Aceleracionismo:
a questão central do poder é a disputa de ritmos
Talvez
a grande virtude do aceleracionismo seja, precisamente, sua capacidade de fazer
um diagnóstico mais ou menos preciso das crises sistêmicas do capitalismo. Sua
proposição de acelerar esses mecanismos para que o sistema colapse, no entanto,
é movida por uma visão escatológica arriscada. No Brasil, especialmente na
região Norte, alguns pesquisadores têm se debruçado sobre uma leitura crítica
que parte do aceleracionismo, mas o destino final tem sido as cosmovisões de
povos nativos.
“O
caminho ideal é de utilizar o diagnóstico aceleracionista para entender o
colapso do capitalismo e do humanismo liberal, sendo a partir disto um
reforçador de que as cosmologias presentes na Amazônia são um caminho essencial
para imaginar saídas frente a este colapso”, propõe Matheus Castelo Branco Dias
em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
“A
aceleração está em curso e precisamos abrir horizontes de enfrentamento, abrir
horizontes de interrupção de processos, de sustentação de novos ritmos, de
aprendizado na ancestralidade, na espiritualidade, nas conexões tanto humanas
como do ser, da natureza, do que há de existente em nossa vivência no mundo. Se
não, poderemos ser meros telespectadores de uma escatologia paradoxalmente bem
concreta aos olhos do sistema político mundial”, destaca o entrevistado.
Aceleracionismo
e as cosmovisões indígenas não são conciliáveis, uma vez que o primeiro
funciona como diagnóstico e o segundo como proposição alternativa, e é essa
diferença radical que torna a aproximação interessante. “Essa diferença é
decisiva porque revela o caráter universalista do aceleracionismo. Quando se
fala em acelerar processos sociais e tecnológicos, se está partindo de uma
experiência muito específica de mundo, ligada à modernidade ocidental. Outras
formas de vida não operam nesse regime de urgência permanente. Para muitas
delas, acelerar pode significar justamente destruir as condições de
existência”, explica Dias. “Ao introduzir múltiplas temporalidades, Krenak
recoloca limites. Nem tudo pode ou deve ser intensificado. Há tempos que
precisam ser sustentados, protegidos, até mesmo desacelerados. Isso abre espaço
para pensar a política não como gestão de velocidade, mas como disputa de
ritmos”, complementa.
Matheus
Castelo Branco Dias é graduado em Licenciatura Plena em História pela
Universidade Estadual do Pará. É mestrando em Ciência Política pelo PPGCP na
Universidade Federal do Pará, onde pesquisa o Associativismo Étnico Yanomami e
a atuação do Estado brasileiro. Tem experiência na área de História e Ciência
Política, com ênfase em História de movimentos sociais, e no campo de estudo
associativo na Ciência Política, atuando nos sentidos de História Social,
Ciência Política, Participação Política, Etnografia e Antropologia Social.
<><>
Confira a entrevista.
• Nick Land é um dos principais nomes do
aceleracionismo. Como ele define esta corrente teórica e quais suas
contribuições para as encruzilhadas políticas e civilizatórias que vivemos?
Matheus
Castelo Branco Dias – Nick Land entende o aceleracionismo como uma categoria
política responsável pela intensificação da dinâmica ontológica do capitalismo,
ou seja, o aceleracionismo é a corrente teórica responsável por orbitar os
estudos da capacidade do capitalismo de romper limites humanos e institucionais
dentro de sua própria concepção de “ser”. O capitalismo deixa de ser
necessariamente um modo de produção e modelo de governança e passa a ser uma
entidade ingovernável e extrema.
O
aceleracionismo pode ser lido como uma proposta política, mas eu prefiro
observar como um diagnóstico de um devir radical, principalmente na atualidade
histórica em que estamos entrando, uma imersão onde a máquina opera cada vez
mais para além do controle humano. O capitalismo, hoje, revela cada vez mais o
enfraquecimento da institucionalidade estatal, e o mercado, como mola
propulsora do capitalismo, tem se tornado cada vez mais autônomo, independente
e dinâmico frente à política. Lendo por esta perspectiva, estamos em uma etapa
de possível aceleracionismo. O problema é para onde estamos acelerando.
