quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Dino coloca a bola no chão: o crime é o filme Dark Horse

O ministro Flávio Dino brecou a virada de página. Certeiro como tem sido em relação às emendas parlamentares, ele entrou em campo para fazer andar, com celeridade e amplitude, as investigações do caso Dark Horse. Na condição de relator das ações sobre a transparência do orçamento no STF, atendeu a pedidos da Polícia Federal para dividir o processo original e abrir um procedimento específico sobre repasses de emendas de congressistas à cadeia de produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Implicado em flagrante ao pedir R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro a pretexto de produzir o filme, Flávio Bolsonaro vinha dizendo que o caso é ‘página virada’. Só que não.

O escândalo Dark Horse faz parte de um conluio maior que causou um rombo de R$ 51,8 bilhões ao sistema financeiro brasileiro, tapado com dinheiro dos bancos que compõem o Fundo Garantidor de Crédito. Um dos principais beneficiários da máquina de fazer dinheiro de Vorcaro, Flávio se torna agora um alvo potencialmente mais próximo das investigações que devem ganhar novo ritmo por parte da PF.

A decisão de Dino, a pedido da própria polícia, traz, indiretamente, um equilíbrio no protagonismo do Supremo sobre casos de grande repercussão eleitoral. Nas duas últimas semanas, a partir do gabinete do ministro André Mendonça, que passou a centralizar as operações em torno do filho do presidente Lula, Fábio Luiz, o noticiário da mídia tradicional sobre o caso cresceu a ponto de torná-lo o mais importante em curso no Brasil neste momento.

Agora, a PF está autorizada a ter acesso compartilhado aos dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre buscas e apreensões em endereços de parceiros da produção de Dark Horse. A intenção é rastrear se verbas parlamentares foram usadas ilegalmente para custear despesas do filme e remunerar os integrantes do esquema.

Reconhecidamente, Dino é um dos ministros de maior saber jurídico do Supremo. Ele tem o perfil único de ter sido administrador público, em seus dois governos no Maranhão, e parlamentar, como deputado federal e senador. Conhece a teoria e a prática do Direito público, o que explica uma atuação marcada pelo bom senso e o sentido de urgência. Ao dar novo impulso para as investigações em torno do escândalo Dark Horse, o ministro se fortalece.

•        Tarcísio defende investigação da Polícia Civil de SP e confirma envio de provas do caso Dark Horse à PF

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta terça-feira (25) a investigação conduzida pela Polícia Civil paulista sobre a produtora de “Dark Horse”, filme que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). Ele também afirmou que será cumprida a determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que as provas do caso sejam compartilhadas com a Polícia Federal.

Segundo a Folha de São Paulo, Tarcísio falou sobre o assunto durante um evento de combate à violência de gênero em Santana, na zona norte da capital paulista. Questionado sobre críticas de adversários ao ritmo da apuração, o governador rejeitou a insinuação de que haveria demora proposital na investigação. A operação de busca e apreensão na produtora ocorreu há quase três meses.

<><> Tarcísio rebate críticas à Polícia Civil

“Isso [insinuação de demora proposital] é um desrespeito com a Polícia de São Paulo. É uma polícia extremamente profissional, é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo”, disse Tarcísio.

O governador também confirmou que a Polícia Civil cumprirá a determinação judicial para compartilhar as provas reunidas no caso com a PF. “Obviamente, se tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida”, afirmou.

Tarcísio sustentou ainda que os investigadores responsáveis pelo caso estão seguindo os procedimentos previstos em lei. “As investigações seguem o rito estabelecido na legislação. Nós temos profissionais que estão à frente conduzindo esse caso e, à medida que as determinações judiciais vão aparecendo, elas vão sendo cumpridas também”, declarou.

<><> Polícia investiga contrato para fornecimento de wi-fi

A Polícia Civil de São Paulo investiga se a Go Up Entertainment, da empresária Karina da Gama, recebeu recursos desviados da Prefeitura de São Paulo.

A investigação apura indícios de irregularidades em um contrato firmado entre uma entidade administrada por Karina e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para o fornecimento de wi-fi em bairros da periferia paulistana.

A Go Up Entertainment está ligada à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

<><> PF apura recursos de emendas parlamentares

Em uma frente distinta da investigação conduzida pela Polícia Civil, a Polícia Federal apura se a produtora recebeu dinheiro proveniente de emendas parlamentares. A determinação de Flávio Dino estabelece o compartilhamento com a PF das provas obtidas pela polícia paulista.

•        ‘Vão parar no tempo?’, diz Flávio Bolsonaro ao ser cobrado por prestação de contas de filme

Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, voltou a ser cobrado nesta segunda-feira (24) sobre a divulgação dos detalhes financeiros de Dark Horse, produção que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Ao ser questionado novamente sobre o assunto, o senador demonstrou irritação e respondeu: “Vocês vão parar no tempo?”.

A cobrança ocorre cerca de três meses depois de Flávio ter afirmado que divulgaria um relatório com informações sobre a origem e a utilização do dinheiro empregado no longa. Agora, ele sustenta que não cabe a ele apresentar esses esclarecimentos. Como costuma fazer, tentou escapar do questionamento citando mais uma vez o presidente da República.

“Quem tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas”, afirmou o parlamentar depois de participar da reunião quinzenal da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante a conversa com jornalistas, Flávio também foi questionado sobre a escolha da produtora Go Up para administrar os recursos destinados ao filme. Ele argumentou que as informações financeiras do projeto já foram apresentadas às autoridades no contexto de uma investigação conduzida em São Paulo e que o assunto também chegou à imprensa.

