terça-feira, 15 de julho de 2025

Governo Lula e Centrão se unem contra tarifaço de Trump e isolam Bolsonaro e seus cúmplices

Após semanas de tensão política em torno da crise provocada pela taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo Lula e o Centrão encontraram terreno comum para reagir ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ameaça de retaliações comerciais a partir de 1º de agosto realinhou posições no Congresso e provocou o isolamento de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que insistem em vincular a retirada das sanções à aprovação de uma anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O movimento de aproximação entre o Palácio do Planalto e lideranças do Congresso ocorre após meses de atritos. Diante do impacto do tarifaço americano e da reação nacional, o embate deu lugar a um discurso de defesa da soberania nacional.

“Acho que já ampliou o leque de apoio ao governo, aproxima setores econômicos refratários, desgasta, como nunca, o bolsonarismo e refaz a relação harmoniosa entre Poderes”, afirmou o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A leitura predominante no Congresso é que a ofensiva de Trump enfraquece o discurso dos aliados de Bolsonaro e empurra o centro político para um campo de unidade nacional. Ainda assim, líderes do PP, MDB, União Brasil e PSDB avaliam que esse alinhamento é circunstancial e tende a se desmanchar com o arrefecimento da crise.

Mesmo entre os pragmáticos do Centrão, o discurso bolsonarista tem gerado desconforto. O líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), foi direto:

“O que me chama atenção é essa capacidade de entreguismo do bolsonarismo. Eles colocam o boné [do Trump] e, ao mesmo tempo, se enrolam na bandeira do Brasil. É a definição de oportunismo. Houve esse alinhamento do governo com o centro, sim. Houve um sentimento de unidade. Quem tem sentimento de patriotismo tem que se unir. Eu acho que isso vai reacender essa unidade em defesa do Brasil.”

<><> Agenda em disputa e nova rodada de votações

O realinhamento político ocorre em meio a uma semana legislativa agitada. Nesta segunda-feira, a Câmara vota a revisão nas regras de licenciamento ambiental. O projeto, que flexibiliza critérios ambientais, é visto como derrota para a ministra Marina Silva e para a ala ambientalista do governo. Em contrapartida, ministérios como o da Casa Civil, Transportes, Agricultura e Minas e Energia defendem o texto, alegando que ele permitirá acelerar obras de infraestrutura.

O governo ainda não definiu posição oficial sobre o projeto. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), segue em negociação com as bancadas. Mesmo se for aprovado, o texto ainda depende de sanção presidencial. Lula poderá vetar total ou parcialmente o projeto, mas o Congresso pode reverter sua decisão.

A proposta já havia sido aprovada pelo Senado em maio, com atuação direta de Alcolumbre, que incluiu uma emenda criando a “Licença Ambiental Especial (LAE)”. O dispositivo permite autorizações simplificadas para obras consideradas “estratégicas”, mesmo que gerem significativa degradação ambiental. Organizações ambientais acusam o modelo de abrir margem para decisões políticas sobre projetos sem viabilidade ecológica.

Além disso, duas iniciativas importantes serão analisadas nas comissões nesta semana: a PEC da Segurança Pública, defendida pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, relatado por Arthur Lira (PP-AL).

A proposta de isenção deve ter um impacto fiscal de R$ 27 bilhões anuais. Lira ainda busca formas de compensar essa perda de receita, mas o governo vê na medida uma oportunidade para ampliar sua popularidade entre os trabalhadores formais.

Apesar das incertezas, líderes políticos avaliam que a crise com os EUA pode marcar o início de um esvaziamento do capital político de Bolsonaro e seus aliados, com efeitos sobre a corrida presidencial de 2026. Como observou um dirigente do União Brasil, “a política muda rápido, mas ninguém vence defendendo outro país contra o seu”.

