segunda-feira, 7 de julho de 2025

Direita gasta mais que o dobro da esquerda no Congresso e ainda fala em austeridade, revela Carlito Neto

Os partidos de direita gastam mais que o dobro do que os de esquerda com verbas parlamentares. A constatação é de um levantamento inédito do cientista político e historiador Carlito Neto, que sistematizou dados públicos da Câmara dos Deputados no aplicativo “De Olho no Congresso”, prestes a ser lançado. A proposta visa permitir que qualquer cidadão consulte, em poucos cliques, os gastos de cada parlamentar.

“A direita adora discursar sobre cortar gastos, mas é ela quem mais torra o dinheiro público. Hoje, para saber quanto gastou com passagem, você tem que passar por um labirinto no site da Câmara. A ideia é facilitar o acesso e transformar cada brasileiro em um fiscal do dinheiro público”, explicou Carlito Neto, em entrevista à TV GGN.

<><> De Olho no Congresso

A expectativa é de que o aplicativo De Olho no Congresso seja lançado ainda neste mês. O objetivo, segundo Carlito, é expor a hipocrisia de quem pede corte no Bolsa Família enquanto voa de primeira classe com o dinheiro do povo. “Não vamos lançar com erro, porque eles vão usar isso para descredibilizar a ferramenta. Mas em breve o povo vai poder ver quem gasta, com o que, e quanto”, garantiu.

No levantamento, Carlito comparou os quatro principais partidos de direita (PL, Republicanos, PP e União Brasil), com quatro siglas da esquerda (PT, PSB, PDT e PSOL). “Até o momento, em 2025, os partidos de direita gastaram R$ 53.773.773,10 com cota parlamentar. Já os partidos de esquerda gastaram R$ 22.375.504, menos da metade”.

Outro ponto destacado pelo cientista é o uso do termo “centro” como verniz de “moderação”. Para ele, essa tentativa de se apresentar como força neutra já não engana mais ninguém, sobretudo quando serve apenas para maquiar uma atuação que, na prática, atende aos interesses da elite e se volta contra a população mais pobre.

“Centrão não é centro. É direita que bate no pobre 90% do tempo. Esses 10% que eles dizem que não estão batendo é justamente quando estão articulando para continuar batendo com mais força depois. O bolsonarismo moderado é aquele que só tortura, mas não mata. Talvez o Tarcísio seja só machista, e não misógino. Só racista, e não transfóbico”, ironiza.

A hipocrisia, segundo Carlito, se estende ao discurso de “austeridade fiscal” adotado por parlamentares que acumulam gastos escandalosos com benefícios pessoais. Como exemplo, citou Ciro Nogueira (PP), Arthur Lira (PP) e Hugo Motta (Republicanos), que, juntos, gastaram R$ 566 mil apenas com três despesas pontuais em 2025, entre jatinhos, passagens e redes sociais. “Esse valor dava para manter mil famílias no Bolsa Família por um mês. A direita quer BBB de imposto: bilionários, bancos e bets de fora”.

•        SENTIU: Motta propõe revisão de isenções e admite reduzir emendas em acordo sobre IOF

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu nesta sexta-feira (4) uma solução negociada para o impasse sobre o aumento do IOF e acenou com medidas como a revisão de isenções fiscais e possível corte em emendas parlamentares.

A fala veio após o ministro do STF Alexandre de Moraes suspender os decretos do Executivo que elevaram o imposto e marcar audiência de conciliação entre governo, Congresso, PGR e AGU para o dia 15. Até lá, valem as alíquotas anteriores à alta.

Em entrevista à CNN, Motta afirmou que o Congresso não está em confronto com o governo e negou que o Legislativo seja “contra os mais pobres”. Disse ainda que benefícios fiscais precisam ser repensados com base em sua eficácia econômica.

“O Congresso foi contra o aumento de impostos. Precisamos discutir revisão de isenções e, se necessário, cortar emendas. Não há espaço para um Congresso intocável”, afirmou.

