quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Comunidades exigem adaptação climática no Amazonas

Sob a ameaça da chegada de um fenômeno El Niño com estimativa de intensidade “muito forte” e diante do aumento expressivo dos incêndios florestais e urbanos na região amazônica, povos indígenas e comunidades tradicionais exigiram, em uma Audiência Popular, realizada este mês em Manaus, ações permanentes de adaptação climática por parte do poder público para enfrentar o evento extremo, as altas temperaturas, a falta de água potável e de alimentos, como peixes, além da poluição do ar por causa dos incêndios florestais.

A cobrança das comunidades ocorre enquanto o Amazonas ainda não concluiu seu Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas – uma das metas da COP30. Conforme o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), a previsão é que o documento seja entregue em setembro de 2026. Mesmo sem uma cartilha a seguir, as populações que vivem nos territórios já apontam o que consideram necessário para atravessar eventos extremos sem depender exclusivamente de respostas emergenciais.  “A gente sofre muito com a estiagem, a seca, as queimadas e também passa por período de muita fumaça. Às vezes o Estado leva cesta básica, mas o povo não precisa só de uma cesta básica, precisa de água potável, precisa de atendimento médico. A gente tem uma população com várias aldeias. Quando seca o rio, andamos horas e horas a pé para chegar até uma UBS”, disse a liderança indígena Edno Mura, que participou da Audiência Pública representando a aldeia Galiléia, no município de Careiro da Várzea, que fica na região metropolitana de Manaus.  Além de indígenas, a Audiência Popular Impactos do Super El Niño no Amazonas contou, no dia 10 de agosto, com as presenças de lideranças ribeirinhas, quilombolas, agricultores e agricultoras familiares, pescadores e pescadoras artesanais, moradores das periferias urbanas, mulheres e juventude, no auditório da Assembleia Legislativa do Amazonas. Todos presentes compartilharam as dificuldades enfrentadas diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

No entorno da BR 319, que liga Manaus a Porto Velho (RO), o fogo dos incêndios florestais queimou as plantações e as casas na comunidade Ramal Mamori, localizada no município de Careiro Castanho, também na região metropolitana de Manaus. Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira, agricultora orgânica e liderança da comunidade, conta que o sacrifício é grande e não existem políticas governamentais para dar conta dos danos. Munidos com o conhecimento de um curso de brigadista, a própria comunidade se arrisca na prevenção dos incêndios.  “Quem mais sofre somos nós da zona rural, com o calor, falta de chuva, falta de água. O nosso medo agora é o fogo. O governo, que a gente espera que nessa hora nos ajude, precisa contribuir para a prevenção, para que no ano que vem não tenha fogo. A gente não pode continuar se virando sozinho”, declarou  Nilcinha.

O cacique Francisco Uruma Kambeba, conhecido como Chiquinho Kambeba, liderança do povo Omágua Kambeba da aldeia Tururucari-Uka, localizada em Manacapuru, a cerca de 47 quilômetros de Manaus, defende que as próprias comunidades sejam preparadas para atuar no combate às queimadas.

Na Amazônia Legal, as brigadas voluntárias e comunitárias representam uma das principais frentes de resposta aos incêndios florestais. A região concentra 60,5% das brigadas voluntárias existentes no país, embora a maioria atue de forma independente e sem recursos suficientes para fazer o manejo integrado e o monitoramento de focos de fogo em terras indígenas e unidades de conservação.

“É uma proposta que pode ser ampliada nesse sentido de capacitação e oficinas de treinamento com as comunidades ribeirinhas e indígenas. Se fala de sustentabilidade nas comunidades indígenas, mas a preservação ambiental fica solta na prática. São poucos bombeiros civis que vão para o combate ao fogo”, afirmou o cacique.

Na carta-manifesto lançada após o encontro, os movimentos sociais e lideranças povos originários e tradicionais reivindicam políticas permanentes de adaptação à crise climática, com acesso à água, energia e ao gás de cozinha a preços acessíveis, especialmente durante os períodos de eventos extremos.   Para isso, as comunidades pedem a ampliação dos serviços de assistência, incluindo cadastramento e atendimento pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), além de transporte e mobilidade nos territórios.

<><> Forte El Niño avança

Durante as secas na Amazônia, é comum para os moradores das comunidades caminhar longas distâncias para acessar serviços de saúde. Como os lagos e igarapés – que são os braços dos rios – secam, a água potável fica escassa. Eles são  obrigados a utilizar água imprópria para o consumo humano, surgindo inúmeras doenças hídricas. Os agricultores perdem produção por falta de chuva e irrigação, assim como pescadores  são afetados pela redução dos estoques de peixes. A falta de oxigênio na água dos mananciais provoca mortandade de animais.  É neste cenário que as informações são preocupantes com a nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) sobre o Super El Niño. No dia 14 de agosto, a NOAA estimou em 95% a probabilidade de fenômeno climático severo atingir intensidade “muito forte” entre setembro e dezembro de 2026. O período de verão amazônico geralmente vai até o mês de novembro.