<><> Lula cresce nas pesquisas até entre bolsonaristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem registrado crescimento em sua popularidade não apenas nas pesquisas de opinião contratadas pelo Palácio do Planalto, mas também em levantamentos internos do Partido Liberal (PL), legenda comandada por Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pela coluna da jornalista Bela Megale, no jornal O Globo.

De acordo com o conteúdo publicado nesta segunda-feira (14), o presidente Lula obteve um crescimento de aproximadamente dois pontos percentuais no último mês nas pesquisas eleitorais estaduais que chegaram ao comando do PL. O avanço ocorre após a adoção, pelo governo federal, de uma retórica mais enfática contra a elite econômica, reforçada pelo discurso de “ricos contra pobres”, e pela resposta direta ao tarifaço implementado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu segundo mandato.

<><> Efeito do tarifaço preocupa bolsonarismo

Segundo a reportagem de Bela Megale, a leitura predominante dentro do PL é de que esse crescimento de Lula tem um “teto” e que a tendência é que ele não ultrapasse variações modestas. O objetivo da cúpula bolsonarista é evitar pânico entre aliados e militantes da extrema-direita diante da reação positiva ao presidente.

Nos bastidores, contudo, o impacto político das medidas protecionistas de Trump é motivo de apreensão no PL. A dúvida que paira sobre os aliados de Bolsonaro é o quanto o tarifaço do presidente norte-americano pode repercutir negativamente na popularidade da direita no Brasil, já que Bolsonaro e seus correligionários sempre buscaram associação direta com Trump.

<><> Lula ganha fôlego no momento de embates internacionais

A reação de Lula ao tarifaço, combinada à defesa da soberania brasileira e da justiça social, parece ter sido bem recebida em setores do eleitorado mais sensíveis a questões econômicas. O movimento pode fortalecer o presidente justamente em redutos onde tradicionalmente enfrenta mais resistência, incluindo bases eleitorais ligadas ao bolsonarismo.

O levantamento mencionado na reportagem evidencia que, mesmo entre eleitores que orbitam em torno da extrema-direita, o discurso de enfrentamento ao protecionismo internacional e de defesa dos interesses nacionais tem potencial de gerar dividendos políticos para Lula. Esse novo cenário abre um capítulo relevante para as próximas disputas eleitorais, pressionando a oposição a buscar novas estratégias de mobilização.

<><> Trump recua e diz que está aberto a negociações comerciais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (14) que está aberto a discussões com parceiros comerciais antes que as tarifas mais altas aplicadas unilateralmente por sua própria administração entrem em vigor, em 1º de agosto, observando que as autoridades da União Europeia estão a caminho dos Estados Unidos para conversas. A informação foi divulgada pela agência Reuters.

"Eles gostariam de fazer um tipo diferente de acordo e estamos sempre abertos a conversar, inclusive com a Europa. Na verdade, eles estão vindo para cá. Eles gostariam de conversar", disse Trump, após ameaçar aplicar tarifas unilaterais contra o Brasil, México, Canadá e países da UE. 

A declaração surge em meio a um encontro entre o presidente dos EUA e o secretário-geral da aliança militar ocidental, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, no Salão Oval da Casa Branca. 

Trump intensificou sua guerra comercial nos últimos dias, incluindo em suas ameaças também as potências econômicas asiáticas Japão e Coreia do Sul.

Contudo, segundo a Reuters, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, admitiu que o próprio Trump "queria ver acordos melhores" para evitar as novas tarifas.

¨      PT reforça ao STF pedido de cassação de Eduardo Bolsonaro após tarifa dos EUA

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou nova petição no Supremo Tribunal Federal (STF) reforçando o pedido de cassação do mandato do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O documento, enviado após o anúncio de tarifas de 50% pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, sustenta que o parlamentar atua de forma deliberada contra o Estado brasileiro.

Na petição, o partido solicita que o Supremo adote as “providências necessárias para responsabilização de Eduardo Bolsonaro, bem como que sejam tomadas as medidas necessárias, junto à Câmara dos Deputados, para que se promova a cassação de seu mandato de deputado federal”.

