Estudo
identifica proteína que acelera desenvolvimento do Alzheimer
Um novo
estudo publicado pela revista Cell revela o mecanismo que a proteína Arc usa
para acelerar o desenvolvimento do Alzheimer no cérebro. A pesquisa é liderada
por da Universidade de Utah, nos Estados Unidos.
A
proteína tau é a principal responsável pelo desenvolvimento do Alzheimer. Em
pessoas que possuem a doença, essa proteína se deforma, criando emaranhados que
matam as células cerebrais. O grande mistério era saber como ela
"pula" de uma cédula doente para uma célula saudável.
Resultados
da pesquisa realizada na Universidade de Utah revelaram que a proteína Arc
funciona como um empacotador, criando pequenas cápsulas ou "bolhas"
(chamadas cientificamente de vesículas extracelulares) e coloca a proteína tau
tóxica dentro delas. O neurônio então lança essas bolhas para fora.
O que
torna essa descoberta relevante é o motivo pelo qual o neurônio faz isso. De
acordo com os pesquisadores, a célula está tentando se salvar: ela percebe que
a proteína tau é tóxica e tenta "jogar o lixo fora" para evitar a
própria morte.
Esse
lixo, no entanto, não desaparece. As cápsulas ficam no cérebro e são absorvidas
por neurônios saudáveis. Uma vez dentro da nova célula, a semente do Alzheimer
começa a se espalhar novamente, infectando o resto do circuito cerebral.
A
descoberta pode explicar por que muitos medicamentos testados até hoje não
funcionaram. As terapias tentam usar anticorpos para "limpar" a
proteína tau que flutua entre as células, mas como ela está escondida dentro
dessas bolhas (vesículas) criadas pelo Arc, os medicamentos não conseguem
alcançá-la.
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Bolhas cerebrais
Ao
analisar cérebros de pacientes que faleceram com Alzheimer, os pesquisadores
confirmaram que quanto mais proteína Arc havia nessas "bolhas"
cerebrais, maior era a quantidade de tau tóxica presente.
Esses
resultados abrem uma nova via para o tratamento: se os cientistas conseguirem
encontrar uma maneira de impedir que o gene Arc empacote a proteína tau, eles
poderão, pela primeira vez, interromper a progressão da doença pelo sistema
nervoso.
Na
pesquisa, foram analisadas amostras de tecido cerebral de 15 indivíduos: sete
Controles (sem a doença, entre 59-90 anos), um Paciente em estágio inicial
(Braak estágio 2) e sete Pacientes com Alzheimer avançado (Braak estágio 6,
entre 62-90 anos).
O
estudo é considerado de alta abrangência por cobrir múltiplos níveis de
complexidade biológica, incluindo nível molecular e computacional, nível
celular, nível de organismo e validação clínica.
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Treinar a velocidade do cérebro pode reduzir o risco de Alzheimer
Segundo
uma nova pesquisa, um determinado tipo de treinamento cerebral parece prevenir
ou retardar a demência em cerca de 25% em pessoas com mais de 65 anos.
Surpreendentemente,
não foram as tarefas de memória ou de resolução de problemas que fizeram a
diferença — foi um jogo interativo computadorizado que testava a capacidade de
reconhecer duas imagens distintas em sequências cada vez mais rápidas.
O jogo
mostra ao usuário um de dois veículos em um cenário desértico, urbano ou rural.
Em seguida, uma placa da Rota 66 aparece brevemente na periferia, cercada por
outras placas de sinalização que podem distrair o jogador.
Para
realizar o treinamento corretamente, o jogador deve clicar no carro ou trator
correto e na localização da placa da Rota 66. Conforme o jogador melhora, as
imagens desaparecem cada vez mais rápido.
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“É o
que chamamos de tarefa de atenção dividida, na qual você não tem uma estratégia
consciente de como melhorar”, disse Marilyn Albert, coautora do estudo,
professora de neurologia na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e
diretora do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer Johns Hopkins em
Baltimore.
“Você
está apenas tentando fazer o melhor que pode para descobrir como dividir sua
atenção”, disse ela. “Também foi adaptativo, no sentido de que, à medida que as
pessoas melhoravam, ficava mais difícil.”
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Aprendizagem inconsciente
Iniciado
em 1998, o estudo ACTIVE (Advanced Cognitive Training for Independent and Vital
Elderly) testou três tipos de treinamento cognitivo em mais de 2.800
voluntários com idade média de 74 anos.
Todos
estavam livres de demência no início do estudo e viviam de forma independente
em seis comunidades nos Estados Unidos. Um quarto grupo, que não recebeu nenhum
treinamento, serviu como controle.
“Um dos
grandes pontos fortes do estudo é que se tratava de uma população realmente
representativa — 25% dos participantes eram de minorias”, disse Albert.
“Portanto, podemos afirmar que as conclusões podem ser generalizadas para toda
a população dos EUA.”
Um
grupo concentrou-se na memória, aprendendo técnicas para memorizar listas de
palavras, textos e detalhes de histórias. Um segundo grupo recebeu treinamento
focado em raciocínio, como resolução de problemas e identificação de padrões
que poderiam auxiliar no dia a dia.