Manaus foi apontada como a cidade brasileira mais vulnerável a ondas de calor extremo em estudo da Universidade de Oxford, conforme estudo publicado em junho na revista científica Sustainable Cities and Society. A cidade atingiu 36,3°C no dia 11 de agosto, maior temperatura do ano registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A sensação térmica chega aos 40°C nos bairros. Segundo Ane Alencar, diretora do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Ipam), quando associado às condições típicas do verão amazônico, com altas temperaturas, baixa umidade e uma estação seca mais prolongada, o El Niño pode potencializar a propagação dos incêndios florestais, uma vez que o fenômeno normalmente impacta a região norte da Amazônia, onde está Manaus.  “Quando isso acontece, ele [El Niño] tende a reduzir as chuvas e prolongar o período seco, aumentando a probabilidade de que queimadas escapem do controle e se transformem em grandes incêndios florestais. Dependendo da força do El Niño essas condições se agravam. Entretanto, é importante lembrar que as condições de clima sozinhas não iniciam o fogo, mas criam as condições para que ele se espalhe com muito mais intensidade”, explicou.

Em Manaus, Ane Alencar indica que as áreas mais vulneráveis a incêndios são as zonas de expansão urbana, assentamentos rurais, regiões próximas a rodovias e áreas já desmatadas ou degradadas, onde o uso do fogo é mais frequente. “Esses locais funcionam como porta de entrada para incêndios que podem atingir a floresta. Além disso, a floresta já chega mais vulnerável após sucessivos anos de seca e incêndios, acumulando degradação e maior quantidade de material combustível”, alertou a pesquisadora.

<><> Fogo que se alastra

A reportagem da Amazônia Real levantou dados junto ao Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) sobre o cenário atual dos incêndios florestais. É preciso diferenciar os registros, já que ocorrências de queima de lixo e incêndios urbanos não são equivalentes aos incêndios florestais que atingem áreas de vegetação nativa ou degradada e podem avançar sobre comunidades e territórios indígenas e tradicionais.  De 1º de janeiro a 9 de agosto de 2026, o Corpo de Bombeiros registrou 1.230 ocorrências de incêndio em Manaus, um aumento de 153,08% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 486 casos. Desse total, 564 incêndios ocorreram em áreas florestais, enquanto 666 foram registrados em áreas urbanas, representando 54,1% de todas as ocorrências. Para a população, um dos principais riscos como consequência do fogo é o aumento da poluição do ar, com impactos na saúde, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Na manhã de sexta-feira (14), por volta das 6h, o bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus, registrou 37,8 µg/m³ (microgramas por metro cúbico de ar), índice classificado como moderado pelo SELVA (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental), aplicativo de monitoramento desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

<><> O que dizem as autoridades

Em junho, o Governo do Amazonas decretou estado de emergência climática e ambiental em razão das previsões associadas ao El Niño. Assinada pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), a medida prevê o reforço das ações de monitoramento, prevenção, mitigação e preparação para enfrentar incêndios florestais, ondas de calor e a redução da disponibilidade hídrica, além de distribuir responsabilidades entre órgãos como a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM). No entanto, o decreto não sinalizou quais são as medidas concretas voltadas diretamente às populações que vivem nos territórios mais vulneráveis aos efeitos da seca e do calor. As ações de assistência mencionadas pelo governo são limitadas ao fornecimento de cestas básicas e a distribuição de água potável por meio do programa Água Boa, da Defesa Civil do Amazonas, que leva água tratada e purificadores para famílias de comunidades ribeirinhas e rurais.

Em resposta às lideranças presentes na Audiência Popular, em Manaus, Samanta Lacerda, chefe do Departamento de Gestão Ambiental da Sema, detalhou que o governo trabalha na elaboração de um plano climático multissetorial, com eixos de adaptação e mitigação, e que uma etapa participativa com povos e comunidades tradicionais ainda será realizada. “O plano não é um plano só de meio ambiente, apesar da Sema estar conduzindo. Tem participação de diversos órgãos, desde saúde, educação e economia. São cerca de 40 órgãos estratégicos. Nós montamos uma etapa participativa, onde a primeira oficina foi em maio deste ano com a participação desses órgãos. Agora nós vamos para a segunda etapa, que é exatamente ouvir as comunidades, os povos tradicionais”, ressaltou. Lacerda também destacou o Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) do Amazonas, que está em fase final de elaboração e será colocado em consulta pública na próxima segunda-feira (17). O documento segue a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que estabelece que os estados da Amazônia Legal tenham seus planos até março de 2027.

