Bots,
dinheiro e extrema direita: Sheinbaum denuncia máquina de desinformação de
Cerimedo no México
“É uma
honra estar aqui e abrir espaço para um argentino. E olha que quem está falando
é um brasileiro. Mas um homem que quase me levou para a cadeia. E isso não é
brincadeira. Fernando Cerimedo teve a coragem
de, da Argentina, ajudar o Brasil, denunciando as possíveis fraudes eleitorais
ocorridas em 2022, na eleição que elegeu o socialista Lula da Silva como
presidente do Brasil.
Fernando
Cerimedo utilizou os dados do Tribunal Superior Eleitoral. No entanto, seus
vídeos no YouTube continuam censurados no Brasil até hoje. E é assim que
acontece nas ditaduras.”
Com
estas palavras, Eduardo Bolsonaro, o filho número 3,
deputado federal cassado e que se encontra foragido nos Estados Unidos,
entregou, em fevereiro de 2026, a Fernando Cerimedo, fundador do La
Derecha Diario, o prêmio “Consultor Político Hispânico do Ano”.
De
acordo com os organizadores, foi um reconhecimento por “seu trabalho de
inovação em campanhas eleitorais, comunicação digital e estratégias políticas”.
Cerimedo
compareceu acompanhado pelo espanhol Javier Negre, proprietário do veículo de
extrema-direita e um de seus principais sócios, à cerimônia de gala organizada
pela Latino Wall Street, plataforma de megaempresários, especuladores e
“influencers” hispânicos radicados no país do Norte.
Carregada
de significado para Donald Trump, a pomposa cerimônia foi realizada em
Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida — residência e clube privado do
presidente — e contou com representantes do Partido Republicano.
Na
oportunidade, Bolsonaro III condenou o juiz da Suprema Corte, Alexandre de
Moraes, “o louco que pôs até Elon Musk sob investigação no país”, por tentar
prendê-lo. “E como fariam isso, se eu não sou corrupto, não tenho envolvimento
com cartéis nem nada do tipo? O juiz maluco disse: ‘Vinculem o Eduardo ao
Cerimedo, porque o Cerimedo já é visto no Brasil como alguém antidemocrático,
já que contestou as eleições’.”
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Já são seis países com digitais de Cerimedo, bolsonarista
preso na Bolívia. Por Márcia Carmo
Fernando
Cerimedo continua sendo notícia de destaque em vários países da América Latina.
Ele foi preso, na semana passada, após ter sido acusado pela ex-namorada Nadia
Beller de ser o mandante dos tiros contra ela na porta de um hotel em Santa
Cruz de la Sierra. Às lágrimas, Cerimedo negou a autoria da tentativa de
feminicídio, de acordo com seus advogados.
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Gravações
Nadia
Beller, porém, ratificou suas afirmações em entrevistas à imprensa na Argentina
e na Bolívia. Ao ter alta, ela pediu para não voltar para casa, temendo por sua
vida. E foi levada para a casa de conhecidos na Bolívia. Beller contou que
gravava o então namorado porque passou a perceber que Cerimedo lhe contava
demais, além das promessas não cumpridas de que deixaria a família em Buenos
Aires, na Argentina, para ficarem juntos na Bolívia. Em entrevista ao La
Nación, da capital argentina, ela disse que “está gravado” que Cerimedo teria
dito que “Milei é louco” e que a irmã dele, Karina Milei, seu braço forte na
Presidência, teria cobrado propinas em negócios do governo. Os celulares de
Beller foram roubados no momento do ataque a tiros que sofreu. A polícia
boliviana realizou, no entanto, perícia no celular de Cerimedo onde encontrou,
de acordo com o Página 12, de Buenos Aires, declarações que sugerem a
“encomenda” para eliminá-la. “Ou a eliminamos ou estamos ferrados”, disse em
uma das conversas com um interlocutor.
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Ramificações e raiz bolsonarista
A
imprensa argentina tem dado destaque aos atos de Cerimedo, já que ele foi
fundamental para a eleição de Milei à Casa Rosada por ser o pilar da estratégia
digital da campanha do presidente argentino. Nesta quinta-feira, o Clarin, de
Buenos Aires, informa que há denúncias do influencer brasileiro Felipe Neto
contra Cerimedo com data de 2022. O argumento é de calúnia e a demanda de US$
10 mil, de acordo com o expediente citado pela reportagem. Naquele ano,
Cerimedo já era associado aos Bolsonaro e os defendia em suas redes sociais,
questionando as urnas eletrônicas do Brasil e o processo eleitoral brasileiro.
Ele chegou a ser indiciado pela Polícia Federal por divulgar informações não
verdadeiras.
