcionários do
estudo estão vivos."
Os
pesquisadores em campo conversaram com uma amostra de 2 mil famílias,
representativa da população de Gaza antes do ataque terrorista do Hamas de 7 de
outubro de 2023, que levou à guerra conduzida por Israel.
Eles
não puderam entrar em áreas isoladas pelo exército israelense como zonas de
combate. No entanto, como grande parte da população de Gaza foi
deslocada,
os pesquisadores puderam conversar com pessoas em locais como o acampamento de
Al-Mawasi, onde estão ex-moradores do norte da Faixa de Gaza ou de Rafah.
O
estudo concluiu que, de 7 de outubro de 2023 a 5 de janeiro de 2025, o número
de mortes diretas pela guerra foi de cerca de 75.200. No mesmo período, o
número de mortos segundo o Ministério da Saúde de Gaza foi de 45.650. A
pesquisa indica, portanto, que o número real de mortes é 65% maior do que o
registrado nas listas oficiais.
Isso
significa que cerca de uma em cada 25 pessoas foi morta na Faixa de Guerra, que
tinha uma população de cerca de 2,3 milhões de habitantes no início da guerra.
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Mortes por desnutrição e doenças
A isso
se soma o número das chamadas "mortes indiretas da guerra", ou seja,
todas as pessoas que morreram em consequência da desnutrição ou de doenças
provocadas pelas circunstâncias da guerra – menos o número de pessoas que
teriam morrido de velhice ou doença independentemente da guerra. Os
pesquisadores estimam que as mortes indiretas da guerra somam 8.540 para o
período mencionado.
Esse
número é significativamente menor do que o anteriormente estimado. Um estudo
publicado na revista The Lancet em julho de 2024 havia projetado que, para cada
morte contabilizada, quatro mortes indiretas adicionais da guerra teriam que
ser adicionadas. As organizações humanitárias vêm alertando há meses que os
civis em Gaza podem morrer de desnutrição e doenças – falou-se em dezenas de
milhares de mortes indiretas da guerra.
Spagat
atribui o número mais baixo de "mortes indiretas" ao fato da
população de Gaza ser, em média, jovem e, antes da guerra, em grande parte
bastante saudável, devido a um bom sistema de saúde e à alta taxa de vacinação
"graças à ONU e a muitas organizações humanitárias".
Esse
número não é baixo em comparação com outras zonas de guerra. "Nossos
números mostram que as organizações humanitárias têm feito um ótimo trabalho em
manter a população viva até agora", afirma.
Ele
ressalta que o estudo foi realizado antes do bloqueio total de onze semanas
imposto por Israel às entregas de ajuda humanitária a Gaza. "A população de Gaza está desnutrida. Quando surgem
doenças, as coisas podem acontecer muito rapidamente. Mesmo que houvesse um
cessar-fogo na próxima semana e ele fosse mantido, o número de mortes indiretas
cresceria novamente. Nossos números não são definitivos."
O
estudo ainda não foi revisado de forma independente por pesquisadores que não
estiveram envolvidos nele. Trata-se de uma pré-impressão. Por esse motivo, os
números também não podem ser considerados definitivos. Mas as conclusões
coincidem com o estudo publicado anteriormente na Lancet, que verificou a lista
de nomes fornecida pelo Ministério da Saúde de Gaza.
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Mais de 30% das mortes diretas são de crianças e adolescentes
A
equipe de pesquisa de Spagat e Shikaki utilizou métodos diferentes, mas tinha
um objetivo semelhante. Eles queriam verificar se a instituição que conta
diariamente as novas mortes na Faixa de Gaza pode ser usada como referência
confiável.
"Mostramos
claramente que eles não estão exagerando o número de mortos. O estudo também
indica que eles fornecem um quadro realista da demografia das vítimas fatais. A
porcentagem de mulheres, crianças e idosos que calculamos corresponde com
bastante precisão aos números do Ministério da Saúde em Gaza."
De
acordo com o estudo, mais de 30% das mortes diretas são de crianças e adolescentes menores de 18
anos. Outros 22% são mulheres e cerca de 4% são pessoas com mais de 65 anos. A
maioria dos mortos são homens de 15 a 49 anos. Isso significa que os
combatentes foram realmente alvos?
"Não",
responde Spagat. "Nas guerras, os jovens são sempre os mais propensos a
serem mortos." Assim como o Ministério da Saúde de Gaza, o estudo não faz
distinção entre combatentes e civis.
"Teríamos
colocado nossos pesquisadores de campo em risco se eles tivessem perguntado se
havia membros do Hamas morando na casa." Eles poderiam ser considerados
suspeitos de serem agentes do serviço secreto israelense, de acordo com Spagat.
Portanto, esses dados não foram coletados.
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100 mil mortos até hoje – um número difícil de imaginar
Ele
enfatiza: "Temos um número muito grande de crianças pequenas mortas, o que
é fora do comum". Ele hesita em fazer comparações, mas "em Gaza, 4%
da população foi morta. Não vimos isso em nenhuma outra guerra no século
21".
Se
extrapolarmos os números do estudo de Spagat e Shikaki para os dias de hoje,
chegaríamos rapidamente a 100 mil mortos. Um número difícil de imaginar, por
trás do qual estão os nomes e as histórias de pessoas.
Conhecemos
algumas delas, como a família al-Najjar. As crianças Yahya,
Rakan, Ruslan, Jubran, Eve, Rivan, Saydeen, Luqman e Sidra foram mortas em 23
de maio em um ataque aéreo israelense em Khan Yunis. Sua mãe sobreviveu porque
estava de plantão no hospital como médica. O único sobrevivente do ataque foi
seu filho Adam, de onze anos. O pai das crianças, o também médico Hamdi
al-Najjar, morreu alguns dias depois.
Fonte: The Guardian/BBC News/DW Brasil

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