quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Setembro Amarelo expõe lacunas na proteção de quem cuida de pessoas com deficiência

Redução ou adequação da jornada para servidores públicos responsáveis por pessoas com deficiência, prioridade em vagas de teletrabalho em determinadas situações, proibição de cobrança adicional por escolas privadas para medidas de inclusão, direito a acompanhante em internações e acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), quando preenchidos os requisitos. A legislação brasileira já reúne mecanismos que podem aliviar parte da rotina dessas famílias. O problema é que os direitos estão espalhados por diferentes normas e nem sempre alcançam diretamente quem assume a maior carga do cuidado.

Às vésperas do Setembro Amarelo, essa lacuna ganha um novo componente. Em 24 de agosto, o Ministério da Saúde lançou o Acolhe Mais, serviço nacional de teleatendimento em saúde mental que inclui mães atípicas e outros familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. A previsão é de até 100 mil atendimentos mensais pelo Meu SUS Digital.

Para a advogada Sabrina Batista, sócia do BSF Advogados, a iniciativa chama atenção para uma questão que o Direito ainda trata de maneira fragmentada. “Existem garantias importantes para a pessoa com deficiência e algumas proteções que alcançam seus responsáveis, mas ainda há uma distância entre reconhecer a necessidade do cuidado e proteger, de forma ampla, a pessoa que cuida. Quando esse cuidador adoece, toda a estrutura familiar pode ser afetada”, afirma.

Na prática, há direitos que muitas famílias desconhecem. A Lei nº 8.112/1990 prevê horário especial, sem compensação, ao servidor público federal que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência, mediante comprovação da necessidade. O Supremo Tribunal Federal estendeu a aplicação da regra a servidores estaduais e municipais. Já a Lei nº 14.457/2022 estabelece prioridade, quando a atividade permitir, para trabalhadores com filho, enteado ou pessoa sob guarda com deficiência na alocação de vagas de teletrabalho e prevê priorização de medidas de flexibilização da jornada.

Na educação, o Estatuto da Pessoa com Deficiência obriga escolas privadas a cumprir medidas de inclusão, inclusive a oferta de profissional de apoio escolar quando cabível, sem cobrança adicional. Na saúde, garante à pessoa com deficiência internada ou em observação o direito a acompanhante. Famílias de baixa renda ainda podem requerer, para a pessoa com deficiência que cumpra os critérios legais, o BPC, no valor de um salário mínimo mensal.

Advogada e mãe atípica, Sabrina conhece também pela experiência pessoal os impactos de uma rotina atravessada por consultas, terapias, escola, burocracia e busca por direitos. Sua atuação inclui processos relacionados a famílias atípicas. “Muitas famílias chegam ao Judiciário não em busca de privilégios, mas para tornar efetivo um direito que já existe. E, enquanto lutam por tratamento, inclusão escolar, benefício ou adaptação da rotina de trabalho, existe uma sobrecarga emocional que raramente aparece no processo”, observa.

<><> Prevenção também é direito

 O novo serviço do SUS surge menos de um ano depois de outra mudança relevante. A Lei nº 15.232/2025 alterou a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio para determinar que sejam consideradas as características e necessidades das pessoas psicossocialmente mais vulneráveis, como pessoas com deficiência, e daquelas com maior risco de transtornos mentais associados à violência autoprovocada.

A norma não cita mães atípicas ou cuidadores nominalmente, mas, na avaliação de Sabrina, reforça uma leitura mais ampla sobre prevenção. Segundo Sabrina Batista, o Setembro Amarelo não pode começar apenas quando alguém chega ao limite. “Para famílias submetidas a uma carga permanente de cuidado, prevenção também significa acesso a políticas públicas, informação, rede de apoio e condições para conciliar cuidado, trabalho e vida pessoal”, diz. “Não estamos falando de privilégio. Estamos falando de condições para que uma família consiga sustentar uma rotina de cuidado. Precisamos olhar para a saúde mental de quem sustenta diariamente a rotina de cuidado de uma pessoa com deficiência”, completa a advogada.

<><> Do papel à rotina

 O Acolhe Mais prevê até dez sessões por usuária, com possibilidade de continuidade do cuidado e encaminhamento para CAPS ou outro serviço da rede. O atendimento remoto foi pensado justamente para reduzir obstáculos como falta de tempo, dificuldade de deslocamento e distância enfrentados por mulheres cuidadoras.

“O Brasil avançou na proteção jurídica das pessoas com deficiência. O próximo passo é olhar também para a sustentabilidade dessa rede de cuidado. Quem garante direitos todos os dias dentro de casa também precisa encontrar proteção quando precisar”, conclui Sabrina Batista.

