sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Bots, dinheiro e extrema direita: Sheinbaum denuncia máquina de desinformação de Cerimedo no México

“É uma honra estar aqui e abrir espaço para um argentino. E olha que quem está falando é um brasileiro. Mas um homem que quase me levou para a cadeia. E isso não é brincadeira. Fernando Cerimedo teve a coragem de, da Argentina, ajudar o Brasil, denunciando as possíveis fraudes eleitorais ocorridas em 2022, na eleição que elegeu o socialista Lula da Silva como presidente do Brasil.

Fernando Cerimedo utilizou os dados do Tribunal Superior Eleitoral. No entanto, seus vídeos no YouTube continuam censurados no Brasil até hoje. E é assim que acontece nas ditaduras.”

Com estas palavras, Eduardo Bolsonaro, o filho número 3, deputado federal cassado e que se encontra foragido nos Estados Unidos, entregou, em fevereiro de 2026, a Fernando Cerimedo, fundador do La Derecha Diario, o prêmio “Consultor Político Hispânico do Ano”.

De acordo com os organizadores, foi um reconhecimento por “seu trabalho de inovação em campanhas eleitorais, comunicação digital e estratégias políticas”.

Cerimedo compareceu acompanhado pelo espanhol Javier Negre, proprietário do veículo de extrema-direita e um de seus principais sócios, à cerimônia de gala organizada pela Latino Wall Street, plataforma de megaempresários, especuladores e “influencers” hispânicos radicados no país do Norte.

Carregada de significado para Donald Trump, a pomposa cerimônia foi realizada em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida — residência e clube privado do presidente — e contou com representantes do Partido Republicano.

Na oportunidade, Bolsonaro III condenou o juiz da Suprema Corte, Alexandre de Moraes, “o louco que pôs até Elon Musk sob investigação no país”, por tentar prendê-lo. “E como fariam isso, se eu não sou corrupto, não tenho envolvimento com cartéis nem nada do tipo? O juiz maluco disse: ‘Vinculem o Eduardo ao Cerimedo, porque o Cerimedo já é visto no Brasil como alguém antidemocrático, já que contestou as eleições’.”

¨      Já são seis países com digitais de Cerimedo, bolsonarista preso na Bolívia. Por Márcia Carmo

Fernando Cerimedo continua sendo notícia de destaque em vários países da América Latina. Ele foi preso, na semana passada, após ter sido acusado pela ex-namorada Nadia Beller de ser o mandante dos tiros contra ela na porta de um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Às lágrimas, Cerimedo negou a autoria da tentativa de feminicídio, de acordo com seus advogados.

<><> Gravações

Nadia Beller, porém, ratificou suas afirmações em entrevistas à imprensa na Argentina e na Bolívia. Ao ter alta, ela pediu para não voltar para casa, temendo por sua vida. E foi levada para a casa de conhecidos na Bolívia. Beller contou que gravava o então namorado porque passou a perceber que Cerimedo lhe contava demais, além das promessas não cumpridas de que deixaria a família em Buenos Aires, na Argentina, para ficarem juntos na Bolívia. Em entrevista ao La Nación, da capital argentina, ela disse que “está gravado” que Cerimedo teria dito que “Milei é louco” e que a irmã dele, Karina Milei, seu braço forte na Presidência, teria cobrado propinas em negócios do governo. Os celulares de Beller foram roubados no momento do ataque a tiros que sofreu. A polícia boliviana realizou, no entanto, perícia no celular de Cerimedo onde encontrou, de acordo com o Página 12, de Buenos Aires, declarações que sugerem a “encomenda” para eliminá-la. “Ou a eliminamos ou estamos ferrados”, disse em uma das conversas com um interlocutor.

<>< Ramificações e raiz bolsonarista

A imprensa argentina tem dado destaque aos atos de Cerimedo, já que ele foi fundamental para a eleição de Milei à Casa Rosada por ser o pilar da estratégia digital da campanha do presidente argentino. Nesta quinta-feira, o Clarin, de Buenos Aires, informa que há denúncias do influencer brasileiro Felipe Neto contra Cerimedo com data de 2022. O argumento é de calúnia e a demanda de US$ 10 mil, de acordo com o expediente citado pela reportagem. Naquele ano, Cerimedo já era associado aos Bolsonaro e os defendia em suas redes sociais, questionando as urnas eletrônicas do Brasil e o processo eleitoral brasileiro. Ele chegou a ser indiciado pela Polícia Federal por divulgar informações não verdadeiras.

