Bolsonaro,
Bukele, Milei e Washington: a rede que Fernando Cerimedo conectou por dentro do
poder
O nome
de Fernando Cerimedo tem causado comoção no tabuleiro político regional, ao
aparecer repetidamente na interseção entre campanhas eleitorais, operações de
comunicação digital e redes políticas transnacionais da nova direita
latino-americana.
O
empresário argentino foi detido na Bolívia na semana de 17 de agosto, acusado
de organizar um ataque armado contra sua ex-companheira, Nadia Beller, que
sobreviveu após receber três tiros. A Promotoria o acusou de tentativa de
feminicídio, e a Justiça determinou 180 dias de prisão preventiva;
paralelamente, foi aberta uma investigação por suposto enriquecimento ilícito.
Suas
conexões políticas traçam uma rede regional associada a campanhas negativas,
desinformação ou estratégias digitais agressivas: Jair Bolsonaro no Brasil,
onde difundiu em 2022 a falsa tese de fraude eleitoral; Javier Milei na Argentina,
para cuja campanha presidencial de 2023 foi um operador relevante da estratégia
digital; o bloco do Rejeito no plebiscito constitucional chileno, onde sua
empresa foi vinculada a operações de desinformação; e, mais recentemente, Rodrigo Paz na Bolívia,
cujo entorno alcançou como assessor político.
Também
foram documentados vínculos ou apoios com a argentina Patricia Bullrich, o
hondurenho Nasry Asfura e outras figuras da direita regional.
A
característica comum de seu trabalho para a direita continental é o emprego
intensivo de redes sociais, segmentação política, meios de comunicação
partidários e, em vários episódios, conteúdos falsos ou enganosos para
desgastar adversários e moldar a conversa pública.
Menos
visível, no entanto, tem sido até agora o verdadeiro centro de operações de
Fernando Cerimedo: Estados Unidos.
Esse
canal de acesso de Cerimedo ao poder estadunidense é seu sócio, o
argentino-estadunidense Damián Merlo, proprietário da empresa Latin America
Advisory Group (LAAG), com sede em Miami, cujas gestões junto a
escritórios do Congresso e do Executivo dos Estados Unidos aparecem
documentadas em registros apresentados sob a Foreign Agents Registration Act (FARA).
Reconstruir
essa arquitetura — empresarial, midiática e de acesso político — permite
observar Cerimedo não apenas como um operador de campanhas eleitorais
latino-americanas, mas como parte de uma infraestrutura transnacional com um nó
central nos Estados Unidos.
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1. A empresa de Cerimedo criada na Flórida
Em 24
de maio de 2023, foi registrada a NUMEN Advisors LLC, com efeito a partir do
dia anterior, em 13499 Biscayne Boulevard, North Miami. O registro oficial da
Divisão de Corporações da Flórida identifica o número L23000254200 e permite
abrir os documentos históricos: o ato de constituição, uma emenda de dezembro
de 2023 e o relatório anual de 2024. Na documentação inicial, figurava Fernando
G. Cerimedo; após a emenda, Aldo O. Arteaga passou a ser o membro. Atualmente,
a empresa aparece como inativa por não apresentar o relatório anual
correspondente.
A data
é importante. A NUMEN, empresa de Cerimedo, foi criada enquanto se desenvolvia
a campanha presidencial argentina e, apenas três meses depois, essa mesma marca
assinou um memorando com o consultor de Miami Damián Merlo. A conexão de
Cerimedo com Miami foi, portanto, societária e operacional.
Paralelamente,
funcionava outra infraestrutura: La Derecha Diario, projeto
associado a Cerimedo e posteriormente compartilhado com o empresário espanhol
Javier Negre. Pouco depois, adquiriram a UHN Plus, uma plataforma dedicada
fundamentalmente à desinformação contra Cuba, cuja página “Nós” explica que
Negre realizou um investimento estratégico em outubro de 2025 e passou a ser
vice-presidente e coproprietário.
