quinta-feira, 30 de julho de 2026

Quase metade dos jovens argentinos vive em vulnerabilidade social, diz estudo

Quase a metade (48,9%) dos jovens da Argentina vivem em situação de vulnerabilidade social, afirma pesquisa da Universidade de Buenos Aires (UBA) divulgada nesta semana. Isso representa 4,1 milhões de pessoas.

O estudo entende como jovens em situação de vulnerabilidade quem tem entre 18 e 29 anos, com algum nível de “pobreza econômica” ou não terminou os estudos básicos, tendo concluído, no máximo, o ensino fundamental.

Dos jovens vulneráveis, 57% afirmam que o dinheiro fruto do trabalho não chega ao final do mês e apenas 24,8% continuam estudando. Ainda segundo o levantamento, dois em cada dez jovens argentinos não estudam, nem trabalham, enquanto 30% estão desempregados.

Além do desemprego, depressão e uso de álcool e outras drogas estão entre os fatores que prejudicam a juventude do país vizinho. Aproximadamente 30% reconhecem que não conseguem controlar o próprio consumo de álcool, cigarro ou outras drogas.

“Essas vulnerabilidades, no plural, portanto, se configuram de maneiras concretas no cotidiano: déficits materiais de moradia, famílias numerosas, dificuldade ou impossibilidade de fechar as contas, interrupções na educação e trabalho informal”, diz o informe.

A equipe da UBA entrevistou 1.002 jovens de 18 a 29 anos em condições de vulnerabilidade entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, resultando no informe “Jovens Vulneráveis na Argentina: Condições de Vida, Crenças e Expectativas sobre o Futuro”.

<><> Emprego, saúde e segurança

A pesquisa da Universidade de Buenos Aires aponta que, entre os jovens que trabalham, apenas 15% têm emprego registrado, com 76% em trabalhos informais ou por conta própria.

“O emprego concentra-se em atividades pouco qualificadas e altamente informais: comércio, construção e trabalho por conta própria, como venda ambulante ou online, limpeza e cuidados com idosos”, destaca o documento.

Entre os que trabalham, a maioria (56,1%) não estuda mais. Do total da população jovem argentina, 32% não estudam, não trabalham, nem buscam trabalho.

“A taxa de emprego é maior entre os homens do que entre as mulheres, e maior na Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) do que no resto do país”, diz o documento.

Além disso, a pesquisa aponta que 78% dos jovens não têm plano de saúde, dependendo exclusivamente dos serviços públicos e 40% afirmam viver em bairros “inseguros ou muito inseguros”.

<><> Saúde mental e redes sociais

A situação de vulnerabilidade social se reflete na saúde mental dos jovens argentinos. Mais de 70% manifestaram ter “problemas frequentes” de nervos ou ansiedade. E mais de 50% disseram sentir apatia ou depressão.

“Os sinais de sofrimento psicológico não são experiências excepcionais, mas sim parte do cotidiano, o que reforça a multidimensionalidade da vulnerabilidade”, diz o informe.

O estudo ainda levantou que 66% dos jovens se informam dos temas da atualidade, principalmente, pelas redes sociais, com destaque para Instagram (36%) e Facebook (22%), Meios tradicionais, como a TV, ficaram em terceiro colocado com 18%.

“Níveis mais elevados de escolaridade estão associados a uma maior centralidade do Instagram e a uma diversificação das fontes digitais, enquanto em níveis mais baixos de escolaridade, o Facebook e a TV continuam sendo canais relevantes”, pondera o estudo.

¨      Na Argentina, milhares protestam contra Milei por cortes nas aposentadorias e fim de medicamentos gratuitos

Na mesma quarta-feira (22) em que o governador Tarcísio de Freitas anunciava que concederia a Javier Milei a mais alta honraria do estado de São Paulo, milhares de argentinos voltaram a marchar em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, para execrar o fantoche de Trump, rejeitar os sucessivos cortes na Previdência Social, o brutal arrocho nas aposentadorias e a selvagem repressão contra aposentados e pensionistas — que consumiu, oficialmente, pelo menos dois bilhões de pesos (R$ 6,8 milhões) em 2025. Ao todo, foram 43 operações policiais nas quais aposentados e pensionistas enfrentaram gás lacrimogêneo, spray de pimenta, cacetadas e jatos de água de caminhões-bomba.

Senhores e senhoras com mais de 80 anos foram agredidos e mais de 500 pessoas ficaram feridas, em diferentes graus de gravidade. “Para a repressão não há motosserra”, sintetizou Victoria Darraidou, coordenadora da equipe de Segurança Democrática e Violência Institucional do Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (CELS).

