Feminismo,
antirracismo e urgência climática
Vivemos
um momento histórico de urgências e contradições. Nas trincheiras das lutas
sociais, um dos maiores desafios é compreender como combater opressões
seculares sem cair na armadilha de essencializar o “outro” como o inimigo
final. Como mulheres, negras e brancas, lutamos diariamente contra a engrenagem
letal do machismo e do racismo. No entanto, se o nosso objetivo é a
transformação real da sociedade, precisamos de um diagnóstico preciso: nosso
inimigo não é o homem ou a pessoa branca enquanto indivíduos, mas sim o
patriarcado, o racismo estrutural e o capitalismo colonial. A fragmentação das
pautas é a maior vitória do sistema que nos oprime. Para virar esse jogo,
precisamos olhar para as nossas lutas não como ilhas, mas como um continente
interligado que deságua em uma única e urgente causa: a defesa e a
sustentabilidade da vida.
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O inimigo é estrutural, não essencial
Como
nos ensina a jurista e professora Carol Proner (2022) em suas reflexões sobre
direitos humanos, soberania e justiça social, as estruturas de dominação
jurídicas e políticas não são meras falhas morais individuais, mas engrenagens
institucionais que perpetuam as desigualdades de classe, raça e gênero. Da
mesma forma, juristas e intelectuais como Adilson Moreira (2021) e Dora
Bertúlio (2019) destacam que a opressão racista e machista opera institucional
e sistematicamente.
O
racismo não é uma patologia individual ou um desvio moral, mas uma estrutura
que organiza as relações políticas, econômicas e jurídicas da sociedade. Da
mesma forma, o machismo estrutura a nossa sociabilidade. Quando compreendemos a
natureza estrutural dessas opressões, o papel das pessoas brancas e dos homens
cisgêneros muda de figura. O objetivo do movimento negro e do feminismo não é a
eliminação do “homem branco”, mas a abolição dos privilégios que essa categoria
histórica acumulou. Pessoas brancas não precisam ser tratadas como inimigas,
mas devem ser cobradas a assumir sua responsabilidade histórica, atuando
ativamente como aliadas antirracistas, abdicando de pactos de branquitude em
prol de uma sociedade equânime. A culpa paralisa; a consciência política
mobiliza.
A
escritora e feminista negra bell hooks (2021), em sua obra O desejo de mudar:
homens, masculinidade e amor”, é cirúrgica ao afirmar que o patriarcado não tem
gênero. Ele é um sistema que violenta as mulheres de forma brutal (e muitas
vezes fatal), mas que também mutila emocionalmente os homens, exigindo deles
dominação, violência e a repressão dos próprios sentimentos. Romper com o
machismo exige trazer os homens para a roda. O movimento recente de homens que
começam a discutir criticamente as masculinidades hegemônicas é um passo
fundamental. Eles estão percebendo que o modelo tradicional de “homem provedor
e inabalável” é uma máquina de adoecimento. Para nós, mulheres, essa mudança
não é apenas bem-vinda, é urgente no campo material: ela deságua diretamente na
política de cuidados. Enquanto o trabalho reprodutivo, doméstico e de cuidado
(a famosa jornada 7×7) for empurrado exclusivamente para as costas das
mulheres, não haverá emancipação. Homens que desconstroem o machismo precisam
assumir, na prática, a divisão igualitária do trabalho de cuidado, reconhecendo
que a sustentação da vida humana é uma responsabilidade coletiva.
Mas
como unir a luta contra o racismo e o machismo à urgência das mudanças
climáticas? A resposta está na raiz de como o nosso sistema econômico funciona.
A
teórica política Nancy Fraser (2022) argumenta brilhantemente que o capitalismo
se baseia na expropriação gratuita de três frentes: o trabalho de cuidado das
mulheres, os corpos racializados (historicamente escravizados e hoje
precarizados) e a natureza. A lógica que explora o corpo da mulher no ambiente
doméstico e que encarcera ou precariza o corpo negro nas periferias, é a
mesmíssima lógica extrativista que desmata a Amazônia e polui os oceanos. Como
aponta Nancy Fraser, a crise do cuidado e a crise climática são duas faces da
mesma moeda: a recusa sistemática do modelo econômico em investir na reprodução
e na sustentabilidade da própria vida.