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2. Merlo, a ponte de Cerimedo com Washington
A prova
central não é uma fotografia nem uma declaração à imprensa. É um documento
apresentado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O memorando de 4 de
setembro de 2023 é dirigido a “Fernando Cerimedo, CEO, da NUMEN” e assinado por
Damián Merlo, sócio-gerente da LAAG, e documenta a assinatura de um contrato
para colaborar com a campanha de Javier Milei até 10 de dezembro daquele ano.
O plano
oferecia avaliar oportunidades na mídia estadunidense, preparar artigos de
opinião, entrar em contato com membros da Câmara e do Senado — com ênfase no
sul da Flórida —, se aproximar de centros como Heritage, CSIS, Council on
Foreign Relations e Atlantic Council e organizar uma visita a Washington.
O
suplemento apresentado em janeiro de 2024 confirma que Merlo prestou, em
associação com Cerimedo, assessoria de relações públicas e realizou contatos
com o Congresso, meios de comunicação e organizações de assuntos públicos em
favor de Milei. O registro foi feito perante o Departamento de Justiça, de
acordo com a Lei FARA.
A
colaboração teve um resultado público facilmente verificável: Merlo coordenou a
polêmica entrevista de Javier Milei com o ultradireitista Tucker Carlson, como
parte da campanha presidencial do argentino. A conversa apresentou Milei ao
público conservador estadunidense e o inseriu em um eixo internacional
contrário ao socialismo, ao progressismo e ao chamado establishment. Merlo
afirmou ao jornal La Nación que a conversa tornou o candidato
mundialmente conhecido.
O
registro, por si só, já demonstra algo mais amplo: Cerimedo colocou a campanha
argentina nas mãos de uma estrutura estadunidense concebida para abrir portas
na mídia, no Congresso e nos centros de pensamento.
Continua
após o anúncio
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3. Rubio, Salazar, Díaz-Balart e Claver-Carone
A
trajetória política de Merlo antecede seu contrato com Cerimedo. Uma declaração
FARA de 2021 sobre gestões para El Salvador documenta uma rodada presencial, em
dezembro de 2020, com Mauricio Claver-Carone — então presidente do Banco
Interamericano de Desenvolvimento — e Viviana Bovo, assessora do então
senador Marco Rubio.
O mesmo
registro consigna, já em fevereiro e março de 2021, reuniões de Merlo com Bovo,
uma ligação com Ricardo Pita (ex-assessor do senador Ted Cruz e atual assessor
principal para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado), uma
reunião com o congressista Mario Díaz-Balart e um jantar de apresentação com a
congressista María Elvira Salazar. Pode ser consultado na emenda federal
original.
A
continuidade é visível em declarações posteriores. O suplemento FARA de
fevereiro de 2025 registra, durante 2024, dezenas de reuniões, mensagens e
e-mails com integrantes do escritório de María Elvira Salazar e com
funcionários do subcomitê de Assuntos do Hemisfério Ocidental, além de contatos
com meios de comunicação e outros legisladores.
Esse
conjunto permite afirmar que o agente de Cerimedo em Miami, Damián Merlo,
tinha, há anos, um acesso documentado ao ecossistema anticubano da Flórida e a
funcionários do Executivo, com vínculos privilegiados com o entorno do
secretário de Estado Marco Rubio.
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4. Merlo e os programas contra Cuba
O
acesso de Merlo ao núcleo cubano-americano não surgiu do nada. Sua relação com
Cuba antecede em mais de duas décadas sua atual atividade como lobista em
Washington e Miami. Seu próprio histórico profissional situa o primeiro vínculo
direto em 1996-1997, quando trabalhou durante oito meses como Screening
Officer no Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana,
contratado pelo Departamento de Estado.
Segundo
seu perfil, ele realizava entrevistas preliminares com antigos “presos
políticos” cubanos que solicitavam emigrar para os Estados Unidos e afirma ter
processado mais de 600 casos. Outra biografia profissional, publicada em 2009
pela Universidade Francisco Marroquín, inclui expressamente entre as
instituições nas quais trabalhou a United States Interests Section in
Havana (USINT), representação diplomática estadunidense em Cuba antes
do restabelecimento das relações diplomáticas.
