‘Inquéritos
já teriam sido arquivados se não fosse filho de Lula’, diz advogado
O
advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva,
afirmou ao ICL Notícias que a Polícia Federal não está imune a tentativas de
“instrumentalização política com objetivos eleitorais” e defendeu que
integrantes da corporação responsáveis por eventuais vazamentos de informações
sigilosas sejam identificados e responsabilizados. Ao mesmo tempo, fez elogios
ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e disse considerá-lo também uma
vítima dos vazamentos.
Carvalho
também afirmou que a defesa avalia pedir o levantamento do sigilo de uma das
investigações envolvendo Fábio Luís. O ICL Notícias apurou com auxiliares do
ministro André Mendonça que o relator poderia acolher um eventual pedido nesse
sentido. Segundo o advogado, a abertura dos autos permitiria confrontar o
conteúdo integral da investigação com fragmentos que vêm sendo divulgados pela
imprensa a partir de vazamentos.
Na
entrevista, Carvalho sustentou ainda que os três inquéritos no Supremo Tribunal
Federal (STF) envolvendo Fábio Luís já teriam sido arquivados se ele não fosse
filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o advogado, as apurações
não encontraram dinheiro de origem ilícita destinado a seu cliente, conversas
que o incriminem ou registros de sua participação em reuniões com autoridades.
Ele também disse confiar em Mendonça e ter levado ao ministro um pedido para
que fossem investigadas as circunstâncias dos vazamentos.
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Confira a entrevista
• O senhor tem afirmado que os três
inquéritos no STF envolvendo Fábio Luís já teriam sido arquivados se ele não
fosse filho do presidente Lula. Por que sustenta isso?
Marco
Aurélio de Carvalho — Eu tenho repetido, sempre que sou chamado a falar sobre o
caso, que os três inquéritos no STF que investigam acusações de práticas
ilegais supostamente cometidas por Fábio Luís Lula da Silva já teriam sido
arquivados se ele não fosse quem é, o filho do presidente Lula.
Em
editorial de sábado, 22 de agosto, O Estado de S. Paulo se apoiou em minhas
declarações para fazer críticas a mim e a meu cliente.
Certo é
que eu e o jornal concordamos em um ponto fundamental: a imaterialidade dos
supostos crimes. Segundo o Estadão, Lulinha responde por “negócios que até se
sabe nem sequer se concretizaram”. Eis uma razão técnica suficiente para o
arquivamento.
Há
outras. Os inquéritos não identificaram um centavo de origem espúria destinado
a Fábio; em horas de gravações, não se achou uma frase que o incrimine e não há
registro de sua participação em reuniões com autoridades públicas.
• Uma das suspeitas levantadas ao longo
dos anos é que Fábio Luís teria sido beneficiado profissionalmente por ser
filho de Lula. Como o senhor responde a esse argumento?
Reconhecida
a razão para o arquivamento, o texto envereda por um desvio ao afirmar que
Fábio enriqueceu por ser filho do presidente.
O que
nem sequer é verdadeiro.
Lembra
o jornal que Fábio é formado em Biologia, que começou sua vida profissional
como monitor no Zoológico de São Paulo e que mais tarde fundou uma empresa de
games que recebeu aportes importantes de grupos empresariais brasileiros. Para
o jornal, “não se tem notícia de outro caso semelhante”.
Claro
que isso não é verdade. Existem milhares de histórias parecidas de jovens, até
mesmo sem qualquer tipo de formação, que enriqueceram rapidamente porque
criaram negócios. Essa é uma das graças do capitalismo.
• Mas ser filho do presidente não
proporciona a Fábio Luís um nível de acesso a autoridades e ao poder que um
cidadão comum não possui?
Segue o
jornal admitindo outro ponto fundamental, “que Lulinha nunca foi condenado por
nenhuma das suspeitas que o rondam há duas décadas”. E, novamente, um desvio ao
argumentar que ser Lula da Silva, por óbvio, “garante acesso irrestrito ao
presidente da República, marca audiência com autoridades de diferentes escalões
e, no limite, pode gerar bons negócios”.
