Gustavo
Tapioca: A bomba do fim do mundo explode no colo do Brasil
Quando
uma comentarista da GloboNews chama uma proposta de "pauta do fim do
mundo", um editorial de O Globo fala em irresponsabilidade fiscal e um
ministro do Supremo alerta para despesas sem fonte de custeio, vale a pena
prestar atenção.
Foi
exatamente isso que aconteceu após a aprovação, no Senado, de um conjunto de
medidas lideradas por Davi Alcolumbre e que, segundo estimativas amplamente
divulgadas, podem produzir impacto superior a R$ 200 bilhões nas contas
públicas.
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A
controvérsia já ultrapassou os limites da disputa entre governo e oposição e
transformou-se numa discussão sobre poder, responsabilidade fiscal e
governabilidade.
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A conta não é de Alcolumbre
O
principal projeto aprovado pelo Senado permite utilizar receitas do pré-sal
para financiar descontos e renegociações de dívidas do setor rural. Seu impacto
pode alcançar R$ 140 bilhões ao longo da próxima década.
Outras
propostas ampliam pisos salariais e criam despesas permanentes sem fontes
claras de financiamento. Somadas, podem representar mais de R$ 200 bilhões em
novos compromissos para os cofres públicos.
O
problema é simples.
Quem
aprova essas medidas não paga a conta.
Quem
paga é o país.
Lula
encurralado
A força
política da manobra está justamente aí.
Alcolumbre
coloca Lula diante de uma escolha difícil.
Se
sanciona as medidas, assume o risco de ampliar o desequilíbrio fiscal.
Se
veta, compra uma guerra política com setores influentes do agronegócio,
corporações organizadas e a maioria parlamentar que aprovou os projetos.
O
Senado aprova.
O
governo assume o desgaste.
É por
isso que a chamada pauta do fim do mundo não ameaça apenas as contas públicas.
Ela
afeta diretamente a governabilidade.
O homem
que virou dono da bola
Uma
análise publicada pela revista Veja descreveu Alcolumbre como um verdadeiro
"dono da bola" do sistema político brasileiro.
A
metáfora ajuda a entender o momento.
No
futebol de rua, o dono da bola não precisa ser o melhor jogador. Basta ter o
poder de interromper a partida, impor condições ou decidir quem continua
jogando.
Em
Brasília, a lógica parece semelhante.
Alcolumbre
controla a pauta do Senado, influencia a agenda do Congresso e tornou-se peça
central das negociações mais importantes da República.
A
pauta-bomba, nesse contexto, deixa de ser apenas uma decisão econômica.
Transforma-se
numa demonstração de poder.
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A outra bomba
Enquanto
conduzia a ofensiva das pautas-bomba no Senado, Davi Alcolumbre passou a
enfrentar uma crise própria.
Reportagem
da revista Veja revelou que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria
afirmado em proposta de delação que repassou milhões de dólares ao presidente
do Senado por meio de uma conta no exterior.
Alcolumbre
negou integralmente a acusação, anunciou medidas judiciais e exigiu a
apresentação de provas.
Até o
momento, não existem provas públicas conhecidas que confirmem a denúncia.
Mas o
episódio produziu um efeito político imediato.
Pela
primeira vez em muito tempo, o homem apontado por analistas como o "dono
da bola" passou a atuar também na defensiva.
Coincidência
ou não, a denúncia surgiu exatamente quando Alcolumbre acumulava vitórias no
Congresso e impunha derrotas sucessivas ao governo.
A
pergunta que começou a circular em Brasília não é jurídica.
É
política.
O
presidente do Senado está demonstrando força ou reagindo à percepção de que seu
poder começou a ser desafiado?
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O país como refém
A
crítica mais contundente veio do jurista Roberto Tardelli.
Ao
comentar a ofensiva legislativa liderada por Alcolumbre, Tardelli afirmou que o
presidente do Senado estaria tentando colocar "o país inteiro como
refém".
A frase
é dura.
Mas
ajuda a explicar por que a controvérsia ultrapassou os limites do debate
fiscal.
A
questão já não é apenas quanto custarão as propostas aprovadas pelo Senado.
A
questão é saber se instrumentos legítimos do processo legislativo estão sendo
utilizados para enfrentar problemas nacionais ou para ampliar o poder de
pressão de grupos políticos em disputa com o governo.
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A reação do governo
Diante
do avanço das pautas-bomba, integrantes da equipe econômica passaram a defender
uma reação institucional baseada nas próprias regras de responsabilidade
fiscal.