Mas sua
relação com o dossiê cubano não terminou aí. Entre 2002 e 2007, Merlo foi Program
Officer do International Republican Institute (IRI) e afirma em seu
próprio currículo que foi responsável por implementar os programas da
organização para México, Cuba e Brasil, além de preparar relatórios para o
Congresso e outros altos funcionários estadunidenses e administrar propostas
para subsídios governamentais de vários milhões de dólares.
Documentação
da época permite precisar o conteúdo dessa carteira: em 2005, Merlo aparece
identificado como responsável pelo programa do IRI que, por meio de um subsídio
ao Diretório Revolucionário Democrático Cubano de Miami, promovia comitês
internacionais de solidariedade destinados a fornecer apoio material, político
e ideológico a ativistas cubanos.
Essa
etapa coincidiu com os anos em que James Cason dirigia a Seção de Interesses
dos Estados Unidos em Havana (2002-2005) e com uma expansão dos programas
estadunidenses de “promoção da democracia” em direção a Cuba. Portanto, embora
a documentação localizada não permita afirmar que Merlo fosse funcionário do
Departamento de Estado durante esses anos, ela volta a situá-lo dentro do
ecossistema institucional que executava programas estadunidenses relacionados a
Cuba.
Existe,
além disso, uma segunda conexão significativa. Após deixar o IRI, Merlo foi
vice-presidente da Otto Reich Associates entre 2007 e 2010, empresa dirigida
pelo ex-funcionário cubano-americano Otto Reich, figura-chave da política
republicana em relação à América Latina e a Cuba. Esse vínculo também o
aproxima do Center for a Free Cuba, organização presidida por Reich, segundo
seus formulários fiscais.
Segundo
o The Guardian, foi Otto Reich quem apresentou outro lobista
cubano-americano, Mauricio Claver-Carone, ao então assessor de segurança
nacional de Trump, John Bolton. Claver-Carone acabou se tornando o principal
funcionário responsável pela política para a América Latina no Conselho de
Segurança Nacional em 2018 e, em 2025, Donald Trump o nomeou enviado especial
do Departamento de Estado para a América Latina, com o objetivo de que fosse a
pessoa que “organizasse” a região. Em 2026, ele reaparece na Venezuela, como
“vice-rei não oficial” dos Estados Unidos e “braço direito de Marco Rubio”,
segundo o The Washington Post.
O
antecedente cubano de Merlo e seus estreitos vínculos políticos com a ala
ultradireitista da Flórida ajudam a entender a geografia política: Miami,
organizações da contrarrevolução ali sediadas, legisladores do sul da Flórida e
especialistas em política hemisférica formam um circuito institucional
relativamente estável. Quando Cerimedo recorreu a Merlo em 2023, comprou acesso
a uma rede cultivada durante anos, não uma agenda de contatos improvisada para
Milei.
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5. O salto para o Executivo estadunidense
O
documento mais revelador é o Supplemental Statement 6898,
apresentado ao Departamento de Justiça em 30 de julho de 2026. Em uma única
data, 13 de janeiro, a empresa de Damián Merlo declarou quatro reuniões
realizadas em representação da Presidência de El Salvador: com Gavin Wax, chefe
de gabinete da subsecretária Sarah Rogers; Christopher Landau, subsecretário de
Estado; Ana Quintana, da Policy Planning; e Viviana Bovo, assessora sênior para
o Hemisfério Ocidental (que vem trabalhando com Rubio há anos, como vimos
anteriormente).
Em 13
de janeiro, dez dias após a agressão militar à Venezuela, registra-se uma
quinta reunião, com Joseph Humire, que a página oficial do Departamento de
Defesa situa à frente de Assuntos de Segurança das Américas, escritório que
formula a política regional e supervisiona a cooperação em segurança e as
vendas militares. O encontro tampouco parece ser um contato completamente “a
frio”. Humire foi diretor do Center for a Secure Free Society e visiting
fellow da Heritage, com trabalhos sobre Venezuela, Cuba, Irã e
segurança hemisférica.