Firmada
essa tese, segundo o Estadão, tratei a todos como idiotas ao pugnar que Fábio
seja tratado como cidadão comum.
Lulinha
não é um cidadão comum. O que se pede é que perante a lei seja tratado como
tal. É o mínimo que qualquer pessoa, comum ou famosa, rica ou pobre, tem o
direito de exigir. Como seu advogado, esse é meu trabalho.
E eis
que entramos em acordo novamente. Segundo o jornal, “nenhum democrata pode
defender que Fábio Luís seja investigado, julgado ou eventualmente punido com
mais rigor do que outro cidadão na mesma situação apenas por ser quem é”.
Mas o
diabo mora nos detalhes.
• Ao mesmo tempo, o senhor considera
legítimo que os negócios e as relações de Fábio Luís sejam submetidos a um
escrutínio maior justamente por ele ser filho do presidente?
O
primeiro episódio de The West Wing, famosa série de TV que mostra os bastidores
do gabinete de um presidente americano, começa com assessores agitados diante
de uma notícia-bomba: o presidente caiu de bicicleta.
Monta-se
um comitê de crise para lidar com o assunto, prevendo-se que o fato trivial
poderia ganhar desdobramentos gravíssimos. Que, ao fim e ao cabo, poderia se
explorar a tese de que o presidente sofrera o acidente por estar fora de suas
faculdades mentais e, por consequência, impedido de governar o país.
Os
roteiristas entendiam muito bem a dinâmica da política: qualquer detalhe mínimo
pode ser e será usado pelos adversários.
Eu
também entendo. E aceito com naturalidade o interesse pela vida e pelos
negócios de Fábio Luís Lula da Silva. Não advogo por tratamento especial e
respondo com transparência, praticamente todos os dias, às perguntas feitas
pela imprensa.
O que
não se pode é transformar qualquer de seus negócios, e qualquer das relações de
amizade de Fábio Luís, em provas de conduta criminosa.
Investigue-se,
prove-se e, se houver crime, condene-se.
Mas,
pelo respeito à inteligência de todos, é preciso ter a honestidade de se
admitir que cair da bicicleta pode ser só isso.
• A defesa tem criticado os vazamentos de
informações sigilosas envolvendo Fábio Luís. O senhor acredita que esses
vazamentos partem de setores da Polícia Federal? Vê motivação política ou
eleitoral na divulgação desse material?
Eu
reconheço, louvo e aplaudo os esforços sinceros que o diretor-geral Andrei
Rodrigues tem feito para manter a harmonia na corporação. Acho, inclusive, que
talvez seja um dos melhores diretores-gerais da história da Polícia Federal.
Mas
sabemos que, como toda instituição em um país dividido pelo ódio e pela
intolerância, a Polícia Federal não está imune a tentativas de
instrumentalização política com objetivos eleitorais. Não é diferente com a PF.
Quero,
inclusive, me solidarizar com Andrei porque, assim como os ministros relatores
desses inquéritos, André Mendonça e Flávio Dino, e o ministro da Justiça, ele
também é uma das vítimas desses vazamentos, ao lado da própria defesa.
É
importante deixar claro que o presidente Lula devolveu independência e
autonomia à Polícia Federal. Mas setores da corporação que não estejam fazendo
bom uso dessa independência e autonomia precisam ser identificados e
devidamente responsabilizados. Independência e autonomia exigem um componente
extraordinário de responsabilidade.
• E como a defesa avalia a atuação do
ministro André Mendonça diante desses vazamentos? A defesa tomou alguma medida
para tentar identificar a origem das informações divulgadas?
Eu
deposito total confiança no ministro André Mendonça. Acho que ele também é uma
vítima desses vazamentos. Exatamente por isso, levei a ele um pedido para que
fossem investigadas as circunstâncias em que esses vazamentos ocorreram.
