Ex-escritor
de discursos demitido, lobista e linha dura: quem são os aliados de Flávio
Bolsonaro no governo Trump
O
encontro de líderes do G7 —
fórum que reúne sete das maiores economias do mundo — acabou indicando que a
boa "química" entre Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e Donald Trump pode
ter ficado no passado.
Os dois
deixaram a reunião trocando críticas veladas entre si. Por um lado, Lula disse
que não aceitaria interferências nas eleições brasileiras. Trump, por sua vez,
afirmou que o Brasil havia se tornado "politicamente
difícil".
O novo
ruído entre Brasília e Washington chama atenção porque ocorre menos de um mês
depois de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) ter se encontrado com Trump e com um grupo de
autoridades do governo norte-americano, numa demonstração do trânsito que sua
família construiu junto à atual administração dos Estados
Unidos.
Logo
depois dessa viagem, os Estados Unidos anunciaram a designação do
Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como
organizações terroristas internacionais e passaram a sinalizar a possibilidade
de impor novas tarifas a produtos brasileiros como resultado de investigações
conduzidas pelo governo norte-americano.
As duas
medidas foram interpretadas por interlocutores do presidente Lula como uma
clara disposição de interferir no processo eleitoral deste ano em favor de
Flávio.
A
sequência de movimentos lançou luz sobre a proximidade de Flávio Bolsonaro
junto ao governo Trump e, sobretudo, sobre quem são os principais
interlocutores do senador nos Estados Unidos.
A BBC
News Brasil apurou que os cinco principais nomes ligados a Flávio fazem parte
de uma rede criada e alimentada ao longo de quase uma década, principalmente
pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo é o filho de
Bolsonaro apontado como uma espécie de "chanceler" informal do clã de
direita e vive nos Estados Unidos desde o ano passado.
Nesta
semana, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no
curso de processo judicial. Segundo o STF, ele atuou nos Estados Unidos para
tentar pressionar autoridades brasileiras e interferir no processo que levou à
condenação do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) por golpe de Estado e tentativa violenta de
abolição do Estado Democrático de Direito.
Essa
rede conta, segundo apurou a BBC News Brasil, com a atuação mais incisiva de
pelo menos dois integrantes de escalões mais baixos do governo norte-americano
— Darren Beattie e Ricardo Pita —, mas também passa por nomes de alto escalão,
como o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-secretário de Estado
Christopher Landau.
A
existência desse grupo ficou evidente durante a viagem de Flávio a Washington,
em maio, quando ele se encontrou com quatro desses cinco interlocutores: Rubio,
Landau, Beattie e o estrategista político Jason Miller.
Nos
bastidores, interlocutores de Lula avaliam que essa rede atua para empurrar o
governo Trump na direção de uma postura mais dura contra a atual administração
petista, à medida em que setores do governo republicano veriam com simpatia a
possibilidade de um novo governo de direita no Brasil, supostamente mais
pró-EUA.
O chefe
para Américas da consultoria Eurasia Group, Christopher Garman, contemporiza a
suposta influência de Flávio e sua família junto ao governo norte-americano.
"Existe,
sim, um grupo que puxa o governo norte-americano na direção dos Bolsonaro, mas
esse grupo foi colocado de lado por Trump no ano passado. Sim, eles têm contato
com figuras importantes, mas Trump tem, hoje, uma postura mais pragmática em
relação ao Brasil", diz Garman à BBC News Brasil.
A BBC
News Brasil procurou Ricardo Pita, Darren Beattie, Jason Miller e o
Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas não houve retorno.
A
seguir, conheça mais sobre os homens de Flávio no governo Trump.
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Darren Beattie
Darren
Jeffrey Beattie atua no Departamento de Estado como enviado para assuntos
relacionados ao Brasil, embora não seja funcionário de carreira.
Um
diplomata brasileiro com quem a BBC News Brasil conversou em caráter reservado
disse que ele faz parte de um grupo mais restrito dentro do governo
norte-americano francamente pró-Flávio. Nesse núcleo também estaria Ricardo
Macedo Pita.
Esta é
a segunda passagem de Beattie pela administração Trump. Antes de chegar ao
Departamento de Estado, ele atuou como jornalista, acadêmico e estrategista
político. No universo acadêmico, é bacharel em matemática e tem doutorado em
Ciência Política pela Universidade de Duke.
