Aluguel:
Assim Mamdani enfrenta a crise de moradia em Nova York
Na
noite de 25 de junho, minutos após o Conselho de Diretrizes de Aluguel da
Cidade de Nova York ter votado pela congelamento do aluguel de um milhão de
apartamentos com aluguel regulados nos cinco distritos da cidade, encontrei uma
inquilina que conheço chamada Josie Wells. Do lado de fora do auditório no East
Harlem, onde a votação acabara de ocorrer, conversamos sobre as implicações do
congelamento para seu próprio apartamento, que ela alugava do grupo imobiliário
Pinnacle até a empresa entrar com pedido de falência e colocar mais de cinco
mil de suas unidades – incluindo a dela – em leilão. Após a Pinnacle entrar em
falência, Josie ajudou a fundar o Sindicato dos Inquilinos da Pinnacle, que
continuou a se organizar mesmo com um novo proprietário assumindo alguns
imóveis.
— Não
sei se vai mudar minha vida — disse-me ela, com uma kazoo de
papel em uma mão e uma fatia de pizza na outra. — Meu aluguel é tão alto, há
contas de serviços públicos, preços de alimentos — continuou. — Então, sim, é
enorme, é enorme, é enorme… e é apenas um alívio. Após semanas conversando com
inquilinos em unidades com aluguel regulados em toda a cidade, já havia ouvido
o suficiente para reconhecer seu relato ponderado não como crítica, mas como
uma agitação em direção ao que mais poderia ser possível para um movimento de
inquilinos que se ajusta ao poder formal, sob um prefeito que prometeu “uma
cidade que possamos pagar”.
Na
véspera da votação, encontrei a Sra. Liu em um banco em frente a uma pista de
skate, do lado de fora de seu prédio em Chinatown. Desde 2004, a Sra. Liu é
membro da CAAAV: Organizando Comunidades Asiáticas, uma organização de
imigrantes asiáticos da classe trabalhadora em Manhattan e no oeste do Queens,
que co-presidiu a campanha deste ano pelo congelamento do aluguel. Ela mora
neste prédio de vinte unidades desde 1996, quando se mudou para o bairro e
começou a trabalhar em uma fábrica de roupas; o imóvel foi vendido a novos
proprietários seis ou sete vezes desde que ela e sua família chegaram.
Ela me
levou até seu apartamento, que tem dois quartos pequenos e pouca luz natural.
Cinco membros da família dividem o espaço apertado, dormindo em pequenos
catres. A cozinha também é a sala de estar, e a pia da cozinha também é a pia
do banheiro. Roupas secam penduradas no canto, entre uma pilha de potes de
plástico e uma prateleira com frascos de remédios e pó de peptídeo de colágeno.
Em um aquário sobre uma mesinha onde comem, a família mantém seis peixes koi
como animais de estimação. Acima da mesa, a Sra. Liu mantém um pequeno altar
com duas imagens budistas emolduradas, velas e maçãs frescas. Um cartão-postal
das Cataratas do Niágara está colado na parede acima da porta.
O
aluguel da Sra. Liu já está congelado, graças a um programa chamado Isenção de
Aumento de Aluguel para Idosos (SCRIE), que permite inscrições de inquilinos
com 62 anos ou mais e renda familiar inferior a US$ 50 mil. Mesmo assim, este
ano ela compareceu às audiências do Conselho de Diretrizes de Aluguel em
Manhattan e testemunhou, como faz todos os anos desde 2011, como parte do
esforço em toda a cidade para congelar o aluguel de todos os inquilinos com
aluguel regulados. — É para os mais jovens… As pessoas do passado nos ajudaram,
e agora é a nossa vez — disse-me ela. — Vejo jovens, até mesmo gentrificadores
no bairro, passando por dificuldades… Eles trabalham, mas não é fácil para
eles.
—
Muitas vezes discutimos política como se fosse um debate intelectual — disse o
prefeito Zohran Mamdani em abril passado, em um evento que marcou seus
primeiros cem dias no cargo. — E para os trabalhadores, há muito pouco tempo
para esse tipo de debate. Os trabalhadores querem saber: o que você vai
entregar? Como você vai tornar mais fácil pagar o aluguel no primeiro dia do
mês?
