quinta-feira, 2 de julho de 2026

Polarização e protestos: que cenários surgem após o apelo à 'desobediência civil' na Colômbia?

O apelo de Iván Cepeda à "desobediência civil" levará a polarização política ao limite e promete dificultar a governança do presidente eleito Abelardo de la Espriella, disseram especialistas à Sputnik. Analistas acreditam que o apelo de Cepeda pode levar a protestos de rua que podem escalar para violência.

O ex-candidato à presidência da Colômbia anunciou que embarcará em um caminho de "desobediência civil pacífica" e não reconhecerá o governo do futuro presidente a menos que ele renuncie à sua cidadania norte-americana e esclareça se pertence a "alguma agência de segurança dos EUA".

"Se essas condições legais não forem atendidas, como líder da oposição e candidato que recebeu mais de 12 milhões de votos na eleição, não me submeterei a essa violação da nossa soberania e embarcarei no caminho da desobediência civil pacífica", afirmou Cepeda em seu discurso.

O líder do Pacto Histórico acrescentou que sua decisão "implica não reconhecer a autoridade de quem não responde à defesa da soberania nacional".

<><> Um possível cenário

Em diálogo com a Sputnik, o analista político e acadêmico Juan Lozano, da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL), afirmou que o apelo de Cepeda "aprofunda ainda mais a polarização que o país vivencia atualmente", alimentada nos últimos dias por acusações do presidente eleito sobre supostos atos de corrupção cometidos pelo governo de Gustavo Petro, que poderiam ser expostos durante o período de transição presidencial.

Segundo o especialista, a situação se torna ainda mais tensa considerando que as exigências feitas por Cepeda "provavelmente não serão atendidas" por De la Espriella, tanto em relação à renúncia de sua cidadania norte-americana quanto ao esclarecimento de seus vínculos com agências de segurança norte-americanas como a Administração de Repressão às Drogas (DEA, na sigla em inglês) e a CIA, bem como sua relação com o empresário venezuelano e ex-diplomata Alex Saab.

Consultado também pela Sputnik, o analista político Felipe Mendoza alertou que o apelo de Cepeda, embora possa ser interpretado como uma defesa da esquerda colombiana contra a ameaça de acusações da futura administração, representa um passo em direção à "transgressão da esfera pública para o âmbito das ambições pessoais".

Ele acredita, portanto, que essa nova postura também pode posicionar Cepeda como o novo líder da oposição colombiana, posição que provavelmente terá que disputar com o próprio presidente Gustavo Petro quando deixar a Casa de Nariño (palácio presidencial).

"Acredito que a reação de Cepeda, sua mudança de posição em relação aos resultados das eleições, define o tom do que a Colômbia vivenciará nos próximos quatro anos. Mas não se trata de ser a favor ou contra o presidente eleito, e sim de como isso afeta o clima de estabilidade institucional na Colômbia", afirmou o analista.

Lozano, por sua vez, considerou provável que o apelo à "desobediência civil pacífica" possa encontrar eco em diversos setores da esquerda colombiana, como sindicatos e grupos estudantis que já propunham "não reconhecer plenamente" a vitória de De la Espriella ou, pelo menos, não facilitar a governança do novo presidente.

Segundo o especialista, nesse cenário, o apelo de Cepeda provavelmente se traduzirá em "manifestações de bairro, organizações civis nas ruas e atos simbólicos de não aceitação do presidente".

<><> Um cenário de violência?

Lozano esclareceu que isso certamente gerará um confronto entre o Estado, representado por De la Espriella, e a oposição, que nas últimas eleições obteve o apoio de metade do país, mas que não conseguirá bloquear as iniciativas do governo no Congresso. A resposta do Estado, previu ele, poderá ser violenta, resultando em um cenário de confrontos nas ruas da Colômbia.

"O convite de Cepeda é para o exercício da oposição pacífica, mas o problema é que, mesmo que um líder político convoque a mobilização pacífica, é difícil para as pessoas de fato o fazerem, especialmente quando pode haver uma força policial que incita a violência", argumentou o acadêmico.

Para Lozano, a retórica cada vez mais violenta vinda do novo governo e a resistência que começa a se organizar na esquerda colombiana sugerem que "o que acontecerá é uma escalada das tensões entre os dois lados, e que isso terá um impacto significativo nas ruas".

Mendoza, por sua vez, alertou que "a Colômbia é um país violento por natureza" e que, após um histórico de violência política entre as sucessivas facções políticas que disputaram o controle do país, "a tolerância diminuiu significativamente desde a última eleição".

Por essa razão, o analista questionou a posição adotada por Cepeda, apontando que "qualquer apelo à desobediência e ao desrespeito à Constituição constitui um ato de irresponsabilidade política para com a nossa identidade como nação".