Cobrando justiça para os idosos e em repúdio à política de submissão da Casa Rosada ao Fundo Monetário Internacional (FMI), centrais sindicais, movimentos sociais e partidos se somaram às tradicionais marchas de quarta-feira, exigindo o retorno da distribuição de medicamentos gratuitos e condenando o sucateamento do Instituto Nacional de Serviços Sociais para Aposentados e Pensionistas (Pami), maior sistema público de assistência médica da Argentina.

<><> Seguridade Social é um direito, não um privilégio

Ao mesmo tempo, erguendo faixas com imagens de Perón e Evita e reiterando que “a Seguridade Social é um direito, não um privilégio”, os manifestantes disseram um rotundo não à reforma trabalhista e ao Fundo de Assistência Laboral (FAL), criado por Milei para desviar recursos do sistema previdenciário. O FAL, esclareceram, gera contínuos cortes orçamentários e reduz a sustentabilidade das aposentadorias, atentando contra os direitos de quem dedicou toda uma vida à construção de um país mais justo.

“Não abandonar as ruas, mesmo que uma vez por semana, vai gerando a consciência necessária para que a reivindicação não seja somente dos aposentados e pensionistas, mas envolva toda a classe trabalhadora, como ocorreu na última quarta-feira”, defendeu Olivia Ruiz, secretária de Previdência Social da Central de Trabalhadores da Argentina Autônoma (CTA).

A dirigente recordou que, com Milei, “o bônus extraordinário da Administração Nacional da Previdência Social (Anses) não é reajustado desde 2024, a cobertura integral de medicamentos foi suspensa, os agendamentos médicos para todos os tipos de atendimento foram adiados e acabou a possibilidade de pagar os anos que faltam para se aposentar ao atingir a idade mínima, já que a lei de moratória, que expirou em março de 2025, não foi prorrogada”.

No governo anterior, o valor do bônus chegou a representar metade do salário mínimo. Hoje, no máximo, permite comprar dois botijões de gás, mas o governo anuncia seu fim em razão da decisão judicial que derrubou a liminar.

Para completar, condenou Olivia, foi aprovada uma lei de reforma trabalhista que utiliza recursos da Anses para pagar demissões e indenizações. Ao mesmo tempo em que necessitamos ampliar a pressão sobre o Congresso, frisou, “precisamos reverter esta situação negando o voto a este governo genocida e construir a possibilidade de ter um governo progressista, com um projeto de distribuição, solidário e público, que garanta os direitos constitucionais aviltados”.

<><> 65% dos aposentados e pensionistas recebem o mínimo

Conforme a Anses, dos 7,9 milhões de beneficiários, 5,1 milhões (65%) receberam, em julho, a aposentadoria mínima de $ 411.989,33 (R$ 1.411), à qual se somou um bônus extraordinário de $ 70.000 (R$ 239,80), totalizando $ 481.989,33 (R$ 1.651). Esses valores não dão a dimensão da catástrofe, já que o preço do quilo do café ultrapassa $ 60 mil (R$ 205).

“Isso fez com que aumentasse o número de suicídios. Muita gente também faleceu por abandono, negligência do governo ou por não ter recebido os medicamentos no tempo devido. Outros continuam morrendo”, acusou a secretária de Previdência Social da CTA-A.

No primeiro trimestre de 2026, os pagamentos da Previdência despencaram 41,3% em termos reais em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o Tesouro Nacional não transferiu um único peso para a agência em março. Dessa forma, a dívida acumulada com médicos, clínicas e farmácias chegou a 500 bilhões de pesos (R$ 1,72 bilhão). Cirurgias tiveram de ser suspensas, tratamentos de câncer foram interrompidos e os hospitais públicos ficaram completamente sobrecarregados. Os hospitais das províncias foram obrigados a absorver um aumento de 30% na demanda, sem qualquer compensação do governo federal. Os dados oficiais confirmam que a crise está impactando o crescimento da mortalidade.

<><> “Uma em cada quatro receitas deixou de ser aviada por motivos econômicos”

Os medicamentos oncológicos e destinados ao tratamento de doenças crônicas — cuja interrupção pode comprometer a vida dos pacientes — foram os primeiros a escassear, tendo seu fornecimento adiado por meses pelo Ministério da Saúde. As farmácias de bairro dependem do fluxo de pagamentos do Pami para manter o crédito junto aos atacadistas de medicamentos. Quando esse fluxo é interrompido, o crédito também é cortado. Assim, alertam as centrais sindicais, “uma em cada quatro receitas deixou de ser aviada por motivos econômicos”.

