Um
mês da condenação: veja em que fase está processo de Bolsonaro por tentativa de
golpe de Estado
A
condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete réus por tentativa de golpe de
Estado completa um mês neste sábado (11). No Supremo, o processo está etapa de
elaboração do documento que formaliza a decisão da Primeira Turma.
Esse
documento, chamado de acórdão, reúne os votos dos ministros e um resumo da
decisão. Após a publicação, começa o prazo para que os advogados dos réus
apresentem recursos.
Só
então as prisões poderão ocorrer.
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Recursos
As
defesas vão analisar o conteúdo da decisão conjunta dos ministros. O
posicionamento de cada magistrado será decisivo para definir as estratégias
jurídicas contra o resultado.
Normalmente,
os recursos não alteram o resultado já definido. No entanto, dependendo dos
argumentos apresentados, os advogados podem pedir o chamado efeito modificativo
— que pode reduzir as penas ou até extingui-las, em casos como o de prescrição.
Veja
abaixo os tipos de recursos que podem ser apresentados:
▶️Embargos infringentes: esse recurso é
permitido quando a decisão dos ministros não é unânime, ou seja, há votos
divergentes.
Ficou
conhecido no julgamento do Mensalão. Para que seja aceito, é preciso que pelo
menos dois ministros tenham votado pela absolvição — o que não aconteceu neste
caso. Mesmo assim, a defesa pode apresentar o pedido.
A
decisão sobre aceitar ou não cabe ao relator. Se ele rejeitar, os advogados
podem pedir que o tema seja analisado pela Primeira Turma.
▶️ Embargos de declaração: são julgados pela
própria Primeira Turma e servem para apontar contradições ou trechos da decisão
que ficaram confusos. Em geral, não mudam o resultado. Mas, em alguns casos, o
STF admite mudanças — como redução da pena ou até extinção da punição.
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Cumprimento da pena
Quando
estiverem esgotadas as chances de recurso, a condenação vai se tornar
definitiva. A partir daí, além da execução da pena, serão aplicadas as
determinações da Primeira Turma, como:
▶️ o pagamento, em conjunto, de uma indenização
de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
▶️ a perda dos cargos de delegado da Polícia
Federal para Anderson Torres e Alexandre Ramagem.
▶️ a perda do mandato de deputado federal por
Alexandre Ramagem, devido à condenação ao regime fechado em prazo superior a
120 dias (limite máximo de faltas). A declaração da perda deve ser feita pela
Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
▶️ a comunicação do STF ao Superior Tribunal
Militar (STM) para que o tribunal decida sobre a "declaração de
indignidade do oficialato". Com isso, Bolsonaro, Augusto Heleno, Paulo
Sérgio Nogueira, Braga Netto e Almir Garnier podem perder os postos e patentes
nas Forças Armadas.
▶️ a aplicação de "dias-multa": valor
que o condenado precisa pagar também como pena por conta dos crimes.
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Prisão domiciliar
Bolsonaro
está em prisão domiciliar desde o início de agosto, mas ainda não cumpre pena.
Isso só acontecerá quando não houver mais possibilidade de recorrer da decisão.
Atualmente,
o ex-presidente está preso por suspeita de tentar interferir no processo que
investiga a tentativa de golpe contra a democracia.
De
acordo com a Polícia Federal, há indícios de que Bolsonaro tentou pressionar
autoridades brasileiras com ajuda do governo dos Estados Unidos. A ação teria
contado com o apoio do deputado Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo
Figueiredo.
• Defesa admite prisão de Bolsonaro em
regime fechado em novembro
A
defesa de Jair Bolsonaro (PL) já admite que ele poderá ser transferido para um
presídio em regime fechado no início de novembro, informa Lauro Jardim, do
jornal O Globo. A expectativa é de que o Supremo Tribunal Federal (STF)
determine a execução da pena em breve, encerrando a atual fase de prisão
domiciliar.
O
sábado (11) marcou um mês da condenação de Bolsonaro e de outros sete réus pela
tentativa de golpe de Estado, lembrou o g1. No Supremo, o processo está na
etapa de elaboração do acórdão, documento que consolida os votos dos ministros
e resume a decisão da Primeira Turma. Após a publicação, começa a contagem do
prazo para que as defesas apresentem recursos, e somente então poderá ser
decretada a prisão em regime fechado.
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O caminho jurídico até a prisão
Entre
os recursos possíveis, estão os embargos de declaração, usados para apontar
contradições ou trechos obscuros da decisão. Em regra, não mudam o resultado,
mas em alguns casos já levaram a reduções de pena ou até extinção da punição.
Já os embargos infringentes só seriam admitidos se ao menos dois ministros
tivessem votado pela absolvição — o que não ocorreu neste julgamento. Ainda
assim, as defesas podem apresentar o pedido, cabendo ao relator decidir se
aceita ou não.