Durante
a campanha eleitoral, como escrevi nestas páginas no verão passado, Mamdani se
aproximou de inquilinos da classe trabalhadora com quem já vinha colaborando
havia anos: além da oferta universal de creches e dos ônibus gratuitos, o
congelamento dos aluguéis tornou-se um dos três pilares centrais de sua agenda
de acessibilidade econômica. Esses inquilinos, por meio de organizações como a
CAAAV, haviam passado aqueles anos aprofundando sua análise sobre como o setor
imobiliário garante retornos aos investidores às custas dos quase 70% dos
nova-iorquinos que alugam suas moradias. Eles chegaram à conclusão de que
precisavam de um prefeito que defendesse os inquilinos prejudicados por essa
lógica de lucro e passaram a enxergar os inquilinos organizados como um
potencial bloco eleitoral capaz de tornar isso possível.
Quando
Mamdani surpreendeu o establishment democrata nas primárias e, em novembro,
derrotou com facilidade o ex-governador Andrew Cuomo, já desacreditado, aquela
aposta começou a dar frutos. Mas uma coisa é fazer campanha; outra é governar.
Implementar um congelamento dos aluguéis não seria uma tarefa simples.
O
congelamento dos aluguéis só pode ser aprovado por votação do Rent Guidelines
Board (RGB), um órgão independente que, uma vez nomeado pelo prefeito, pode, em
tese, decidir o que quiser. Para manter um equilíbrio, duas vagas são
reservadas a representantes dos inquilinos e duas a representantes dos
proprietários, enquanto as cinco restantes ficam com representantes do
“público”, que precisam ter pelo menos cinco anos de experiência em finanças,
economia ou habitação. Em um de seus primeiros vídeos de campanha que
viralizaram, Mamdani, observando que oito dos nove membros nomeados pelo
prefeito Eric Adams haviam encerrado seus mandatos, prometeu substituí-los por
representantes “que entendam que os proprietários estão muito bem”.
Nos
meses seguintes, essa afirmação seria duramente contestada. Os proprietários de
imóveis de Nova York pressionaram por aumentos constantes dos aluguéis,
alegando que, sem eles, não ganhariam dinheiro suficiente para arcar com a
manutenção dos edifícios. No início deste ano, na Phenomenal World, J.W. Mason,
professor de economia do John Jay College, analisou a renda bruta mensal média
dos proprietários e seus custos operacionais e concluiu que essa alegação era,
em grande medida, falsa: a “grande maioria” dos imóveis residenciais gera muito
mais renda do que seus proprietários gastam com eles. Entre 2021 e 2024, a
renda operacional líquida dos proprietários aumentou 30%. (Para a pequena
minoria de edifícios em que isso não ocorre, o prefeito Mamdani propôs um fundo
de seguros apoiado pela prefeitura para combater o aumento vertiginoso dos
prêmios e defendeu um programa estadual de auxílio para despesas de capital.)
De
fato, uma crise está se formando na economia política da habitação, tanto em
Nova York quanto em todo o país — mas, como argumentam Mason e outros
pesquisadores, ela tem menos a ver com os custos operacionais propriamente
ditos e mais com o endividamento. Os proprietários estão excessivamente
alavancados, muitos deles tendo apostado nos empréstimos a juros baixos da era
da Covid, contraindo dívidas para financiar a reforma de seus imóveis atuais e
a aquisição de novos. Agora, anos depois, eles enfrentam dificuldades para
pagar esses empréstimos em condições econômicas muito diferentes, levando ao
que os pesquisadores Ruthy Gourevitch e Jacob Udell classificaram como uma
“crescente deterioração financeira” no mercado de aluguel de imóveis
multifamiliares. Em todo o país, como escreveram Gourevitch e Udell em um
documento de política pública publicado em novembro, os atrasos no pagamento
dos empréstimos “quase dobraram apenas no último ano”, atingindo recentemente
sua taxa mais alta em uma década.