Membro da direção da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Jorge Sola afirmou que, desde que Milei assumiu, “foram perdidos mais de 300 mil empregos e fechadas mais de 23 mil pequenas e médias empresas”. Por outro lado, Sola apontou que “o governo abandonou a produção e o desenvolvimento industrial”, o que provocou o crescimento da informalidade e da precarização. Tal postura, além da negligência com o Estado, contribui para a deterioração do sistema de saúde, “alimentando um crescente mal-estar social”.

Para o secretário-geral da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras da Argentina (CTA-A), Hugo “Cachorro” Godoy, “os aposentados são um exemplo da dignidade do nosso povo e esta etapa do plano de luta liderada pelas três centrais vem se inspirar no seu exemplo e nos unir a eles para que nos guiem na tarefa de derrotar este governo, que quer destruir as aposentadorias e os salários, a ciência e a tecnologia, e desestruturar a própria pátria”.

“Continuaremos lutando em defesa da soberania, seguindo o exemplo das gerações de aposentados, com a organização de uma greve nacional para abrir as portas para um horizonte de esperança, com uma pátria emancipada e um povo que possa viver com dignidade”, acrescentou.

<><> Milei assumiu o compromisso com o FMI de privatizar novamente o sistema de aposentadorias

Na avaliação do secretário-geral da CTA-T e deputado federal Hugo Yasky, “trata-se de defender um direito de todos aqueles que têm trabalho formal e informal: chegar ao fim da vida profissional com uma existência digna garantida”.

“Não podemos deixar de pensar que este é um governo que, perante o Fundo Monetário Internacional (FMI), assumiu o compromisso de, caso vença a eleição no ano que vem, privatizar novamente o sistema de aposentadorias”, denunciou.

Se dependesse de Milei, advertiu Hugo Yasky, “os argentinos estariam vivendo a contagem regressiva para o fim da aposentadoria pública e solidária”.

“Precisamos lutar para impedir que se concretize essa verdadeira fraude, que significará ter um país como outros do mundo, onde chegar ao fim da vida profissional é um castigo. Acredito que o que estamos vivendo hoje é uma vergonha, além da indignidade que representa essa repressão do governo, que tem como alvo principal os mais idosos”, assinalou.

Quanto ao absurdo corte no programa Remediar — destinado à distribuição gratuita de uma lista de medicamentos essenciais, atualmente reduzida de 79 para apenas três fármacos básicos voltados às doenças cardiovasculares — e ao encerramento do programa Voltar ao Trabalho, que beneficia 900 mil pessoas com 78 mil pesos por mês (R$ 267), o parlamentar apontou que essa é mais “uma demonstração da insensibilidade e da brutalidade de um governo que impõe cortes até mesmo àqueles que vivem na indigência”.

Manifestantes condenam a submissão ao Fundo Monetário Internacional (FMI), exigem o retorno da distribuição de medicamentos gratuitos, denunciam o sucateamento do Programa de Atenção Médica Integral (Pami) e o desvio de recursos do sistema previdenciário

“Tirar 78 mil pesos de indigentes é realmente um ataque nefasto”, frisou.

Pablo Moyano, também integrante da direção da CGT e secretário-geral adjunto do Sindicato dos Caminhoneiros, recordou que esteve ao lado de cada marcha dos aposentados, apoiando as cozinhas comunitárias.

“Hoje era uma responsabilidade e uma obrigação acompanhar a mobilização das centrais e dos movimentos sociais. Esperamos que este seja o início da derrota deste governo que está causando tanto dano. Que represente o aprofundamento de uma resistência contra um governo tão prejudicial, responsável por causar incontáveis danos a milhões de argentinos”, expressou.

O presidente da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE Capital) e secretário-geral adjunto da CTA-T, Daniel Catalano, afirmou que a redução de quase um milhão de vagas no programa Voltar ao Trabalho, em meio ao recrudescimento da crise, é simplesmente “brutal”.

O fato, explicou, é que “esse corte representa o desmantelamento das economias regionais, pois produz um impacto direto sobre os territórios”.

“Esse dinheiro ia diretamente para a mercearia, para o quiosque, para a feira do bairro, e hoje não estará mais lá. Assim, nosso povo continua se desgastando, continua se empobrecendo, continua sofrendo. Os bloqueios de estradas realizados em todo o país foram massivos, foram muito necessários, e é preciso intensificar a luta”, defendeu.

“Continuamos marchando pelo mesmo motivo pelo qual marchamos todas as quartas-feiras”, apontou Catalano, “para que a aposentadoria mínima deixe de ser uma mentira e garanta aos aposentados o sustento, o aluguel e a possibilidade de comer duas vezes por dia — algo que, hoje, seis milhões deles não conseguem fazer. Portanto, diante da angústia da fome do nosso povo, marchamos em um espírito de unidade”.