Assim, o cientista político considerou que esse cenário político poderia levar a "confrontos, radicalismo e intolerância entre os colombianos nos próximos quatro anos".

¨      Equador enfrenta a insegurança: a tentativa de reconquistar a confiança dos turistas internacionais

Em meados de 2026, o setor de turismo do Equador vive uma realidade complexa e dual. Embora o governo relate um crescimento sustentado na ocupação hoteleira e nas chegadas de turistas internacionais, operadores do setor alertam que a insegurança transformou profundamente a dinâmica da atividade.

O debate agora gira em torno de saber se as estatísticas de recuperação refletem um bem-estar generalizado para todos os tipos de turistas ou se existe uma falta de confiança estrutural que prejudica os visitantes, alterando assim o ecossistema econômico de milhares de famílias equatorianas.

<><> Principais estatísticas de 2026

Os números oficiais parecem indicar uma tendência de alta após anos de incerteza, decorrentes da devastação que a pandemia causou no setor de turismo. Segundo o boletim do primeiro trimestre de 2026, publicado pela Quito Turismo em abril, as tendências de reserva de voos por mercado de origem mostram um desempenho positivo em relação ao mesmo período de 2025, com um aumento de 13,4%.

Esses dados são complementados por um relatório da Federação Equatoriana de Hotéis, que indica um aumento de 4,3% no número de visitantes em janeiro e de 9,6% em fevereiro em comparação com 2025, enquanto o feriado da Semana Santa registrou um crescimento de 3,6% na ocupação hoteleira.

No entanto, para os profissionais do setor, esses dados não contam a história completa, e o crescimento é insuficiente. Silvia Sinchiguano, CEO de uma agência de viagens, sustenta que a situação permanece crítica.

"Acredito que a questão da segurança tem sido, de fato, o aspecto mais terrível para o turismo, pois é uma das razões pelas quais as pessoas não vêm mais ao Equador", explica Sinchiguano à Sputnik.

Em sua perspectiva, as comparações com o período pós-COVID são desanimadoras, pois, na visão dela, o setor de turismo ainda não se recuperou totalmente.

<><> Mudança no perfil dos turistas

Um fenômeno identificado por especialistas — como Roberto Carrillo, especialista em turismo e acadêmico da área de turismo sustentável — é a mudança no perfil dos visitantes. Segundo Carrillo, a crise de segurança afastou o viajante independente.

"É verdade que estamos passando por um momento difícil no Equador e observando uma mudança no perfil do segmento de mercado que visita o país. Agora vemos grupos organizados por agências muito maiores; o viajante independente — aquele que interage com o cotidiano local — está começando a desaparecer", observa ele.

Essa transformação decorre de uma questão simples de sobrevivência: a liberdade de circulação. Carrillo ressalta que os turistas têm hábitos e expectativas urbanas; quando chegam a uma cidade insegura à noite — o que os impede de sair —, suas opções ficam limitadas e o desejo de visitar o país diminui. Essa situação força o setor privado a investir em segurança e medidas de proteção, o que, por sua vez, eleva os custos operacionais.

Esse fenômeno desencadeou um efeito dominó em toda a cadeia de valor, afirma Johana Acosta Ponce, gerente-geral de uma das maiores agências de viagens do país.

"Observamos que a insegurança teve um impacto significativo na imagem internacional do Equador", diz Acosta à Sputnik. "Durante o primeiro semestre de 2026, a indústria do turismo enfrentou desafios consideráveis, como cancelamentos de viagens. Antigamente, os viajantes permaneciam muito mais tempo no Equador."

Segundo a especialista, isso afetou hotéis, operadoras de turismo, restaurantes, serviços de transporte aéreo e terrestre, e milhares de famílias que dependem diretamente do turismo.

<><> A natureza resiste

Apesar dessa situação, o Equador ainda possui diferenciais que o destacam de outros destinos.

"O Equador tem uma vantagem competitiva aqui porque somos um país com uma biodiversidade incrível. Temos riqueza cultural, gastronomia e a possibilidade de viajar, em poucos minutos, do litoral para a região serrana ou para a Amazônia — e, claro, pegar um voo para Galápagos", afirma Acosta.

No entanto, o acesso à informação mudou as regras do jogo. Hoje, a reputação de um país é construída com um clique. Acosta observa que a imagem internacional do Equador mudou significativamente nos últimos anos; antes de decidir viajar, muitas pessoas agora pesquisam minuciosamente fatores como alertas de viagem e questões de segurança local, buscando informações diretamente na internet e nas redes sociais, além de consultar avisos emitidos por governos estrangeiros.