Um
terceiro grupo utilizou um jogo cerebral de velocidade com foco em atenção
dividida, desenvolvido por professores do Alabama e do Kentucky. Vendido em
2008 aos proprietários da BrainHQ, uma empresa de treinamento cerebral com fins
lucrativos, o jogo atualizado agora é conhecido como Double Decision. (Outras
empresas de treinamento cerebral também desenvolveram jogos de velocidade
semelhantes.)
Os
jogos adaptativos de dupla atenção utilizam a aprendizagem implícita, que é a
aquisição automática de conhecimento ou habilidades sem consciência do que está
sendo aprendido. A aprendizagem implícita utiliza partes diferentes do cérebro
em comparação com a resolução de problemas ou a compreensão do significado das
palavras, disse Albert.
Exemplos
incluem amarrar cadarços, reagir a sinais sociais e aprender a andar de
bicicleta. “Se você não andar de bicicleta por 10 anos, você pode subir em uma
bicicleta e andar. Sabemos que esse tipo de aprendizado é muito duradouro”,
disse Albert.
No
entanto, existe uma distinção importante entre adquirir uma habilidade e
esperar que ela traga benefícios amplos em outras áreas, como a prevenção da
demência, afirmou Walter Boot, professor de geriatria da cátedra Irving
Sherwood Wright na Weill Cornell Medicine e diretor associado do seu Centro de
Envelhecimento e Pesquisa Comportamental na cidade de Nova York. Ele não
participou do estudo.
“É
possível aprender a andar de bicicleta e ainda se lembrar de como fazê-lo 20
anos depois, assim como é possível aprender a tarefa de 'velocidade de
processamento' do estudo e continuar a ter um bom desempenho nessa tarefa
muitos anos depois”, disse Boot em um e-mail. “O que ainda não está claro é
como qualquer uma dessas atividades se traduziria em um risco reduzido de
demência.”
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É necessário praticar mais
Inicialmente,
o programa foi intenso. Os voluntários receberam treinamento presencial duas
vezes por semana, com sessões de 60 a 75 minutos, ao longo de cinco semanas.
Ao
final do primeiro ano, cerca de metade dos participantes de cada grupo de
treinamento cognitivo passou por uma sessão de reforço adicional, composta por
quatro sessões de uma hora. Outras quatro horas de treinamento foram realizadas
ao final do terceiro ano do estudo, totalizando 22,5 horas.
Não
houve mais treinamento oficial, mas quando os pesquisadores compararam os três
grupos com seus registros do Medicare 20 anos depois, descobriram que apenas o
jogo de velocidade com atenção dupla contribuiu para uma redução de 25% nos
diagnósticos de demência em comparação com o grupo de controle.
No
entanto, esse benefício foi observado apenas em um subconjunto dos voluntários,
de acordo com o estudo publicado na segunda-feira no periódico Alzheimer's
& Dementia : Translational Research & Clinical Interventions.
“A
redução de 25% no risco de demência só ocorreu em pessoas que fizeram o
treinamento inicial no jogo de velocidade e depois as sessões de reforço. Quem
não fez as sessões de reforço não se beneficiou”, disse Albert.
Embora
as informações obtidas em um estudo de 20 anos sejam valiosas, a pesquisa não
possuía os dados necessários para demonstrar uma ligação definitiva entre o
treinamento computadorizado e a prevenção da demência, afirmou a Dra. Susan
Kohlhaas, diretora executiva de pesquisa e parcerias da Alzheimer's Research
UK, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Cambridge. Ela não
participou do estudo.
“Os
diagnósticos foram identificados por meio de registros de saúde, e não por
testes clínicos especializados, portanto, não sabemos se esse treinamento
alterou as doenças subjacentes que causam demência ou afetou tipos específicos
de demência”, disse ela em um comunicado.
Embora
o treinamento de memória e raciocínio não tenha reduzido o risco de demência,
publicações anteriores usando dados do estudo ACTIVE descobriram que ambos
melhoram a memória e o raciocínio executivo, afirmou ela.
Esse
treinamento também ajuda as pessoas a desenvolverem habilidades que lhes
permitem viver de forma independente em suas próprias casas.
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Por que o treinamento de velocidade pode ajudar o cérebro
Por que
apenas o treinamento cognitivo de atenção dividida em ritmo acelerado se
mostrou eficaz contra a demência? Mais importante ainda, por que apenas 22,5
horas desse treinamento pareceriam ter efeito por anos? Embora sejam
necessárias mais pesquisas para compreender os resultados, Albert tem algumas
hipóteses fundamentadas.
“Primeiro,
o jogo é bastante exigente e não é particularmente divertido”, disse Albert.
“Jogá-lo por uma hora, duas vezes por semana, é um trabalho árduo. Você está
exigindo do seu cérebro de uma maneira que ele normalmente não exigiria.”
“Portanto,
é possível que o treinamento de velocidade ative neurônios em todo o cérebro,
criando maior conectividade e aumentando a plasticidade”, disse ela.