Se os
proprietários de imóveis de Nova York podem não se sair “muito bem” com o
congelamento dos aluguéis, em outras palavras, isso geralmente não ocorre
porque seus prédios custam caro demais para operar, mas porque, segundo Mason,
“eles pegaram empréstimos demais para comprar prédios a preços inflacionados,
com base na expectativa de que os aluguéis subiriam mais rápido do que de fato
subiram”. Sua aposta só fazia sentido, e seus negócios só “fechavam as contas”,
porque eles acreditavam poder repassar aos inquilinos encargos cada vez
maiores. Mas os inquilinos já estão sob forte pressão, e dificilmente se pode
esperar que assumam os riscos embutidos nos modelos de negócio dos
proprietários. O dilema enfrentado pelos proprietários superalavancados é real —
mas não cabe aos inquilinos resolvê-lo.
Adams
supervisionou aumentos de aluguel todos os anos, que acumularam mais de 12%
durante seu mandato, e, à medida que seu mandato chegava ao fim, trabalhou para
consolidar a composição do RGB responsável por esses aumentos. Em 18 de
dezembro de 2025, a duas semanas de deixar o cargo, anunciou quatro nomeações e
reconduções: um professor de finanças, um advogado dos proprietários, um
executivo da Merrill Lynch e, além deles, um advogado dos inquilinos.
Ainda
sem ter tomado posse, Mamdani não se deixou intimidar. “Usaremos todos os
instrumentos à nossa disposição para garantir [o congelamento dos aluguéis]”,
afirmou sua equipe em um comunicado, “e as nomeações de última hora não mudam
esses fatos”. Sumathy Kumar, diretora-executiva do New York State Tenant Bloc,
uma coalizão de organizações de inquilinos de todo o estado, compartilhava da
certeza do prefeito: “Vamos conseguir o congelamento dos aluguéis”.
No fim,
as últimas tentativas de Adams de frustrar os planos de Mamdani fracassaram,
aparentemente não por causa de qualquer campanha de pressão ilícita, mas devido
à força do mandato eleitoral: como se viu, poucos dos membros nomeados para o
conselho queriam ficar do lado errado do novo governo, que contava com amplo
apoio popular. Doze horas antes de Adams deixar o cargo, o executivo da Merrill
Lynch — que poderia ter sido um voto decisivo contra o congelamento — retirou
seu nome. Adams tentou substituí-lo, mas o indicado recusou a nomeação. Assim
que tomou posse, Mamdani pôde fazer seis nomeações para o conselho.
Mas
isso ainda não era garantia de nada. O papel do prefeito estava cumprido e, nos
meses seguintes, a administração agiu com cautela para evitar infringir as
regras que a impedem de interferir no trabalho do órgão independente. A
Prefeitura, porém, aproveitou a oportunidade para lançar um projeto emblemático
de educação cidadã. Em 29 de abril, ladeado por Tascha Van Auken, comissária do
Mayor’s Office of Mass Engagement, e Cea Weaver, diretora do Mayor’s Office to
Protect Tenants, Mamdani anunciou o Organize NYC, um projeto do gabinete de Van
Auken que tinha como objetivo levar “o movimento popular que elegeu o prefeito
Mamdani para o trabalho de governar”. O projeto começaria promovendo
treinamentos por toda a cidade para informar os inquilinos sobre seus direitos
e sobre o processo do RGB. (Eu fui palestrante nos eventos de Chinatown e
Harlem, apresentando um breve histórico do movimento de inquilinos em Nova
York.) Ele descreveu a iniciativa como uma forma de “manter os nova-iorquinos
envolvidos no trabalho de construir o futuro da nossa cidade”. Centenas de
pessoas compareceram a esses encontros noturnos em maio, realizados em sua
maioria nas cantinas de escolas de ensino médio. Elas saíram de lá com convites
para bater de porta em porta com a OME, mobilizando pessoas para participar das
audiências anuais do RGB, marcadas para acontecer em Queens, no Bronx, em
Manhattan e no Brooklyn ao longo de junho.