Durante
sua primeira passagem pelo governo, em 2018, viu seu nome envolvido em
polêmicas após participar de um painel organizado pelo ativista Peter Brimelow,
supostamente vinculado ao movimento supremacista branco.
Na
época, atuava como escritor de discursos ligado a funcionários da Casa Branca e
acabou demitido.
À
época, a imprensa norte-americana reportou que ele respondeu ao episódio
dizendo que não tinha feito "nada questionável" e que mantinha suas
observações "completamente".
Nas
redes sociais, Beattie citou o Brasil algumas vezes. Em pelo menos três
situações, mencionou o país para criticar os Estados Unidos sob a administração
do democrata Joe Biden.
"Estados
Unidos se equilibram para uma distopia que combina os piores elementos do
Brasil, África do Sul e Alemanha Oriental", disse em agosto de 2022.
Em
2024, ele se envolveu em uma nova polêmica associada à sua defesa de homens
brancos.
"Homens
brancos competentes deveriam estar no comando se você quer que as coisas
funcionem. Infelizmente, nossa ideologia nacional se baseia em mimar os
sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos
competentes".
A BBC
News Brasil procurou Beattie para comentar os dois episódios, mas ele não
respondeu aos questionamentos enviados.
A
despeito desse histórico, ele voltou ao governo em 2025, já no segundo mandato
de Trump.
Antes
de assumir o cargo dedicado ao Brasil, ocupou a função de subsecretário de
diplomacia pública, destinado a, segundo o governo, "liderar o alcance da
diplomacia pública dos Estados Unidos, o que inclui mensagens para conter o
terrorismo e o extremismo violento".
Foi
nessa posição que Beattie desferiu diversas críticas à atuação do STF e ao
atual governo brasileiro.
"O
ministro Alexandre de Moraes é o principal arquiteto do complexo de censura e
perseguição direcionado contra Bolsonaro e seus apoiadores (...) Os aliados de
Moraes no tribunal e em outros lugares são fortemente aconselhados a não
auxiliar ou coniventes com o comportamento sancionado de Moraes. Estamos
monitorando a situação de perto", disse Beattie em uma postagem no X, em 6
de agosto de 2025.
Após a
condenação de Bolsonaro, em setembro daquele ano, ele voltou às redes sociais
para criticar a decisão.
"Esta
decisão marca um funesto novo marco no complexo de censura e perseguição do
abusador de direitos humanos sancionado, o ministro Alexandre de Moraes,
direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores. Nós levamos este acontecimento
sombrio com a máxima seriedade", disse em outra postagem.
Após a
aproximação entre Lula e Trump, Beattie perdeu espaço na administração
republicana e foi substituído no cargo que ocupava pela advogada Sarah B.
Rogers, mas continuou sob o comando de Rubio.
Sua
ligação com a família Bolsonaro, no entanto, permaneceu intacta. Em março deste
ano, ele protagonizou um impasse diplomático ao tentar visitar Jair Bolsonaro
em sua prisão domiciliar, em Brasília.
O
impasse surgiu porque, segundo o governo brasileiro, Beattie pediu visto
para vir ao Brasil sem mencionar que sua intenção era visitar o
ex-presidente. Quando o motivo de sua vinda ao país se tornou público, o
governo revogou o documento.
À
época, um diplomata brasileiro com conhecimento do assunto disse à BBC News
Brasil, em caráter reservado, que Beattie faria parte de uma ala mais radical
do Departamento de Estado e, naquele momento, teria pouca força política.
Beattie
fez parte do grupo de funcionários do Departamento de Estado que Flávio
encontrou em sua viagem a Washington.
Ele foi
visto saindo do hotel em que o senador estava hospedado durante sua passagem
pela capital norte-americana. Os dois se encontraram por aproximadamente uma
hora, mas, ao sair, Beattie não quis falar com a imprensa.
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Ricardo Pita
Ricardo
Macedo Pita é o mais discreto entre os nomes ligados a Flávio e à família
Bolsonaro no governo norte-americano. No X, suas duas únicas menções ao Brasil
são de 2016. Uma é um elogio aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A outra é
uma postagem sobre uma reportagem crítica ao governo da ex-presidente Dilma
Rousseff (PT).
Nascido
na Venezuela, Pita deixou o país com seu pai em 2008, durante a era chavista.
Em suas redes sociais, é a situação venezuelana que mais lhe chama atenção.