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Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Honduras, Estados Unidos
Além do
Brasil e da Argentina, Cerimedo foi definido como assessor especial do
presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, de acordo com Nadia Beller e com o
vice-presidente do país, distanciado há tempos do presidente. “Cerimedo tem
mais poder do que eu”, disse Edmand Lara. São tempos difíceis para Rodrigo Paz.
No
Chile, por sua vez, o portal de notícias El Mostrador, de Santiago, revelou,
nesta semana, que assessores do atual presidente Kast teriam trabalhado com
Cerimedo nas campanhas dos plebiscitos para a nova constituição. Eles teriam
participado das campanhas pelo não à uma nova Carta Magna. Acabou vencendo o
não e o Chile manteve, então, a constituição dos tempos do ditador Pinochet,
que recebeu modificações em tempos democráticos, mas mantém sua essência com o
pinochetismo.
Em
Honduras, o presidente Nasry Asfura contou com a assessoria de Cerimedo,
segundo a imprensa argentina. Asfura foi eleito com forte apoio de Trump. Nesta
semana, o jornal El Diario Ar informou em suas redes sociais que Cerimedo
aparece nos vídeos de campanha que anunciam a presença de Milei num ato de
Trump para as eleições legislativas de novembro. Cerimedo já tinha sido
premiado nos Estados Unidos como consultor político estrela das Américas.
Agora, continua preso na Bolívia. E as perguntas que a oposição na Argentina
fazem são: “Cerimedo falará? Fará revelações?”
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“Cerimedo é um argentino valente que teve a coragem de denunciar as coisas
ruins que acontecem no mundo”, afirmou Eduardo
Após
reiterar seu apoio a Trump, o filho foragido enfatizou que tinha “uma honra
muito grande de chamar ao palco Fernando Cerimedo, um argentino valente que
teve a coragem de denunciar as coisas ruins que acontecem no mundo”. “Estamos
aqui hoje juntos para dizer a Alexandre de Moraes: nós não temos medo de você —
você prendeu meu pai, mas vamos vencer as eleições em outubro com meu irmão
Flávio e tirar você da Suprema Corte do Brasil”, realçou Eduardo.
Foi a
vez de o amigo retribuir. Agradecendo a todos, mas particularmente a Eduardo,
Cerimedo discursou em espanhol e inglês que 2025 foi um ano “muito complicado”
para os “consultores” — que é como se autointitula. “Mas nos saímos muito bem.
Junto
com nossa equipe, vencemos duas eleições; conseguimos tirar Evo Moraes,
vencendo uma batalha duríssima na Bolívia, retirando o socialismo do poder após
20 anos. Além disso, junto com meu amigo e sócio Andy Rivas, conseguimos vencer
em Honduras, derrotando o clã Zelaya, em uma das campanhas mais difíceis e
violentas que já enfrentei, repleta de ameaças.”
Entre
uma e outra mentira, o assessor de Milei expôs verdades: a necessidade de
manter cada vez mais estreitos os vínculos entre as “consultorias” e o poder.
“Se não ajudarmos nossos candidatos a governar para que a esquerda nunca mais
retorne ao poder, nosso trabalho não estará concluído. Portanto, vamos
continuar travando a batalha cultural; não se trata apenas de vencer eleições e
assumir cargos, mas de lutar todos os dias para recuperar a liberdade na
América Latina”, conclamou.
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Passados seis meses do prêmio, o “agente da CIA” está encarcerado
Mal
sabiam os fervorosos entusiastas de Cerimedo que, passados tão somente meia
dúzia de meses, aquele com quem trocaram afagos ocuparia agora os noticiários
acusado de mandar executar sua ex-companheira, a advogada e ativista boliviana
Nadia Shirley Beller Delgado, grávida de quatro semanas. Seu crime, segundo ela
própria, era saber demais. Afinal, ele mesmo lhe confessara ser um “agente da
CIA”, pago para fazer o serviço sujo.
Como
enriqueceu? Com a manipulação da opinião pública por meio de fazendas de bots e
trolls, ferramentas digitais e falsos perfis usados para manipular supostos
“diálogos” e espalhar desinformação nas redes sociais. Enquanto um troll é um
humano contratado para criar intrigas e desorientar debates, o bot é um
programa que executa tarefas repetitivas. Juntos, são direcionados para curtir
e compartilhar mensagens em grande escala, de forma extremamente rápida, com o
objetivo de plantar uma falsa ilusão.
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No México, La Derecha Diario faz o jogo sujo de Salinas Pliego
“Quem
fundou o La Derecha Diario? Duas pessoas: Cerimedo, o que está
preso na Bolívia, acusado de tentar matar a companheira, ser um feminicida, e
Javier Negre. São eles que o publicam. Eles se orgulham de ter fundado este
veículo. O próprio Negre publicou que foi contratado aqui no México por Salinas
Pliego”, advertiu a presidente Claudia Sheinbaum. Conforme destacou a
mandatária, “isso ocorreu depois que denunciamos que eles faziam parte da rede
que gerava notícias artificiais. A publicação dizia: ‘Celebrando com meu sócio
Fer Cerimedo um ano de vitórias eleitorais e de crescimento brutal do La
Derecha Diario’”.
