sexta-feira, 1 de maio de 2026

Como possível ação dos EUA no Irã elevou petróleo ao maior nível desde 2022

Os preços do petróleo atingiram o nível mais alto desde 2022 após a divulgação de um relatório segundo o qual militares dos Estados Unidos devem apresentar ao presidente americano, Donald Trump, novos planos para uma possível ação contra o Irã.

O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) preparou um plano para uma série de ataques "breves e contundentes" com o objetivo de destravar as negociações com o Irã, informou o site Axios. A BBC entrou em contato com o Centcom e com a Casa Branca para comentar, mas não recebeu resposta até o momento.

O barril de petróleo do tipo Brent subiu quase 7% e chegou a ultrapassar US$ 126 (cerca de R$ 630), o maior valor desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

Os preços de energia vêm subindo nesta semana com as negociações de paz estagnadas, com o estratégico estreito de Ormuz ainda, na prática, fechado.

Antes dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, passavam pelo estreito cerca de 20% do petróleo global, entre outros insumos.

A reportagem do site Axios, com base em fontes anônimas, afirma que a proposta de ataques deve incluir alvos de infraestrutura.

Outro plano envolve assumir o controle de parte do estreito de Ormuz para reabrir a rota ao transporte comercial, o que pode exigir o envio de tropas terrestres, segundo o Axios.

O petróleo West Texas Intermediate, que serve como referência de preço nos EUA, também subiu, com alta de 2,3%, para cerca de US$ 109 (aproximadamente R$ 545) o barril.

O contrato futuro do Brent para entrega em junho vence na quinta-feira (30/4). Já o contrato mais negociado, com entrega em julho, avançava cerca de 2%, para perto de US$ 113 (cerca de R$ 565), nas negociações da manhã na Ásia.

Os contratos futuros são acordos para comprar ou vender um ativo em uma data previamente definida.

Os mercados de petróleo reagiram rapidamente à possibilidade de uma nova ação militar no Golfo, afirmou Yeow Hwee Chua, professor de economia da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.

Ele acrescentou que mesmo uma pequena chance de escalada do conflito pode ter "efeitos desproporcionais" sobre a oferta global de energia.

Os EUA disseram que vão bloquear portos iranianos enquanto o Irã continuar a ameaçar embarcações que tentam usar o estreito de Ormuz, o que pode afetar gravemente o transporte global de energia.

O Irã reagiu aos ataques aéreos dos EUA e de Israel ao ameaçar atacar navios na região, por onde costuma passar cerca de um quinto da energia consumida no mundo.

Os preços do petróleo já haviam subido 6% na quarta-feira (29/4), após relatos de que os EUA se preparavam para um bloqueio "prolongado" ao Irã.

"Há sinais de que uma escalada do conflito voltou ao centro das discussões, seja com os EUA mantendo o bloqueio ao Irã, seja com relatos e rumores de que, para sair desse impasse, o Irã pode voltar a atacar", disse Naveen Das, analista sênior de petróleo da Kpler, empresa de inteligência marítima.

Ele afirmou ao programa Today, da BBC, que um preço do petróleo próximo de US$ 125 (cerca de R$ 625) é o ponto em que empresas e políticos "começam a ficar mais apreensivos".

"Podemos começar a ver mais iniciativas para tentar reduzir a escalada", acrescentou, porque a alta dos preços "tem efeito em cadeia não só sobre o petróleo, mas também sobre produtos derivados, a inflação e praticamente todos os aspectos da vida cotidiana".

A BBC apurou que executivos do setor de energia se reuniram com Trump na terça-feira (28/4) para discutir formas de limitar o impacto da guerra sobre os consumidores americanos, o que aumentou a preocupação do mercado com uma possível interrupção prolongada no fornecimento de energia.

"A grande questão, na minha visão, é por quanto tempo o governo Trump conseguirá suportar a pressão econômica", disse Will Walker-Arnott, gestor de investimentos da Raymond James, ao programa Today.

"As pessoas já começam a se preocupar com o impacto inflacionário da alta do petróleo", acrescentou.

¨      Vantagem do Brasil em biocombustíveis

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, provocou uma crise energética global, com alta do petróleo e risco de desabastecimento, especialmente após o bloqueio do estreito de Ormuz.

Nesse cenário, o Brasil conta com uma vantagem estratégica: os biocombustíveis, avalia a revista britânica The Economist.

A revista publicou um artigo em 26 de março em que afirma que "o Brasil tem uma arma secreta contra choques do petróleo" e que "os biocombustíveis vão ajudar o país a enfrentar os efeitos do conflito no Oriente Médio".

Neste contexto, a The Economist afirma que poucos países estavam preparados para um choque do petróleo, mas "o Brasil estava". Isso porque o país, ao longo de décadas, investiu em alternativas e construiu "a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo".

A reportagem destaca ainda o papel estrutural desses combustíveis na economia brasileira. "Eles são misturados à gasolina e ao diesel, com percentuais obrigatórios definidos pelo governo de 30% e 15%, respectivamente, entre os mais altos do mundo", observa a revista.

O artigo também chama atenção para a frota nacional: "três quartos dos veículos leves no Brasil possuem tecnologia que permite rodar com qualquer mistura, desde gasolina pura até etanol 100%".