Como
milhares de dissidentes do país, ele se instalou na Flórida, onde terminou seus
estudos. Formou-se em direito e ciência política e passou a atuar como
assistente do senador republicano Ted Cruz, na Flórida e em Washington.
Em
2025, passou a fazer parte da equipe escolhida por Rubio para trabalhar no
Escritório de Assuntos para o Hemisfério Ocidental. Atualmente, é subsecretário
adjunto interino para América do Norte.
Sua
ligação com a família Bolsonaro ganhou os holofotes a partir de maio de 2025.
Naquele mês, Pita veio ao Brasil como parte da primeira
delegação de oficiais norte-americanos a visitar o país após
Trump assumir seu segundo mandato.
Sua
presença chamou atenção por conta da agenda. Ele foi ao encontro de Jair
Bolsonaro, que à época ainda não havia sido condenado pelo STF, mas já era alvo
de um processo por golpe de Estado.
A
visita foi vista como uma demonstração de apoio do governo Trump ao
ex-presidente.
"Pita
expressou apoio ao presidente Bolsonaro e prometeu levar sua mensagem de volta
a Washington", disse Eduardo em uma postagem em seu perfil no X.
Em
setembro daquele ano, Eduardo e o empresário Paulo Figueiredo, que vivem nos
Estados Unidos, tiveram um encontro com Pita e Beattie durante uma viagem a
Washington.
Apesar
de seu posto atual ser dedicado à América do Norte, Pita ainda é apontado por
diplomatas brasileiros que atuam no exterior como um dos principais
interlocutores da família Bolsonaro junto ao Departamento de Estado.
<><> Christopher Landau
Christopher
Landau tem 63 anos e ocupa atualmente o cargo de vice-secretário de Estado,
abaixo apenas de Rubio.
Ele é
advogado com doutorado pela Universidade de Harvard e, antes de chegar ao
cargo, serviu como embaixador dos Estados Unidos no México no primeiro governo
Trump, entre 2019 e 2021.
A
ligação de Landau com a América Latina é antiga. Seu pai, George Landau, foi
embaixador norte-americano nos anos 1970 e 1980 no Paraguai, Chile e Venezuela.
Nascido em Madri, na Espanha, quando seu pai atuava no país, Landau fala
espanhol fluentemente e também se arrisca no português.
Em uma
postagem no X, em dezembro de 2023, ele brincou com o fato de estar fazendo
lições de português por meio de um aplicativo chamado Duolingo.
Landau
é considerado, ao lado de Rubio, um dos principais especialistas em América
Latina do Departamento de Estado, órgão que, historicamente, se notabilizou por
focar recursos e atenção a regiões como Europa, Oriente Médio e, mais
recentemente, Ásia.
Ele
também é conhecido por sua defesa da agenda conservadora que dá suporte a Trump
e por ser um crítico ferrenho da esquerda.
Em
2019, pouco depois de assumir o posto de embaixador no México, Landau se
envolveu em uma polêmica ao criticar a ligação da artista mexicana Frida Kahlo
com o comunismo.
"Admiro
seu espírito livre e boêmio, e ela se tornou, com razão, um ícone do México em
todo o mundo (...) O que eu não entendo é sua óbvia paixão pelo marxismo,
leninismo e stalinismo. Ela não sabia sobre os horrores cometidos em nome desta
ideologia?", indagou Landau em uma postagem.
Como
Trump, sua atuação diplomática é marcada pelo uso intenso de redes sociais. E
foi com essas credenciais que ele se tornou um dos nomes que mais têm
demonstrado apoio à família Bolsonaro em Washington.
O
encontro com Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo foi apenas a mais recente
demonstração desse alinhamento.
Em suas
redes sociais, Landau, já no posto de vice-secretário de Estado, fez diversas
postagens contra o processo criminal que levou à condenação de Jair Bolsonaro
pelos crimes de golpe de Estado e tentativa violenta de abolição do Estado
Democrático de Direito.
No dia
11 de setembro de 2025, mesma data da condenação, Landau usou suas redes para
criticar a medida.
"Os
Estados Unidos condenam o uso da lei como arma política. Como advogado,
diplomata e amigo do Brasil, me dói ver o ministro Moraes devastando o Estado
de Direito lá e levando as relações entre nossas duas grandes nações ao ponto
mais sombrio em dois séculos. Enquanto o Brasil deixar o destino de nossa
relação nas mãos do ministro Moraes, não vejo resolução para esta crise",
disse Landau em uma postagem no X.