Eduardo Bolsonaro é investigado em um inquérito autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar possível tentativa de obstrução de investigações e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A PGR aponta que o deputado teria feito declarações públicas e postagens em redes sociais nas quais defende que o governo dos Estados Unidos imponha sanções a ministros do STF e outras autoridades brasileiras.

Desde março nos Estados Unidos, Eduardo se licenciou do cargo de deputado federal e passou a manter contato com parlamentares norte-americanos para tratar da situação política brasileira. De acordo com o PT, ele vem tentando vincular a superação da crise diplomática entre os dois países a uma “anistia ampla, geral e irrestrita em favor dos crimes cometidos por Jair Messias Bolsonaro, investigados no inquérito”.

Na semana passada, Trump anunciou a aplicação da tarifa de 50%, citando diretamente, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o processo que corre no STF contra Jair Bolsonaro, que classificou como uma “caça às bruxas”. Esse episódio foi incluído na nova notícia de fato apresentada pelo PT ao Supremo, que menciona as “recentes condutas do Sr. Eduardo Nantes Bolsonaro, relacionadas à recente situação instaurada entre os Estados Unidos da América e o Brasil, no que tange às tarifas comerciais impostas pelo Presidente Donald J. Trump contra o Estado brasileiro”.

Para o partido, Eduardo está agindo “ostensivamente” para interferir nas apurações no Brasil. O documento afirma que ele atua “contra as instituições democráticas do próprio país”, que o elegeu “com a única finalidade de prejudicar a apuração de crimes cometidos por seu pai e seus aliados”.

O PT também cita postagens recentes feitas por Eduardo Bolsonaro em redes sociais voltadas ao público internacional, em que pede sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. No texto da petição, o partido afirma: “Com efeito, é inaceitável a vandalização à soberania nacional e o Estado de Direito brasileiro, praticada por Eduardo Bolsonaro. Inclusive, trata-se de um verdadeiro acinte considerar que o noticiante ocupa cargo de deputado federal, membro do Congresso Nacional, e, ainda assim, promove tamanha humilhação para a sua pátria”.

Diante disso, o partido reitera que sejam adotadas as “providências criminais necessárias” e considera “imprescindível a adoção de medidas que levem à cassação de seu mandato parlamentar”.

Esse pedido se soma a outras ações do PT contra o deputado. Na semana passada, a sigla já havia protocolado petição complementar ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados com o mesmo objetivo. O líder do partido na Casa, Lindbergh Farias, também solicitou a prisão de Eduardo Bolsonaro e a inclusão de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro no inquérito que tramita no Supremo.

<><> Eduardo Bolsonaro diz que não volta ao Brasil e confirma que vai abandonar o mandato

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (14) pelo Estado de S. Paulo, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) confirmou que não pretende regressar ao Brasil neste momento. A declaração ocorre poucos dias antes do fim do prazo de sua licença da Câmara dos Deputados. Segundo ele, a decisão de permanecer nos Estados Unidos inclui abrir mão de seu mandato parlamentar.

Eduardo afirmou que sua permanência fora do país está diretamente ligada à atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. “Por ora eu não volto. A minha data para voltar é quando Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender... Eu estou me sacrificando para levar adiante a esperança de liberdade”, disse o parlamentar.

Segundo o deputado, retornar ao Brasil agora significaria se submeter a um suposto “regime de ameaças” por parte do Judiciário, o que, em sua visão, inviabiliza o exercício pleno de seu mandato. “Se for o caso de perder o mandato, vou perder o mandato e continuar aqui. O trabalho que estou fazendo aqui é mais importante do que o trabalho que eu poderia fazer no Brasil”, afirmou.

Ainda de acordo com a entrevista, o deputado considera que já não depende do cargo para continuar atuando politicamente fora do Brasil: “eu não preciso mais de um diploma de deputado federal para abrir portas e os acessos que tenho aqui”.