Tanto
Damián Merlo quanto Fernando Cerimedo construíram relações que alcançam altas
figuras do poder político estadunidense e círculos próximos ao Executivo. Uma
peça central dessa rede é Brad Parscale, ex-chefe de campanha de Donald Trump e
sócio tecnológico de Cerimedo na América Latina, que participou de um encontro
realizado em Mar-a-Lago no qual também estiveram Marco Rubio, atual secretário
de Estado, e a congressista republicana María Elvira Salazar.
A
coincidência desses atores nesse espaço demonstra o nível de acesso político do
ambiente empresarial e estratégico no qual operam.
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Conclusões
A
documentação examinada permite observar algo mais do que uma sucessão de
contatos pessoais. O que aparece é uma infraestrutura transnacional de
influência política com peças complementares: a NUMEN proporcionou a Fernando
Cerimedo uma base empresarial em Miami; La Derecha Diario e,
posteriormente, sua conexão com Negre e UHN Plus ampliaram o dispositivo
midiático; e a Latin America Advisory Group, de Damián Merlo, abriu uma via
formal para meios de comunicação estadunidenses, escritórios do Congresso, centros
de pensamento e estruturas do Executivo.
Nessa
arquitetura, Miami não funciona como um simples endereço comercial. Opera como
plataforma de articulação entre campanhas latino-americanas, meios de
comunicação ideologizados, consultores políticos, organizações do ecossistema
cubano-americano e setores do Partido Republicano com capacidade de influenciar
a política hemisférica dos Estados Unidos.
O papel
de Damián Merlo é decisivo para compreender esse circuito. Muito antes de seu
contrato com Cerimedo e de sua intervenção na campanha de Javier Milei, havia
trabalhado em espaços vinculados a programas estadunidenses sobre Cuba e havia
construído relações documentadas com figuras e escritórios do entorno de Marco
Rubio, María Elvira Salazar, Mario Díaz-Balart e Mauricio Claver-Carone. Suas
declarações sob a FARA mostram posteriormente a continuidade e a ampliação
dessa capacidade de acesso: em janeiro de 2026, em uma única jornada, manteve
reuniões com quatro figuras do Departamento de Estado e com Joseph Humire no
Departamento de Defesa do governo Trump.
Por
isso, o dado politicamente relevante aqui não é apenas que Cerimedo tenha
contratado um lobista em Miami. Ele contratou acesso a uma rede que vinha sendo
construída havia anos no mesmo ecossistema político no qual foram impulsionadas
algumas das posições mais agressivas de Washington em relação a Cuba e à
América Latina.
Quando
Cerimedo chega a Merlo em 2023, não começa a construir essa rede: conecta-se a
uma infraestrutura preexistente.
A
investigação tampouco precisa atribuir conspirações ou atividades ilegais que
os documentos não demonstram. Os próprios registros FARA existem precisamente
para tornar visíveis essas relações. O que eles permitem estabelecer é
suficientemente significativo: campanhas eleitorais latino-americanas,
operações de comunicação política, plataformas midiáticas e circuitos de lobby
convergem em um mesmo espaço político estadunidense, com Miami como nó
articulador e Washington como centro de acesso ao poder.
Esse é
provavelmente o principal achado. Cerimedo costuma ser apresentado como um
operador da nova direita latino-americana que intervém de país em país. A
documentação obriga a ampliar essa imagem: uma parte substancial da
infraestrutura a partir da qual essa intervenção é projetada está ancorada nos
Estados Unidos.
A
geografia política, portanto, importa. Por trás de operações que posteriormente
aparecem na Argentina, no Brasil, no Chile, na Bolívia ou em outros cenários
latino-americanos, existe uma retaguarda empresarial, midiática e política
conectada à Flórida e a estruturas de poder em Washington. Miami não é aqui a
periferia da operação: é um de seus centros.
¨ Cerimedo, o grande
hacker da direita. Por Luís Nassif
Trata-se
de um estrategista político argentino, conhecido por assessorar campanhas de
direita na América Latina (Javier Milei e, mais recentemente, Rodrigo Paz, na
Bolívia).
