Dino
coloca a bola no chão: o crime é o filme Dark Horse
O
ministro Flávio Dino brecou a virada de página. Certeiro como tem sido em
relação às emendas parlamentares, ele entrou em campo para fazer andar, com
celeridade e amplitude, as investigações do caso Dark Horse. Na condição de
relator das ações sobre a transparência do orçamento no STF, atendeu a pedidos
da Polícia Federal para dividir o processo original e abrir um procedimento
específico sobre repasses de emendas de congressistas à cadeia de produção do
filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Implicado
em flagrante ao pedir R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro a pretexto de produzir o
filme, Flávio Bolsonaro vinha dizendo que o caso é ‘página virada’. Só que não.
O
escândalo Dark Horse faz parte de um conluio maior que causou um rombo de R$
51,8 bilhões ao sistema financeiro brasileiro, tapado com dinheiro dos bancos
que compõem o Fundo Garantidor de Crédito. Um dos principais beneficiários da
máquina de fazer dinheiro de Vorcaro, Flávio se torna agora um alvo
potencialmente mais próximo das investigações que devem ganhar novo ritmo por
parte da PF.
A
decisão de Dino, a pedido da própria polícia, traz, indiretamente, um
equilíbrio no protagonismo do Supremo sobre casos de grande repercussão
eleitoral. Nas duas últimas semanas, a partir do gabinete do ministro André
Mendonça, que passou a centralizar as operações em torno do filho do presidente
Lula, Fábio Luiz, o noticiário da mídia tradicional sobre o caso cresceu a
ponto de torná-lo o mais importante em curso no Brasil neste momento.
Agora,
a PF está autorizada a ter acesso compartilhado aos dados obtidos pela Polícia
Civil de São Paulo sobre buscas e apreensões em endereços de parceiros da
produção de Dark Horse. A intenção é rastrear se verbas parlamentares foram
usadas ilegalmente para custear despesas do filme e remunerar os integrantes do
esquema.
Reconhecidamente,
Dino é um dos ministros de maior saber jurídico do Supremo. Ele tem o perfil
único de ter sido administrador público, em seus dois governos no Maranhão, e
parlamentar, como deputado federal e senador. Conhece a teoria e a prática do
Direito público, o que explica uma atuação marcada pelo bom senso e o sentido
de urgência. Ao dar novo impulso para as investigações em torno do escândalo
Dark Horse, o ministro se fortalece.
• Tarcísio defende investigação da Polícia
Civil de SP e confirma envio de provas do caso Dark Horse à PF
O
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta
terça-feira (25) a investigação conduzida pela Polícia Civil paulista sobre a
produtora de “Dark Horse”, filme que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro
(PL). Ele também afirmou que será cumprida a determinação do ministro Flávio
Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que as provas do caso sejam
compartilhadas com a Polícia Federal.
Segundo
a Folha de São Paulo, Tarcísio falou sobre o assunto durante um evento de
combate à violência de gênero em Santana, na zona norte da capital paulista.
Questionado sobre críticas de adversários ao ritmo da apuração, o governador
rejeitou a insinuação de que haveria demora proposital na investigação. A
operação de busca e apreensão na produtora ocorreu há quase três meses.
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Tarcísio rebate críticas à Polícia Civil
“Isso
[insinuação de demora proposital] é um desrespeito com a Polícia de São Paulo.
É uma polícia extremamente profissional, é uma polícia de Estado, não é uma
polícia de governo”, disse Tarcísio.
O
governador também confirmou que a Polícia Civil cumprirá a determinação
judicial para compartilhar as provas reunidas no caso com a PF. “Obviamente, se
tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida”, afirmou.
Tarcísio
sustentou ainda que os investigadores responsáveis pelo caso estão seguindo os
procedimentos previstos em lei. “As investigações seguem o rito estabelecido na
legislação. Nós temos profissionais que estão à frente conduzindo esse caso e,
à medida que as determinações judiciais vão aparecendo, elas vão sendo
cumpridas também”, declarou.