Não
existe crise climática separada do racismo ambiental. Quando ocorrem grandes
tragédias climáticas, como enchentes e deslizamentos, quem perde a vida e a
casa nas áreas de risco? A população negra e periférica. E quem lidera a
reconstrução comunitária, cuidando dos feridos, dos idosos e das crianças em
meio ao caos? As mulheres. Como nos alerta o pensador indígena Ailton Krenak
(2019) em Ideias para adiar o fim do mundo, a humanidade se divorciou da
natureza, passando a tratá-la como um mero “recurso”. Essa é a base do
pensamento colonial, racista e patriarcal, que divide o mundo entre sujeitos (o
homem branco e rico) e objetos a serem explorados (mulheres, pessoas negras,
povos indígenas e a própria Terra).
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O “bem viver”
A
pensadora negra e brasileira Lélia Gonzalez (2020) já nos mostrava, por meio do
conceito de “Amefricanidade”, que não se pode entender o Brasil sem cruzar
raça, classe e gênero. A interseccionalidade não é apenas uma teoria acadêmica;
é o mapa para a nossa sobrevivência. Reunir tudo isso numa só causa significa
entender que a luta por justiça climática é, obrigatoriamente, uma luta
antirracista e feminista.
Não
podemos salvar o clima sem derrubar o modelo de produção que destrói florestas.
Não podemos mudar esse modelo econômico sem redistribuir a riqueza e o trabalho
de cuidado. E não podemos ter justiça social sem implodir o racismo estrutural
que define quem tem direito à vida e quem é descartável.
Homens
dispostos a se reinventar e pessoas brancas dispostas a abrir mão de
privilégios não são nossos inimigos; são co-construtores necessários de um novo
paradigma civilizatório. O nosso inimigo comum é o sistema de morte. A nossa
causa única e indivisível é a radical defesa da vida. Aos homens, às pessoas
brancas, às mulheres e a todas as forças emancipatórias:
# Não
haverá futuro em um planeta exausto, assim como não haverá justiça em uma
sociedade erguida sobre o esgotamento das mulheres e a opressão racial.
Entendemos
que nossas lutas não são fragmentadas; elas são as ramificações de uma mesma
árvore. Por isso, manifestamos e convocamos:
#
Contra o capitalismo extrativista e patriarcal: Exigimos o fim do modelo que
trata a natureza como mercadoria e os corpos das mulheres e pessoas negras como
infraestrutura invisível e gratuita.
# Pela
democratização do cuidado: Declaramos que o trabalho doméstico e comunitário é
responsabilidade de toda a sociedade. Exigimos que os homens assumam
integralmente a ética do cuidado e que o Estado garanta políticas públicas
universais para a infância, a velhice e a saúde mental.
# Por
uma aliança antirracista real: Conclamamos as pessoas brancas a ultrapassarem a
culpa que paralisa e a atuarem ativamente na destruição do racismo estrutural e
do racismo ambiental que afeta as periferias e territórios tradicionais.
Por
justiça climática interseccional: Defendemos que as soluções para a emergência
climática venham da sabedoria ancestral, do bem-viver e da centralidade das
comunidades mais atingidas.
Nossos
inimigos não são os indivíduos, mas o sistema de expropriação. A nossa causa é
única: colocar a sustentabilidade da vida no centro do mundo.