Sua
ex-companheira, a ativista Nadia Beller, sofreu um atentado armado numa área
comercial de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Dois homens disfarçados de
entregadores aproximaram-se dela na entrada de um hotel e atiraram, atingindo-a
três vezes. Ela sobreviveu e ficou hospitalizada. Estava grávida do próprio
Cerimedo (La Tercera).
Cerimedo
foi preso na terça-feira (18/08/2026) no aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz,
quando se preparava para embarcar rumo a Buenos Aires. A Justiça boliviana o
investiga sob suspeita de ter ordenado o ataque. A própria Beller afirma que
ele foi o mandante. O Ministério Público o denunciou por tentativa de
feminicídio, e o juiz Wilson Espada decretou 180 dias de prisão preventiva.
Logo
após o ataque, Nadia Beller disparou a falar. Contou como o ex-companheiro
armou o atentado. O motivo: ela “sabia demais” sobre seus esquemas.
Seu
relato é a maior bomba deflagrada até agora contra a ultradireita
latino-americana. Sobre a Bolívia, foi taxativa: “Quem governa não é Rodrigo
Paz, é Fernando Cerimedo”. Contou que ele tinha um escritório dentro do Palácio
de Governo, mesmo sem cargo oficial, e comandava um grupo “de elite” da
polícia, que respondia apenas a ele (La Nacion).
Disse
ter provas de esquemas irregulares envolvendo importação e distribuição de
diesel, gasolina e ouro, com sobrepreço por litro de combustível e uso de
“testas de ferro” (Nodal).
Ou
seja, o caso deixou de ser apenas o atentado contra ela e transformou-se em uma
denúncia mais ampla: a captura do Estado boliviano por Cerimedo e a corrupção
no setor de combustíveis.
<><>
Como Cerimedo operava
Cerimedo
atuou como assessor de Javier Milei (2023) e de Jair Bolsonaro (2022),
participou dos plebiscitos no Chile e das campanhas de Rodrigo Paz, na Bolívia,
e de Nasry Asfura, em Honduras.
O
método comum a todas essas campanhas era o uso intensivo de bots e trolls e a
desinformação coordenada. Na investigação boliviana, a polícia encontrou uma
suposta “fazenda de bots” destinada a gerar mensagens em massa por meio de
contas falsas.
Uma
fazenda de bots é uma operação coordenada de milhares de contas falsas ou
automatizadas, que agem em conjunto para simular engajamento real. O objetivo,
nas palavras do próprio Cerimedo, era “mentir para o algoritmo”: fazer com que
plataformas como X, Instagram, Facebook e TikTok interpretassem um conteúdo
como relevante e passassem a distribuí-lo organicamente para mais usuários.
Ele
próprio admitiu ter administrado cerca de 50 mil contas criadas
artificialmente só na Argentina durante a campanha de Milei. Disse também
que cada “fazenda” individual conseguia reunir entre 1.000 e 2.000
perfis ativos por vez — o número variava conforme o tempo que as contas
conseguiam operar antes de serem detectadas e banidas pelas próprias redes.
Durante
buscas em um imóvel ligado a Cerimedo em La Paz, a polícia encontrou o
equivalente a mais de meio milhão de bolivianos (além de dólares e euros em
espécie), documentos e equipamentos descritos preliminarmente como
uma “mini fazenda de bots”. Após a prisão, duas contas de trolls
associadas a ele — apelidadas de “Dress” e “Neuroc” — foram desativadas no X.
Até agora, as autoridades não divulgaram uma perícia técnica detalhando quantos
equipamentos, contas ou campanhas essa estrutura administrava.
Nas
redes, circularam relatos sobre uma queda perceptível de curtidas,
compartilhamentos e engajamento em conteúdos ligados a Milei logo depois
da apreensão e da desativação da estrutura — uma correlação observada, ainda
sem dados independentes que comprovem a relação de causa e efeito.
Fonte:
Observatorio de
Medios de Cubadebate/Diálogos do Sul Global/Jornal GGN

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