<><> Hugo Motta e as críticas

Sobre críticas recebidas nas redes sociais, Motta minimizou: “Se forem políticas, não me incomodam. A sociedade entende que o Congresso quer evitar que o brasileiro pague mais imposto”.

Motta também reforçou que o Legislativo já aprovou medidas sociais importantes, como o crédito consignado e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, e destacou a disposição do presidente Lula para o diálogo.

Alexandre de Moraes justificou sua decisão afirmando que há dúvidas sobre a finalidade do decreto do Executivo, que, segundo o Ministério da Fazenda, teria impacto de bilhões na arrecadação. Para o ministro, o caso gerou um “indesejável embate” entre Executivo e Legislativo.

•        Ausente na taxação dos ricos, Motta assume protagonismo para proteger elite econômica

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), evitou se posicionar em outubro de 2024 durante a votação de uma das principais iniciativas para estabelecer a justiça fiscal no país: a criação de um imposto sobre grandes fortunas.

A ausência do deputado na análise da emenda apresentada pela federação PSOL-Rede combina com sua atuação ativa, em junho de 2025, para derrubar o decreto presidencial que elevava a alíquota do IOF sobre aplicações financeiras, uma medida que afetaria principalmente os mais ricos.

Na ocasião, a emenda da federação PSOL-Rede foi rejeitada por ampla maioria: 262 votos contrários e 136 favoráveis. Apenas PT, PCdoB, PV e PSB orientaram suas bancadas a favor da medida, enquanto o governo liberou seus parlamentares para votar como quisessem. O Centrão e a oposição se unificaram para barrar a proposta, que previa incorporar o imposto no projeto de regulamentação da reforma tributária. Motta, embora presente nos bastidores, não registrou voto e não articulou apoio.

O contraste se evidenciou meses depois, quando Motta liderou a sessão que derrubou o decreto do Executivo para aumentar o IOF para investidores. A medida era defendida pelo Ministério da Fazenda como alternativa para reforçar a arrecadação sem penalizar os mais pobres. O presidente da Câmara não apenas pautou a votação como votou pela revogação, contribuindo para uma derrota estratégica do governo Lula.

A omissão de Motta diante da proposta de taxação das grandes fortunas, seguida de sua liderança para barrar a elevação do IOF, reforça a percepção de que sua presidência na Câmara favorece uma agenda legislativa alinhada aos interesses da elite econômica. Crítico da elevação de tributos para os investidores e ausente em iniciativas de justiça fiscal, o deputado paraibano tornou-se símbolo de um Congresso que protege os privilégios dos mais ricos enquanto mantém a carga sobre a maioria da população.

<><> Motta e os interesses de setores empresariais

A derrota da emenda também escancarou a força do bloco conservador em pautas tributárias. O Centrão — com partidos como Republicanos, União Brasil, PSD, PP e MDB — se uniu à oposição para rejeitar a proposta. Do lado do governo, a base aliada abriu mão de orientar o voto, deixando a iniciativa sem articulação para reverter o placar.

No comando da Câmara, Hugo Motta mantém a tradição do Centrão de atuar como fiador dos interesses do mercado e de setores empresariais. Seu histórico recente mostra envolvimento em projetos para restaurar benefícios parlamentares, como o acúmulo de aposentadorias, e negociações políticas que priorizam agendas econômicas conservadoras. A combinação entre sua omissão em votações cruciais e sua liderança para barrar medidas que atingem os mais ricos evidencia o desalinhamento do parlamento com as demandas de maior justiça fiscal.

Com isso, o Congresso segue blindando as elites e dificultando qualquer redistribuição tributária, aprofundando a percepção de um Estado que mantém privilégios para poucos às custas da maioria.

•        Irritado por ser tratado como ‘inimigo do povo’, Motta quer pautar anistia para golpistas

Apesar de dizer que busca o entendimento com o Executivo, após a decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou tanto o aumento do IOF quanto a decisão da Câmara contra o decreto do governo, Hugo Motta (Republicanos-PB) continua irritado com a campanha nas redes sociais que o rotulou como “inimigo do povo”. Ele culpa o governo pelo apelido e planeja uma represália em conjunto com os bolsonaristas: quer pautar ainda este mês o projeto de anistia para os golpistas do 8 de Janeiro.