• 'O feminicídio gera órfãos como eu todos
os dias'
Zaldo
Just Neto tinha apenas 2 anos e 8 meses quando seis tiros determinariam como
seria a sua vida dali pra frente. Um atingiu o seu rosto enquanto brincava no
chão; um segundo, o ombro da sua irmã; mais um, as costas do seu tio; e os
outros três a cabeça de sua mãe, Maristela, então com 25 anos. Era uma noite de
outono em Jaboatão dos Guararapes, cidade do Grande Recife, em abril de 1989. O
pai de Zaldo, José Ramos Lopes Neto, sem aceitar o fim do relacionamento, pediu
para se reunir com a ex e os filhos. Trancado dentro do quarto da casa dos
ex-sogros, cometeu o feminicídio e as três tentativas de homicídio.
Zaldo,
hoje com 40 anos, não lembra daquela noite. Mas carregou no corpo e na mente as
sequelas daquela bala. O tiro disparado pelo próprio pai causou uma grave lesão
neurológica, que comprometeu o desenvolvimento motor de todo o lado esquerdo de
seu corpo. Até hoje, sente tonturas e pequenos esquecimentos temporários.
"Fiquei órfão da minha mãe, consequentemente do meu pai. Tornei-me uma
pessoa com deficiência física por conta daquele que era para cuidar de mim, mas
tentou me assassinar", relata Zaldo em entrevista à BBC News Brasil.
O
assassinato de Maristela Just se tornou um dos casos de feminicídio — quando
nem havia esse crime tipificado — mais famosos em Pernambuco. E é também um
caso símbolo de como a Justiça no país pode demorar. Entre o assassinato e a
condenação de José, em 2010, passaram-se 21 anos. A prisão demoraria ainda mais
dois anos para acontecer, em 2012. Hoje, ele cumpre pena em casa.
Zaldo e
sua irmã mais velha, Nathália, lideraram ao longo de sua vida a luta da família
pela prisão do próprio pai — a quem ele costuma se referir apenas como
"genitor". Enquanto viravam adultos, mobilizavam protestos, blogs e
entrevistas nos jornais locais para que o caso de Maristela não caísse em
esquecimento.
Formado
em direito, profissão que escolheu porque via na Justiça uma possibilidade de
acerto de contas, Zaldo acaba de lançar Além das Cicatrizes (publicado com
apoio da Cepe Editora), livro em que revisita a tragédia familiar ao mesmo
tempo em que reflete sobre os traumas permanentes na sua vida e na daqueles que
perderam as mães de forma violenta. "A sociedade ignora o impacto
geracional que esse tipo de crime vai trazer para o país", afirma ele.
"São 37 anos desde o assassinato da minha mãe, no mínimo duas gerações
novas cresceram, e os números só aumentam. A gente precisa enraizar na
sociedade alguma maneira de conscientizar, porque todo dia morrem mulheres
dessa forma."
No
último dia 7 de agosto, o Brasil celebrou um avanço no combate à violência
doméstica: os 20 anos da Lei Maria da Penha, que marcou avanços legais e na
percepção social sobre a violência doméstica no país. Ela foi batizada em
homenagem à cearense Maria da Penha Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas
de homicídio cometidas pelo próprio marido, Marco Antônio Heredia.
O
Ministério da Justiça divulgou que, de janeiro a junho deste ano, o número de
medidas protetivas devido a lei foi de 337 mil, o maior da história. Apesar do
avanço na proteção, casos como de Maristela seguem, como Zaldo diz, gerando
"órfãos como ele todos os dias".
Segundo
o Anuário da Segurança Pública, divulgado em julho, os feminicídios no Brasil
bateram recorde em 2025. O crime se refere ao assassinato de uma mulher
cometido por razões da condição de sexo feminino, ou seja, motivado pela
desigualdade, pelo gênero, pelo ódio ou pelo menosprezo à mulher. Foram 1.571
crimes ao longo do ano passado, ou quatro mulheres mortas por dia. A alta foi
de 4% em relação a 2024, na contramão da queda das mortes violentas em geral no
país.
