quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Zema na TV: crítica à obrigatoriedade da vacina, gafe e respostas evasivas

A sabatina de Romeu Zema no Jornal Nacional,  realizada nesta segunda-feira (24), foi marcada por respostas que colocaram o candidato do Novo à Presidência da República diante de temas sensíveis de sua campanha e de seu governo em Minas Gerais.

Entre os momentos de maior repercussão estiveram as declarações sobre os atos de 8 de janeiro, a defesa de anistia aos condenados, a vacinação contra a Covid-19, o aumento do próprio salário e a situação fiscal de Minas. Zema também cometeu uma gafe ao responder sobre políticas voltadas às mulheres.

<><> 8 de janeiro e anistia

Um dos principais momentos de tensão ocorreu quando Zema foi questionado sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. O candidato voltou a rejeitar a classificação dos atos como uma tentativa de golpe e defendeu uma revisão das punições aplicadas aos envolvidos.

“Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo como aquele que aconteceu em janeiro de 2023”, afirmou.

Zema também defendeu a possibilidade de anistia para os condenados. Caso isso não fosse possível, disse que apoiaria a realização de novos julgamentos. “Eu darei anistia ou, no mínimo, um tribunal que não seja político, que seja judicial”, declarou.

<><> Vacinação contra a Covid-19

A obrigatoriedade da vacinação também provocou um momento de confronto entre o candidato e os entrevistadores. Zema afirmou ser vacinado contra a Covid-19 e disse acreditar na ciência, mas se posicionou contra a obrigatoriedade da imunização.

“Ser obrigatório, transformar num crime, isso não é o que pode acontecer em um país democrático”, disse.

<><> Reajuste do próprio salário

Outro tema delicado foi o aumento dos salários do governador, vice-governador e secretários de Minas Gerais durante a administração de Zema. O reajuste elevou a remuneração do governador de R$ 10,5 mil para R$ 41,8 mil.

Questionado sobre a decisão, Zema argumentou que a medida era necessária para tornar os cargos públicos mais atrativos e permitir a contratação de profissionais qualificados. Ele também mencionou que doa seu salário para instituições filantrópicas, entre elas as Apaes.

<><> Dívida de Minas Gerais

A situação financeira do estado também foi explorada pelos entrevistadores. A dívida de Minas Gerais, que estava em aproximadamente R$ 88 bilhões em 2019, chegou perto de R$ 180 bilhões em 2025.

Zema atribuiu o crescimento principalmente aos juros cobrados sobre o passivo estadual e classificou as taxas como “juros de agiota”.

“A dívida de Minas foi toda feita no passado. Não fiz um empréstimo. Essa dívida foi herdada dos anos 1990, e cresceu muito devido aos juros de agiota do governo federal. Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria, paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que quando eu assumi.”

Ao ser confrontado por dados apresentados por Renata Vasconcellos, que mencionou que a dívida de Minas saltou de 98% da arracadação do Estado em 2019 para 137% em 2025, Zema voltou a apresentar resultados positivos de sua administração, sem responder à jornalista.

“Nós temos hoje uma dívida que, proporcionalmente, é menor do que era há 8 anos. A economia de Minas ganhou participação no PIB do Brasil, nós temos hoje uma economia muito mais dinâmica. Isso teve reflexo na arrecadação. (…) Eu assumi com um déficit de R$ 11 bilhões em 2018. Eu saí com superávit de R$ 5 bilhões”, afirmou.

<><> Salário mínimo

A política de valorização do salário mínimo foi outro ponto em que Zema apresentou uma posição mais cautelosa. O candidato afirmou que pretende garantir a reposição da inflação, mas condicionou a concessão de aumentos reais ao desempenho da economia. “Eu garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação”, disse.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de ganho acima da inflação, Zema vinculou a medida à situação econômica e ao equilíbrio das contas públicas.

<><> Gafe ao falar sobre mulheres

Durante a entrevista, Zema também protagonizou uma das situações mais constrangedoras da noite ao responder sobre políticas públicas para mulheres. Ao se referir às ações implementadas durante seu governo, utilizou a expressão “programas contra as mulheres”, aparentemente em lugar da formulação que pretendia utilizar.

A declaração chamou atenção nas redes sociais e acabou se tornando um dos trechos mais comentados da sabatina.

<><> Privatizações

Zema também defendeu uma ampla agenda de privatizações caso seja eleito presidente. Entre as empresas mencionadas estiveram Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Ao justificar a proposta, afirmou:

“As empresas brasileiras hoje estão subavaliadas porque têm uma gestão muito ruim.”

A defesa da venda de grandes estatais reforça uma das principais bandeiras econômicas do candidato, que pretende levar para o governo federal parte da agenda liberal adotada em Minas Gerais.

<><> Educação

Na área da educação, Zema apresentou uma meta ambiciosa: multiplicar por dez a quantidade de escolas públicas de tempo integral no país. O candidato citou sua experiência em Minas Gerais como exemplo e afirmou: “o avanço que eu fiz em Minas, eu assumo o compromisso no Brasil. Ou seja, vai universalizar.”

¨      Romeu Zema é contra as mulheres. Por Juliana Dal Piva

Romeu Zema, candidato do Novo à presidência da República, sentou na bancada do Jornal Nacional e foi o protagonista de uma cena de sincericídio que simboliza e expressa o problema da maior parte dos homens que disputam cargos públicos quando são questionados sobre violência contra mulher.

Eles não se importam.

No geral, os preparados para debates e sabatinas, ao menos, estudam os números e ensaiam um roteiro politicamente correto. Mas, na extrema direita, nem isso. Zema foi questionado pela jornalista Renata Vasconcellos no JN sobre como iria combater a violência contra as mulheres. Ao responder, ele olha para a câmera e diz: “Eu tenho uma série de programas contra as mulheres”.

A primeira reação é rir. Porque sim, é trágico e cômico ao mesmo tempo. Ato falho? Pode ser. Mas vamos aos dados de Minas Gerais. No ano passado, em 2025, o Brasil registrou 1.470 casos, o maior número de feminicídio já contabilizado no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Minas, com 139 casos, só ficou atrás de São Paulo em números absolutos, com 233.

Mas segundo uma reportagem do Portal Metrópoles, com pesquisadores mineiros, entre janeiro de 2019 e maio de 2026, MG contabilizou um total de 2.725 vítimas de feminicídio, abrangendo tanto casos consumados quanto tentados e a tendência é de alta. Este ano pode ter um novo recorde.

E o Zema? Bom, em março de 2020, no lançamento do MG Mulher, programa de combate à violência doméstica desenvolvido pela Polícia Civil mineira, o agora presidenciável do partido Novo, disse que a opressão contra a mulher é “meio que como um instinto natural do ser humano”. Ele também foi contra o projeto de lei que tipifica a misoginia como crime, aprovado pelo Senado.

Em junho, em um evento da CNI, ele defendeu que só homens beneficiários do Bolsa Família seriam cobrados a concluir estudos e fazer cursos técnicos: “Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens”. Ainda emendou que os programas sociais estão criando uma “geração de imprestáveis”.

Então, ao ouvir a declaração dele no JN, não dá nem pra ficar surpreso. Ele realmente se coloca contra as políticas para mulheres. Não foi gafe ou ato falho. Foi um momento em que, sem querer, a verdade saiu.

 

Fonte: ICL NOtícias

 

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