Como
sabem, frisou Claudia, “Bolívia, Equador, Argentina, Honduras e Chile foram
conquistados pela direita e o papel do veículo foi fundamental. Eles mesmos
dizem isso. Nós apenas dizemos que não se trata de um veículo qualquer”. O
alerta da presidente procede, já que a armação fascista relata milhões de
visualizações diárias, figurando — segundo o Google — “entre as contas
jornalísticas com maior nível de interação global no X, com picos superiores a
95 milhões de impressões mensais”.
“É um
esquema para disseminar notícias falsas e, supostamente, gerar opinião pública
a partir de redes compradas. Contas compradas para poder divulgar uma notícia”,
sublinhou a presidente mexicana, que passou a ser chantageada pelo bilionário
Salinas Pliego por ter feito exigências legais validadas pelo Serviço de
Administração Tributária (SAT) e pelo Poder Judiciário. Principal patrocinador
do La Derecha Diario no país, Salinas Pliego alega que é
vítima de “extorsão e censura”. O ferrenho ultradireitista é também
proprietário e presidente do Grupo Salinas, que inclui, entre outros, o Banco
Azteca, o Grupo Elektra e a TV Azteca.
Continua
após o anúncio
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“Prisão de Cerimedo escancarou uma fossa séptica sem fundo”
A
prisão de Cerimedo, indica a jornalista russa Inna Afigenova, no canal Rede
América Latina, “escancarou uma fossa séptica sem fundo”: “Trata-se de uma
daquelas cloacas onde a extrema-direita latino-americana mergulha as mãos há
anos para extrair toneladas de merda e, em seguida, espalhá-las pelos espaços
político, midiático, acadêmico e cotidiano de todo continente”.
“Desde
que Nadia Beller começou a falar, as podridões de Fernando Cerimedo jorram como
uma torrente; e convém não desviar o olhar, não por morbidez, mas porque este
caso permite enxergar com bastante clareza a dimensão da intoxicação política a
que o continente vem sendo submetido há anos”, assinalou.
“É uma
intoxicação com consequências muito concretas, muito tangíveis e muito
catastróficas para os nossos povos, e muito benéficas para os seus donos”,
condenou.
“As
fazendas de bots não existem para vencer discussões com argumentos, mas para
enganar o algoritmo, para fazê-lo acreditar que um tema marginal é uma
preocupação de massa, para fabricar a sensação de maioria.”
“E,
para que se tenha uma leve ideia do nível de manipulação de que falamos: quando
a casa de Cerimedo foi invadida, além de dezenas de milhares de dólares em
espécie, encontraram uma ‘fazenda de bots’ caseira — um pequeno escritório
equipado para que contas automatizadas simulassem comportamento humano,
lançassem temas, tumultuassem debates e impulsionassem narrativas a serviço dos
donos da operação.
Alguém
poderia perguntar: ‘Bom, e que influência real isso tem?’ Muita, porque as
fazendas de bots não existem para vencer discussões com argumentos; existem
para enganar o algoritmo, para fazê-lo acreditar que um tema marginal é uma
preocupação de massa, para transformar uma mentira em tendência, para fabricar
a sensação de maioria”, denunciou Inna Afigenova.
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“Contas falsas, dinheiro sujo e operadores profissionais disseminando lixo
político”
Assim,
explicou a jornalista, “a conversa é redirecionada para onde convém e cria-se a
impressão de que as pessoas estão indignadas, quando, na realidade, o que
existe são contas falsas, dinheiro sujo e operadores profissionais disseminando
lixo político”.
“O
próprio Cerimedo revelou, em várias ocasiões”, apontou, “como o esquema
funcionava; gabava-se de ter ajudado a eleger figuras como ele em diferentes
países: Milei na Argentina, José Antonio Kast no Chile, Rodrigo Paz na Bolívia,
Abelardo de la Espriella na Colômbia e Nasri Asfura em Honduras. É por tudo
isso que este caso é tão importante: ele revela a estrutura da mentira e também
qual era o próximo grande prêmio”.
“No
México, o material fecal de Cerimedo entrou pelo canal em que se transformou
Ricardo Salinas Pliego, com toda a estrutura montada em torno da TV Azteca, da
Universidad de la Libertad e de seus satélites midiáticos, empresariais e
digitais. O que se avizinha na América Latina é algo sério: há processos
eleitorais fundamentais, governos progressistas que buscam se sustentar e
projetos populares que tentam sobreviver à pressão econômica, judicial e
midiática”, alertou Afigenova.