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O dia do crime — e a espera de 21 anos
Naquela
tarde de 1989, Maristela Just e seu ex-marido, José Ramos Lopes Neto, se
encontraram para levar Zaldo a uma consulta médica no Recife. O casal estava
separado havia quase dois anos porque Maristela, então estudante de psicologia,
considerava o relacionamento "falido e sem futuro", relata Zaldo no
livro. Nesse tempo, segundo a família, José a perseguia e a importunava
frequentemente em sua casa, na rua e na faculdade por não aceitar o término do
relacionamento. Na volta para casa, José estacionou o carro na praia de Barra
de Jangada, enquanto os filhos dormiam no banco de trás. Ele pedia para reatar
o casamento. Durante a parada na praia, a filha mais velha do casal, Nathália,
então com 4 anos, acordou e viu o pai segurando a mãe pelos ombros e a chacoalhando.
Depois, o viu mostrando uma arma, conforme depoimento à Justiça. Ao chegar na
casa dos pais, Maristela alertou o pai e o irmão, Ulisses, que o ex-marido
estava armado, mas a revista feita pela família não encontrou nada. A arma
estava na bota de José. Ele então pediu uma reunião familiar no quarto de
Maristela, onde a tragédia ocorreu. Segundo o depoimento de Nathália, o
ambiente no quarto minutos antes dos tiros parecia de uma normalidade pacífica.
Não havia gritaria ou clima tenso. Maristela estaria de costas para o
guarda-roupa terminando de vestir a filha, que dançava em cima da cama usando
uma camisola azul-marinho com um patinho amarelo, como relata Zaldo em Além das
Cicatrizes.
No
chão, ele brincava com um cinto de roupa, enquanto o agressor se abaixava para
brincar com ele. Subitamente, José sacou a arma e começou a atirar. Os dois
primeiros disparos foram contra a cabeça de Maristela. O irmão dela, Ulisses,
arrombou a porta do quarto para impedir o assassino, mas também foi atingindo
perto da região da coluna. O agressor então se vira para a filha, atingindo-a
com um tiro nas costas enquanto ela descia da cama. Em seguida, atira na cabeça
de Zaldo, que brincava no chão. "Ele não me deu o direito de seguir com
minha mãe nem de seguir ileso", comenta Zaldo. Diante da cena da tragédia,
o pai de Maristela, também chamado Zaldo, entrou no quarto e conseguiu render o
assassino. José foi trancado no quarto, até a polícia chegar e realizar a
prisão em flagrante.
José
Ramos Lopes Neto passou cerca de um ano preso, até conseguir um habeas corpus
impetrado por seu pai, Gil Teobaldo Azevedo, um famoso advogado no Recife.
A
partir dali, iniciou-se um grande processo de encontrar brechas para adiar o
julgamento. Em entrevistas dadas à imprensa local, Azevedo chegou a concordar
com o crime, alegando que o filho matou a ex-mulher por ter sido ofendido pela
vítima ao tentar a reconciliação. "Se não matasse, não comia na minha
mesa", declarou. Também disse que filho não se arrependia do assassinato e
criticou declarações públicas feitas pela ativista Maria da Penha. A tese da
defesa era de que os tiros contra as crianças e o tio foram acidentais.
Em seu
livro, Zaldo fez um levantamento dos 21 anos do processo na Justiça, até o
julgamento em 2010. Ao longo de duas décadas, a defesa ajuizou doze recursos
principais, arrastando o caso pelas mais diversas instâncias do Poder
Judiciário.
Além de
recursos, a defesa solicitou oitivas de diversas testemunhas que residiam fora
da comarca original onde o crime ocorreu, um trâmite que protelava o processo.
Também houve o registro de cinco renúncias sucessivas de advogados, abrindo-se
novos prazos para compor um defensor. O crime só não prescreveu em 2009 poque o
prazo foi interrompido em 2001 pela sentença de pronúncia.
O
julgamento foi inicialmente marcado para 13 de maio de 2010, mas foi adiado
porque nem o réu nem seu advogado de defesa compareceram. Em 1º de junho, a
juíza Inês Maria de Albuquerque Alves iniciou o julgamento, ao determinar que
defensores públicos assumissem o caso. Como o réu não se apresentou, ele foi
julgado à revelia.