<><> Sheinbaum desmente Milei sobre participação mexicana em suposta campanha contra Argentina

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, rebateu nesta segunda-feira (27/07) as acusações feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, de que o governo mexicano participou de uma suposta campanha “anti-Argentina” nas redes sociais durante a Copa do Mundo.

Durante sua tradicional coletiva de imprensa matutina, a mandatária mexicana afirmou que as alegações de Milei são “falsas” e que “não há nenhuma campanha contra nenhum país do mundo, nem contra nenhum governo do mundo”.

Sheinbaum também afirmou que seu governo tem sido alvo de uma campanha contrária, mas que, mesmo assim, prefere “não interferir em outros países”.

Vale ressaltar que, neste domingo (26/07), Milei concedeu uma entrevista à Rádio Mitre, na qual alegou que a campanha que acusa a seleção argentina de racismo entre seus torcedores e de ser favorecida pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) estaria sendo financiada pelo Partido Democrata dos Estados Unidos e pelos governos do Brasil e do México.

Segundo o presidente argentino, a campanha foi planejada por “mentes progressistas que não querem que as ideias de liberdade triunfem”.

Milei também afirmou que o governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria fornecido a maior parte dos recursos para financiar os ataques nas redes sociais.

As declarações repercutiram também no Brasil. Nesta mesma segunda-feira, Lula foi questionado por um jornalista da Bloomberg sobre como avaliava as declarações de Milei, e respondeu dizendo “quem é esse cara?”.

<><> Mexicanos têm uma imagem melhor da China do que dos EUA, segundo pesquisa

De acordo com um estudo recente do Pew Research Center, a opinião pública no país latino-americano mudou significativamente a favor do gigante asiático, enquanto a visão sobre os Estados Unidos se deteriorou.

Os dados do relatório revelam que 58% da população mexicana define a China como um parceiro confiável para o país, enquanto apenas 34% têm a mesma opinião em relação aos Estados Unidos. Essa diferença de 24 pontos percentuais representa a maior margem registrada sobre essa questão entre os seis países latino-americanos avaliados na pesquisa deste ano, reforçando a percepção de laços mais estreitos com Pequim em termos de cooperação.

A pesquisa também revela um declínio acentuado na percepção da política externa dos EUA entre os cidadãos mexicanos, com apenas 28% dos entrevistados afirmando que os Estados Unidos contribuem para a paz e a estabilidade mundial. Em contrapartida, 73% dos entrevistados sustentaram que Washington interfere nos assuntos internos de outras nações.

O relatório também observa que "tanto os jovens quanto os adultos mais velhos no México têm uma visão mais favorável da China do que dos Estados Unidos".

Segundo especialistas, a política externa de Pequim tem mantido um alto grau de estabilidade e continuidade, defendendo consistentemente a abertura, o benefício mútuo e a cooperação ganha-ganha, enquanto busca o desenvolvimento compartilhado. Essa é a força motriz fundamental por trás dessa mudança histórica, afirmaram.

Por outro lado, as frequentes ações militares dos Estados Unidos no exterior ao longo do último ano e sua interferência nos assuntos internos de outras nações levaram mais pessoas a perceber os Estados Unidos como uma "força desestabilizadora", o que tem sido um fator-chave na mudança da opinião pública.

¨      Bolívia buscará relançar a Comunidade Andina de Nações, afirma chancelaria de La Paz

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, apresentará o plano para relançamento da Comunidade Andina de Nações (CAN) à presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, durante a próxima reunião bilateral em Lima, informou o ministro das Relações Exteriores boliviano, Fernando Aramayo.

"Nossa proximidade nos compromete a trabalhar em uma agenda que abrange questões econômicas, culturais, de segurança e geopolíticas — sem mencionar o vínculo fundamental que nos une: a Comunidade Andina. Queremos relançar a Comunidade Andina lado a lado com o Peru", afirmou Aramayo em entrevista à emissora Bolivia TV.

Fujimori deve assumir o cargo em 28 de julho, e uma reunião bilateral com Paz está agendada para depois da posse, com o objetivo de revitalizar as relações dos dois países.

A CAN está em funcionamento desde 26 de maio de 1969, data em que foi assinado o Acordo de Cartagena. A Bolívia ingressou no bloco andino como membro fundador e permanece como um dos quatro membros plenos ativos da organização, ao lado de Colômbia, Equador e Peru.

A sede e a Secretaria-Geral da organização regional estão localizadas em Lima, de onde são impulsionadas iniciativas que promovem o comércio exterior, a integração física, o desenvolvimento social e a propriedade intelectual.

 

Fonte: Opera Mundi/Agencia Brasil/Sputnik Brasil

 

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