O jogo
também era adaptativo, pois se tornava mais difícil à medida que as pessoas
progrediam e mais fácil quando falhavam, disse o Dr. Richard Isaacson,
pesquisador na área de prevenção do Alzheimer e diretor de pesquisa do
Instituto de Doenças Neurodegenerativas da Flórida.
Essa
interação "exercita o cérebro de novas maneiras que podem contribuir para
a reserva cognitiva necessária para retardar a demência", disse Isaacson,
que não participou do estudo.
A
reserva cognitiva é a capacidade do cérebro de se adaptar e manter o
funcionamento normal apesar da presença de danos subjacentes, envelhecimento ou
doença.
Na
doença de Alzheimer, por exemplo, pessoas com maior reserva cognitiva
frequentemente retardam o início dos sintomas, mesmo com a presença das
proteínas amiloide e tau, duas proteínas que são as principais características
da doença neurológica.
Pode
haver outro fator envolvido no impacto positivo a longo prazo do jogo. Um
estudo de outubro descobriu que o treinamento de velocidade pode preservar a
acetilcolina, um neurotransmissor que torna o cérebro mais desperto, focado e
atento.
“Estamos
falando de uma mudança físico-química fundamental que sabemos ser realmente
importante como fator contribuinte para a saúde cerebral”, disse o Dr. Michael
Merzenich, professor emérito da Universidade da Califórnia, em São Francisco,
em entrevista anterior à CNN . Merzenich é cofundador e diretor científico da
Posit Science, proprietária da BrainHQ.
Enquanto
os pesquisadores buscam as respostas, especialistas afirmam que o treinamento
cognitivo é apenas uma parte da jornada para melhorar a saúde cerebral.
“O
Alzheimer e outras demências são distúrbios complexos. Não dá para simplesmente
comer um mirtilo mágico, jogar um jogo no celular ou fazer uma única coisa”,
disse Isaacson.
“Você
precisa do coquetel completo: uma dieta saudável para o cérebro, exercícios
regulares, controle da pressão arterial, sono de qualidade, redução do estresse
e relacionamentos positivos — tudo isso é necessário para a saúde cerebral.”
• Exame de sangue pode ampliar acesso ao
diagnóstico de Alzheimer
O
pesquisador Wagner Brum, premiado por seu trabalho sobre diagnóstico do
Alzheimer, revelou detalhes sobre como um novo exame de sangue pode transformar
a detecção precoce da doença.
Em
entrevista à CNN Brasil, ele explicou que o Alzheimer está associado ao acúmulo
anormal de duas proteínas no cérebro, que formam placas e causam perda
progressiva de função cerebral.
Segundo
Brum, o exame de sangue chamado Petal 217 consegue identificar essas alterações
proteicas muito antes do surgimento dos primeiros sintomas. "Essas
proteínas começam a se acumular no cérebro em torno de 20 a 30 anos, em média,
antes do começo dos sintomas", explicou o pesquisador.
O
especialista fez questão de esclarecer que, embora o Alzheimer tenha um
componente genético importante, os casos hereditários representam menos de 1%
do total. "A doença de Alzheimer tem um componente genético importante,
mas não é aquela doença determinante. Pode ser que teu pai e tua mãe tenham
tido Alzheimer desde que tenha sido a variante esporádica e não a familiar, e
isso é uma diferença importante", destacou.
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Implementação do exame e desafios
Por
enquanto, o exame está começando a ser adotado na prática clínica, mas com
restrições importantes. "Em pessoas sem sintomas, não recomendamos o uso
do exame de sangue. Recomendamos mais para a questão do diagnóstico
diferencial, ajudar naquela pessoa que já está com problemas", esclareceu
Brum.
O
pesquisador coordena, junto com o professor Eduardo Zimmer, o estudo IB
Bioneuro (Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças
Neurodegenerativas), que conta com o apoio do Ministério da Saúde. Um dos
principais objetivos da pesquisa é demonstrar a eficácia do exame na população
brasileira.
Brum
também desenvolve pesquisas no Zimmer Lab, laboratório liderado pelo
neurocientista Eduardo Zimmer. Ele é o quarto cientista do grupo a receber a
distinção. O grupo é dedicado aos estudos de doenças degenerativas e a
estrutura foi financiada por meio de editais e recursos do Ministério da Saúde,
CAPES, Instituto Serrapilheira e IDOR Ciência Pioneira.
"Nosso
principal desafio é mostrar que o exame funciona na população brasileira e
implementá-lo em larga escala, além de capacitar os profissionais que veem
esses pacientes a interpretá-los e solicitá-los", afirmou Brum. Ele
destacou que técnicas anteriores para diagnóstico de Alzheimer não foram
amplamente adotadas no Brasil por serem caras ou invasivas.
O exame
de sangue representa uma evolução significativa por ser menos invasivo e
potencialmente mais acessível, podendo ajudar tanto médicos especialistas
quanto generalistas no diagnóstico correto de pacientes com queixas cognitivas.
Fonte:
CNN Brasil

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