• Em uma perspectiva teórica completamente
diferente estão pensadores como Krenak, Kopenawa, Clastres e Viveiros de
Castro, cada um a seu modo, mas todos orbitando em torno do caráter
perspectivista do pensamento indígena. Como você compreende estas cosmologias
(não são exatamente epistemologias) e sua contribuição para o contemporâneo?
Matheus
Castelo Branco Dias – As cosmologias se diferem da epistemologia justamente por
não orbitarem em torno do conhecimento, pelo menos não no que tange o
conhecimento para o pensamento ocidental. O perspectivismo tampouco é uma
teoria sobre o mundo; ele é uma ontologia do múltiplo, o estudo da existência a
partir das minuciosidades, das multifacetas, das dinâmicas relacionais e do que
se pode caracterizar como organismo vivo.
A
contribuição central das cosmologias alinhadas ao perspectivismo é o necessário
desmonte da ideia de natureza como objeto e ser humano no centro. Essas
concepções buscam tratar as relações humanas em coexistência com o que está ao
seu redor, que podem ser território, animais, até mesmo a própria
espiritualidade, tudo que há na Terra é feito para estar no centro. Rompendo
com a ideia moderna e eurocêntrica de homem como centro do mundo, uma ideia de
homem que inclusive é carregada de conotações do que é o homem para a noção
ocidental, ignorando as complexas distinções que cada ser humano possui ao
redor do planeta.
• Como é possível conciliar, se é que é o
caso, aceleracionismo e as cosmovisões amazônicas?
Matheus
Castelo Branco Dias – Não vejo muitos horizontes de conciliação, pois partem de
premissas opostas, visto que o aceleracionismo parte da ideia de intensificação
de um processo e o perspectivismo e as cosmologias indígenas possuem como eixo
central a sustentação do tempo e do ser. O que dá para conciliar, de certa
forma, é a rejeição ao humanismo liberal clássico. Como vinha mencionando na
pergunta anterior, o perspectivismo e as cosmologias rechaçam a ideia de homem
advinda deste pensamento. Em Land há essa rejeição também, mas no sentido de
ser uma concepção ultrapassada, onde a lógica maquínica tende a superar este
humanismo perante a aceleração da entidade capitalismo.
O
caminho ideal, a meu ver, é de utilizar o diagnóstico aceleracionista para
entender o colapso do capitalismo e do humanismo liberal, sendo a partir disto
um reforçador de que as cosmologias presentes na Amazônia são um caminho
essencial para imaginar saídas frente a este colapso.
• Um aspecto em comum entre a forma de
organização social dos povos indígenas – tomando como referência A sociedade
contra o Estado, de Clastres, ou A função social da guerra na sociedade
tupinambá, de Florestan – e o pensamento de Nick Land é o rechaço à organização
centralizada do Estado. Contudo, nos povos nativos a alternativa aponta para a
horizontalização e Land aponta para as tecnologias. Que semelhanças e
diferenças há entre uma perspectiva e outra?
Matheus
Castelo Branco Dias – A partir de um rigor do que há de central entre os
autores mencionados, uma semelhança é, sem dúvida, a rejeição ao Estado como
elemento centralizador. Mas é preciso apontar essa semelhança reforçando também
a divergência.
Em
Land, o antiestatismo recai na aceleração de mecanismos e sistemas impessoais e
sem um ordenamento de bem comum, como tecnologia, mercado, inteligências
artificiais etc.
Para
teóricos indigenistas e intelectuais indígenas, abordagens antiestatais
interligam-se diretamente como forma para preservar a vida coletiva enquanto
Land dissolve o poder moderador em fluxos que em nada tem de compromisso com a
vida. Pelo contrário, tende a barbárie.