Mesmo
com a possibilidade de recorrer, especialistas avaliam que dificilmente esses
recursos modificarão a condenação já definida pela Primeira Turma do STF. A
tendência é que apenas retardem o cumprimento da pena.
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Determinações da condenação
Quando
não houver mais chance de recurso, a sentença se tornará definitiva. Além da
prisão, a decisão prevê:
• pagamento solidário de R$ 30 milhões por
danos morais coletivos;
• perda de cargos na Polícia Federal de
Anderson Torres e Alexandre Ramagem;
• cassação do mandato de deputado federal
de Ramagem, em razão de pena superior a 120 dias;
• comunicação ao Superior Tribunal Militar
para que decida sobre a “indignidade do oficialato”, o que pode levar
Bolsonaro, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e Almir Garnier a
perderem postos e patentes nas Forças Armadas;
• aplicação de dias-multa como pena
adicional.
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Prisão domiciliar e investigações paralelas
Bolsonaro
está em prisão domiciliar desde agosto, mas ainda não cumpre a pena definida
pela Primeira Turma do STF. Essa execução só terá início após o esgotamento dos
recursos. Atualmente, ele está preso preventivamente por suspeita de tentar
interferir nas investigações sobre a tentativa de golpe contra a democracia.
Segundo
a Polícia Federal, há indícios de que Bolsonaro tentou pressionar autoridades
brasileiras com apoio do governo dos Estados Unidos. A ação teria contado com a
participação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo
Figueiredo.
Com a
conclusão do acórdão e o fim da etapa de recursos, a expectativa de
transferência de Jair Bolsonaro para um presídio em regime fechado no início de
novembro já é tratada como praticamente inevitável nos bastidores jurídicos.
• Filipe Martins e ex-assessor de
Bolsonaro obedecem Moraes após ministro ameaçar destituir defesas
O
ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, e o coronel da
reserva Marcelo Câmara, também ex-auxiliar do ex-presidente, recuaram e
apresentaram neste sábado (11) suas alegações finais no âmbito do inquérito da
trama golpista.
Os dois
só cumpriram a determinação após o ministro Alexandre de Moraes, relator do
caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ameaçar destituir suas defesas por
“manobra procrastinatória” e comportamento “inusitado”. Moraes havia
determinado que a Defensoria Pública da União assumisse o caso, mas voltou
atrás e deu mais dias de prazo para os réus apresentarem as alegações.
Em
despacho publicado na quinta-feira (9), o ministro afirmou que as defesas de
Martins e Câmara “admitiram a intenção de procrastinar o feito”, o que
configuraria “litigância de má-fé”. Para Moraes, os advogados Eduardo Kuntz e
Jeffrey Chiquini tentaram atrasar o fim da instrução processual com o objetivo
de empurrar o julgamento.
“O
comportamento das defesas dos réus é absolutamente inusitado, configurando,
inclusive, litigância de má-fé, em razão da admissão da intenção de
procrastinar o feito, sem qualquer previsão legal”, registrou o ministro na
decisão.
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Defesas tentam inverter papéis
Mesmo
após a reprimenda, os advogados voltaram a insistir no discurso de perseguição
judicial. Filipe Martins, representado por Chiquini, afirmou em suas alegações
finais ser vítima de lawfare e pediu a anulação do processo, alegando supostas
“ilegalidades” e prisão preventiva baseada em uma “viagem inexistente” aos
Estados Unidos.
Já o
coronel Marcelo Câmara, defendido por Kuntz, negou integrar uma organização
criminosa e disse não ter participado de qualquer plano de “neutralização” de
autoridades. Câmara é acusado de envolvimento no plano de assassinar o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o
próprio Alexandre de Moraes.
Em
nota, o advogado sustentou que a defesa foi “regularmente constituída” e que
pretende “adotar as providências cabíveis para permanecer nos autos, no
exercício intransigente da independência profissional”.
“Esta
defesa técnica, regularmente constituída, informa que adotará as providências
cabíveis para permanecer nos autos, no exercício intransigente da independência
profissional, com respeito às garantias constitucionais e pela Corte”, afirmou
Kuntz.
A
versão dos réus, no entanto, se choca com o conjunto de provas reunidas pela
investigação, que indica que ambos integravam o chamado núcleo 2 da tentativa
de golpe, o mesmo grupo acusado de espalhar desinformação sobre as urnas
eletrônicas e atacar instituições democráticas.
O STF
começa na terça-feira (14) o julgamento do núcleo 2 da tentativa de golpe. O
primeiro núcleo, considerado o centro da tentativa de golpe de Estado, já teve
seus réus condenados, incluindo o próprio Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos
e três meses de prisão.