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“Inserimos votos contra”: áudio atribuído a ex-assessor
de Milei reforça denúncia de fraude eleitoral em Honduras
“Depreende-se,
pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, o ex-assessor de
Javier Milei, Fernando Cerimedo, que em Honduras não
houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral, que
marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a
esquerda continental”, afirmou o ex-ministro de Planificação Estratégica de
Honduras, Ricardo Arturo
Salgado Bonilla.
Segundo
o dirigente do Partido Liberdade e Refundação (Libre), “o homem-chave da ‘onda’
fascista em todo o continente, Cerimedo — que acabou preso na Bolívia após
ordenar o assassinato de sua companheira” — agora fornece os elementos para
explicar como “abarrotaram de votos contrários as urnas ao partido” e dar a
vitória a Nasry Asfura.
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Os 19% de Cerimedo: operação golpe eleitoral em Honduras
Em 1º
de dezembro de 2025, poucas horas após o fechamento das urnas, visitei um grupo
de companheiros de coletivos que haviam atuado nas mesas eleitorais. O relato
era estarrecedor, e os rostos estampavam raiva e frustração.
Um
deles me disse: “nunca tínhamos perdido sequer uma urna no meu local de
votação, mas ontem perdemos todas”; outro afirmou: “não conseguimos explicar o
que aconteceu”. Esse fenômeno se repetiu por todo o país.
O
resultado parecia indicar uma enorme rejeição da população ao governo da
presidente Xiomara Castro, que foi a
administração com maior investimento social na história nacional.
Obviamente,
os resultados que os companheiros viam eram aqueles que chegavam em massa à
central de apuração do Conselho Nacional Eleitoral.
Assim
começou a se criar o mito de que havíamos sido derrotados com apenas 19% de
aprovação — um número ainda repetido por deputados governistas, jornalistas e
especialistas a serviço do golpe fascista em Honduras.
Os
números não batiam, mas a velocidade de ação da ultradireita desmantelou a
Procuradoria-Geral da República e, em menos de dois meses, já havia substituído
a Suprema Corte de Justiça e aberto processos de impeachment contra o
conselheiro Marlon Ochoa, o magistrado Mario
Morazán (do Tribunal de Justiça Eleitoral) e o procurador-geral Johel Zelaya.
Além disso, pressionou pela renúncia da presidente da Suprema Corte de Justiça.
Foi uma celeridade que desestabilizou as instituições democráticas do país.
Mas a
explicação nos foi enviada pelo homem-chave da “onda” fascista em todo o
continente, o ex-assessor de Javier Milei, Fernando Cerimedo —
que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira; ela
não apenas sobreviveu, como parece guardar a chave para revelar as
perversidades cometidas por Cerimedo e aquelas que ele estava prestes a
cometer. Hoje, muitas verdades circulam nas redes sociais, entre elas um áudio
do próprio Cerimedo conversando com hondurenhos, no qual pede calma e explica:
“nós já tínhamos identificado as urnas onde eles obtêm mais votos, e foi lá que
inserimos os votos [contra eles]”.
Nesse
mesmo áudio, Cerimedo, em tom de comando, instrui que “não podem contar voto
por voto”. Nessas poucas linhas, descreve-se o que fizeram: abarrotaram de
votos contrários as urnas do Partido Liberdade e Refundação (Libre), tirando-o
assim da contagem; além disso, isso marcou o início da operação para destruir o
Libre, baseada na premissa de que a grande maioria do povo nos odeia.
Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, que
em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado
Eleitoral, que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda
continental.
De
fato, o golpe em Honduras é tão importante que Cerimedo teria viajado ao país
com um funcionário público argentino próximo a Milei, portando uma grande
quantia em dinheiro, para conversar com Nasry Asfura — já na condição de
“presidente” — e combinar a ingerência no México, bem como a desestabilização
da Colômbia e do governo da presidente Claudia Sheinbaum.
Honduras
seria o epicentro de toda a estratégia de destruição dos projetos populares na
América Latina, incluindo a Venezuela e o atual sufocamento de Cuba. No
entanto, parece que o grande prêmio é a pátria de Morelos, Zapata e Villa, no
que é, a todas as luzes, uma nova forma de guerra do imperialismo na região —
não apenas para reimpor a Doutrina Monroe, mas para desarticular a existência
de vários países frágeis, como Honduras, onde as sociedades anônimas estão
ganhando força em detrimento do Estado-nação.
Para o
Libre, é importante explicar a toda a sua militância a falácia dos 19% e
reformular a estratégia de combate, a qual deve passar, necessariamente, pela
eliminação de uma série de movimentos desideologizados que pretendem negociar
com a direita, dando-lhe razão nesta grande infâmia perpetrada em 30 de
novembro de 2025.
Fonte:
Por Leonardo Wexell Severo, em Diálogos do Sul Global/Brasil 247/Opera Mundi

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