• A lógica do aceleracionismo opera dentro
de um quadro que sustenta a desejabilidade da aceleração dos processos sociais
e tecnológicos. Entretanto, as Big Techs, também por meio dessa dinâmica,
tornaram-se megacorporações que interferem (ou tentam interferir) em
democracias no mundo todo e obnubilam massacres como o ocorrido em Gaza. Como
compreender essas contradições e superá-las no sentido de um mundo mais
acolhedor às minorias?
Matheus
Castelo Branco Dias – Ótima pergunta. Ela me leva a uma reflexão profunda sobre
isso.
Eu
enxergo que a contradição está justamente no núcleo da proposta
aceleracionista. Essa ideia de que acelerar os processos sociais, em conjunto
com os processos tecnológicos, não tem como coexistir com ideias de
emancipação, mesmo que exista um aceleracionismo de esquerda, a qual considero
profundamente contraditório. O aceleracionismo é uma dinâmica concreta em
muitos fatores presentes no mundo hoje, sendo as Big Techs e suas
interferências políticas ao redor do globo um exemplo disto. Mas há de lembrar
que toda aceleração do capital traz consigo justamente a aceleração das
contradições do capital, portanto há uma forte estrutura de repressão, opressão
e barbárie presente nisto, pois não é uma aceleração neutra e artificial.
As Big
Techs aparecem justamente como uma sofisticação do capitalismo e, obviamente,
fazem parte do poder político que sempre reordenou a esfera de desenvolvimento
do capital. A interferência em democracias ou a capacidade das Big Techs e
demais segmentos corporativos de interferir no que aparece ou desaparece no
debate público, como no caso de Gaza ou do Irã, não é um efeito colateral, mas
parte da essência deste processo político. Essa aceleração não é neutra.
É daí
que eu gostaria de ressaltar um problema central do aceleracionismo, que é a
aposta na intensificação como se ela carregasse consigo a ruptura das
contradições. Na minha perspectiva, a aceleração traz consigo justamente a
aceleração das contradições, não a ruptura, ela consolida na prática as
contradições trazendo consigo o uso de elementos tecnológicos como as
inteligências artificiais, megacorporações de tecnologia envolvidas em guerras,
narrativas de opinião pública, controle de redes, além do elevado uso maquínico
como elemento bélico.
As
cosmovisões são essenciais justamente para deter perspectivas de progresso
baseadas em intensificações contínuas, pois estas intensificações na prática
têm sido observadas como reforçadores de estruturas de exclusão. Um mundo
acolhedor precisa inverter essa lógica. Não é uma questão de velocidade, mas
sim de controle do ritmo. Definir o que se acelera, desacelera, o que há de ser
distribuído ou adquirido. Isso está em disputa hoje. O campo das ciências
humanas na interpretação da atualidade histórica precisa ter isto em mente.
• Há algo de escatologia bíblica no
aceleracionismo, de um mundo melhor que virá após o colapso deste. Neste
contexto, quais os limites da perspectiva teórica do aceleracionismo na atual
conjuntura?
Matheus
Castelo Branco Dias – Concordo em gênero, número e grau com a análise de que há
elementos escatológicos no aceleracionismo. A ideia de que precisamos
intensificar as contradições até um ponto de ruptura carrega consigo, mesmo que
talvez sem intenção, uma noção de que algo novo e melhor vai emergir do
colapso. É um idealismo romântico do fim do mundo, as máquinas ganham um papel
quase religioso e libertador.
