Zema
na TV: crítica à obrigatoriedade da vacina, gafe e respostas evasivas
A
sabatina de Romeu Zema no Jornal Nacional, realizada nesta
segunda-feira (24), foi marcada por respostas que colocaram o candidato do Novo
à Presidência da República diante de temas sensíveis de sua campanha e de seu
governo em Minas Gerais.
Entre
os momentos de maior repercussão estiveram as declarações sobre os atos de 8 de
janeiro, a defesa de anistia aos condenados, a vacinação contra a Covid-19, o
aumento do próprio salário e a situação fiscal de Minas. Zema também cometeu
uma gafe ao responder sobre políticas voltadas às mulheres.
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8 de janeiro e anistia
Um dos
principais momentos de tensão ocorreu quando Zema foi questionado sobre os
ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. O
candidato voltou a rejeitar a classificação dos atos como uma tentativa de
golpe e defendeu uma revisão das punições aplicadas aos envolvidos.
“Não
existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um
movimento de vandalismo como aquele que aconteceu em janeiro de 2023”, afirmou.
Zema
também defendeu a possibilidade de anistia para os condenados. Caso isso não
fosse possível, disse que apoiaria a realização de novos julgamentos. “Eu darei
anistia ou, no mínimo, um tribunal que não seja político, que seja judicial”,
declarou.
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Vacinação contra a Covid-19
A
obrigatoriedade da vacinação também provocou um momento de confronto entre o
candidato e os entrevistadores. Zema afirmou ser vacinado contra a Covid-19 e
disse acreditar na ciência, mas se posicionou contra a obrigatoriedade da
imunização.
“Ser
obrigatório, transformar num crime, isso não é o que pode acontecer em um país
democrático”, disse.
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Reajuste do próprio salário
Outro
tema delicado foi o aumento dos salários do governador, vice-governador e
secretários de Minas Gerais durante a administração de Zema. O reajuste elevou
a remuneração do governador de R$ 10,5 mil para R$ 41,8 mil.
Questionado
sobre a decisão, Zema argumentou que a medida era necessária para tornar os
cargos públicos mais atrativos e permitir a contratação de profissionais
qualificados. Ele também mencionou que doa seu salário para instituições
filantrópicas, entre elas as Apaes.
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Dívida de Minas Gerais
A
situação financeira do estado também foi explorada pelos entrevistadores. A
dívida de Minas Gerais, que estava em aproximadamente R$ 88 bilhões em 2019,
chegou perto de R$ 180 bilhões em 2025.
Zema
atribuiu o crescimento principalmente aos juros cobrados sobre o passivo
estadual e classificou as taxas como “juros de agiota”.
“A
dívida de Minas foi toda feita no passado. Não fiz um empréstimo. Essa dívida
foi herdada dos anos 1990, e cresceu muito devido aos juros de agiota do
governo federal. Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam
aposentadoria, paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários
públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do
que quando eu assumi.”
Ao ser
confrontado por dados apresentados por Renata Vasconcellos, que mencionou que a
dívida de Minas saltou de 98% da arracadação do Estado em 2019 para 137% em
2025, Zema voltou a apresentar resultados positivos de sua administração, sem
responder à jornalista.
“Nós
temos hoje uma dívida que, proporcionalmente, é menor do que era há 8 anos. A
economia de Minas ganhou participação no PIB do Brasil, nós temos hoje uma
economia muito mais dinâmica. Isso teve reflexo na arrecadação. (…) Eu assumi
com um déficit de R$ 11 bilhões em 2018. Eu saí com superávit de R$ 5 bilhões”,
afirmou.
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Salário mínimo
A
política de valorização do salário mínimo foi outro ponto em que Zema
apresentou uma posição mais cautelosa. O candidato afirmou que pretende
garantir a reposição da inflação, mas condicionou a concessão de aumentos reais
ao desempenho da economia. “Eu garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver
inflação, nós daremos toda a inflação”, disse.
