terça-feira, 15 de julho de 2025

PCC: A multinacional do crime que domina o narcotráfico global

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC, é hoje um dos principais atores do narcotráfico internacional. Através de alianças com grupos como as FARC, na Colômbia, e a ‘Ndrangheta, na Itália, o PCC expandiu sua atuação para diversos continentes, tornando-se uma verdadeira multinacional do crime.

Surgido nos presídios de São Paulo, o PCC construiu uma estrutura organizacional hierárquica, com códigos internos e comunicação eficiente. Mesmo com lideranças presas, como o Marcola, a facção manteve sua capacidade de comando e expansão. Hoje, opera em pelo menos 20 países, incluindo Argentina, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e, através de portos brasileiros, alcança Europa, África e Oriente Médio.

No Brasil, o controle do Porto de Santos é uma peça-chave para a logística internacional da droga. Usando contêineres, lanchas, submarinos e métodos sofisticados de disfarce, o PCC envia cocaína para diversos destinos, operando com eficiência empresarial.

Sua expansão também se deve à capacidade de formar alianças com facções locais em outros países, respeitando suas culturas e estruturas, o que facilita a integração e evita conflitos desnecessários. No Equador, por exemplo, aproveitaram a dolarização da economia para lavar dinheiro e estabelecer bases.

O PCC diversificou suas atividades: além do tráfico de drogas, está envolvido com garimpo ilegal, contrabando, roubo de cargas e outros crimes financeiros. Também investe em negócios aparentemente lícitos, como empresas de transporte, postos de gasolina, bares e restaurantes, que funcionam como fachadas para lavagem de dinheiro. Isso demonstra sua adaptação ao modelo de corporação criminal, com divisões de tarefas, centros de comando e logística internacional.

O negócio é altamente lucrativo: enquanto um quilo de cocaína pode custar entre mil e 1.300 dólares na América do Sul, seu valor na Europa pode superar os 30 mil euros, e no Japão pode superar 100 mil dólares. Essa diferença brutal evidencia o incentivo econômico que alimenta a expansão do tráfico.

Segundo estimativas da Polícia Federal, a organização fatura mensalmente de 100 milhões a um bilhão de dólares, dependendo de maior ou menor volume de venda da droga.

Paradoxalmente, a hegemonia do PCC em certas regiões levou à queda no número de homicídios, pois eliminou disputas entre facções rivais. Mas isso não significa paz: significa o império de uma ordem criminosa.

Diante disso, chama atenção a ausência de uma política de Estado eficaz contra o crime organizado. O que se vê é a criminalização da pobreza e a repressão localizada, enquanto o núcleo financeiro e logístico dessas organizações segue atuando com relativa impunidade.

O desafio é global e exige cooperação internacional, regulação do sistema financeiro e inteligência estatal. Enfrentar o PCC não é apenas combater o tráfico, mas enfrentar uma estrutura de poder paralela que já se consolidou como uma multinacional clandestina do capitalismo criminoso.

•        Apreensão de drogas em 3 estados causa prejuízo de mais de R$ 20 milhões ao crime organizado

A articulação entre os departamentos de narcóticos das Polícias Civis do Amazonas (AM), do Ceará (CE) e do Pará (PA) resultou em três operações e a apreensão de 988 quilos de drogas, causando um prejuízo estimado em R$ 20 milhões às organizações criminosas.

As ações, que ocorreram em 4, 9 e 10 de julho, foram apoiadas pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento ao Narcotráfico (Renarc). A rede responde à Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

As três operações integram a estratégia nacional de integração entre unidades especializadas das Polícias Civis. O diretor da Diopi, Rodney da Silva, explica que o uso conjunto de inteligência policial, a investigação e o compartilhamento ágil de informações permitiram a desarticulação de uma rota interestadual de tráfico de drogas, que utilizava eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos como forma de ocultação.

“Os resultados reafirmam o papel da Renarc no enfrentamento qualificado ao narcotráfico, ampliando o impacto das ações policiais sobre o crime organizado”, ressalta Rodney da Silva.

>>> Ação no Amazonas

Em 4 de julho, a Polícia Civil do Amazonas, por meio do Denarc, desarticulou uma organização criminosa que utilizava a capital amazonense como ponto de distribuição de drogas para outras regiões do País. Após oito meses de investigações, foram apreendidos 607 quilos de skunk. O material estava escondido em dezenas de fritadeiras elétricas, prontas para serem enviadas ao Ceará e Pará. Dois suspeitos foram presos em flagrante.

Segundo o diretor do Denarc, no Amazonas, delegado Rodrigo Torres, foram identificados três imóveis que estavam sendo utilizados como depósito, embalagem e base logística do grupo criminoso. “A apreensão ocorreu quando o carregamento seria enviado por transportadora. As duas pessoas presas eram os principais responsáveis pela contabilidade e distribuição da droga.”