Segundo
declarações reproduzidas pela Agência Brasil, o governo considera recorrer ao
Supremo Tribunal Federal caso o Congresso aprove despesas sem indicar fontes
compatíveis de financiamento.
Na
mesma direção, Gilmar Mendes lembrou que o Legislativo não pode criar gastos
sem apontar como serão financiados.
Caso a
disputa chegue ao STF, a chamada pauta do fim do mundo ganhará uma nova
dimensão.
Deixará
de ser apenas uma crise fiscal.
Passará
a ser também uma crise entre Poderes.
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A sombra de 2026
Seria
ingenuidade imaginar que a disputa em torno das pautas-bomba ocorre num vazio
político.
O
Brasil já vive o ambiente da campanha presidencial de 2026. As pesquisas mais
recentes continuam apontando Lula na liderança, enquanto Flávio Bolsonaro tenta
consolidar sua posição como principal herdeiro eleitoral do bolsonarismo após a
condenação e prisão de Jair Bolsonaro.
Nesse
cenário, cada derrota imposta ao governo ganha dimensão eleitoral. Cada crise
fiscal, cada conflito institucional e cada dificuldade de governabilidade passa
a ser interpretada também à luz da sucessão presidencial.
Isso
significa que a pauta do fim do mundo foi concebida para interferir na eleição?
Não há
elementos para afirmar isso.
Mas
também é difícil ignorar que medidas capazes de atingir a economia, as contas
públicas e a capacidade de governar acabam produzindo consequências políticas.
Talvez
seja cedo para saber quem vencerá a disputa de 2026.
Mas já
é possível identificar quem pagará a conta se a lógica da destruição prevalecer
sobre a lógica da responsabilidade.
Não
será Lula.
Não
será Alcolumbre.
Não
será Flávio Bolsonaro.
Será o
Brasil.
• Compromisso é não deixar que
pautas-bomba prejudiquem o país, diz Durigan
O
governo federal intensificou o alerta sobre os impactos fiscais de propostas em
tramitação no Congresso Nacional que podem ampliar gastos públicos ou reduzir
receitas da União. Em entrevista concedida Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, o
ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a prioridade do Executivo é
impedir que pressões eleitorais e demandas setoriais comprometam a estabilidade
econômica do país.
Na
entrevista segundo a Agência Brasil, Durigan destacou que o debate envolve as
chamadas "pautas-bomba", expressão usada para classificar projetos
legislativos capazes de gerar forte pressão sobre o orçamento público por meio
da criação de despesas elevadas ou da redução da arrecadação sem compensação
financeira adequada.
"O
compromisso do governo federal atualmente é não deixar que o espírito eleitoral
e as demandas que aparecem dos diversos setores tomem conta da agenda econômica
nacional e prejudiquem o país", afirmou o ministro.
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Governo calcula impacto bilionário
Na
quinta-feira (11), o governo divulgou um levantamento técnico que estima em R$
111 bilhões por ano o impacto fiscal de nove propostas atualmente em análise no
Congresso Nacional.
Entre
elas está o projeto de renegociação de dívidas com equalização de taxas de
juros pela União, cujo custo pode alcançar R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos.
Também figuram na lista a ampliação do teto do Simples Nacional, com renúncia
fiscal estimada em R$ 50 bilhões anuais, e a PEC que amplia o Fundo de
Participação dos Municípios (FPM), reduzindo as receitas líquidas da União em
cerca de R$ 10 bilhões por ano.
O
levantamento inclui ainda propostas que ampliam a imunidade tributária de
templos religiosos, criam benefícios para entidades sem fins lucrativos,
vinculam mais recursos ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), instituem
um novo Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) e concedem
benefícios previdenciários a categorias específicas.
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Durigan cobra responsabilidade fiscal
Durante
a entrevista, o ministro defendeu que os Poderes atuem de forma coordenada para
preservar o equilíbrio das contas públicas.
"É
claro que entendemos que senadores e deputados querem dar resposta às suas
bases nesse momento tão importante da democracia, mas as coisas têm que caber
nas forças do país, dentro do orçamento. Nós todos no país, seja governo,
Congresso Nacional, Judiciário, temos que ter responsabilidade fiscal com as
futuras gerações e o futuro do país", declarou.
Ao
comentar o impacto potencial das medidas, Durigan ressaltou que os valores
superam amplamente os investimentos realizados pelo governo federal.
