sexta-feira, 3 de maio de 2024

Doença renal crônica deve se tornar a quinta causa de morte no mundo em 2040

A doença renal crônica vem se tornando uma epidemia silenciosa e deve se tornar a quinta causa de morte no mundo em 2040, revela um artigo recém-publicado na Nature. A doença ficaria atrás no número de óbitos apenas da doença isquêmica do coração, do Acidente Vascular Cerebral (AVC), de infecções respiratórias e da doença pulmonar obstrutiva crônica. A incidência da doença renal crônica cresceu 30% nas últimas três décadas e, segundo os especialistas, ainda há enormes desafios na prevenção e no diagnóstico precoce no mundo todo.

No Brasil, faltam dados precisos, mas estima-se que a doença afete cerca de 11% da população, sendo que há 144 mil pacientes em diálise, o procedimento em que uma máquina limpa e filtra o sangue do paciente quando o rim não consegue funcionar normalmente. Um painel de especialistas acaba de publicar um artigo no periódico científico Kidney Diseases que traz um retrato da situação da doença no país e recomendações para mudar o cenário.

“Cerca de 70% dos casos da doença renal crônica se devem a diabetes e hipertensão, e esses problemas estão muito associados à obesidade”, diz o nefrologista Marcelo Costa Batista, do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos autores do trabalho brasileiro. Histórico familiar, tabagismo e idade acima de 60 anos, entre outros, também são fatores de risco.

A doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins ao longo de meses e anos. Esses pacientes têm maior risco de morte por todas as causas. “A doença renal crônica também aumenta de oito a dez vezes o risco cardiovascular. São doenças que andam juntas”, explica o médico.

Nos estágios iniciais, é possível fazer o controle com medicamentos e mudanças de estilo de vida. Nos mais avançados, a pessoa precisa fazer diálise ou transplante de rim. O médico explica que por isso são importantes a prevenção e o diagnóstico precoce, além do tratamento correto para evitar a progressão da doença.

Esses pacientes também têm uma série de complicações, pois a doença provoca anemia, desnutrição, problemas neurológicos e metabólicos, incluindo alterações nos níveis de potássio, que devem ser corretamente identificadas e tratadas.

·        O diagnóstico no Brasil é tardio

Mais de 44% dos casos aqui são diagnosticados em estágios mais avançados. “Precisamos melhorar a identificação desses pacientes, além de mais médicos capacitados para lidar com a doença de acordo com as diretrizes.”

Como ela não dá sintomas no início, é necessário mapear quem tem mais chance de desenvolvê-la e fazer a avaliação da função renal por meio da dosagem de albumina na urina e de creatinina no sangue. Dependendo do resultado, a pessoa precisa ser monitorada de forma mais próxima e mudar hábitos para prevenir o desenvolvimento ou a progressão da doença.

Pacientes de risco também devem ser orientados sobre os cuidados com certas medicações que são nefrotóxicas, como alguns anti-inflamatórios e contrastes usados em exames.

No entanto, uma pesquisa citada no artigo, feita com médicos paulistas, mostra que menos da metade deles, 42,5%, tinha recebido treinamento no cuidado com esses pacientes, 56% solicitam exames de urina para diagnóstico e 64,6% tinham conhecimento da classificação da doença, todos números que denotam a necessidade de maior atualização e capacitação dos profissionais de saúde.

 

¨      Quais são os riscos de ficar muito tempo sentado? Novo estudo responde

 

Um novo estudo mostra que passar muito tempo sentado pode ser perigoso para a saúde. Permanecer nessa posição mais do que 11 horas por dia, por exemplo, aumenta em mais de 78% o risco de morte por doenças cardiovasculares e em 57% o de morrer por qualquer outra enfermidade em relação a quem fica menos de nove horas no sofá, por exemplo.

Isso é o que mostram pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em um artigo publicado no Journal of the American Heart Association, periódico da Associação Americana do Coração.

Além de comprovar o prejuízo do excesso de horas sem atividade, os cientistas também constataram que passar mais de 15 minutos ininterruptos sem mobilidade também afeta a saúde. Os autores avaliaram o tempo sedentário de quase 6 mil idosas com o auxílio de um acelerômetro – dispositivo colocado no quadril que detecta a postura e a movimentação – durante sete dias.

Os dados foram processados por um algoritmo, que excluiu os momentos de sono. Depois, os registros de saúde das voluntárias foram acompanhados pelos oito anos seguintes.

“O resultado corrobora que o comportamento sedentário aumenta o risco de morte, e o dado é interessante porque coloca um corte, um número de horas”, diz Everton Crivoi do Carmo, educador físico, doutor em ciências do esporte e responsável pela preparação física no Espaço Einstein Esporte e Reabilitação.

Carmo explica que a falta de atividade física traz prejuízos em vários aspectos. Sem a exigência de se adaptar para responder a um esforço, o coração vai ficando menor e mais fraco. Há o aumento da glicose em circulação, já que ela não precisa ser usada como combustível para os músculos. Isso, por sua vez, diminui a sensibilidade à insulina, gerando a predisposição ao diabetes.

O especialista diz ainda que ficar parado aumenta os triglicerídeos e os marcadores pró-inflamatórios no sangue. Além disso, a falta de ativação muscular prejudica a capacidade de produzir força. “A pessoa se cansa por qualquer coisa, então se submete cada vez menos a esforços, o que a faz perder mais força, deixando-a ainda mais cansada e gerando um ciclo vicioso”, diz o especialista.

No estudo, houve a associação com o sobrepeso e o tabagismo, o que pode ser o indicador de certo estilo de vida, diz o especialista. “Para revertê-lo, é preciso entender os fatores de motivação da pessoa, estabelecer metas e objetivos com significado, propor atividades e responsabilidades em casa, por exemplo.”

Mas ele reconhece que, muitas vezes, essa não é uma tarefa fácil: “Muitos idosos acabam ficando mais isolados, a família está distante e, sem querer, o próprio ambiente promove o sedentarismo. É preciso participar de atividades sociais, incentivar a pessoa a fazer pequenas tarefas, como se levantar para tomar água, sair de casa, fazer uma caminhada diária ou atividades simples, como a jardinagem.”

·        Comportamento sedentário

O alerta sobre os perigos do sedentarismo vale também para os mais jovens. “Em qualquer idade, não adianta passar duas horas na academia e ficar o resto do dia sentado”, reforça o especialista do Einstein.

“Nosso dia a dia estimula o comportamento sedentário, mas é preciso pensar em estratégias para manter um estilo de vida ativo, com pequenos exercícios ao longo do dia, seja fracionando-os, seja aproveitando as oportunidades para caminhar ou subir escadas, por exemplo.”

 

Fonte: CNN Brasil

 

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