<><> Esforços necessários para melhorias

Especialistas concordam que a solução exige um esforço público-privado sem precedentes.

"Para atrair mais turistas ao Equador, o Estado precisa implementar políticas que promovam uma parceria entre os setores público e privado, projetando o país como uma potência turística", propõe Sinchiguano.

Por sua vez, Carrillo ressalta a necessidade urgente de retomar um modelo de turismo que realmente estimule a economia local e de reforçar a segurança em espaços públicos.

"Todos nós precisamos de ações concretas do governo e de comunicação transparente. O Equador continua sendo um destino extraordinário; nosso desafio atual é fortalecer a percepção de segurança", conclui Acosta.

¨      Milhares de mortos, milhões precisando de ajuda: os números que mostram a dimensão da tragédia após terremotos na Venezuela

Esta quarta-feira (01/07) completa uma semana desde o duplo terremoto que deixou na Venezuela um nível de destruição e sofrimento que escapa a qualquer cifra.

Com o passar dos dias, a esperança de quem tem seus entes queridos enterrados sob os escombros tem se chocado com a realidade apontada pelos especialistas: a janela crítica está se fechando para encontrar sobreviventes.

Milhares de famílias tiveram que dar o doloroso passo da incerteza ao luto. Outras se agarram à possibilidade de um milagre como o que ocorreu na terça-feira (30/06), quando uma criança de 3 anos foi resgatada com vida dos escombros graças ao esforço de um grupo de socorristas da Jordânia.

As operações de busca e resgate continuam a todo vapor, com milhares de socorristas da Venezuela e de mais de 30 países.

Enquanto isso, dados das autoridades venezuelanas e das organizações internacionais sobre o impacto da catástrofe mostram um cenário cada vez mais grave. Ainda não se consegue ter a magnitude total dos danos.

Ao luto pelo número de quase 2 mil mortos soma-se a preocupação com as difíceis condições em que se encontram os sobreviventes que perderam tudo e a indignação entre aqueles que consideram que a resposta à emergência por parte do governo tem sido deficiente.

Este é o balanço da situação, segundo os números conhecidos até o momento.

<><> Cerca de 2 mil mortos e milhares de feridos e desaparecidos

O mais recente número de mortos relatado pelo governo da Venezuela é de 1.943. Os feridos chegam a 10.571. Espera-se que o número continue aumentando significativamente nos próximos dias.

O coordenador da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla del Tindaro, afirmou que "sem dúvida estamos diante de um número superior ao comunicado".

E acrescentou: "Posso oferecer uma estimativa: estamos adquirindo, e isso é algo que foi acordado com as autoridades, 10 mil sacos para cadáveres".

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou que, nas áreas mais afetadas pela catástrofe (Caraballeda e Catia La Mar), havia cerca de 30 mil pessoas quando ocorreram os dois terremotos, das quais 19.861 conseguiram sair por seus próprios meios ou foram resgatadas com vida.

Imediatamente após os tremores, o sistema PAGER do Serviço Geológico dos EUA estimou, de acordo com as evidências científicas disponíveis, que o número de mortos oscilaria entre 10 mil e 100 mil.

E advertiu sobre possíveis perdas econômicas entre US$ 10 bilhões e US$100 bilhões (ou entre 2% e 10% do PIB da Venezuela).

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários e o Comitê Internacional de Resgate, mais de 50 mil pessoas continuavam desaparecidas após a catástrofe.

<><> 1,8 milhões necessitando ajuda

O impacto do duplo terremoto não termina aí.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que 15.866 pessoas foram identificadas como afetadas pela catástrofe, sem dar maiores detalhes sobre os números.

Ele disse que foram habilitados 15 abrigos temporários no Estado de La Guaira e 55 no restante do país para essas pessoas.

Centenas de famílias cujas casas ficaram destruídas ou inabitáveis têm dormido em acampamentos provisórios ou assentamentos espontâneos.

O governo disse que irá realocá-las em abrigos temporários e prometeu soluções de moradia para elas antes do fim do ano.

O número de afetados indiretamente é ainda maior.

O Sistema de Informação Geográfica da empresa privada Esri Venezuela, que se apoia em relatos de cidadãos, contabiliza 595 mil pessoas afetadas, das quais 133 mil são menores de idade.

A agência da ONU para a infância, Unicef, assinalou que há 1,8 milhão de pessoas que necessitam de ajuda humanitária, das quais 680 mil são crianças.

Com relação à situação enfrentada pelos sobreviventes, o Comitê Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês) relatou na terça-feira que muitos não estão com suas necessidades básicas atendidas.