Ao ser
questionado sobre a possibilidade de ganho acima da inflação, Zema vinculou a
medida à situação econômica e ao equilíbrio das contas públicas.
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Gafe ao falar sobre mulheres
Durante
a entrevista, Zema também protagonizou uma das situações mais constrangedoras
da noite ao responder sobre políticas públicas para mulheres. Ao se referir às
ações implementadas durante seu governo, utilizou a expressão “programas contra
as mulheres”, aparentemente em lugar da formulação que pretendia utilizar.
A
declaração chamou atenção nas redes sociais e acabou se tornando um dos trechos
mais comentados da sabatina.
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Privatizações
Zema
também defendeu uma ampla agenda de privatizações caso seja eleito presidente.
Entre as empresas mencionadas estiveram Petrobras, Banco do Brasil e Caixa
Econômica Federal.
Ao
justificar a proposta, afirmou:
“As
empresas brasileiras hoje estão subavaliadas porque têm uma gestão muito ruim.”
A
defesa da venda de grandes estatais reforça uma das principais bandeiras
econômicas do candidato, que pretende levar para o governo federal parte da
agenda liberal adotada em Minas Gerais.
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Educação
Na área
da educação, Zema apresentou uma meta ambiciosa: multiplicar por dez a
quantidade de escolas públicas de tempo integral no país. O candidato citou sua
experiência em Minas Gerais como exemplo e afirmou: “o avanço que eu fiz em
Minas, eu assumo o compromisso no Brasil. Ou seja, vai universalizar.”
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Romeu Zema é contra as mulheres. Por Juliana Dal Piva
Romeu
Zema, candidato do Novo à presidência da República, sentou na bancada do Jornal
Nacional e foi o protagonista de uma cena de sincericídio que simboliza e
expressa o problema da maior parte dos homens que disputam cargos públicos
quando são questionados sobre violência contra mulher.
Eles
não se importam.
No
geral, os preparados para debates e sabatinas, ao menos, estudam os números e
ensaiam um roteiro politicamente correto. Mas, na extrema direita, nem isso.
Zema foi questionado pela jornalista Renata Vasconcellos no JN sobre como iria
combater a violência contra as mulheres. Ao responder, ele olha para a câmera e
diz: “Eu tenho uma série de programas contra as mulheres”.
A
primeira reação é rir. Porque sim, é trágico e cômico ao mesmo tempo. Ato
falho? Pode ser. Mas vamos aos dados de Minas Gerais. No ano passado, em 2025,
o Brasil registrou 1.470 casos, o maior número de feminicídio já contabilizado
no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública
(Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Minas, com 139 casos,
só ficou atrás de São Paulo em números absolutos, com 233.
Mas
segundo uma reportagem do Portal Metrópoles, com pesquisadores mineiros, entre
janeiro de 2019 e maio de 2026, MG contabilizou um total de 2.725 vítimas de
feminicídio, abrangendo tanto casos consumados quanto tentados e a tendência é
de alta. Este ano pode ter um novo recorde.
E o
Zema? Bom, em março de 2020, no lançamento do MG Mulher, programa de combate à
violência doméstica desenvolvido pela Polícia Civil mineira, o agora
presidenciável do partido Novo, disse que a opressão contra a mulher é “meio
que como um instinto natural do ser humano”. Ele também foi contra o projeto de
lei que tipifica a misoginia como crime, aprovado pelo Senado.
Em
junho, em um evento da CNI, ele defendeu que só homens beneficiários do Bolsa
Família seriam cobrados a concluir estudos e fazer cursos técnicos: “Viso muito
os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma
diferença muito grande com relação aos homens”. Ainda emendou que os programas
sociais estão criando uma “geração de imprestáveis”.
Então,
ao ouvir a declaração dele no JN, não dá nem pra ficar surpreso. Ele realmente
se coloca contra as políticas para mulheres. Não foi gafe ou ato falho. Foi um
momento em que, sem querer, a verdade saiu.
Fonte:
ICL NOtícias

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