Isso é
um problema real quando observamos que, sim, existem sinais de aceleração
demasiada do capitalismo no século XXI. Se fizermos um paralelo sobre o
desenvolvimento tecnológico como centralizador e primordial na reprodução do
capital na década de 20 do nosso presente século, onde ainda estamos um pouco
além da metade somente, frente à década de 10, observaremos uma aceleração
extrema e inequívoca. Isso traz consigo a reflexão de que, se o aceleracionismo
tem algo de real no mundo contemporâneo, então o colapso como consequência
também há de ter uma dimensão de realidade. Se estamos mais próximos em
determinada dimensão de um colapso civilizatório, o que há de ser feito por nós
enquanto humanidade? Ceder ao colapso e acreditar nestes princípios escatológicos
de colapso como mola propulsora de um novo mundo ideal?
Creio
que reforçarmos as cosmovisões como pressuposto legítimo, não apenas como
critério político e filosófico, mas também de existência e resistência, é
fundamental para ter esperança frente às crises ecológicas, à concentração
tecnológica e às instabilidades democráticas cada vez mais presentes.
A
aceleração está em curso e precisamos abrir horizontes de enfrentamento, abrir
horizontes de interrupção de processos, de sustentação de novos ritmos, de
aprendizado na ancestralidade, na espiritualidade, nas conexões tanto humanas
como do ser, da natureza, do que há de existente em nossa vivência no mundo. Se
não, poderemos ser meros telespectadores de uma escatologia paradoxalmente bem
concreta aos olhos do sistema político mundial.
• Como e qual a importância de ler Nick
Land para além das ideias que o tornaram uma espécie de ideólogo da
extrema-direita?
Matheus
Castelo Branco Dias – Acredito que o diagnóstico de que há uma aceleração do
capitalismo é o elemento norteador. Land percebeu com muita antecedência que o
capitalismo estava deixando de ser um sistema econômico e passando a operar
como uma dinâmica minuciosa e viva dentro de cada mínimo aspecto do ser social.
Isso já esteve presente desde Marx, nos Manuscritos econômicos e filosóficos, e
em Gyorgy Lukács, no livro Para uma ontologia do ser social. Mas Land
desenvolve com uma profundidade brilhante, sobretudo para as concepções atuais
do que seriam essas minuciosidades.
Em seu
pensamento, Land trouxe conceitos-chave para a leitura do mundo hoje, como o
desenvolvimento do algoritmo, da automação e da velocidade superando o mercado,
a infraestrutura e, principalmente, as concepções clássicas da democracia
liberal, que por muito tempo foram o aparelho modulador de implementação,
desenvolvimento e sustentação do capitalismo, sendo superadas por ele e hoje
pouco ou nada possuem de controle deste sistema.
Portanto,
Land traz luz para as concepções que são importantes na realidade concreta,
como o fato de que as instituições democráticas não possuem mais nenhum tipo de
gerência real e efetiva de controle da aceleração ou desaceleração do
capitalismo.
Por
isso, ler Nick Land é devidamente importante, mas eu recomendo que seja lido
como um revelador de diagnóstico da atualidade histórica, não como um horizonte
político. Quaisquer que sejam as formulações teóricas que endossem a existência
desse processo de aceleração e autonomização do sistema capitalista, abre-se
espaço para a naturalização da desigualdade. O aceleracionismo deve ser lido
como um diagnóstico de que há uma curva ascendente de aceleração e
autonomização do capitalismo perante o homem, mas aceitar a dissolução do
próprio ser humano nos processos de decisão de futuro não pode ser
naturalizado.
É a
partir destes pressupostos que se revela a divergência de quem busca ler aos
olhos de um diagnóstico da crise do capital e de quem busca ler visando a
aceleração do capitalismo como uma concepção coerente, o que muitos na
extrema-direita tem feito, dando esse caráter de extrema-direita para algumas
teses de Land.
• Por que as diferentes noções de tempo,
propostas por Krenak, são importantes para recolocarmos o aceleracionismo em
outros termos e com um caráter menos universalista?
