Tentativa
de golpe não teria ocorrido sem Bolsonaro, diz Lula
O
presidente Lula (PT) falou na manhã desta quinta-feira (8) sobre a operação da
Polícia Federal que mira o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus
ex-ministros, assessores e chefes das Forças Armadas.
"O
dado concreto é que houve uma tentativa de golpe. Houve tentativa de destruir
uma coisa que construímos há muito tempo que é o processo democrático. Queremos
saber quem financiou quem pagou quem financiava aqueles acampamentos para que
nunca mais aconteça o que aconteceu no dia 8 de janeiro [de 2023]", disse
Lula em entrevista à rádio Itatiaia.
"O
cidadão [Bolsonaro] que estava no governo não estava preparado para ganhar, não
estava preparado para perder, não estava preparado para sair, tanto é que não
teve coragem e foi embora para os Estados Unidos, porque deve ter participado
da construção dessa tentativa de golpe. Acho que não teria acontecido sem
ele."
"As
pessoas precisam aprender que eleição democrática a gente perde e a gente ganha
quando a gente perde a gente lamenta quando a gente ganha a gente toma posse e
governa", seguiu Lula.
"Ele
[Bolsonaro] passou o tempo inteiro criando suspeição sobre urna. Tática que
utilizou para criar na sociedade um descrédito. Quando você cria um descrédito,
você pode fazer qualquer coisa, desmoraliza o processo."
A Polícia
Federal cumpre na manhã desta quinta (8) mandados de busca e prisão contra
ex-ministros de Bolsonaro e militares envolvidos na suposta tentativa de golpe
para manter o ex-presidente no poder.
Um dos
alvos é o próprio ex-presidente, ele terá que entregar o passaporte em 24 horas
para a PF. Bolsonaro já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o
sistema eleitoral e é alvo de diferentes outras investigações no STF (Supremo
Tribunal Federal). Ele está inelegível até 2030.
Entre os
alvos das medidas desta quinta-feira estão os ex-ministros general Augusto
Heleno, Braga Netto e Anderson Torres. Também são alvos outros militares.
Ao todo, a
PF cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e
apreensão em 10 estados e no Distrito Federal. Entre os presos está o
ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara. O militar já era investigado no caso
da fraude ao cartão de vacinação do ex-presidente.
Outro
detido é Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais de Bolsonaro.
Também é alvo de mandado de prisão Rafael Martins.
Entre os
militares são alvos o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e
que comandou a investida do Exército contra as urnas, e o general Estevam Cals
Theophilo Gaspar Oliveira, que era chefe do Comando de Operações Terrestres.
A PF
também faz busca em endereços do ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro,
Almir Garnier Santos.
A ação foi
batizada de Tempus Veritatis e investiga uma organização criminosa que, diz a
PF, atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de
Direito "para obter vantagem de natureza política com a manutenção do
então presidente da República no poder."
As medidas
foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do
inquérito das milícias digitais.
·
Bolsonaro não pode ter contato com
investigados e nem sair do país
O
ex-presidente Jair Bolsonaro também é alvo da operação Tempus Veritatis,
deflagrada na manhã desta quinta-feira (8/2) pela Polícia Federal. A operação
apura possível organização criminosa que atuou em tentativa de golpe. De
acordo com informações do O Globo, Bolsonaro foi intimado nesta
manhã em sua casa em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, está proibido de manter
contato com os demais investigados, inclusive por meio de advogados. Ele
também tem que entregar o passaporte em até 24 horas.
Ø
“Quero que Bolsonaro tenha a presunção de
inocência, que eu não tive”, diz Lula
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em entrevista realizada à
rádio Itatiaia nesta quinta-feira (8), que Jair Bolsonaro (PL) tenha presunção
de inocência, após uma operação da Polícia Federal, deflagrada também nesta
manhã, mirar ex-aliados do ex-presidente e o próprio Bolsonaro.