Com duração de três anos, o PMIF será acompanhado de planos operativos anuais, que vão definir as áreas e municípios prioritários conforme a situação de risco. Para 2026, a representante da Sema afirmou que estão previstas cerca de 56 ações, incluindo medidas de prevenção, fiscalização e combate ao fogo, além de ações de saúde pública relacionadas à poluição atmosférica. A Sema também informou que está fazendo um levantamento das comunidades que podem ficar isoladas durante a estiagem dentro das unidades de conservação e das áreas mais atingidas pelo fogo. O plano prevê ainda a capacitação e formação de brigadas comunitárias nessas regiões. Entre as áreas consideradas prioritárias está a RDS do Rio Negro, onde já existe previsão para a formação de uma brigada comunitária na unidade ainda neste ano. “Esse plano visa não só fortalecer o combate às queimadas e aos incêndios florestais, mas também a prevenção, a fiscalização e também o fortalecimento do uso cultural do fogo no estado do Amazonas. Porque a gente sabe que o uso do fogo é cultural pelas comunidades, pelos povos indígenas, pelas comunidades tradicionais. O objetivo do PMIF não é proibir o uso do fogo para essas populações, mas sim conscientizar de que esse uso tem que ser feito de forma controlada”, disse a representante do órgão.

<><> Poços artesianos

Reunidas na Audiência Popular, as lideranças de comunidades indígenas e tradicionais buscam garantir o acesso a serviços básicos e ações de enfrentamento ao evento climático forte El Niño, como por exemplo, um calor de mais de 42°C, situação devastadora para qualquer população no mundo. Soluções como a construção de poços artesianos já amenizariam um dos problemas mais sérios em tempos de seca: a falta de água potável.  Na comunidade tradicional do Lago do Jatuarana, localizada na margem esquerda do rio Amazonas, zona rural de Manaus, nas secas passadas, os moradores andaram até 4 quilômetros para conseguir alimentos e água. Eles reivindicam a perfuração de poços artesianos e a construção de sistemas contínuos de abastecimento e irrigação de água, para ajudar a manter a comunidade e as plantações durante os períodos de seca. “Os governos podiam fazer poço para a gente ter água potável nas nossas comunidades, porque tem muita gente que ainda toma a água do riacho. E o riacho está todo poluído, porque não tem fiscalização da floresta, não tem fiscalização da pesca. Isso impacta nas nossas ações”, disse Narciso Nunes Ferreira, presidente da Associação de Agricultores Familiares da Comunidade Ribeirinha e Tradicional Jatuarana (AAFCRTJ).

Isaac Lima, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), avalia que as políticas públicas voltadas ao enfrentamento da crise climática nas comunidades e territórios do Amazonas precisam ser permanentes, planejadas e construídas com participação popular.  “A gente não precisa ficar esperando o El Niño chegar e secar tudo. Tem que ser feito antes. Os verões do Amazonas sempre acontecem, e agora estão acontecendo com mais força por causa da interferência do modelo produtivo da nossa sociedade. Uma coisa é a gente só investir em monitoramento, investir em tecnologia. Mas também tem que ter efetividade na vida das comunidades”, disse em entrevista à reportagem Amazônia Real.

•        O que vai acontecer em Belo Monte? Por Lúcio Flávio

A Norte Energia, concessionária do Ministério das Minas e Energia, que opera a hidrelétrica de Belo Monte, reagiu ao último artigo que escrevi sobre o tema com uma nota, na qual se defendia das criticas que lhe fiz sobre sua ação na bacia do rio Xingu, no Pará, onde a usina se localiza. Nessa primeira nota, a Norte Energia fornecia algumas informações e se recusou a tratar de questões centrais sobre o uso da hidrelétrica, a quinta maior do mundo. Por isso, mantive as críticas e fiz novas perguntas. Outra vez, a empresa não tratou desses problemas.

A seguir, reproduzo a segunda nota oficial da Norte Energia e, em seguida, mostro as razões para que ela não trate dos assuntos.

A SEGUNDA NOTA DA EMPRESA

“A Norte Energia iniciou no último domingo, dia 16, a redução da vazão destinada ao reservatório intermediário da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, como medida preventiva diante dos possíveis efeitos do fenômeno El Niño na região Norte. A vazão está sendo reduzida gradualmente de 300 m³/s para 100 m³/s. Essa medida não altera o volume de água destinado à Volta Grande do Xingu.