Tenho
integral confiança nele. É um jurista que merece nosso reconhecimento e nosso
respeito.
• O ICL Notícias apurou com auxiliares do
ministro André Mendonça que o relator poderia acolher um eventual pedido da
defesa para levantar o sigilo da investigação envolvendo Fábio Luís. Diante
disso, a defesa pretende fazer formalmente esse pedido?
Sim, é
uma possibilidade que estamos avaliando. Não temos qualquer interesse na
manutenção do sigilo se o levantamento permitir que o conteúdo integral dos
autos seja conhecido e analisado no contexto correto. Hoje, boa parte do debate
público sobre o caso é construída a partir de fragmentos que chegam à imprensa
por meio de vazamentos, enquanto a investigação permanece legalmente sob
sigilo.
• Lula reage ao caso Fábio Luís com avanço
de pautas no Congresso
O
entorno do presidente Lula (PT) enxerga o avanço da agenda prioritária do
governo no Congresso Nacional — que inclui a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) do fim da escala de trabalho 6×1 — como um fôlego fundamental para a
pré-campanha à reeleição sair da defensiva no momento de pressão da imprensa
devido a investigações contra seu filho, o empresário Fábio Luís, segundo o
jorna O Globo.
Na
quarta-feira (26), Lula participou de um almoço com os presidentes do Senado,
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), para definir a pauta de votações na iminência da semana de
esforço concentrado no Congresso, período que reunirá as últimas sessões
deliberativas antes do pleito eleitoral.
Na
saída do encontro, os chefes do Executivo e do Legislativo conversaram com a
imprensa e indicaram um acordo para levar à apreciação dos parlamentares na
próxima semana cinco matérias solicitadas pelo governo federal:
• A PEC do fim da escala 6×1;
• A PEC da Segurança Pública;
• A medida provisória que encerra a “taxa
das blusinhas” (a alíquota de 20% incidentes sobre compras internacionais de
até US$ 50, cerca de R$ 250);
• O projeto relativo às terras raras;
• O projeto de incentivo a centros de
dados (data centers).
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Estratégia política e mudança de tom
Conforme
a avaliação de aliados do presidente, a pré-campanha de Lula vinha sofrendo
desgaste pelas investigações contra Fábio Luís e o ex-chefe de gabinete do
mandatário, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Um aliado próximo
ressaltou que as apurações desestabilizaram o ambiente no entorno presidencial,
deixando a equipe desorientada.
Para
alterar essa dinâmica, auxiliares recomendaram a Lula, em reunião realizada
antes do almoço com Alcolumbre e Motta, a adoção de uma postura ostensiva e
pautada no debate público das eleições. Paralelamente, a direção do PT orientou
a militância a explorar os laços do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal
adversário de Lula no pleito, com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A
articulação em torno dos projetos é vista como uma oportunidade para conduzir
as discussões eleitorais a temas sociais de apelo direto no cotidiano da
população. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães
(PT), responsável pela interlocução entre o governo e o Parlamento, frisou a
relevância estratégica da votação tanto para o país quanto para o processo
eleitoral. “A votação dessas matérias, a começar pela PEC 6×1, é estratégica
para o país e para a campanha, não tenho a menor dúvida. Elas terão impacto
muito forte na sociedade. A população está ligada nesses temas da PEC da
Segurança Pública e da PEC da 6×1”, declarou o ministro Guimarães.
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Desdobramentos eleitorais e foco na oposição
Para os
interlocutores do Palácio do Planalto, a aprovação de matérias populares serve
como vitrine eleitoral e como trunfo para aproximar Lula de setores que não
necessariamente votam alinhados à sua figura.
A
campanha do petista pretende dar destaque nos próximos dias ao posicionamento
do senador Flávio Bolsonaro e de seus aliados contra o avanço da PEC do fim da
escala 6×1. Integrantes da oposição atuam nos bastidores para tentar conter a
tramitação da matéria no Congresso, o que a pré-campanha de Lula encara como um
ponto central de confronto para o debate eleitoral.