Ao
mesmo tempo, organizadores do movimento de inquilinos do lado de fora da
Prefeitura transformaram as audiências do RGB em espaços cada vez mais
vibrantes de mobilização, realizando atos e lotando as salas com inquilinos
dispostos a depor a favor do congelamento. Seus esforços mais do que dobraram a
participação em relação aos anos anteriores; até a data da votação final, os
integrantes da coalizão — entre eles CAAAV, CASA, Met Council, Housing
Organizers for People Empowerment (HOPE) e New York City Democratic Socialists
of America — haviam organizado cerca de 330 depoimentos nas audiências e
enviado aproximadamente 700 manifestações por escrito e em áudio.
Os
proprietários reagiram. Kenny Burgos, CEO da New York Apartment Association —
uma organização que reúne proprietários e administradores de cerca de 500 mil
apartamentos com aluguel regulados — chegou a jogar basquete e fumar narguilé
com o prefeito quando os dois eram colegas na Assembleia Estadual. Agora,
passou a aparecer em noticiários locais e nas redes sociais, apresentando-se
como contraponto a Mamdani, repetindo os argumentos sobre os custos de
manutenção e propagando exageros contra o congelamento: “Estamos caminhando
para destruir as moradias onde as pessoas vivem”, disse ele à Curbed. Na
audiência do RGB no Brooklyn, um grupo pró-proprietários chamado Gotham Housing
Alliance levou de ônibus atores pagos vestidos de zumbis — com roupas
esfarrapadas e sangue falso — para simbolizar os imóveis com aluguel regulado
que, segundo os proprietários, seriam reduzidos a “zumbis” vazios caso eles não
pudessem arcar com os custos de manutenção.
O dia
da votação final transcorreu de forma dramática. Poucas horas antes de os
inquilinos e os membros do conselho se reunirem no El Museo del Barrio, no
Harlem, Christina Smyth, a advogada dos proprietários que Adams havia
reconduzido ao cargo, renunciou ao conselho, com efeito imediato, em protesto
contra o que classificou como um processo ilegítimo. Em uma carta de três
páginas publicada no LinkedIn, ela acusou o conselho de ignorar seus próprios
dados e apresentou seu argumento final contra o congelamento, citando novamente
a alegação frequentemente repetida, embora imprecisa, sobre os custos de
manutenção:
Por
favor, entenda o que estou dizendo quando afirmo que o congelamento não ajuda
as pessoas que pretende proteger. Ele não reduz o custo de operação de um
prédio. Não paga por uma caldeira, um telhado ou um elevador. Ele amplia a
distância entre quanto custa manter um prédio e quanto ele está autorizado a
arrecadar… Quando esses prédios entram em colapso, não são as pessoas que
votaram essas medidas que pagam o preço… É a família que vive no prédio que
ninguém está mantendo. São elas que têm mais a perder e são elas que mais me
preocupam.
O
argumento de Smyth remetia ao debate central entre os defensores e os críticos
do congelamento: quem deveria assumir a responsabilidade pelas causas das
falhas sistêmicas? (Em uma ação judicial apresentada no fim de julho, um grupo
de proprietários citou a renúncia de Smyth e alegou que o conselho nomeado por
Mamdani “fez pouco caso de seu mandato legal” e sucumbiu à pressão política. E,
no entanto, até mesmo o único membro do conselho que votou contra o
congelamento afirmou, durante uma recente aparição pública, que “não observou
nenhuma interferência da administração nas decisões individuais dos membros”.)
Do
palco do auditório do museu, depois de tratar de alguns outros assuntos, a
presidente do RGB, Chantella Mitchell, colocou em votação o ponto principal:
aumento de zero por cento para contratos de um ano e o primeiro congelamento de
aluguéis da história da cidade para contratos de dois anos. Cinco dos membros
votaram a favor antes que Mitchell passasse a palavra a Maksim Wynn, o único
representante dos proprietários que restava no conselho. Em vez de responder
imediatamente, ele começou a ler uma declaração previamente preparada. A
plateia estava em alvoroço — puxando um grito de ordem atrás do outro e
abafando completamente a fala de Wynn, que, ainda assim, continuou por mais de
cinco minutos. Por fim, os inquilinos que estavam na frente pediram silêncio à
multidão ao perceberem que Wynn estava chegando a uma conclusão interessante:
como os aluguéis estavam altos demais para que as pessoas pudessem pagá-los, e
a arrecadação dos aluguéis estava baixa como consequência, um congelamento dos
aluguéis era, na verdade, do interesse dos próprios proprietários:
Há
uma parcela do estoque de imóveis com aluguel regulado que enfrenta
dificuldades realmente graves, mas as causas subjacentes são sistêmicas. Essas
questões sistêmicas precisam ser enfrentadas, mas, neste momento, os
instrumentos de que este conselho dispõe têm mais probabilidade de prejudicar
os proprietários do que de ajudá-los, enquanto os instrumentos à disposição da
cidade e do estado certamente serão úteis… Neste momento, com a cidade dando os
primeiros passos para implementar as medidas de capital e de despesas de que os
proprietários precisam, e diante do risco iminente de um colapso da ocupação
econômica, um aumento de zero por cento nos contratos de um e dois anos é do
interesse dos proprietários.
