sábado, 29 de agosto de 2026

Diabetes é uma das principais causas de doença renal; saiba quais exames fazer e como prevenir

O diabetes pode comprometer os rins ao longo do tempo. A doença renal em pessoas com diabetes está relacionada às alterações nos pequenos vasos que levam sangue até esses órgãos.

Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, o problema começa na microcirculação. Os vasos podem sofrer alterações e comprometer o tecido responsável por filtrar o sangue.

Além disso, a doença renal pode evoluir sem sinais percebidos pela pessoa. Por isso, o acompanhamento médico e a realização periódica de exames fazem parte da prevenção.

<><> Como o diabetes afeta os rins

Os rins funcionam como filtros do organismo. Eles retiram do sangue substâncias que o corpo precisa eliminar e devolvem à circulação aquilo que deve permanecer.

No diabetes, a glicose elevada pode contribuir para alterações nos pequenos vasos que nutrem os rins. Nesse contexto, o tecido renal pode perder parte da capacidade de realizar sua função.

Denise Franco explica que essa alteração pode provocar a chamada nefropatia diabética, também conhecida como doença renal relacionada ao diabetes.

Quando a doença evolui, os rins podem perder sua capacidade de funcionar. Em alguns casos, isso pode levar à necessidade de diálise ou transplante.

<><> Exame de urina pode identificar alteração antes da creatinina

A avaliação dos rins não depende apenas da creatinina. Segundo Denise Franco, a albumina presente na urina também ajuda a identificar alterações renais.

A albumina é uma proteína que pode aparecer em quantidade aumentada na urina quando os rins começam a apresentar comprometimento.

Esse aumento recebe o nome de albuminúria. Portanto, a presença de albumina na urina pode indicar uma alteração antes de mudanças mais conhecidas nos exames de sangue.

A médica explica que a avaliação atual pode ser feita com uma amostra isolada de urina. Antes, o exame costumava exigir a coleta de urina durante 24 horas.

Além disso, o acompanhamento pode considerar a albumina na urina, a creatinina no sangue e a creatinina na urina. A relação entre albumina e creatinina na urina também ajuda nessa avaliação.

<><> Quem tem diabetes deve fazer exame dos rins?

Segundo Denise Franco, pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 devem realizar essa avaliação pelo menos uma vez por ano.

O acompanhamento também pode incluir crianças com diabetes. Nesse caso, a avaliação ajuda a acompanhar possíveis alterações ao longo do tempo.

Além disso, a médica cita a avaliação da albumina na urina durante a gestação. O exame também pode contribuir para identificar maior risco de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia em mulheres grávidas.

<><> Controle do diabetes ajuda a proteger os rins

A prevenção da doença renal no diabetes envolve mais do que acompanhar a função dos rins. O controle da glicemia também tem papel importante nesse cuidado.

Durante entrevista ao jornalismo do Um Diabético, Denise Franco explicou que o controle da glicemia, da pressão arterial e dos níveis de colesterol deve fazer parte do tratamento.

Segundo a endocrinologista, manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% pode contribuir para reduzir o risco de complicações. Para quem usa sensor de glicose, ela também cita o tempo no alvo entre 70 e 180 mg/dL acima de 70%.

No caso dos rins, os dados apresentados na entrevista indicam uma redução de 39% a 54% no risco de complicações quando existe controle desses fatores.

No entanto, Denise Franco ressalta que os resultados mais expressivos aparecem quando o controle da glicemia acontece junto ao controle da pressão arterial e dos lipídios.

<><> Por que acompanhar os rins mesmo sem sintomas?

A avaliação periódica permite identificar alterações antes que a pessoa perceba sinais no dia a dia. Por isso, esperar sintomas para procurar alterações renais pode atrasar a identificação do problema.

Nesse contexto, exames simples podem fazer parte do acompanhamento de quem convive com diabetes. A avaliação da albumina na urina, da creatinina e da relação entre albumina e creatinina ajuda o profissional de saúde a acompanhar a função renal.

Além disso, identificar alterações em fases iniciais permite que a equipe de saúde acompanhe a evolução e ajuste o cuidado conforme a necessidade.

><> O que entra no acompanhamento de quem tem diabetes

O cuidado com os rins deve fazer parte do acompanhamento do diabetes. Portanto, a rotina precisa considerar diferentes fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de complicações.

Entre eles estão:

•        Controle da glicemia;

•        Acompanhamento da hemoglobina glicada;

•        Avaliação do tempo no alvo para quem utiliza sensor;

•        Controle da pressão arterial;

•        Acompanhamento dos níveis de colesterol;

•        Avaliação periódica da função renal;

•        Exame de albumina na urina.

Segundo Denise Franco, o tratamento do diabetes exige acompanhamento médico e participação ativa da pessoa no controle da glicemia, da pressão e das gorduras presentes no organismo.

 

Fonte: Um Diabético

 

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