"É
um impacto de R$ 111 bilhões em um ano. Se somar todo o investimento que o
governo federal faz, nós demoramos mais de dois anos para conseguir investir R$
11 bilhões. Então não dá para contratarmos, sem fonte de recursos compatível
com as leis fiscais, um volume desse de despesa ou renúncia de receita nesse
momento", afirmou.
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Diálogo com o Congresso
O
ministro disse que o governo mantém diálogo constante com as lideranças do
Legislativo para tentar evitar o avanço das propostas. Segundo ele, conversas
vêm sendo realizadas com os presidentes das duas Casas, incluindo o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre.
"Nós
não estamos fazendo nenhuma manobra, botando fricção onde não precisa. Não
tenho nenhum interesse em proteger nenhum setor específico. Meu interesse é que
o país cresça como um todo. E é por isso que sempre levo os argumentos que pego
com a equipe e com o mercado, para apontar os riscos e convencer o Congresso
Nacional", disse.
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Cenário internacional amplia preocupações
Durigan
também associou a necessidade de cautela fiscal ao ambiente de instabilidade
internacional. Segundo ele, fatores como a alta dos preços do petróleo, a
volatilidade dos mercados financeiros e as preocupações dos bancos centrais com
a inflação exigem atenção redobrada do Brasil.
"E
nós, no Brasil, temos que focar nossa energia no que importa para o país. Vamos
escolher as agendas, votar temas importantes para o país de maneira unificada.
Quando começamos a apresentar outros projetos para atender bandeiras setoriais
em prejuízo da população como um todo, perdemos força como país e nossa
economia pode ficar enfraquecida", afirmou.
• Após Senado aprovar pautas-bomba,
Marcelo Uchôa diz que 'Alcolumbre quer minar a reeleição de Lula'
O
jurista Marcelo Uchôa afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre
(União Brasil-AP), atua para prejudicar a reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) após a aprovação de pautas-bomba com forte impacto fiscal. O
estudioso fez o alerta na rede social X após o Senado aprovar, na quarta-feira
(10), três propostas que podem gerar custo de até R$ 263,7 bilhões aos cofres
públicos nos próximos anos.
As
medidas aprovadas envolvem o refinanciamento de dívidas rurais, a criação de um
novo piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas e a aposentadoria
especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
“Eis a
novela: Alcolumbre faturou 30 milhões de dólares (R$ 155 milhões) do Vorcaro
numa conta secreta no exterior, a PF tá investigando e, por isso, ele tá irado,
aprovando pautas-bomba pra minar a reeleição do presidente Lula. E dane-se o
Brasil! Ninguém viveu feliz para sempre”, escreveu Uchôa.
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Impacto fiscal das propostas
Na
quinta-feira (11), o Ministério da Fazenda divulgou uma nota técnica
apresentando estimativas sobre o impacto fiscal de nove propostas que tramitam
atualmente no Congresso Nacional. De acordo com os cálculos dos órgãos técnicos
do Executivo, o custo potencial das medidas pode alcançar R$ 111 bilhões por
ano.
Entre
os projetos apontados pelo governo estão iniciativas que ampliam gastos
públicos ou reduzem receitas federais. Um dos casos envolve a renegociação de
dívidas com equalização de taxas de juros pela União, cujo impacto pode chegar
a R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos.
Outras
propostas destacadas incluem a ampliação do teto do Simples Nacional, com
renúncia estimada de R$ 50 bilhões anuais; uma Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que aumenta os repasses do Fundo de Participação dos
Municípios, reduzindo as receitas líquidas da União em cerca de R$ 10 bilhões
por ano; e a ampliação da imunidade tributária para templos religiosos, com
custo mínimo projetado em R$ 10 bilhões anuais.
Também
constam da lista projetos voltados para entidades sem fins lucrativos, com
renúncia estimada de R$ 1 bilhão ao ano; a vinculação de recursos ao Sistema
Único de Assistência Social (SUAS), que pode gerar despesas adicionais médias
de R$ 9 bilhões anuais; e um novo Programa Especial de Regularização Tributária
(Pert), cujo custo médio foi calculado em R$ 8,8 bilhões por ano.
O
governo ainda aponta impacto de R$ 8,4 bilhões anuais em proposta relacionada a
médicos e cirurgiões-dentistas, sem considerar despesas de estados, municípios
e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Já a criação de
aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de
combate às endemias poderia ampliar em aproximadamente R$ 3 bilhões por ano a
insuficiência financeira dos regimes previdenciários.
Fonte:
Brasil 247

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