<><> “É um desrespeito comigo”, afirma Dudu Bananinha após Tarcísio tentar negociar com os EUA

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou duramente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por tentar negociar com os Estados Unidos para reverter a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo classificou a movimentação do governador como um “desrespeito”.

“O Tarcísio utilizou os canais errados. O filho do presidente está nos Estados Unidos. O Tarcísio não tem nada que querer costurar por fora uma decisão que provavelmente vai chegar a mais um acordo caracol. O Tarcísio tem que entender que o filho do presidente está nos Estados Unidos e tem acesso à Casa Branca”, disse. Na última sexta-feira (11), Tarcísio de reunir com um representante do governo dos Estados Unidos para tratar sobre as tarifas pelo governo de Donald Trump.

“O Tarcísio utilizou os canais errados. O filho do presidente está nos Estados Unidos. O Tarcísio não tem nada que querer costurar por fora uma decisão que provavelmente vai chegar a mais um acordo caracol. O Tarcísio tem que entender que o filho do presidente está nos Estados Unidos e tem acesso à Casa Branca”, completou.

Apesar da avaliação de líderes da direita de que o tarifaço pode ser um “tiro no pé” da oposição, Eduardo sustenta que não houve erro no movimento. “Nenhum arrependimento. O que não é benéfico para o país é continuar jogando velinha na cadeia, é continuar ligando para o presidente do partido quando tem que votar a manutenção de prisões de Daniel Silveira. Para resolver o problema tem que atuar na causa, e a causa é institucional. Ou o Brasil se comporta como uma democracia, ou vai ser de 50% a mais”.

Eduardo Bolsonaro também indicou que não pretende retornar ao Brasil, ao menos enquanto não houver sanções ao ministro Alexandre de Moraes por parte do governo norte-americano. Ele admitiu que pode renunciar ao mandato caso não haja alternativa. “Muito provavelmente [vou abrir mão do mandato]. Eu não vejo a possibilidade de eu voltar, porque se eu voltar, eles chamam para me prender”, afirmou.

Eduardo afirmou ainda que sua prioridade não é a opinião pública, mas sim exercer pressão direta sobre Moraes. “Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes. Se o Moraes entende que vale a pena trancar a velinha de 70 anos na cadeia, tratando como terrorista, condenados a 14, 15, 16 anos, é o preço que o país vai pagar. Não depende mais de mim. Eu não tenho poder sobre o Trump, acho que nem a esposa dele tem poder sobre ele”.

Embora aliados busquem uma solução regimental que permita o exercício remoto do mandato, Eduardo é claro ao dizer que sua permanência no exterior depende exclusivamente da pressão internacional sobre o STF. Ele vê no pacote de sanções e tarifas uma forma legítima de interferência para conter o que chama de autoritarismo institucional no Brasil. 

“O foco é no Moraes. [...] Se a lei Magnitsky for aplicada, já existe margem para você aplicar por além do Moraes. Ele pode aplicar para cima da esposa do Moraes, para cima do Fábio Schorr, para cima de outras autoridades brasileiras. Então, se as autoridades brasileiras quiserem se apresentar e antever esse caso de caos para elas próprias, individualmente, é providencial que elas leiam a carta do Trump e ajam rápido para desarmar essa bomba.”

Sobre sua possível candidatura à Presidência, Eduardo reconheceu a possibilidade de ser preso pela sua atuação para interferir nas investigações contra seu pai.“Só se o Moraes for sancionado. Senão não tem como. Se eu voltar pro Brasil hoje, eu sou preso. Mas eu acho que tem esperança dele ser sancionado e a gente conseguir ter sucesso”, concluiu.