A intenção do presidente da Câmara é discutir o assunto já na segunda-feira (7), em reunião com reprsentantes da oposição. Na pauta também estará a decisão do Supremo sobre o aumento do IOF.

Políticos próximos a Hugo Motta têm alertado, no entanto, que o deputado deve ter muito cuidado  com essa estratégia, para não provocar o miistro Alexandre de Moraes, do STF. Também citam o risco de voltar a fazer crescer a onda de críticas nas redes, que tende a arrefecer no fim de semana.

Entre os governistas, a possibilidade de o presidente da Câmara pautar um projeto alternativo de anistia foi bastante criticado.

“É preciso continuar e ampliar a mobilização de rua e de rede. Pressão política em cima do Congresso”, diz o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). “Taxar os super-ricos não pode, aumentar o número de deputados, pode. Anistia para golpistas, pode também. Isso é o retrato daquilo que mantém esse país injusto, desigual, protegendo bilionários e sacrificando o povo”.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) recorda outro momento ruim do presidente da Câmara. “No discurso de posse, Hugo Motta lembrou do filme ‘Ainda estou aqui’ e disse defender a democracia. Mas na primeira grande reação popular e democrática às decisões do Congresso, tomou um lado: o dos golpistas”, destaca Sâmia. “Além disso, para quem disse buscar equilíbrio, mostra na verdade que está disposto a ampliar a tensão entre os poderes, ao buscar reverter as decisões do Supremo”.

Segundo informações do G1, o presidente da Câmara trabalha em um texto alternativo, que garanta punição a quem invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes, mas suavizando as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que chegam a 17 anos de prisão.

Dessa forma, Motta evitaria um confronto direto sobre o tema com o Judiciário e agradaria a oposição, que tem a pauta como prioritária. Além disso, um meio termo pode ganhar a adesão de parlamentares que, hoje, são contrários a uma anistia geral e irrestrita.

“Bora pra cima com pedagogia, consciência política, pé no chão e conversando com todo mundo. Rua e rede”, incentiva Henrique Vieira.

•        Motta, Alcolumbre e Barroso usam aviões da FAB para ir a Festival de Parintins

 Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, além do ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), usaram aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir ao Festival de Parintins, no Amazonas, no último final de semana.

O decreto de 2020 que regula as viagens permite o uso das aeronaves pelos presidentes de Senado, Câmara e STF, além de ministros do governo e comandantes militares. O Ministério da Defesa também pode liberar os voos para outras autoridades.

As regras preveem que as solicitações podem ser feitas para atendimento de emergência médica, por razão de segurança ou por motivo de viagem a serviço. Diferentes autoridades, porém, costumam usar os voos em compromissos que não são diretamente ligados às suas funções e que nem sempre aparecem nas agendas oficiais.

De acordo com os registros da FAB, Sabino, Motta, Alcolumbre, o corregedor-geral do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Mauro Campbell, e outras cinco pessoas dividiram uma aeronave para ir de Brasília ao festival, na sexta-feira (27). Na volta para a capital federal, no domingo (29), a aeronave transportou 20 pessoas.

Sabino, Motta e Alcolumbre foram recebidos em Parintins pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) e pelo prefeito Mateus Assayag (PSD). Em entrevista a uma rádio local, Braga disse ter conseguido R$ 17 milhões das três autoridades para recapear a pista do aeroporto e brincou ter sido esse “o grande prêmio” do festival neste ano.

“Ano que vem, vocês não querem vir nesse jato da FAB bonito para o festival? Então arrumem R$ 17 milhões para a gente recapear a pista do aeroporto porque a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] está querendo interditar. Já arrancamos um compromisso público”, disse Braga na entrevista, em meio a risos do trio.

Parlamentares de outros estados e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também foram a Parintins no fim de semana. Durante a sessão do Senado de terça (1º), o líder do partido, senador Efraim Filho (PB), mencionou a vitória do Boi Garantido.