Em
novembro daquele mesmo ano, no dia em que Bolsonaro foi preso preventivamente
pouco antes de iniciar o cumprimento de sua sentença, Landau voltou a criticar
a decisão do STF.
"Os
Estados Unidos estão profundamente preocupados com seu mais recente ataque ao
Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil: a prisão provocativa e
desnecessária do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já estava em prisão
domiciliar sob pesada guarda e limitações extremas de comunicação. Não há nada
mais perigoso para a democracia do que um juiz que não conhece limites para seu
poder", disse o norte-americano.
Landau
é apontado por especialistas como um integrante da linha-dura da diplomacia
norte-americana e extremamente crítico à atuação da esquerda na América Latina.
Em
outra postagem, ele usou uma frase atribuída a seu pai para definir como a
diplomacia dos Estados Unidos deve atuar em relação ao Brasil.
"A
atual crise nas relações com o Brasil fornece um bom momento para reafiar um
ponto básico sobre diplomacia que meu pai fez meio século atrás: não é nosso
trabalho como diplomatas dizer a outros países soberanos o que fazer, mas é
nosso trabalho deixá-los saber que suas ações podem e terão
consequências".
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Jason Miller
Jason
Miller tem 52 anos e é apontado como uma das pessoas mais próximas de Trump
fora de sua família. Miller foi porta-voz até 2021, quando deixou o governo
para fundar a rede social Gettr, da qual foi CEO global até 2023.
Naquele
ano, deixou a empresa e passou a atuar na campanha de Trump. Havia a
expectativa de que, com a vitória republicana em 2024, pudesse ocupar um novo
cargo no governo, mas, desde então, Miller passou a atuar em uma firma de
lobby, atividade regulamentada nos Estados Unidos. Atualmente, sua firma tem
como cliente o governo da Índia.
A
proximidade entre Miller e a família Bolsonaro remonta ao período em que ele
esteve no primeiro governo Trump e à sua trajetória como CEO do Gettr.
Miller
chegou a ser interrogado
pela Polícia Federal, em 2021, quando veio visitar o então
presidente Bolsonaro.
Ele foi
interrogado por quatro horas depois que o Gettr virou um dos alvos de
investigações do inquérito que apurava a suposta atuação de milícias digitais
contra instituições e autoridades brasileiras.
Na
época, Miller comparou a PF brasileira ao regime nazista comandado por Adolf
Hitler.
"Há
uma preocupação genuína com essa Gestapo, essa polícia secreta que trabalha
para o Supremo Tribunal. Porque, como eu disse, o juiz do Supremo Tribunal pode
usar a lei para te perseguir e ter investigações secretas. Eles podem fazer e
eles fazem. Realmente é um outro nível", afirmou Miller.
Nos
últimos anos, ele se tornou um dos principais críticos da atuação de Alexandre
de Moraes e do STF na condução do processo que levou à condenação de Jair
Bolsonaro.
Em suas
redes sociais, há dezenas de publicações com críticas ao Supremo e a Moraes.
Segundo Miller, o ministro estaria violando o direito à liberdade de expressão
e teria conduzido uma perseguição judicial contra Bolsonaro. O argumento é o
mesmo usado pelo governo norte-americano durante a imposição do tarifaço de 50%
sobre produtos brasileiros no ano passado.
Miller
também passou a direcionar sua artilharia contra Lula, a quem retrata como
aliado de Moraes e do governo da China.
Durante
a passagem de Flávio por Washington, Miller estava na capital norte-americana,
mas não participou da reunião na Casa Branca. Apesar disso, compareceu à
entrevista coletiva concedida pelo senador e voltou a declarar seu apoio ao
aliado.
"Eu
tenho uma única mensagem para o povo do Brasil: uma eleição pode mudar tudo
(...) eu apoio Flávio e sua candidatura à presidência", disse Miller.
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Marco Rubio
Marco
Rubio é o chefe da diplomacia norte-americana e apontado em Washington como um
dos principais especialistas em América Latina do governo norte-americano.
Filho de cubanos que deixaram o país antes da revolução liderada por Fidel
Castro, ele é um crítico frequente da atuação da esquerda na América Latina.
Rubio é
natural da Flórida, onde começou sua carreira como advogado e parlamentar. Em
2010, foi eleito para o Senado e em 2015, chegou a concorrer nas primárias do
Partido Republicano para a Presidência da República, mas desistiu da disputa.