• Na vaga do STF, Lula deve priorizar um
nome que resista ao golpismo
Em meio
à campanha por diversidade para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso
no Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula tem adotado uma postura de
extrema cautela, buscando um nome que seja, acima de tudo, “verdadeiramente
confiável”. A hesitação atual do presidente reflete uma autocrítica profunda
sobre escolhas passadas que se revelaram decepcionantes em momentos cruciais.
A
ex-juíza Luciana Bauer, em depoimento ao GGN, destrinchou essa questão. O
presidente reconhece que alguns de seus indicados, como José Antônio Dias
Toffoli, então seu assessor e posteriormente Ministro do STF, falharam em
momentos decisivos. O episódio em que Toffoli impediu que Lula assistisse ao
funeral de seu irmão durante o auge do lavajatismo é uma ferida que o
presidente “jamais esqueceu nem perdoou”.
“Mais
do que ressentimento pessoal, Lula carrega a autocrítica de ter nomeado
ministros que, em momentos decisivos, se deixaram seduzir pela pressão popular
e pelo discurso punitivista da Operação Lava Jato, por exemplo”.
Para
Bauer, Lula entende que “um juiz constitucional não pode se submeter ao clamor
das ruas, porque sua missão é representar a voz serena e firme da
Constituição”.
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A pressão por gênero e o “nome à prova de golpismos”
Tudo
indica que, neste momento, Lula deve optar por um homem, reservando a
prioridade de nomear uma mulher para as vagas que se abrirão em breve. Sua
principal exigência é um nome que seja “à prova de golpismos, um juiz que não
sucumba à máquina de moer direitos do Judiciário, como aconteceu durante a Lava
Jato”.
Os
nomes mais fortes no entorno do presidente refletem essa busca por lealdade
institucional e resistência:
• Rogério Favreto (Desembargador do
TRF-4): Lembrado por ter tentado, de forma legal, autorizar um Habeas Corpus
(HC) em favor da prisão ilegal de Lula, um gesto que lhe custou perseguição por
toda a estrutura lavajatista.
• Jorge Messias (Atual Advogado-Geral da
União-AGU): Tido como um nome que tem um histórico de fidelidade a Dilma e a
Lula, demonstrando a confiança necessária em momentos de crise.
Apesar
da preferência por um nome que “resista ao golpismo”, a juíza também levantou
ao GGN nomes femininos e de confiança, como o da desembargadora Kenarik
Boujikian e o da ministra do STJ Daniela Teixeira.
A lista
de excelência para a cota feminina, segundo Bauer, é, de fato, robusta, e o
nome da ministra substituta do TSE, Vera Araújo, surge como uma “ótima escolha
para representar as mulheres brasileiras negras, que nunca tiveram assento” no
Supremo.
A
indicação de uma mulher ganha ainda mais força em um momento em que a cobrança
de entidades pela paridade de gênero no STF é crescente, intensificada após a
saída da Ministra Rosa Weber e a permanência de apenas uma mulher na Corte.
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A cobrança de entidades por nomes femininos
Em um
manifesto pela paridade e contra a sub-representação feminina na Suprema Corte
(que atualmente tem apenas uma ministra), entidades jurídicas e civis sugeriram
publicamente uma lista com sete nomes de mulheres para a vaga de Barroso.
A nota
foi emitida em conjunto pelo Fórum Justiça, rede que atua pela democratização
do sistema de Justiça no Brasil; pela plataforma Justa (centro de pesquisa que
atua no campo da economia da Justiça); e pela Themis, entidade que defende o
acesso das mulheres à Justiça e a igualdade de gênero.
Entre
elas, destacam-se:
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Nomes sugeridos pelas entidades
Daniela
Teixeira Ministra do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), citada como nome de prestígio no entorno de Lula.
Kenarik
Boujikian Desembargadora aposentada do
TJ-SP, apontada como nome de respeito e confiança de Lula.
Maria
Elizabeth Rocha Ministra e
ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), primeira mulher a presidir a
Corte.
Vera
Lúcia Santana Araújo Ministra Substituta
do TSE, um dos poucos nomes de mulheres negras no alto escalão do Judiciário.
Carmen
E. L. Ferreira Juíza do Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Flávia
Piovesan Professora de Direito
Constitucional, referência em Direitos Humanos e ex-integrante da OEA.
Heloísa
Helena Barboza Desembargadora do
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
O certo
é que, desde os episódios em que integrantes do STF pisaram na Constituição
Federal para acobertar o maior escândalo judiciário do país, a Lava Jato, Lula
quer mais do que um nome técnico. Quer um nome que garanta o compromisso
irrestrito com o Estado Democrático de Direito, e que seja uma referência
inabalável na Corte.
Fonte:
g1/Brasil 247/Fórum/Jornal GGN

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