A operação excepcional está contemplada na Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e atende a ofício do Ministério das Minas e Energia à Norte Energia.

A medida permanecerá em vigor até 30 de novembro e tem autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A operação excepcional visa proporcionar maior previsibilidade e confiabilidade ao ONS no planejamento e na operação do Sistema Interligado Nacional, melhores condições de navegabilidade no reservatório principal da usina, contribuindo para o deslocamento de comunidades indígenas e ribeirinhas, além de contribuir para o funcionamento do Sistema de Transposição de Peixes de Belo Monte, utilizado anualmente por espécies migratórias durante o período reprodutivo, favorecendo a piracema.

Durante todo o período da operação excepcional a Norte Energia realizará o monitoramento da qualidade da água, das condições dos igarapés, da navegação e da movimentação dos peixes, mantendo os órgãos reguladores informados sobre os resultados.

Belo Monte é a maior usina hidrelétrica 100% brasileira e a quinta maior do mundo. Desde que entrou em operação, em maio de 2016 até o primeiro semestre deste ano, a usina gerou 264.934.035 MWh, energia suficiente para atender toda a demanda do país por cinco meses sem precisar recorrer a outras fontes. A hidrelétrica é responsável em média pelo atedimento de 5% da demanda do país e atua como bateria natural do sistema, ajudando na reserva nacional e em momentos de alta demanda de energia.

Altamira/PA, 18 de agosto de 2026″

<><> Resposta do jornalista Lúcio Flávio Pinto

Seria tão mais simples – e honesto – que a Norte Energia se limitasse a responder, com exação e respeito, às perguntas que lhe formulei, com a melhor das intenções. Assim, além dessas perguntas, aduzo outras, cuja menção a empresa omitiu ou escondeu. Ao contrário do meu juízo anterior, ela não procura esclarecer os fatos e ajudar a opinião pública a chegar à verdade. Sem fazer história, a Norte Energia não registrou um episódio de anos atrás, quando a Eletronorte, a estatal capitão-do-mato, teve que admitir, aqui em Belém, que, sim, a gigante iria dormir por pelo menos três ou quatro meses nos braços de Mofeu (ou seria o tal do Odisseu cênico), ou ficaria abaixo da sua capacidade final em um semestre. Por falta de água.

A concessionária do Ministério das Minas e Energia (e da ANA, do ONS, do escambal tecnoburpcrático) instalou 18 turbinas Francis (enormes e de grande potência), e mais seis do tipo bulbo (de 38 MW a unidade). Cada uma das grandes máquinas, instaladas na casa de força principal, 90 quilômetros a jusante dessa represa) cada uma delas pode gerar 611 MW. Para isso, porém, teria que dispor de 775 metros cúbicos de água por segundo para atingir o máximo de potência (que a Norte jura que daria para atender todo o consumo do Brasil nos 10 anos de funcionamento da hidrelétrica). Ora, como a companhia está reduzindo de 300 para 100 m3 a vazão, todas as turbinas de Belo Monte, obra de 43 bilhões de reais (iniciada com R$ 19 bilhões), estão sem funcionar. Continuarão inertes por mais três meses. O que significa também que a hidrelétrica está fria como um cadáver de índio, posseiro, ambientalista ou jornalista. Para gerar os mais de 11 mil MW, que lhe dão o título de quinta maior hidrelétrica do mundo, era preciso que a Norte Energia mantivesse o fluxo de 775 m3 por minuto por máquina, ou 13.950 m3 por segundo pelo conjunto das 18 turbinas.

A Norte Energia jura que, montada na sua Agenda Estratégica e Eletroenergética, que está em vigor há 10 anos (depois de 10 anos de construção) com melhores condições de navegabilidade no reservatório principal da usina (mas não informa quantos metros cúbicos de água ele acumula), contribuindo para o deslocamento de comunidades indígenas e ribeirinhas (sem especificar que contribuição dará, com cronograma já atrasado), além de contribuir para o funcionamento do Sistema de Transposição de Peixes de Belo Monte, utilizado anualmente por espécies migratórias durante o período reprodutivo, favorecendo a piracema (Qual é a expectativa da queda na produção?). Ah, sim: o que essa portentosa companhia prevê que poderá contribuir para diminuir a violência de El Niño se reduzir a vazão a um terço da seca que a caracteriza atualmente?

Talvez mude o nome do fenômeno da natureza para El Niñão.

 

Fonte: Por Nicoly Ambrosio, da Amazônia Real

 

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