“Meu caro presidente Davi Alcolumbre, parabenizo a vitória do seu Garantido no Festival de Parintins. O estado do Amazonas fez uma brilhante festa”, disse.

“Vi o seu entusiasmo, vi a sua vibração, vi a sua torcida e é mais do que merecido você poder celebrar essa grande vitória do Garantido, que, ao lado do Caprichoso, deu um show para quem é turista, como eu.”

<><> Barroso diz ter ido a reunião com presidente do TJ

A assessoria do Ministério do Turismo disse que os voos foram solicitados pelo Senado e pela Câmara e que a pasta apoia institucionalmente o evento, “responsável por injetar mais de R$ 180 milhões na economia local, além de promover a valorização da cultura amazônica e estimular o turismo na região Norte do país”.

Alcolumbre e Motta não informaram ter tido nenhum compromisso oficial em Parintins.

A assessoria de imprensa do presidente do Senado disse que o uso de aviões da FAB atende a recomendações de segurança e segue a previsão legal para deslocamentos de chefes de Poder. O senador acrescentou que tem orgulho de divulgar o Festival de Parintins.

“O presidente tem orgulho em defender, prestigiar e divulgar o Festival Folclórico de Parintins, que foi oficialmente reconhecido como manifestação da cultural nacional, valorizando e preservando as ricas tradições culturais amazônicas do nosso país”, disse o presidente do Senado.

Em relação a Barroso, os registros da FAB indicam que ele deixou Brasília na quinta (26) e passou em Rio Branco, capital do Acre, antes de ir para Parintins. Após o festival, foi para São Paulo.

Questionado, o presidente do STF afirmou que tem ido a todos os estados para reuniões com presidentes de tribunais e discussões sobre o funcionamento do Poder Judiciário. O magistrado disse que, no caso do Tribunal de Justiça do Amazonas, o encontro com o presidente, desembargador Jomar Fernandes, ocorreu em Parintins.

“Em lugar de ir a Manaus, como o presidente do tribunal estaria em Parintins, o ministro aproveitou a ocasião para a conversa e para prestigiar uma importante festa popular. O ministro também esteve na cidade a convite do governador [Wilson Lima]”, disse o presidente do STF em nota.

O corregedor-geral do CNJ e o presidente da Câmara foram procurados, mas não houve resposta. Em um vídeo publicado por Sabino nas redes sociais, Motta relatou que estava em Parintins pela primeira vez, a convite do ministro.

O presidente da Câmara também recorreu à FAB para uma maratona de festas juninas. Em 13 de junho, solicitou uma aeronave para participar da abertura oficial da festa de São João de Petrolina, em Pernambuco, ao lado de Alcolumbre e do prefeito do Recife, João Campos (PSB).

De acordo com a FAB, no dia seguinte, o avião fez uma parada em Salvador, na Bahia, antes de retornar para Brasília, onde Motta se reuniu com o presidente Lula (PT) após uma semana de duras reações ao pacote fiscal anunciado pelo governo.

Logo após a reunião, no próprio dia 14, a aeronave fez o trajeto reverso e voltou de Brasília para Petrolina, com uma parada em Salvador. De Petrolina, o presidente da Câmara seguiu para Campina Grande, no estado dele, Paraíba. Segundo a FAB, outras 10 pessoas estavam com o deputado no voo.

O presidente do Senado também acompanhou Motta no evento de Campina Grande ao lado dos senadores paraibanos Efraim e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

A FAB não disponibiliza a lista de passageiros nem o motivo de cada deslocamento, apenas a autoridade atendida, o número de pessoas transportadas, as cidades envolvidas e os horários de decolagem e pouso. Motta não explicou o motivo da parada em Salvador nem se manifestou sobre as viagens de junho.

Em abril, a Folha mostrou que o governo Lula passou a emprestar ao STF desde 2023 aeronaves da FAB para viagens dos ministros da corte, argumentando razões de segurança devido a ameaças recebidas após os ataques golpistas de 8 de janeiro.

 

Fonte: Jornal GGN/FolhaPress/ICL Notícias

 

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