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Polícia investiga contrato para fornecimento de wi-fi
A
Polícia Civil de São Paulo investiga se a Go Up Entertainment, da empresária
Karina da Gama, recebeu recursos desviados da Prefeitura de São Paulo.
A
investigação apura indícios de irregularidades em um contrato firmado entre uma
entidade administrada por Karina e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB)
para o fornecimento de wi-fi em bairros da periferia paulistana.
A Go Up
Entertainment está ligada à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória
de Jair Bolsonaro.
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PF apura recursos de emendas parlamentares
Em uma
frente distinta da investigação conduzida pela Polícia Civil, a Polícia Federal
apura se a produtora recebeu dinheiro proveniente de emendas parlamentares. A
determinação de Flávio Dino estabelece o compartilhamento com a PF das provas
obtidas pela polícia paulista.
• ‘Vão parar no tempo?’, diz Flávio
Bolsonaro ao ser cobrado por prestação de contas de filme
Flávio
Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, voltou a ser cobrado
nesta segunda-feira (24) sobre a divulgação dos detalhes financeiros de Dark
Horse, produção que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Ao ser questionado novamente sobre o assunto, o senador demonstrou irritação e
respondeu: “Vocês vão parar no tempo?”.
A
cobrança ocorre cerca de três meses depois de Flávio ter afirmado que
divulgaria um relatório com informações sobre a origem e a utilização do
dinheiro empregado no longa. Agora, ele sustenta que não cabe a ele apresentar
esses esclarecimentos. Como costuma fazer, tentou escapar do questionamento
citando mais uma vez o presidente da República.
“Quem
tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas”,
afirmou o parlamentar depois de participar da reunião quinzenal da diretoria da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Durante
a conversa com jornalistas, Flávio também foi questionado sobre a escolha da
produtora Go Up para administrar os recursos destinados ao filme. Ele
argumentou que as informações financeiras do projeto já foram apresentadas às
autoridades no contexto de uma investigação conduzida em São Paulo e que o
assunto também chegou à imprensa.
Para
reforçar sua versão, o candidato citou uma reportagem publicada pelo G1. “Dá um
Google aí. Está lá na matéria do G1 dizendo que a produtora gastou mais até do
que recebeu de investimento. Enfim, de onde foi, aonde foi gasto o dinheiro, a
prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em
São Paulo”, declarou.
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Divulgação do contrato
A
possibilidade de tornar público o contrato firmado para a produção também foi
levantada. Flávio, porém, evitou responder diretamente se pretende divulgar o
documento. Segundo ele, o acordo envolve uma relação entre agentes privados,
com dinheiro proveniente de um fundo particular e sem recursos públicos.
O
senador aproveitou a sequência de perguntas para criticar a cobertura da
imprensa e acusar jornalistas de tentar estabelecer uma associação entre o
episódio envolvendo Dark Horse e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na
mesma resposta, Flávio passou a fazer acusações relacionadas ao caso Banco
Master. Disse que Lula teria participado de articulações para favorecer pessoas
ligadas à instituição financeira e mencionou ainda Fábio Luís Lula da Silva, o
Lulinha, além de integrantes do governo e do PT.
As
afirmações foram feitas sem que o candidato apresentasse, durante a entrevista,
provas para sustentar as acusações contra Lula, seus familiares ou integrantes
do governo.
• Apostem em Flávio, mas saibam: não vai
ter botes para todos. Por Denise Assis
Sou
jornalista e tenho a exata noção do peso da opinião de uma coluna em um jornal
de grande circulação. Exatamente por isso, hoje me peguei indagando: a quem
interessa dar corda a um antipetismo inflexível, em um ano eleitoral em que o
candidato oposto é tão despreparado quanto nocivo? É disso que se trata. Não
são a favor do candidato Flávio. São contra e radicalmente contra o candidato
Lula.
Diante
do trecho da colunista: “Integrantes do governo relataram que o Lula piadista e
bem-humorado de poucas semanas ficou para trás desde que as investigações da
Polícia Federal envolvendo o possível tráfico de influência de seu filho, Fábio
Luís, e de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido
como Marcola, vieram à tona”, eu paro.