Nathália
descreveu a dinâmica dos fatos e desmentiu a tese da defesa, relatando que viu
o agressor mirar em direção a cada pessoa no quarto. Ao final do júri, José foi
condenado a 79 anos de prisão em regime fechado, pelo homicídio e três
tentativas.
Segundo
Zaldo, aquele foi o dia "mais feliz de sua vida".
José
Ramos foi preso no Recife só em 2012, graças a uma denúncia anônima que
informou que ele iria fazer uma visita à família, no Espinheiro, bairro nobre
da capital pernambucana. Ele teria se escondido no Piauí, Maranhão e até no
Paraguai, segundo disse a polícia na época. Mesmo após a condenação, a defesa
utilizou recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2014 para tentar anular
todo o julgamento, sem sucesso. "Houve a justiça, por mais retardatária
que tenha sido", comenta Zaldo.
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Dor em luta
Adotado
por sua tia Marcela, irmã de sua mãe, e seu tio Honório, marido dela, Zaldo
lembra que só entendeu o que aconteceu com Maristela por volta dos 10 anos de
idade: "Foram colocando os pontos nos is". A sua nova família
explicou que suas limitações físicas, alvo de bullying na escola, eram
decorrentes do tiro na cabeça dado pelo próprio pai. "Até me aceitar, até
aceitar a questão de fato, foi doloroso", lembra.
Zaldo
começou a lutar ativamente pela prisão do pai ainda durante a sua adolescência.
Aos 17 anos, escolheu seguir o curso de direito com o sonho de colocar o
assassino definitivamente atrás das grades. Em 2010, antes do julgamento, ao
perceber que não havia informações sobre o crime na internet, a irmã, Nathália,
sugeriu criar um blog focado no tema, para chamar a atenção da imprensa, da
opinião pública e pressionar o Judiciário para evitar que o crime prescrevesse.
A
autora de novelas Glória Perez, que teve sua filha, a atriz Daniella,
assassinada pelo colega de novela Guilherme de Pádua, conheceu a história
através do blog e passou a ajudar na divulgação. O caso foi pauta em programas
nacionais na TV. Quando o caso subiu ao STF e o ministro relator do caso, Dias
Toffoli, acolheu a tese da defesa e proferiu o primeiro voto a favor da
anulação do júri, a família entrou em desespero.
Zaldo
escreveu uma carta pública direcionada à população, pedindo apoio, denunciando
as manobras da defesa e expondo as marcas físicas e emocionais que carregava.
Ele a a irmã viajaram a Brasília para entregar memoriais diretamente nas mãos
dos ministros do STF. Em 10 de fevereiro de 2015, a Primeira Turma do STF
decidiu, por maioria de 4 votos a 1, manter a condenação definitiva do
condenado.
Para
Zaldo, escrever o livro foi uma forma de colocar a dor para fora e se curar -
além do crime, ele enfrentou problemas de saúde, como um câncer nos testículos.
"Com
o livro, eu quis dizer a todos que, independentemente da situação que você
esteja passando, você consegue sobreviver. Eu carrego a deficiência, eu carrego
a orfandade, eu carrego o peso de um câncer. Mas, além das cicatrizes, fiz do
luto uma luta", conta. Segundo Zaldo, ele e a família nunca quiseram
procurar o assassino condenado nem acompanharam mais o cumprimento da pena.
"Somos indiferentes ao seu triste destino que a Justiça tratou de trilhar,
afinal qualquer pena é menor que a pena que nos foi imposta: a de viver sem
nossa mãe", escreve.
Casado
e pai de uma filha, ele segue atuando junto ao Centro de Referência Maristela
Just, criado em homenagem à sua mãe para oferecer um serviço de proteção à
mulher em Jaboatão dos Guararapes, cidade da família.
Fonte:
Por Cidinha Santos, em A Terra é Redonda/BBC News Brasil

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