A
multidão silenciou o suficiente para ouvir seu voto, que garantiu o
congelamento, e depois voltou a explodir em comemoração. Eu estava sentado ao
lado de uma inquilina chamada Magda, integrante da CASA, uma organização do
Bronx que havia copresidido a campanha pelo congelamento dos aluguéis junto com
a CAAAV. Ela usou óculos escuros durante toda a votação, conversando comigo
sobre o quanto estava ansiosa por causa do aluguel. Quando ouviu o resultado
final, levantou-se de um salto, tirou os óculos e fez uma chamada pelo FaceTime
para uma amiga, exclamando de alegria. Os inquilinos deixaram o auditório e
foram para a festa na praça em frente ao museu, que se espalhou pela calçada,
avançou em direção ao parque do outro lado da rua e depois chegou a um bar a
algumas quadras dali. Os organizadores tocaram “We Are The Champions” em caixas
de som sobre rodas, enquanto Josie, a Sra. Liu, Magda e centenas de outros
inquilinos comemoravam.
Quando
perguntei a ela o que havia feito o congelamento acontecer desta vez, Kumar, do
Tenant Bloc, foi direta. “Isso aconteceu por causa dos inquilinos organizados”,
disse. “O processo do RGB sempre pareceu uma farsa, com membros do conselho
olhando para os celulares enquanto os inquilinos desabafavam e contavam suas
histórias… e, dois anos atrás, decidimos fazer as coisas de outra maneira.” Ela
se referia à decisão do bloco de priorizar a eleição para prefeito como forma
de intervir no processo anual e rotineiro do RGB. “Decidimos eleger um prefeito
comprometido com o congelamento, e ele nomeou um conselho que de fato ouviu os
inquilinos.”
A
política de Mamdani, que não é apenas sua, mas também a do movimento que o
formou, parte da convicção de que é possível construir uma cidade que possamos
pagar e ir além. Ter algum espaço para respirar não é pouca coisa; é uma
condição necessária para o que vem a seguir. Trata-se de um movimento que não
apenas questiona o alto custo dos aluguéis, mas também a própria ideia de que
as moradias dos inquilinos sejam tratadas como um instrumento para gerar lucro
aos proprietários. Não é de surpreender, portanto, que os organizadores já
estivessem de olho nos próximos pontos do horizonte: uma redução dos aluguéis,
a ampliação da regulamentação dos aluguéis em todo o estado e — como forma de
enfrentar a crise de endividamento — a compra de imóveis em dificuldades
financeiras pela prefeitura ou pelos próprios inquilinos.
Joanne
Grell — inquilina de um imóvel com aluguel regulado no Bronx e, assim como
Magda, integrante da CASA — pegou um microfone e se dirigiu ao grupo reunido ao
seu redor durante a comemoração. Ela ecoou as palavras de Josie: “Nova York,
espero que vocês possam respirar hoje à noite.” Em seguida, passou a falar
sobre o que o movimento poderia fazer dali em diante, desde assumir o controle
de edifícios até conquistar o controle universal dos aluguéis. “Um congelamento
dos aluguéis”, disse ela, “não é o fim da nossa história. É a prova do que é
possível… Quem aqui acredita que tudo é possível?” Mãos se ergueram por toda a
multidão.
Fonte: Por
Tara Raghuveer, no The New York Review | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras
Palavras

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