terça-feira, 14 de outubro de 2025

Maria Luiza Falcão Silva: De assessor a refém - a odisseia de Tarcísio de Freitas

Não é que eu esteja com pena do Tarcísio — longe disso. Mas há algo de tragicômico na trajetória desse homem que começou como assessor obediente, cumpridor de ordens e adulador contumaz de Dilma Rousseff, para depois se reinventar como ministro de Bolsonaro, arauto da privatização, e finalmente chegar ao posto de governador de São Paulo — um cargo que imaginou ser a antecâmara do Planalto.

Foi rápido, meteórico — e já parece em declínio.

De técnico discreto a mascote do bolsonarismo, Tarcísio se adaptou a cada chefe com o zelo de quem muda de farda conforme a tropa. A imagem dele na garupa da moto de Bolsonaro, acelerando pelas ruas, continua inesquecível: o símbolo perfeito da subserviência que se travestiu de bravura.

E, quando a onda parecia eterna, lá estava ele, orgulhoso, usando o boné vermelho do “Make America Great Again” — versão tupiniquim do “Deus acima de todos”. Defendeu o “America First” com fervor, como se o Brasil fosse uma filial mal gerida do império. Donald Trump, Jair Messias Bolsonaro, Benjamin Netanyahu: eis o triângulo moral em que Tarcísio buscou inspiração — e no qual naufragou.

<><> Da planilha ao populismo

A ironia é que o “técnico exemplar”, o “engenheiro que entrega obras”, hoje parece não conseguir entregar nem segurança nem coerência. O Estado que ele prometeu gerir com eficiência empresarial virou um laboratório de caos. A capital financeira do país está dominada por facções criminosas, e os paulistanos, esses “empreendedores do asfalto”, vivem sob o império de quadrilhas que decidem desde o preço da gasolina até o destino de bebidas falsificadas que já mataram dezenas.

Tarcísio acreditou que bastava trocar o capacete de engenheiro pelo terno de político para governar o Brasil como se fosse uma planilha de Excel. Mas o cálculo não fecha: a planilha que ele preencheu em Brasília era a dos contratos públicos; agora é a planilha da morte, com números de vítimas do metanol e do crime organizado subindo a cada semana.

Aquele que se vangloriava de “não ser político” tornou-se justamente o pior tipo de político — o que faz pose de técnico enquanto acena para o extremismo. Aprendeu rápido a arte de bajular: adulou Bolsonaro como antes adulava Dilma. E se adaptou a cada novo chefe com a flexibilidade moral de quem muda de partido como quem troca de crachá.

<><> O governador que teme o próprio Estado

Hoje, Tarcísio se diz “preocupado com o crime organizado”, mas evita pronunciar as três letras proibidas: PCC. Fala em “mercado ilegal”, “problemas de fiscalização”, “desafios da segurança”, qualquer coisa — menos o nome do verdadeiro poder paralelo que o enfrenta.

O ex-ministro do “Brasil que dá certo” agora comanda o estado que dá medo. E o silêncio diante das mortes por envenenamento não é apenas covardia: é cálculo político. Falar demais pode desgastar o mito da eficiência. Afinal, como admitir que o governador modelo da direita foi engolido pelo submundo da própria economia que idolatra — a do lucro acima da vida?

<><> O lobista de luxo e a derrota da MP do IOF

Nos últimos dias, Tarcísio encontrou um novo papel: o de articulador dos ricos.

Quando o governo federal apresentou a MP do IOF (Medida Provisória 1.303/2025), que previa ajustes nas alíquotas e regras de tributação de aplicações financeiras e grandes capitais — medida que ajudaria a reforçar o caixa da União e equilibrar as contas de 2026 — o governador paulista entrou em cena.

Segundo relatos de bastidores, ligou pessoalmente para governadores e líderes partidários, articulando a derrubada da proposta.

A MP, que poderia arrecadar cerca de R$ 17 bilhões, foi retirada de pauta na Câmara e perdeu validade. O relator, Carlos Zarattini (PT-SP), acusou Tarcísio de interferência direta — e com razão.

Logo depois, em vez de assumir o papel de lobista da elite financeira, Tarcísio gravou um vídeo teatral nas redes sociais, atacando o ministro Fernando Haddad:

“Agora, ficar jogando uns contra os outros de forma absurda e querer que a população apoie aumento de impostos, e eram dez impostos que iam ser aumentados ontem, ninguém, nem eu, nem o país, vai apoiar. Já chega, vamos parar de inventar culpado. Tenha vergonha, Haddad, respeite os brasileiros.”

O discurso soou popular, mas era puro marketing. Enquanto se dizia defensor do “povo que não aguenta mais impostos”, Tarcísio comemorava, nos bastidores, a vitória de um lobby que beneficiou as Big Techs, os bancos e o capital especulativo.

Foi o retrato fiel do “engenheiro que virou operador político”: quando o interesse é dos ricos, ele articula; quando a conta chega ao povo, ele grava vídeo.

 <><> Do candidato forte da direita à irrelevância

Hoje, Tarcísio tenta manter o discurso de gestor moderno, mas já não convence nem os seus. O brilho de outrora apagou. A direita que o tratava como “novo rosto do conservadorismo” agora o observa com o mesmo desdém reservado a um produto fora de linha.

Enquanto isso, Lula cresce nas pesquisas, fala ao povo, governa com resultados concretos e se firma como favorito para 2026. A ironia é deliciosa: o homem que queria ser presidente já é passado antes mesmo da disputa começar.