Para reforçar sua versão, o candidato citou uma reportagem publicada pelo G1. “Dá um Google aí. Está lá na matéria do G1 dizendo que a produtora gastou mais até do que recebeu de investimento. Enfim, de onde foi, aonde foi gasto o dinheiro, a prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo”, declarou.

<><> Divulgação do contrato

A possibilidade de tornar público o contrato firmado para a produção também foi levantada. Flávio, porém, evitou responder diretamente se pretende divulgar o documento. Segundo ele, o acordo envolve uma relação entre agentes privados, com dinheiro proveniente de um fundo particular e sem recursos públicos.

O senador aproveitou a sequência de perguntas para criticar a cobertura da imprensa e acusar jornalistas de tentar estabelecer uma associação entre o episódio envolvendo Dark Horse e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na mesma resposta, Flávio passou a fazer acusações relacionadas ao caso Banco Master. Disse que Lula teria participado de articulações para favorecer pessoas ligadas à instituição financeira e mencionou ainda Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de integrantes do governo e do PT.

As afirmações foram feitas sem que o candidato apresentasse, durante a entrevista, provas para sustentar as acusações contra Lula, seus familiares ou integrantes do governo.

•        Apostem em Flávio, mas saibam: não vai ter botes para todos. Por Denise Assis

Sou jornalista e tenho a exata noção do peso da opinião de uma coluna em um jornal de grande circulação. Exatamente por isso, hoje me peguei indagando: a quem interessa dar corda a um antipetismo inflexível, em um ano eleitoral em que o candidato oposto é tão despreparado quanto nocivo? É disso que se trata. Não são a favor do candidato Flávio. São contra e radicalmente contra o candidato Lula.

Diante do trecho da colunista: “Integrantes do governo relataram que o Lula piadista e bem-humorado de poucas semanas ficou para trás desde que as investigações da Polícia Federal envolvendo o possível tráfico de influência de seu filho, Fábio Luís, e de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, vieram à tona”, eu paro.

O texto em questão deixa uma fresta para interpretações para todos os gostos. Do pai zeloso, preocupado com o destino do filho, ao candidato que antevê a nitroglicerina chegando à porta do seu gabinete, que é ao que ela especificamente se refere.

E aí é o caso de começarmos a nos perguntar: será mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve a vida revirada do avesso aqui e alhures, que cumpriu comportadamente 580 dias de detenção – tal como o personagem de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, o Jean Valjean, que passou 19 anos preso por ter roubado apenas um pão -, estaria assim tão apreensivo com o contágio do enredo de Fábio Luís à sua campanha? É possível, na medida em que um pai estaria zeloso com o destino do filho.

 Lula, no entanto, atingido pela Lava-Jato, uma verdadeira “organização” encabeçada por um juíz obsessivo que se portou como Javert, um inspetor de polícia e inimigo jurado do antagonista de Valjean, no mesmo romance, não parece ter motivos para insônia, a não ser pelo fato de estar assistindo a uma reprise.

E, como em toda reprise, os personagens se repetem, tais como o time de jornalistas que pegavam das mãos da PF o calhamaço de “denúncias” e reportavam como se verdade absoluta, desprezando o princípio básico do jornalismo: ouvir os dois lados.

O pior dessa história é que eles sabem onde deu esse jogo. Na eleição de um incompetente, radical, vazio, negacionista e, finalmente, criminoso (a despeito das dúvidas do candidato Romeu Zema quanto ao julgamento no STF). Ficaram com cara de “ué”, como se não fosse com eles. Era.

O peso da mão nas “denúncias” naquele momento fez com que Jair Bolsonaro chegasse à cadeira da presidência sem a menor aptidão, apetite ou envergadura para isso. Agora, na reprise, talvez acometidos por amnésia, fazem o mesmo jogo, desprezando a robusta ficha corrida de Flávio Bolsonaro, passando pano para os seus malfeitos e para as distorções de postura cometidas pelo “Javert II”, desta vez na pele do ministro André Mendonça.

Tal “conluio” entre mídia e judiciário resultou em 700 mil mortes, quatro anos de escuridão na política externa, no desmonte da economia, em desemprego, retorno ao mapa da fome, um golpe de Estado e em muitos desmandos em todas as esferas de poder, a ponto de Lula ter que fazer uma “PEC da transição”, para começar a governar.

Pálidos, os comentaristas tiveram de entrar em campo e discorrer sobre planos de assassinatos (Punha Amarelo), aparelhamento da Polícia Rodoviária Federal, lama sobre a instituição Forças Armadas e prisões e condenações de generais e almirante. Não bastou. Não aprenderam que apostar no “quanto pior melhor” à revelia da opinião pública é trabalhar contra o país.

Não se interessam em ir atrás dos US$ 61 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro, das mãos de Vorcaro, o maior punguista com capa de banqueiro que o país já teve. Não aprofundam as investigações contra as manobras do (ainda deputado) Mário Frias, para fazer caber na Ancine um projeto capenga, tocado por uma produtora de fundo de quintal, para um filme pangaré.

Não são capazes de percorrer e pesar as biografias dos candidatos, a ponto de ignorar em que outro buraco vamos nos meter durante quatro anos (?). Pouco se lhes dá, se o Brasil retrocede e é colocado de joelhos por dois moleques incultos, que não precisaram trabalhar, pois encontraram aberta pelo papai, a “porta da felicidade” na política. Continuem agindo como se o amanhã não fosse dos seus filhos e netos. Continuem fazendo de contas que o futuro do país atingido pelo tsunami da incompetência de Flávio Bolsonaro não lhes dissesse respeito. Tal como em Titanic, não vai ter botes para todos, tolinhos. 

 

Fonte: Por Marco Damiani, em Brasil 247/ICL Notícias

 

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