Matheus
Castelo Branco Dias – As noções de tempo em Ailton Krenak são importantes
porque desmontam o pressuposto mais silencioso do aceleracionismo, que é a
ideia de um tempo único, linear e universal, sempre orientado para frente e
passível de intensificação. O aceleracionismo só faz sentido dentro dessa
moldura. Se o tempo é uma linha homogênea, acelerar parece algo lógico.
Krenak
rompe exatamente com isso. O tempo, para ele, não é uma linha que avança, mas
um conjunto de ritmos, interrupções, permanências e relações. Existem
temporalidades diferentes, algumas que não se orientam pelo futuro, mas pela
continuidade da vida, pela memória e pelo território. Isso muda completamente o
problema. A questão deixa de ser “quanto acelerar” e passa a ser a indagação de
qual tempo está sendo imposto e quais estão sendo apagados.
Essa
diferença é decisiva porque revela o caráter universalista do aceleracionismo.
Quando se fala em acelerar processos sociais e tecnológicos, se está partindo
de uma experiência muito específica de mundo, ligada à modernidade ocidental.
Outras formas de vida não operam nesse regime de urgência permanente. Para
muitas delas, acelerar pode significar justamente destruir as condições de
existência. Ao introduzir múltiplas temporalidades, Krenak recoloca limites.
Nem tudo pode ou deve ser intensificado. Há tempos que precisam ser
sustentados, protegidos, até mesmo desacelerados. Isso abre espaço para pensar
a política não como gestão de velocidade, mas como disputa de ritmos.
• Para quem e sob quais condições a
aceleração faz sentido?
Matheus
Castelo Branco Dias – Vamos lá, eu vou revisitar algumas abordagens já
mencionadas em outras respostas e fazer conexões com as perguntas entrepostas.
Primeiro de tudo, é preciso compreender que a aceleração do capitalismo não é
neutra, logo o aceleracionismo como teoria também tampouco será. A aceleração
do capital como sistema vivo interessa ao mercado financeiro, sobretudo os
setores altamente tecnologizados deste mercado, pois traz a estes setores algo
crucial, que move o mundo há tempos: poder.
Esses
agentes querem a aceleração como forma de ampliação da capacidade de extração
de recursos, de redução de mecanismos de mediação presentes nas conceituações
da democracia liberal, no aumento do controle sobre os fluxos de informação,
assim controlando, portanto, a mentalidade, o trabalho e o consumo.
Para a
maior parte do mundo, especialmente nós no Sul Global, a experiência da
aceleração traz consigo uma perda de autonomia, precarização e intensificação
das desigualdades de forma muito crua e vivida. Não há uma promessa de futuro
para nós. O que há é uma pressão contínua sobre o presente.
O
aceleracionismo só faz sentido para quem dita o ritmo do que se acelera,
baseado em interesses e consequências que são péssimas para quem busca um mundo
com redução das contradições do capital.
• Deseja acrescentar algo?
Matheus
Castelo Branco Dias – Talvez só reforçar um ponto que atravessa tudo isso. O
debate sobre o aceleracionismo muitas vezes fica preso na questão da
velocidade, como se o problema fosse acelerar ou desacelerar. Mas o que
aparece, quando se olha com mais cuidado, é outra coisa. Trata-se de quem
define o ritmo, quem suporta os custos e quais formas de vida conseguem
continuar existindo dentro desses processos.
Se há
algo a acrescentar, é a necessidade de deslocar o foco da fascinação pela
técnica para a disputa concreta sobre as condições de existência. Nem toda
intensificação produz ruptura, muitas vezes ela só aprofunda o que já está
dado. E nem toda recusa da aceleração é atraso, pode ser justamente a condição
de preservação de outras possibilidades de mundo. No limite, o que está em jogo
não é escolher entre acelerar ou frear, mas impedir que a lógica dominante
esgote as alternativas antes mesmo que elas possam se afirmar.
Fonte:
Entrevista com Matheus Castelo Branco Dias, por Baleia Comunicação, em IHU

Nenhum comentário:
Postar um comentário