Tarcísio, o garupa de Bolsonaro, o discípulo de Trump, o aliado da Faria Lima, terminou preso num labirinto de contradições.

E o Brasil observa, entre risos e alívio, a queda previsível de quem confundiu bajulação com liderança e marketing com destino.

Não, não tenho pena de Tarcísio. 

Tenho pena de São Paulo — que merecia um governador, e ganhou um estagiário da extrema-direita.

•        Tarcísio só é mais forte do que Zema e Caiado. Por Moisés Mendes

Tarcísio de Freitas tenta provar que ainda governa São Paulo. Tem o suporte, mesmo que desconfiado, da velha direita. Tem a Faria Lima e o agro ao seu lado e pode ter a Globo, se conseguir se livrar de Bolsonaro.

Tarcísio pode beber litros de Coca-Cola normal, com açúcar, a qualquer hora do dia, porque tem glicose baixa. Considera-se um homem forte, com histórico de tenente do Exército. Deveria ser o cara para enfrentar Lula.

É a maior expressão da direita sem tornozeleira hoje. Tem um poder político que só rivaliza com o poder de Lula. Os dois são os mais poderosos políticos brasileiros hoje em função executiva.

Mas enquanto Tarcísio tem tudo, Ciro Gomes não tem mais nada. Michelle só tem Deus no coração e é a ex-primeira-dama. Ciro e Michelle não têm mandato e não têm cargo importante.

Michelle é apenas a presidente do PL Mulher e, ao lado de Malafaia, a expressão do mundo religioso que sustenta o bolsonarismo. Mas Ciro Gomes e Michelle têm, nas pesquisas, melhor performance do que Tarcísio de Freitas.

O governador de São Paulo se equipara hoje ao eterno candidato dos 3%, que nem turma tem mais, e à mulher de Bolsonaro como possíveis nomes para enfrentar Lula.

Esse é o problema da extrema direita e da velha direita, a um ano da eleição. Um problema do mercado financeiro, da Folha, do Globo, do Estadão e dos grileiros e incendiários da Amazônia e do Cerrado.

O problema deles é Tarcísio de Freitas. Tarcísio tem uma Ferrari e se arrasta ao lado do Chevette de Ciro e da bicicleta de Michelle.

Tarcísio é pesado demais. A direita carrega um fardo de um lado pra outro, enquanto a violência miúda e o crime graúdo dominam São Paulo, nas ruas e na Faria Lima.

Tarcísio tem medo de Bolsonaro e tem pavor de Eduardo. E tem inveja da intimidade de Valdemar Costa Neto com o chefão preso em casa. Bolsonaro confia mais em Valdemar do que em Tarcísio.

A Globo gostaria de chamar Tarcísio de seu, mas sabe que ele nunca será confiável. O bolsonarismo não tem um nome forte, nem a velha direita, nem o centrão, porque Tarcísio não se segura.

Nem o PCC confia em Tarcísio, que só é mais forte do que Zema e Caiado. O nome, no fim, para o bolsonarismo e para o centrão, pode ser o de Ratinho.

Mas Bolsonaro pode chamar Ratinho, e Ratinho pode dizer que agora não deseja e não precisa da bênção de Bolsonaro. O fascismo não tem mais o controle de bicho algum.

•        Desmascarar o governador Tarcísio para São Paulo voltar a crescer com justiça. Por Professora Francisca

Esta quinta-feira (9), marcou o início de uma forte campanha dos partidos progressistas, dos movimentos socais e sindical e de todas as pessoas que querem o estado de São Paulo governado para os interesses da maioria de sua população.

Contra as políticas de destruição dos serviços públicos, da democracia, da educação, da saúde e de todas as políticas em favor da pessoa humana e de quem vive de sua força de trabalho, inicia-se um movimento para unir as forças paulistas contra a privatização e venda de bens públicos.

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O Auditório Franco Montoro, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), foi pequeno para um ato político de tamanha envergadura. Com o tema  Desmascarando Tarcísio — SP Merece Mais, iniciou-se uma campanha contra o entreguismo de Tarcísio que trabalha pela anistia a golpistas e entrega o estado de bandeja para o mercado e não toma nenhuma providência contra a ascensão do crime organizado e a violência que assola as nossas escolas.

O evento que reuniu lideranças políticas, movimentos sociais, sindicalistas, coletivos e militantes populares denunciou o caos nos transportes, o sucateamento das escolas públicas, o aumento da violência e as isenções fiscais bilionárias que drenam recursos públicos em favor de grandes empresas.

Os partidos PT, PCdoB, PSOL, PSB, Partido Verde e Rede Sustentabilidade denunciam também o autoritarismo e o abandono do estado e as políticas em favor dos mais ricos, tanto que Tarcísio trabalhou contra a taxação dos bilionários, das bets e dos bancos num projeto de justiça tributária onde os ricos passariam a pagar impostos. Tarcísio prefere defender os mais ricos em detrimento da maioria da população.

A educação pública afunda com este governador que não reajusta os salários dos profissionais da educação e deixa toda a comunidade escolar ao deus-dará com plataformização e exigência de metas abusivas das professoras e professores. A saúde está na UTI e o governador corta gastos de todos os setores sociais em favor de empresários.

Por entenderemos que São Paulo merece muito mais é que denunciamos o governador Tarcísio como o maior inimigo dos serviços públicos de qualidade, maior inimigo da educação, da saúde, da democracia e dos direitos do povo a uma vida digna. Desmascarar Tarcísio é fundamental para o estado de São Paulo retomar o caminho da democracia e do crescimento com justiça social

 

Fonte: Brasil 247

 

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