"Os serviços médicos em centros de saúde e unidades móveis estão sobrecarregados, os abrigos se encontram em plena capacidade e os serviços de água e eletricidade continuam interrompidos nas áreas afetadas", afirmou o IRC.

E acrescentou: "A magnitude da resposta não está à altura da magnitude da necessidade humanitária".

Na mesma linha, Andreas Spaett, coordenador do Médicos Sem Fronteiras na Venezuela, relatou que as pessoas que perderam suas casas "procuram alimentos, procuram água, procuram abrigo".

O governo destacou, no entanto, que o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido em 90% e que foram entregues mais de 3 milhões de litros de água.

<><> 189 prédios caídos e mais de 600 com danos graves

Em sua coletiva de imprensa de terça-feira, Jorge Rodríguez afirmou que os terremotos deixaram pelo menos 855 edifícios gravemente danificados em todo o país.

No total, 189 desabaram totalmente, dos quais 158 se encontravam no Estado de La Guaira, segundo Rodríguez.

Os 666 restantes sofreram danos graves ou desabaram parcialmente, acrescentou.

São números ligeiramente inferiores aos do Sistema de Informação Geográfica da Esri Venezuela, que aponta para 924 edificações afetadas, das quais 226 apresentam perda total, 272 dano severo e 290 dano parcial.

<><> Quase 700 tremores secundários

Outro elemento que tem dificultado qualquer retorno à normalidade anterior aos terremotos são as centenas de tremores secundários que ocorreram.

Segundo o presidente da Assembleia Nacional, foram contabilizados quase 700.

No entanto, a quantidade e a magnitude média vêm diminuindo.

"No dia 28 tivemos 86 tremores e no dia 29, 30 tremores", relatou.

Ele advertiu que "isso não necessariamente quer dizer que tenha se dissipado por completo qualquer risco de ocorrência de um evento perigoso".

O último tremor registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, que costuma registrar os que superam magnitude 4, ocorreu na manhã de segunda-feira e não causou danos.

Especialistas consultados pela BBC News Mundo explicam que as réplicas, ou tremores secundários, são um fenômeno que sempre ocorre após terremotos importantes.

"As réplicas são terremotos que aliviam as mudanças de tensão na crosta terrestre provocadas por outro terremoto", explicou o geólogo britânico Sam Wimpenny.

"Podemos contar as réplicas, sabemos que a quantidade e as magnitudes vão diminuir com o tempo. Também podemos fazer probabilidades de quantas vão ocorrer amanhã, mas, fisicamente, o processo que as gera não está claro", afirmou o geólogo chileno Daniel Melnick.

Para as pessoas nas áreas afetadas, as réplicas têm um efeito emocional, pois revivem o momento da tragédia inicial.

"Estou novamente na rua, porque voltou a tremer. Estou há quase uma semana sem dormir de forma confortável. Durmo com calça e camiseta; tiro os sapatos e os deixo na porta, ao lado de uma bolsa com meus remédios, o carregador do telefone e os documentos", relatou o jornalista Jesús Hurtado, que vive em Caracas.

O governo afirmou que avisará os cidadãos quando a ameaça de outro tremor perigoso tiver se dissipado.

Mas, mesmo então, a Venezuela terá mudado para sempre.

¨      Mucio discute em Caracas apoio brasileiro à reconstrução da Venezuela após terremotos

Em visita a Caracas nesta terça-feira (30), o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e afirmou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é ampliar a assistência humanitária aos venezuelanos.

Segundo Mucio, a missão busca definir, em conjunto com o governo venezuelano, quais são as prioridades da próxima etapa da operação, que deixará de concentrar esforços apenas no resgate de vítimas para avançar na recuperação da infraestrutura e no atendimento aos desabrigados.

"Estamos aqui para ver onde é que nós podemos ajudar mais, fazendo uma coisa ordenada. Por isso o presidente nos mandou, os três, para que nós conversássemos e víssemos quais as prioridades neste momento", afirmou o ministro.

Além de Mucio, a comitiva brasileira contou com representantes da Caixa Econômica Federal e do Ministério das Cidades, que avaliarão possibilidades de cooperação em projetos de reconstrução urbana e habitacional. De acordo com o governo brasileiro, cerca de 60 mil pessoas ficaram desalojadas após os terremotos.

O ministro destacou que a operação brasileira seguirá ativa mesmo após o período inicial de emergência. "Não estamos aqui para dizer que nossa ajuda seja só neste momento. Se precisar de mais médicos, se precisar de mais voluntários, se precisar de mais remédios… Em primeiro lugar, é a absoluta solidariedade. O povo venezuelano e o povo brasileiro são irmãos", declarou.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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