<><> Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Honduras, Estados Unidos

Além do Brasil e da Argentina, Cerimedo foi definido como assessor especial do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, de acordo com Nadia Beller e com o vice-presidente do país, distanciado há tempos do presidente. “Cerimedo tem mais poder do que eu”, disse Edmand Lara. São tempos difíceis para Rodrigo Paz.

No Chile, por sua vez, o portal de notícias El Mostrador, de Santiago, revelou, nesta semana, que assessores do atual presidente Kast teriam trabalhado com Cerimedo nas campanhas dos plebiscitos para a nova constituição. Eles teriam participado das campanhas pelo não à uma nova Carta Magna. Acabou vencendo o não e o Chile manteve, então, a constituição dos tempos do ditador Pinochet, que recebeu modificações em tempos democráticos, mas mantém sua essência com o pinochetismo.

Em Honduras, o presidente Nasry Asfura contou com a assessoria de Cerimedo, segundo a imprensa argentina. Asfura foi eleito com forte apoio de Trump. Nesta semana, o jornal El Diario Ar informou em suas redes sociais que Cerimedo aparece nos vídeos de campanha que anunciam a presença de Milei num ato de Trump para as eleições legislativas de novembro. Cerimedo já tinha sido premiado nos Estados Unidos como consultor político estrela das Américas. Agora, continua preso na Bolívia. E as perguntas que a oposição na Argentina fazem são: “Cerimedo falará? Fará revelações?”

<><> “Cerimedo é um argentino valente que teve a coragem de denunciar as coisas ruins que acontecem no mundo”, afirmou Eduardo

Após reiterar seu apoio a Trump, o filho foragido enfatizou que tinha “uma honra muito grande de chamar ao palco Fernando Cerimedo, um argentino valente que teve a coragem de denunciar as coisas ruins que acontecem no mundo”. “Estamos aqui hoje juntos para dizer a Alexandre de Moraes: nós não temos medo de você — você prendeu meu pai, mas vamos vencer as eleições em outubro com meu irmão Flávio e tirar você da Suprema Corte do Brasil”, realçou Eduardo.

Foi a vez de o amigo retribuir. Agradecendo a todos, mas particularmente a Eduardo, Cerimedo discursou em espanhol e inglês que 2025 foi um ano “muito complicado” para os “consultores” — que é como se autointitula. “Mas nos saímos muito bem.

Junto com nossa equipe, vencemos duas eleições; conseguimos tirar Evo Moraes, vencendo uma batalha duríssima na Bolívia, retirando o socialismo do poder após 20 anos. Além disso, junto com meu amigo e sócio Andy Rivas, conseguimos vencer em Honduras, derrotando o clã Zelaya, em uma das campanhas mais difíceis e violentas que já enfrentei, repleta de ameaças.”

Entre uma e outra mentira, o assessor de Milei expôs verdades: a necessidade de manter cada vez mais estreitos os vínculos entre as “consultorias” e o poder. “Se não ajudarmos nossos candidatos a governar para que a esquerda nunca mais retorne ao poder, nosso trabalho não estará concluído. Portanto, vamos continuar travando a batalha cultural; não se trata apenas de vencer eleições e assumir cargos, mas de lutar todos os dias para recuperar a liberdade na América Latina”, conclamou.

<><> Passados seis meses do prêmio, o “agente da CIA” está encarcerado

Mal sabiam os fervorosos entusiastas de Cerimedo que, passados tão somente meia dúzia de meses, aquele com quem trocaram afagos ocuparia agora os noticiários acusado de mandar executar sua ex-companheira, a advogada e ativista boliviana Nadia Shirley Beller Delgado, grávida de quatro semanas. Seu crime, segundo ela própria, era saber demais. Afinal, ele mesmo lhe confessara ser um “agente da CIA”, pago para fazer o serviço sujo.

Como enriqueceu? Com a manipulação da opinião pública por meio de fazendas de bots e trolls, ferramentas digitais e falsos perfis usados para manipular supostos “diálogos” e espalhar desinformação nas redes sociais. Enquanto um troll é um humano contratado para criar intrigas e desorientar debates, o bot é um programa que executa tarefas repetitivas. Juntos, são direcionados para curtir e compartilhar mensagens em grande escala, de forma extremamente rápida, com o objetivo de plantar uma falsa ilusão.

<><> No México, La Derecha Diario faz o jogo sujo de Salinas Pliego

“Quem fundou o La Derecha Diario? Duas pessoas: Cerimedo, o que está preso na Bolívia, acusado de tentar matar a companheira, ser um feminicida, e Javier Negre. São eles que o publicam. Eles se orgulham de ter fundado este veículo. O próprio Negre publicou que foi contratado aqui no México por Salinas Pliego”, advertiu a presidente Claudia Sheinbaum. Conforme destacou a mandatária, “isso ocorreu depois que denunciamos que eles faziam parte da rede que gerava notícias artificiais. A publicação dizia: ‘Celebrando com meu sócio Fer Cerimedo um ano de vitórias eleitorais e de crescimento brutal do La Derecha Diario’”.