“Eu não
quero fazer julgamento do que pode acontecer na Justiça brasileira”, afirmou
Lula à Itatiaia. “O que eu quero é que o Bolsonaro tenha a presunção de
inocência, que eu não tive. O que eu quero é que seja investigado e que seja
apurado. Quem tiver responsabilidade pelos seus erros, que pague pelos seus
erros.”
A respeito
da operação em si – na qual foram cumpridos mandados contra Valdemar Costa
Neto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Walter Braga Netto, entre outros
aliados de Bolsonaro –, Lula disse que não podia comentar muito.
“Eu
sinceramente não tenho muitas condições de falar sobre uma ação da Polícia
Federal porque isso é uma coisa sigilosa, é uma coisa da polícia, é uma coisa
da Justiça, e não cabe ao presidente da República ficar dando palpite em uma
atuação dessa”, afirmou o petista.
“Eu espero
que a Polícia Federal faça a coisa do jeito mais democrático possível, que não
haja nenhum abuso, que faça aquilo que a Justiça determinou que faça, e depois
apresente para a sociedade o resultado daquilo que eles encontraram”,
acrescentou.
Lula
criticou, ainda, o comportamento de Bolsonaro nas eleições de 2022.
“As
pessoas precisam aprender: eleição democrática a gente perde e a gente ganha.
Quando a gente perde, a gente lamenta. Quando a gente ganha, a gente toma posse
e governa o país”, disse. “O cidadão que estava no governo não estava preparado
pra ganhar, não estava preparado pra perder, não estava preparado pra sair”
“Ele
[Bolsonaro] deve ter participado da construção dessa tentativa de golpe”,
afirmou o presidente. “Então vamos esperar as investigações. Eu espero que no
tempo mais rápido possível a gente possa ter um resultado do que foi que
verdadeiramente aconteceu no Brasil.”
Ø
Golpe: objetivo de políticos e militares
era manter Bolsonaro no poder
Investigações
da Polícia Federal (PF) apontam que políticos e militares se
aliaram para uma suposta tentativa de golpe de Estado e abolição do
Estado Democrático de Direito. O
objetivo, segundo as apurações, era manter Jair Bolsonaro (PL) no poder e
colocar em dúvida o resultado das eleições realizadas em 2022.
Na manhã
desta quinta-feira (8/2), policiais federais cumprem quatro mandados de prisão
preventiva e 33 de busca e apreensão em 10 estados da Federação no âmbito da
Operação Tempus Veritatis.
Os alvos
são aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre eles estão o presidente
do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto; o ex-chefe do Gabinete de Segurança
Institucional (GSI) general Augusto Heleno; além dos ex-ministros Braga Netto e
Anderson Torres.
Um dos
presos foi Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos
Internacionais da Presidência. O outro
ex-assessor preso foi o coronel Marcelo Câmara, ex-ajudante de ordens de
Bolsonaro.
Além dos
mandados de busca e prisão, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou 48
medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter
contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, com
entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de
funções públicas.
Policiais
federais cumprem as medidas judiciais nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro,
São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná,
Goiás e no Distrito Federal.
·
O plano de golpe
Segundo a
PF, o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a
ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da
realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar,
em dinâmica de milícia digital.
O primeiro
eixo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas Eleições de
2022, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema
eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que
persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.
O segundo
eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do
Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de
militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente
politicamente sensível.
O Exército
Brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados, em apoio à Polícia
Federal. Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização
criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de
Estado.
“Se tiver que virar a mesa é antes das
eleições”, disse Augusto Heleno em reunião com Bolsonaro
O
ex-ministro general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI) da Presidência, afirmou, em reunião ministerial comandada pelo então
presidente Jair Bolsonaro (PL), que “se tiver que virar a mesa é antes das
eleições”. O general, um dos principais conselheiros de Bolsonaro, disse ainda
que era necessário “agir contra determinadas instituições e contra determinadas
pessoas”
A reunião
aconteceu em julho de 2022 e fora convocada por Bolsonaro, de acordo com a
Polícia Federal. Um vídeo da reunião foi encontrado no computador do
tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro durante o governo.