Apesar
de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não ter garantido de forma
definitiva a votação em plenário da PEC 6×1 na próxima semana, articuladores do
governo acreditam que a apreciação deve acontecer. A avaliação dos governistas
é que, a despeito dos movimentos oposicionistas, dificilmente os senadores
assumirão publicamente posição contrária a uma pauta de forte apelo popular às
vésperas das eleições.
• Lula envia diretor da PF a reunião com
Mendonça para mitigar tensões no STF
O presidente Lula (PT) determinou que o
diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, procure o ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para uma reunião nos próximos
dias. O objetivo do encontro é buscar uma aproximação e mitigar o clima de
desconfiança e tensão que cerca a condução de inquéritos de grande impacto sob
a relatoria do magistrado na Corte, informa Ana Flor, do G1.
A
mediação da conversa ficará a cargo do ministro da Justiça e Segurança Pública,
Wellington César Lima e Silva. O pano de fundo da iniciativa presidencial é o
desgaste gerado por divergências quanto ao ritmo de condução dos processos,
alocação de recursos e vazamentos de informações sigilosas.
Entre
as investigações sob a relatoria de Mendonça estão procedimentos considerados
de elevado potencial de desgaste no cenário político, como os casos envolvendo
o Banco Master, a produção do filme Dark Horse e as apurações relacionadas ao
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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Divergências no STF e atritos com a PF
A
condução dessas investigações expôs fissuras no próprio STF, evidenciando
divergências de postura e entendimento entre ministros da Corte. A diferença de
visão ficou demonstrada entre o vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, e
o ministro André Mendonça, responsável direto pelos inquéritos com
desdobramentos de forte repercussão.
Nesse
ambiente de ruídos, decisões e movimentos operacionais da direção-geral da
Polícia Federal — incluindo a nomeação de delegados responsáveis, o fluxo de
andamento dos autos e a destinação de infraestrutura para as equipes — passaram
a ser alvo de questionamentos. Interlocutores envolvidos na controvérsia têm
classificado algumas dessas movimentações como de caráter político.
Nos
bastidores do Tribunal, o avanço dos inquéritos passou a se entrelaçar com
disputas internas entre alas de ministros sobre a estratégia investigativa, o
ritmo dos trabalhos e o compartilhamento de provas.
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As investigações no centro do impasse
O
inquérito sobre o filme Dark Horse é um desdobramento direto do chamado “caso
Master”, que apura suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao ex-banqueiro
Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. A apuração assumiu
contornos políticos após a identificação de mensagens nas quais o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, solicitava
aportes financeiros milionários a Vorcaro para viabilizar a cinebiografia de
Jair Bolsonaro (PL).
A
Polícia Federal investiga a origem e a legalidade desses recursos, a existência
de eventuais contrapartidas políticas e a suspeita de que parte das verbas
possa ter financiado atividades de aliados bolsonaristas nos Estados Unidos.
A
definição da relatoria desse processo gerou embates no STF: enquanto setores
vinculados ao PT defendiam que a matéria ficasse sob os cuidados de Alexandre
de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou entendimento de
que havia conexão direta com as apurações do caso Master, mantendo o processo
sob a responsabilidade de Mendonça.
Por sua
vez, a frente de apurações referente ao INSS reúne inquéritos instaurados a
partir da Operação Sem Desconto, voltada a estancar fraudes em abatimentos
aplicados a benefícios previdenciários. Os desdobramentos alcançaram o
empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
Em
razão da presença de figuras públicas centrais e do potencial de reflexo nas
disputas eleitorais, os casos Master, Dark Horse e INSS são tratados no meio
jurídico e político como os processos de maior sensibilidade em trâmite no STF
no atual momento.
Fonte:
ICL Notícias/Brasil 247

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