Ao
longo dos anos, ele se consolidou como uma das principais lideranças do Partido
Republicano e, em 2025, foi nomeado como Secretário de Estado na gestão de
Donald Trump. É tido como um dos nomes mais fortes da administração Trump e um
possível candidato a sucedê-lo ao fim do seu mandato.
A
ligação mais antiga de Rubio com a família Bolsonaro de que se tem notícia
remonta o dia 28 de novembro de 2018 e foi, como a maior parte das interações
da família com a gestão Trump, conduzida pelo ex-deputado federal Eduardo
Bolsonaro. Durante uma viagem aos Estados Unidos, Eduardo visitou Rubio.
"Satisfação
conhecer ontem rapidamente o Senador Marco Rubio que tem destacada atuação em
temas latino americanos como a defesa dos direitos humanos na Venezuela",
postou Eduardo, na época.
Na
ocasião, Bolsonaro já havia vencido as eleições presidenciais daquele ano e
Eduardo intensificava sua atuação junto à direita norte-americana. Eduardo se
encontrou com Rubio, ao lado de Filipe G. Martins, que viria a ser condenado
pelo STF por tentativa de golpe de Estado, em 2025.
Dois
anos depois, em 2020, Rubio e a família Bolsonaro tiveram um novo contato.
Durante uma visita de Jair Bolsonaro à Flórida, o então presidente teve uma
audiência com Rubio.
Durante
o governo de Bolsonaro, Rubio foi um dos principais apoiadores da aliança
liderada pelos Estados Unidos para isolar o governo de Nicolás Maduro, na
Venezuela e, em várias postagens, comemorou a adesão do Brasil à medida.
No ano
passado, Rubio também se notabilizou por fazer críticas diretas ao julgamento
do ex-presidente Jair Bolsonaro e por apoiar as sanções impostas ao ministro
Alexandre de Moraes, que foi sancionado pela Lei Global Magnitsky contra
violações de direitos humanos. Ele também é mencionado por diplomatas como um
dos principais apoiadores da política de tarifaço imposta pelo presidente Trump
a produtos brasileiros.
"As
perseguições políticas pelo abusador de direitos humanos sancionado Alexandre
de Moraes continuam à medida em que ele e outros na Suprema Corte do Brasil têm
injustamente imposto a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados
Unidos irão responder apropriadamente a esta caça às bruxas", disse Rubio
em suas redes sociais, no dia 11 de setembro de 2025, dia em que Bolsonaro foi
condenado pelo STF.
Após a
breve aproximação entre Lula e Trump, ocorrida a partir de setembro de 2025,
Rubio manteve um perfil mais baixo em relação ao Brasil e atendeu aos pedidos
de Trump para que ele desse início a negociações para revisar as tarifas e
sanções impostas ao Brasil e às autoridades brasileiras.
Nos
meses seguintes, Moraes foi retirado das sanções da Lei Magnitsky.
Para o
diretor de Américas da firma de consultoria Eurasia Group, Christopher Garman,
a proximidade de Rubio com a família Bolsonaro no Brasil faz sentido com sua
trajetória política.
Apesar
disso, Rubio voltou a se posicionar de forma crítica ao governo brasileiro logo
após a reunião que manteve com Flávio, durante uma audiência no Congresso
norte-americano.
Segundo
ele, o Brasil faria parte de uma série de regimes considerados
"não-amigáveis" aos Estados Unidos.
"Nós
agora temos, neste hemisfério, uma coalizão de países amigáveis de mais de uma
dúzia (…). É uma história incrível, exceto por Nicarágua, por Cuba, por
Venezuela, que ainda têm alguns desafios, e, claro, o Brasil, embora eles
estejam no meio de um ciclo eleitoral (…). Em geral, é agora uma região repleta
de aliados americanos", disse Rubio.
"Rubio
tem uma forte agenda anti-esquerda na América Latina. Natural que, no Brasil,
ele estivesse alinhado com a família Bolsonaro", diz Garman à BBC News
Brasil.
Um
diplomata brasileiro ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado
classifica Rubio como um grande especialista em América Latina, fortemente
alinhado com a pauta conservadora de Trump, mas menos ideológico que parte do
movimento MAGA (sigla para Make America Great Again).
Fonte:
BBC News Brasil

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