“Não vai
ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes
das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que
virar a mesa é antes das eleições”, afirmou Augusto Heleno.
Os
investigadores da PF sustentam que a fala do então ministro evidencia a
necessidade de os órgãos de Estado vinculados ao governo federal atuarem para
assegurar a vitória de Bolsonaro.
“Eu acho
que as coisas têm que ser feitas antes das eleições. E vai chegar a um ponto
que nós não vamos poder mais falar. Nós vamos ter que agir. Agir contra
determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso pra mim é muito
claro”, afirmou Heleno no encontro.
O ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao autorizar a operação
deflagrada nesta quinta-feira (8) escreveu em sua decisão que a descrição da
reunião “nitidamente, revela o arranjo de dinâmica golpista, no âmbito da alta
cúpula do governo”.
Ø
Golpistas tinham apoio de militares com
táticas de forças especiais
Alvos
da Operação Tempus Veritatis,
deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (8/2),
bolsonaristas que organizavam uma tentativa de golpe de Estado tinham apoio de
militares com conhecimentos e táticas de forças especiais para atuar à época
das eleições presidenciais, em 2022.
Dos
investigados pela PF nesta ação, ao menos 16 são militares.
Investigações
apontam que o grupo se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a
ocorrência de fraude nas urnas, antes mesmo da realização do pleito, de modo a
viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.
Os
militares divulgavam notícias falsas quanto a lisura das eleições de 2022. O
objetivo era estimular seguidores a ficarem na frente de quartéis e instalações
das Forças Armadas. Plano final seria criar o ambiente propício para o golpe de
Estado.
Eles
incitavam outros militares a aderirem ao Golpe de Estado, diretamente ou por
meio de influenciadores nas redes sociais. Havia, ainda, apoio à ações
golpistas, reuniões e planejamentos de ações para manter as manifestações em
frente aos quartéis militares, incluindo mobilização, logística e financiamento
de militares das Forças Especiais.
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Os alvos
da ação da PF são aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre eles,
estão o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto; o ex-chefe do
Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Augusto Heleno; além dos
ex-ministros Braga Netto (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça).
Foram
presos Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência,
e o coronel Marcelo Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro na Presidência e
atual segurança do ex-presidente contratado pelo PL. De acordo com fontes da
PF, Martins foi preso em Ponta Grossa (PR).
Ø
Operação contra ex-ministros de Bolsonaro é
resultado de delação de Mauro Cid
A operação da Polícia Federal (PF) que
mirou bolsonaristas nesta quinta-feira (8) teve como base
a delação de Mauro Cid, segundo fontes da PF.
Entre os
alvos estariam o próprio Bolsonaro, além do presidente nacional do PL, Valdemar
Costa Netos, além de ministros e assessores do ex-presidente.
A CNN apurou
que os mandados foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), dentro do inquérito das milícias digitais.
De acordo
com investigadores, “boa parte” das acusações que fundamentarem o cumprimento
de prisões, buscas e apreensões tiveram confirmação na colaboração premiada de
Mauro Cid.
Integrantes
da PF afirmam que a delação vem produzindo resultados há alguns meses. A nova
operação intitulada Tempus Vetitaris, que na tradução literal significa Hora da
Verdade, seria o maior resultado obtido até agora.
“E alguns
diziam que a delação era ruim”, disse à CNN uma fonte da Polícia
Federal responsável pela operação.
Delações
premiadas são utilizadas como meio de prova, por diversas investigações. O
instrumento foi popularizado pela operação Lava Jato.
·
Exército foi informado sobre operação
contra militares
O Exército
foi comunicado pela Direção-Geral da Polícia Federal que haveria operação nesta
quinta-feira (8) contra 16 militares da instituição.
“Estive
pessoalmente com o General Tomás ontem. Ele destacou oficiais para acompanhar
as diligências em vilas militares”, disse Andrei Rodrigues, diretor-geral da
PF, à CNN.
Trata-se
de uma reunião protocolar de “respeito” entre as instituições.
Fonte:
FolhaPress/CNN Brasil/Metropoles
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