•        Congresso marca nova fase da anestesiologia na Bahia

Salvador recebe, entre os dias 18 e 20 de setembro, o 1º Congresso de Anestesiologia da Bahia, encontro que reunirá anestesiologistas, residentes, estudantes e especialistas para três dias de atualização científica, atividades práticas e troca de experiências. Promovido pela Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia (SAEB), o evento será realizado no Hotel Deville Prime, em Itapuã. As inscrições já estão abertas.

Com o conceito “A ciência que orienta. As conexões que fortalecem”, o encontro pretende unir atualização científica, aperfeiçoamento e integração profissional, inaugurando uma nova etapa na trajetória da anestesiologia baiana. A iniciativa sucede 35 edições da Jornada Baiana de Anestesiologia (JORBA) e amplia uma história construída ao longo de décadas, incorporando novos espaços de discussão, formação prática, produção científica e integração entre diferentes gerações de profissionais.

“Este evento nasce de uma trajetória sólida e, ao mesmo tempo, com os olhos voltados para o futuro. A anestesiologia evolui rapidamente, com novas tecnologias, técnicas e evidências científicas, e acompanhar esse movimento é fundamental para oferecermos uma assistência cada vez mais segura e qualificada aos pacientes”, afirma o presidente da SAEB, Sammer Victor Almeida.

<><> Ciência e prática

A programação inclui palestras, mesas-redondas e sessões conduzidas por especialistas da anestesiologia, além de atividades pré-congresso voltadas à formação prática. Estão previstos o Curso de Bloqueios Regionais, o curso de ECO Transesofágico para a prática em UTI e Anestesia, promovido pela SAEB em parceria com a Maximus, além do Encontro Estudantil. As vagas para essas atividades são limitadas.

Os temas refletem uma especialidade cada vez mais ampla e tecnológica. Embora a anestesiologia ainda seja frequentemente associada apenas à administração da anestesia durante uma cirurgia, o anestesiologista participa de diferentes etapas do cuidado ao paciente, incluindo avaliação pré-operatória, monitorização durante procedimentos, controle da dor, manejo de situações críticas e acompanhamento da recuperação.

Para a diretora científica da SAEB, Daniela Oliveira, aproximar as evidências científicas da realidade enfrentada diariamente pelos profissionais é um dos objetivos centrais da programação. “Não queremos apenas discutir o que há de novo, mas aproximar ciência e prática. Quando promovemos atualização de qualidade e treinamento, esse conhecimento se transforma em decisões clínicas mais precisas e, consequentemente, em maior segurança para o paciente”, destaca.

<><> Formação e integração

 A participação de residentes e estudantes também terá espaço de destaque. O Encontro Estudantil, que está na sua terceira edição, aproxima quem ainda está na formação acadêmica de profissionais experientes, estimulando o interesse pela especialidade, pela produção científica e pela educação médica continuada.

“O conhecimento precisa circular entre as gerações. Queremos estimular quem está chegando, fortalecer quem já atua na área e criar oportunidades reais de troca. Um congresso estadual também contribui para aproximar profissionais da capital e do interior e valorizar a anestesiologia que é produzida na Bahia”, acrescenta Sammer Victor Almeida.

Além da programação científica, o congresso contará com momentos destinados à convivência e ao networking. Para Daniela Oliveira, encontros presenciais continuam tendo papel relevante mesmo em uma época de amplo acesso à informação. “A ciência avança pelo estudo, mas também pela discussão, pela troca de experiências e pela construção coletiva. Reunir profissionais, residentes e estudantes com diferentes vivências amplia o aprendizado e fortalece conexões que permanecem depois do congresso”, afirma.

<><> Inscrições abertas

- O primeiro lote de inscrições pelo site www.saeb.org.br/eventos/congresso segue até 31 de agosto. A partir de 1º de setembro, começa o segundo lote, que permanece disponível até a realização do evento. Os interessados também podem se inscrever nos cursos pré-congresso, que possuem número limitado de vagas.

>>> SERVIÇO

1º Congresso de Anestesiologia da Bahia

Data: 18 a 20 de setembro de 2026

Local: Hotel Deville Prime – Itapuã, Salvador/BA

Realização: Sociedade de Anestesiologia da Bahia (SAEB)

1º lote de inscrições: até 31 de agosto

2º lote: de 1º de setembro até o dia do evento

Inscrições: www.saeb.org.br/eventos/congresso

 

Fonte: Carla Santana - Assessora de Imprensa 

 

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