Como sabem, frisou Claudia, “Bolívia, Equador, Argentina, Honduras e Chile foram conquistados pela direita e o papel do veículo foi fundamental. Eles mesmos dizem isso. Nós apenas dizemos que não se trata de um veículo qualquer”. O alerta da presidente procede, já que a armação fascista relata milhões de visualizações diárias, figurando — segundo o Google — “entre as contas jornalísticas com maior nível de interação global no X, com picos superiores a 95 milhões de impressões mensais”.

“É um esquema para disseminar notícias falsas e, supostamente, gerar opinião pública a partir de redes compradas. Contas compradas para poder divulgar uma notícia”, sublinhou a presidente mexicana, que passou a ser chantageada pelo bilionário Salinas Pliego por ter feito exigências legais validadas pelo Serviço de Administração Tributária (SAT) e pelo Poder Judiciário. Principal patrocinador do La Derecha Diario no país, Salinas Pliego alega que é vítima de “extorsão e censura”. O ferrenho ultradireitista é também proprietário e presidente do Grupo Salinas, que inclui, entre outros, o Banco Azteca, o Grupo Elektra e a TV Azteca.

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<><> “Prisão de Cerimedo escancarou uma fossa séptica sem fundo”

A prisão de Cerimedo, indica a jornalista russa Inna Afigenova, no canal Rede América Latina, “escancarou uma fossa séptica sem fundo”: “Trata-se de uma daquelas cloacas onde a extrema-direita latino-americana mergulha as mãos há anos para extrair toneladas de merda e, em seguida, espalhá-las pelos espaços político, midiático, acadêmico e cotidiano de todo continente”.

“Desde que Nadia Beller começou a falar, as podridões de Fernando Cerimedo jorram como uma torrente; e convém não desviar o olhar, não por morbidez, mas porque este caso permite enxergar com bastante clareza a dimensão da intoxicação política a que o continente vem sendo submetido há anos”, assinalou.

“É uma intoxicação com consequências muito concretas, muito tangíveis e muito catastróficas para os nossos povos, e muito benéficas para os seus donos”, condenou.

“As fazendas de bots não existem para vencer discussões com argumentos, mas para enganar o algoritmo, para fazê-lo acreditar que um tema marginal é uma preocupação de massa, para fabricar a sensação de maioria.”

“E, para que se tenha uma leve ideia do nível de manipulação de que falamos: quando a casa de Cerimedo foi invadida, além de dezenas de milhares de dólares em espécie, encontraram uma ‘fazenda de bots’ caseira — um pequeno escritório equipado para que contas automatizadas simulassem comportamento humano, lançassem temas, tumultuassem debates e impulsionassem narrativas a serviço dos donos da operação.

Alguém poderia perguntar: ‘Bom, e que influência real isso tem?’ Muita, porque as fazendas de bots não existem para vencer discussões com argumentos; existem para enganar o algoritmo, para fazê-lo acreditar que um tema marginal é uma preocupação de massa, para transformar uma mentira em tendência, para fabricar a sensação de maioria”, denunciou Inna Afigenova.

<><> “Contas falsas, dinheiro sujo e operadores profissionais disseminando lixo político”

Assim, explicou a jornalista, “a conversa é redirecionada para onde convém e cria-se a impressão de que as pessoas estão indignadas, quando, na realidade, o que existe são contas falsas, dinheiro sujo e operadores profissionais disseminando lixo político”.

“O próprio Cerimedo revelou, em várias ocasiões”, apontou, “como o esquema funcionava; gabava-se de ter ajudado a eleger figuras como ele em diferentes países: Milei na Argentina, José Antonio Kast no Chile, Rodrigo Paz na Bolívia, Abelardo de la Espriella na Colômbia e Nasri Asfura em Honduras. É por tudo isso que este caso é tão importante: ele revela a estrutura da mentira e também qual era o próximo grande prêmio”.

“No México, o material fecal de Cerimedo entrou pelo canal em que se transformou Ricardo Salinas Pliego, com toda a estrutura montada em torno da TV Azteca, da Universidad de la Libertad e de seus satélites midiáticos, empresariais e digitais. O que se avizinha na América Latina é algo sério: há processos eleitorais fundamentais, governos progressistas que buscam se sustentar e projetos populares que tentam sobreviver à pressão econômica, judicial e midiática”, alertou Afigenova.