¨      Lindbergh denuncia Flávio e Bolsonaro por obstrução da justiça, associação criminosa e atentado à soberania

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), protocolou neste domingo (13) uma petição complementar no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando o aprofundamento das investigações contra a família Bolsonaro no Inquérito 4995 — que apura a organização de atos golpistas ligados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. O documento requer a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como investigados por crimes como coação no curso do processo, obstrução de Justiça, atentado à soberania nacional, ataque à liberdade de magistrado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa.

A petição reforça ainda o pedido de prisão preventiva do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), já investigado, sob alegação de novos elementos de prova que indicam sua liderança em ações externas para desestabilizar o Supremo e blindar os responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro. Lindbergh acusa o parlamentar de operar como lobista da extrema direita internacional, buscando apoio nos EUA para enfraquecer instituições brasileiras.

Segundo o petista, o trio Bolsonaro protagoniza uma “nova fase do golpe”, travestida de chantagem econômica. Ele cita as recentes tarifas anunciadas por Donald Trump contra o Brasil como parte de uma estratégia orquestrada para pressionar o STF e tentar anistiar golpistas. Lindbergh também aponta como escandalosa a declaração de Flávio Bolsonaro à CNN Brasil, sugerindo que a suspensão das tarifas dependeria de anistia aos envolvidos nos atos golpistas — o que, segundo o deputado, configura uma tentativa de barganha com a soberania nacional.

“A estratégia é clara: pressionar o Judiciário de fora para dentro, usando o discurso patriótico como fachada para interesses estrangeiros”, afirmou Lindbergh em nota à imprensa. “Não estamos diante de simples discursos, mas de uma guerra híbrida com quintas-colunas infiltradas nas instituições.”

O parlamentar ainda solicitou ao STF a adoção de medidas cautelares como suspensão de passaportes, restrição de contatos com autoridades estrangeiras, monitoramento eletrônico e limitação das movimentações políticas e diplomáticas dos envolvidos. “O Brasil não é colônia. O Supremo não é refém. E a Constituição não será rasgada por chantagens vindas de fora ou de dentro”, concluiu.

¨      Câmara rejeita pressão de Trump, se afasta de Bolsonaro e engaveta anistia após tarifaço

O Projeto de Lei da Anistia, que propõe o perdão a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, deve continuar parado na Câmara dos Deputados. A proposta, que vinha sendo articulada por aliados de Jair Bolsonaro (PL), não tem perspectiva de avanço neste semestre, conforme avaliação de lideranças do Centrão ligadas ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo a coluna da jornalista Tainá Falcão, da CNN Brasil, parlamentares deste grupo consideram inoportuno misturar a discussão da anistia com o recente agravamento da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, após o presidente estadunidense, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Com isso, cresceu entre os deputados a defesa de que a negociação com a Casa Branca seja conduzida exclusivamente pelo governo federal, nas esferas diplomática e econômica.

O Palácio do Planalto, por sua vez, já anunciou a criação de um comitê interministerial que terá a tarefa de formular uma resposta oficial à medida adotada por Trump ainda nesta semana.

Enquanto isso, uma versão alternativa do PL da Anistia segue sendo discutida. De acordo com a reportagem, as negociações envolvem Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o próprio Bolsonaro. A proposta revisada prevê a exclusão de dois agravantes das penas aplicadas a participantes dos atos golpistas, o que poderia permitir a eles o cumprimento de penas em regime aberto ou semiaberto.

O novo texto, no entanto, limitaria a anistia apenas aos que estiveram fisicamente na Esplanada dos Ministérios no dia dos ataques, deixando de fora os financiadores e autores intelectuais dos crimes. Apesar disso, deputados bolsonaristas já articulam um destaque para tentar incluir Jair Bolsonaro entre os possíveis beneficiários da medida.

Antes do agravamento da crise com os Estados Unidos, a oposição esperava conseguir votar o projeto ainda neste semestre. Agora, porém, mesmo seus defensores admitem que será difícil fazê-lo avançar no atual cenário.

 

Fonte: Brasil 247

 

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