O texto
em questão deixa uma fresta para interpretações para todos os gostos. Do pai
zeloso, preocupado com o destino do filho, ao candidato que antevê a
nitroglicerina chegando à porta do seu gabinete, que é ao que ela
especificamente se refere.
E aí é
o caso de começarmos a nos perguntar: será mesmo que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que teve a vida revirada do avesso aqui e alhures, que cumpriu
comportadamente 580 dias de detenção – tal como o personagem de “Os
Miseráveis”, de Victor Hugo, o Jean Valjean, que passou 19 anos preso por ter
roubado apenas um pão -, estaria assim tão apreensivo com o contágio do enredo
de Fábio Luís à sua campanha? É possível, na medida em que um pai estaria
zeloso com o destino do filho.
Lula, no entanto, atingido pela Lava-Jato, uma
verdadeira “organização” encabeçada por um juíz obsessivo que se portou como
Javert, um inspetor de polícia e inimigo jurado do antagonista de Valjean, no
mesmo romance, não parece ter motivos para insônia, a não ser pelo fato de
estar assistindo a uma reprise.
E, como
em toda reprise, os personagens se repetem, tais como o time de jornalistas que
pegavam das mãos da PF o calhamaço de “denúncias” e reportavam como se verdade
absoluta, desprezando o princípio básico do jornalismo: ouvir os dois lados.
O pior
dessa história é que eles sabem onde deu esse jogo. Na eleição de um
incompetente, radical, vazio, negacionista e, finalmente, criminoso (a despeito
das dúvidas do candidato Romeu Zema quanto ao julgamento no STF). Ficaram com
cara de “ué”, como se não fosse com eles. Era.
O peso
da mão nas “denúncias” naquele momento fez com que Jair Bolsonaro chegasse à
cadeira da presidência sem a menor aptidão, apetite ou envergadura para isso.
Agora, na reprise, talvez acometidos por amnésia, fazem o mesmo jogo,
desprezando a robusta ficha corrida de Flávio Bolsonaro, passando pano para os
seus malfeitos e para as distorções de postura cometidas pelo “Javert II”,
desta vez na pele do ministro André Mendonça.
Tal
“conluio” entre mídia e judiciário resultou em 700 mil mortes, quatro anos de
escuridão na política externa, no desmonte da economia, em desemprego, retorno
ao mapa da fome, um golpe de Estado e em muitos desmandos em todas as esferas
de poder, a ponto de Lula ter que fazer uma “PEC da transição”, para começar a
governar.
Pálidos,
os comentaristas tiveram de entrar em campo e discorrer sobre planos de
assassinatos (Punha Amarelo), aparelhamento da Polícia Rodoviária Federal, lama
sobre a instituição Forças Armadas e prisões e condenações de generais e
almirante. Não bastou. Não aprenderam que apostar no “quanto pior melhor” à
revelia da opinião pública é trabalhar contra o país.
Não se
interessam em ir atrás dos US$ 61 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro, das
mãos de Vorcaro, o maior punguista com capa de banqueiro que o país já teve.
Não aprofundam as investigações contra as manobras do (ainda deputado) Mário
Frias, para fazer caber na Ancine um projeto capenga, tocado por uma produtora
de fundo de quintal, para um filme pangaré.
Não são
capazes de percorrer e pesar as biografias dos candidatos, a ponto de ignorar
em que outro buraco vamos nos meter durante quatro anos (?). Pouco se lhes dá,
se o Brasil retrocede e é colocado de joelhos por dois moleques incultos, que
não precisaram trabalhar, pois encontraram aberta pelo papai, a “porta da
felicidade” na política. Continuem agindo como se o amanhã não fosse dos seus
filhos e netos. Continuem fazendo de contas que o futuro do país atingido pelo
tsunami da incompetência de Flávio Bolsonaro não lhes dissesse respeito. Tal
como em Titanic, não vai ter botes para todos, tolinhos.
Fonte:
Por Marco Damiani, em Brasil 247/ICL Notícias

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