>>> Ação no Pará

Em 9 de julho, a Polícia Civil do Pará, por meio do Denarc e do Núcleo de Inteligência Policial, apreendeu, no porto de Belém, 152 quilos de skunk. A substância estava escondida em 38 fritadeiras elétricas, acondicionadas em um caminhão-baú a bordo da embarcação Valentina XIV, vinda de Manaus. A droga tinha como destino Natal (RN).

“Essa operação foi possível graças à cooperação direta do Denarc do Amazonas, que repassou informações precisas sobre a logística da quadrilha. O entorpecente foi localizado com base em inteligência e monitoramento, desde a origem até o porto”, informa o diretor do Denarc, da Polícia Civil do Pará, delegado Davi Cordeiro.

>>> Ação no Ceará

A Polícia Civil do Ceará localizou, em 10 de julho, no bairro Parangaba, na capital Fortaleza, uma carga de 213 quilos de skunk e 16 quilos de cocaína, guardadas em gabinetes de computadores. A droga tinha sido enviada do Amazonas ao Ceará e estava em posse de um homem de 34 anos, preso em flagrante por tráfico de drogas.

O titular da Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil do Ceará, delegado Paulo Renato, destaca que a integração interestadual foi essencial para interceptar o carregamento e prender o envolvido. “Essa modalidade de ocultação em equipamentos de informática é uma tentativa de driblar a fiscalização, mas já está mapeada pelas forças de segurança.”

•        Álcool e cigarros dão mais lucros para o PCC do que tráfico de drogas, aponta estudo

Produtos lícitos como álcool e cigarros dão mais lucros para o PCC do que o tráfico de drogas, aponta estudo.

Levantamento anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ainda aponta que crimes virtuais e furto de celulares geraram receita de R$ 186 bilhões para o crime, entre 2023 e 2024

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta semana, revela que a principal facção criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), lucra muito mais com o contrabando de combustíveis, bebidas e ouro do que com o tráfico de cocaína. Em 2022, essas atividades ilegais movimentaram cerca de R$ 146,8 bilhões. Confira mais em TVT News.

No período analisado, a receita do crime organizado com o tráfico de cocaína ficou em torno de R$ 15 bilhões. A extração e produção ilegal de ouro geraram R$ 18,2 bilhões (12,4%), enquanto o comércio clandestino de cigarros somou R$ 10,3 bilhões (7%).

O maior volume de lucro do PCC, contudo, veio do contrabando de combustíveis e lubrificantes, que movimentou R$ 61,5 bilhões, representando 41,8% do total. Em seguida, o mercado ilegal de bebidas rendeu R$ 56,9 bilhões (38,8%).

As fraudes no setor de combustíveis resultaram em perdas fiscais de R$ 23 bilhões, com a comercialização irregular de 13 bilhões de litros em 2022. No mercado de bebidas, a desativação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), do governo federal, causou um apagão de dados e facilitou uma evasão tributária de R$ 72 bilhões no mesmo ano.

A mineração e o comércio ilegal de ouro movimentaram R$ 40 bilhões entre 2015 e 2020, afetando áreas protegidas e terras indígenas. Já o contrabando de cigarros gerou um prejuízo fiscal de R$ 94,4 bilhões ao longo de 11 anos.

><> Crimes Digitais e Roubo de Celular

Os crimes virtuais e o roubo de celulares superaram o contrabando, gerando uma receita de R$ 186 bilhões para o crime organizado entre julho de 2023 e julho de 2024, segundo o estudo.

As fraudes digitais, como golpes em dispositivos móveis e digitais, causam um prejuízo médio de R$ 1.702 por vítima no uso indevido de cartões de crédito. Os golpes envolvendo Pix e boletos falsos têm um impacto médio de R$ 1.470 por vítima. Outras fraudes apresentam valores menores, como clonagem de celular (R$ 699), vazamento de dados pessoais (R$ 390) e compras suspeitas em redes sociais (R$ 335).

<><> Metodologia

A pesquisa “Rastreamento de Produtos e Enfrentamento ao Crime Organizado no Brasil”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha, integra informações de fontes oficiais, entidades acadêmicas, setor privado, organizações da sociedade civil e mídia especializada, além de depoimentos de especialistas do setor.

A metodologia adotada cruzou dados dos mercados legal e ilegal com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseadas na Pesquisa Industrial Anual (PIA) e na Pesquisa Anual do Comércio (PAC). Dessa forma, foi possível estimar a receita gerada por atividades ilícitas nesses setores.

O estudo destaca que o crime organizado no Brasil vai muito além do tráfico de drogas e armas, expandindo-se para mercados clandestinos altamente lucrativos. No total, esse mercado ilegal movimenta R$ 348 bilhões anualmente, evidenciando a necessidade urgente de ações estratégicas para enfraquecer suas fontes de financiamento.

 

Fonte: Diálogos do Sul Global/O Cafezinho/TV News

 

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