¨      “Inserimos votos contra”: áudio atribuído a ex-assessor de Milei reforça denúncia de fraude eleitoral em Honduras

“Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, o ex-assessor de Javier Milei, Fernando Cerimedo, que em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral, que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda continental”, afirmou o ex-ministro de Planificação Estratégica de Honduras, Ricardo Arturo Salgado Bonilla.

Segundo o dirigente do Partido Liberdade e Refundação (Libre), “o homem-chave da ‘onda’ fascista em todo o continente, Cerimedo — que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira” — agora fornece os elementos para explicar como “abarrotaram de votos contrários as urnas ao partido” e dar a vitória a Nasry Asfura.

<><> Os 19% de Cerimedo: operação golpe eleitoral em Honduras

Em 1º de dezembro de 2025, poucas horas após o fechamento das urnas, visitei um grupo de companheiros de coletivos que haviam atuado nas mesas eleitorais. O relato era estarrecedor, e os rostos estampavam raiva e frustração.

Um deles me disse: “nunca tínhamos perdido sequer uma urna no meu local de votação, mas ontem perdemos todas”; outro afirmou: “não conseguimos explicar o que aconteceu”. Esse fenômeno se repetiu por todo o país.

O resultado parecia indicar uma enorme rejeição da população ao governo da presidente Xiomara Castro, que foi a administração com maior investimento social na história nacional.

Obviamente, os resultados que os companheiros viam eram aqueles que chegavam em massa à central de apuração do Conselho Nacional Eleitoral.

Assim começou a se criar o mito de que havíamos sido derrotados com apenas 19% de aprovação — um número ainda repetido por deputados governistas, jornalistas e especialistas a serviço do golpe fascista em Honduras.

Os números não batiam, mas a velocidade de ação da ultradireita desmantelou a Procuradoria-Geral da República e, em menos de dois meses, já havia substituído a Suprema Corte de Justiça e aberto processos de impeachment contra o conselheiro Marlon Ochoa, o magistrado Mario Morazán (do Tribunal de Justiça Eleitoral) e o procurador-geral Johel Zelaya. Além disso, pressionou pela renúncia da presidente da Suprema Corte de Justiça. Foi uma celeridade que desestabilizou as instituições democráticas do país.

Mas a explicação nos foi enviada pelo homem-chave da “onda” fascista em todo o continente, o ex-assessor de Javier Milei, Fernando Cerimedo — que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira; ela não apenas sobreviveu, como parece guardar a chave para revelar as perversidades cometidas por Cerimedo e aquelas que ele estava prestes a cometer. Hoje, muitas verdades circulam nas redes sociais, entre elas um áudio do próprio Cerimedo conversando com hondurenhos, no qual pede calma e explica: “nós já tínhamos identificado as urnas onde eles obtêm mais votos, e foi lá que inserimos os votos [contra eles]”.

Nesse mesmo áudio, Cerimedo, em tom de comando, instrui que “não podem contar voto por voto”. Nessas poucas linhas, descreve-se o que fizeram: abarrotaram de votos contrários as urnas do Partido Liberdade e Refundação (Libre), tirando-o assim da contagem; além disso, isso marcou o início da operação para destruir o Libre, baseada na premissa de que a grande maioria do povo nos odeia. Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, que em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral, que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda continental.

De fato, o golpe em Honduras é tão importante que Cerimedo teria viajado ao país com um funcionário público argentino próximo a Milei, portando uma grande quantia em dinheiro, para conversar com Nasry Asfura — já na condição de “presidente” — e combinar a ingerência no México, bem como a desestabilização da Colômbia e do governo da presidente Claudia Sheinbaum.

Honduras seria o epicentro de toda a estratégia de destruição dos projetos populares na América Latina, incluindo a Venezuela e o atual sufocamento de Cuba. No entanto, parece que o grande prêmio é a pátria de Morelos, Zapata e Villa, no que é, a todas as luzes, uma nova forma de guerra do imperialismo na região — não apenas para reimpor a Doutrina Monroe, mas para desarticular a existência de vários países frágeis, como Honduras, onde as sociedades anônimas estão ganhando força em detrimento do Estado-nação.

Para o Libre, é importante explicar a toda a sua militância a falácia dos 19% e reformular a estratégia de combate, a qual deve passar, necessariamente, pela eliminação de uma série de movimentos desideologizados que pretendem negociar com a direita, dando-lhe razão nesta grande infâmia perpetrada em 30 de novembro de 2025.

 

Fonte: Por Leonardo Wexell Severo, em Diálogos do Sul Global/Brasil 247/Opera Mundi

 

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