Os
países obrigados por lei a combater a mudança climática
Assinado
há pouco mais de uma década, o Acordo de Paris estabeleceu metas concretas para
os governos nacionais fazerem frente às mudanças climáticas. Os seus 196 países
signatários se comprometeram, então, a agir para limitar, até o fim do século,
o aquecimento global a 1,5 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais.
Segundo
o artigo 4º do acordo, todas as partes devem apresentar regularmente suas
contribuições nacionalmente determinadas (NDCs, na sigla em inglês) e
implementar medidas internas de redução de emissões de gases de efeito estufa
para atingir essas metas.
Por
mais que o texto tenha valor de lei internacional, não há mecanismo responsável
por punir países que não cumpram a promessa, negociada e firmada no âmbito da
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla
em inglês).
Além
disso, cada governo decide quais políticas ou medidas implementar a fim de
alcançar os objetivos traçados pelo acordo.
Diversas
legislações nacionais já prevêem a proteção do clima da Terra, e alguns países
incorporaram o tema às suas Constituições. As normas vão de declarações gerais
de compromisso a determinações concretas para a ação do poder público.
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Brasil
Desde
2009, a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) estabelece que
"todos têm o dever de atuar, em benefício das presentes e futuras
gerações, para a redução dos impactos decorrentes das interferências antrópicas
sobre o sistema climático."
O texto
delinea conceitos, objetivos, diretrizes e instrumentos para a governança
climática no país. Também encoraja a participação de estados, que em sua grande
maioria têm legislações próprias para o tema, e de municípios.
Também
a Constituição Federal prevê, no artigo 225, que todos têm direito a um meio
ambiente ecologicamente equilibrado e que cabe ao Poder Público e à
coletividade protegê-lo e preservá-lo.
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Equador
É um
dos países com uma cláusula constitucional específica sobre o clima. O artigo
414 da Constituição obriga expressamente o Estado a adotar medidas contra as
mudanças climáticas.
Os
meios para isso também são mencionados. As emissões de gases de efeito estufa,
o desmatamento e a poluição do ar devem ser limitados. Já as florestas,
protegidas.
O
artigo sobre proteção climática integra uma Constituição que já é bastante
avançada em matéria ambiental. Desde 2008, o país latino-americano reconhece
direitos próprios da natureza.
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Zâmbia
Este
país africano também atribuiu ao Estado um mandato explícito.
O
artigo 257 da Constituição, reformada em 2016, determina que o poder público
desenvolva mecanismos para combater as mudanças climáticas.
A
disposição faz parte de um amplo conjunto de normas sobre meio ambiente e
recursos naturais. Entre elas estão a proteção da biodiversidade, o
fornecimento sustentável de energia e a recuperação de áreas contaminadas.
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Vietnã
As
mudanças climáticas passaram a integrar explicitamente as obrigações do Estado
com a promulgação da Constituição de 2013.
O
artigo 63 exige o uso sustentável dos recursos naturais, a proteção da natureza
e da biodiversidade, além da prevenção de desastres naturais e da adoção de
medidas contra as mudanças climáticas.
A
Constituição também relaciona a política climática às políticas energética e
ambiental. Para isso, o Estado deve promover as energias renováveis.
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República Dominicana
A
Constituição da pequena nação caribenha menciona os impactos do aquecimento
global, com maior foco nisso do que nas medidas específicas para combatê-lo.
O
artigo 194 estabelece como prioridade do Estado um plano sustentável de
ordenamento territorial que garanta o uso eficiente e sustentável dos recursos
naturais do país. Isso deve ocorrer levando em conta a necessidade de adaptação
às mudanças climáticas.
Para um
país particularmente afetado pelo aumento das temperaturas e por eventos
climáticos extremos, como furacões, a adaptação climática ganha, assim, status
constitucional.
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Costa do Marfim
O país
da África Ocidental reconhece a proteção climática como parte integrante da sua
Constituição.
O texto
se compromete a contribuir para a preservação do clima e de um meio ambiente
saudável para as futuras gerações.
A
formulação é menos específica do que a adotada por países como Equador ou
Zâmbia. Ainda assim, está sacramentada em lei.
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Tuvalu
Talvez
em nenhum outro lugar as mudanças climáticas sejam uma questão tão existencial.
O país
insular do Pacífico adotou uma nova Constituição em 2023. Já no preâmbulo, as
mudanças climáticas e a elevação do nível do mar são definidas como ameaças
existenciais imediatas à segurança e à sobrevivência nacionais.
Mas
Tuvalu vai além. A Constituição afirma que o Estado continuará existindo de
forma permanente mesmo diante de eventuais perdas territoriais causadas pelas
mudanças climáticas. Suas fronteiras marítimas também deverão permanecer
válidas, em princípio, ainda que a elevação do nível do mar altere a linha
costeira.
As
mudanças climáticas tornam-se, assim, uma questão constitucional em sentido
literal, colocando a pergunta: o que acontece com um Estado quando partes do
seu território desaparecem?
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França
Desde
2005, o país europeu conta com uma Carta do Meio Ambiente, com status
constitucional.
O
documento garante o direito de viver em um "meio ambiente equilibrado e
que respeite a saúde", obriga Estado e cidadãos a proteger o meio ambiente
e consagra o princípio da precaução.
O
presidente francês, Emmanuel Macron, quis avançar ainda mais. Em 2021, seu
governo propôs incluir explicitamente no artigo 1º da Constituição a garantia
de proteção ao meio ambiente, à biodiversidade e de combate às mudanças
climáticas.
A
iniciativa fracassou diante das divergências entre a Assembleia Nacional e o
Senado.
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Alemanha
Apesar
da existência de uma Lei de Proteção Climática, a expressão "proteção
climática" ainda não aparece como objetivo geral do Estado na Lei
Fundamental, a Constituição alemã. Ainda assim, a proteção climática tem status
constitucional no país.
O
artigo 20a determina que o Estado proteja "as bases naturais da vida
também em responsabilidade para com as futuras gerações". Em 2021, o
Tribunal Constitucional Federal deixou claro que esse objetivo estatal inclui
também a proteção climática.
Além
disso, desde 2025, a meta de neutralidade climática até 2045 está prevista na
Lei Fundamental. Até lá, não deverão mais ser emitidos gases de efeito estufa
prejudiciais ao clima, ou então as emissões inevitáveis deverão ser
integralmente compensadas por sumidouros naturais ou tecnológicos.
O
debate atual na Alemanha, porém, é distinto. Trata-se da proposta de incluir a
adaptação climática e a proteção da natureza como tarefa conjunta da União e
dos estados federados na Lei Fundamental.
Isso
ampliaria as possibilidades de o governo federal financiar de forma permanente
medidas destinadas a enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Fonte:
DW Brasil

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