"Isso reduz a dependência do Brasil de combustíveis fósseis importados e protege o país contra mercados inflacionados. O preço da gasolina nos postos brasileiros subiu 10% desde o início da guerra, e o do diesel, 20%, segundo dados divulgados em 20 de março pelo regulador de energia. É um aumento doloroso, mas muito abaixo dos saltos de 30% a 40% observados nos Estados Unidos."

A The Economist lembra que essa estratégia começou nos anos 1970, após outra crise do petróleo, e desde então se consolidou como base da política energética do país.

"Na época, o Brasil importava 80% do combustível que consumia; o embargo árabe estava sufocando a economia. Transformar o excedente de cana-de-açúcar em etanol foi uma solução óbvia", aponta o texto.

A revista menciona ainda um plano do governo federal, em 2023, para promover o biodiesel, derivado de sementes, principalmente de soja. Hoje, diz a revista, o governo federal mantém essa linha, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que como "poucos abraçaram os biocombustíveis com tanta intensidade".

Ainda assim, a revista faz uma ressalva: "os biocombustíveis não podem eliminar totalmente os custos provocados pela alta do petróleo".

Mas a avaliação é que o Brasil entra nessa crise em posição mais favorável. Enquanto grandes economias enfrentam alta mais intensa de preços e risco de escassez, o país consegue amortecer parte do impacto — e até se beneficiar com o aumento da demanda global por alternativas ao petróleo.

A análise aponta também que o modelo começa a chamar atenção internacional, com países como Índia e Japão estudando adaptar a experiência brasileira.

¨      A saída repentina dos Emirados Árabes Unidos da Opep poderia desencadear uma guerra de preços do petróleo

O conflito no Oriente Médio fez da Opep a mais recente vítima da guerra. A saída repentina dos Emirados Árabes Unidos do cartel do petróleo na terça-feira, após 60 anos, deve enfraquecer a aliança que, sob a liderança da Arábia Saudita, ajudou a amenizar a volatilidade do mercado global de petróleo por décadas.

Os preços globais do petróleo atingiram o nível mais alto em quatro anos na quinta-feira, ultrapassando os US$ 126 por barril. Mas, enquanto a região enfrenta o conflito contínuo, uma nova guerra pode estar se formando nos mercados internacionais de petróleo, o que poderia levar a uma maior volatilidade do mercado nos próximos anos.

Por ora, a intenção dos Emirados Árabes Unidos de ignorar as cotas de produção da Opep e bombear todo o petróleo bruto que desejarem é meramente teórica, devido ao bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz. O mesmo se aplica à capacidade de Riad de usar suas vastas reservas de petróleo como arma em resposta.

Mas, em um impasse pós-guerra entre as duas gigantes petrolíferas do Golfo, reside o risco real de uma guerra de preços, na qual os mercados globais de energia poderiam entrar em colapso, com consequências econômicas imprevisíveis.

“A Arábia Saudita vai retaliar com força total”, disse Michael Tamvakis, professor de commodities da Bayes Business School, em Londres. “Essa decisão afronta a autoridade do reino, e os sauditas vão querer dar uma lição neles.”

“Num mundo em que o petróleo volte a fluir pelo Estreito de Ormuz e os preços do petróleo comecem a cair, haverá uma corrida para maximizar os volumes de exportação de petróleo a fim de manter as receitas.”

Nessa corrida, espera-se que o reino saudita "comercialize agressivamente" seu petróleo para compradores asiáticos, que também dependem dos Emirados Árabes Unidos, oferecendo descontos em seu petróleo bruto e combustíveis. Embora os Emirados Árabes Unidos tradicionalmente tenham levado vantagem na comercialização de produtos petrolíferos refinados para a Europa, a Arábia Saudita pode "reagir e tentar conquistar participação de mercado", disse Tamvakis.

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, mas nos Emirados Árabes Unidos enfrenta um concorrente formidável no mercado. O terceiro maior produtor do cartel manteve sua produção abaixo de 3 milhões de barris por dia em 2024 a pedido da Opep, mas poderá aumentá-la para entre 4,5 milhões e 6 milhões de barris por dia assim que o fluxo for retomado pelo Estreito de Ormuz.

Ambos os países têm alguns dos custos de produção mais baixos do mundo e um imperativo fiscal para gerar as receitas estatais necessárias para preparar suas economias para um futuro com baixas emissões de carbono.

Dieter Helm, professor de política econômica na Universidade de Oxford, comparou a iminente guerra de preços às crises do mercado de petróleo das décadas de 1980 e 2014, que levaram à perda de centenas de milhares de empregos e à instabilidade política em economias ricas em petróleo.

“É provável que os preços do petróleo caiam ainda mais e mais rapidamente com o fim da guerra”, disse Helm. “Preços mais altos incentivam uma maior produção, e o mundo está repleto de reservas de petróleo e gás.”

A alta nos preços de mercado, desencadeada pela guerra no Irã, deverá impulsionar o surgimento de novos concorrentes no mercado de petróleo das Américas. Quanto mais tempo as exportações do Golfo forem prejudicadas pelo conflito, maior será a oportunidade para os EUA, o Brasil e a Guiana aumentarem sua participação no mercado global em detrimento do Oriente Médio.

Entretanto, as economias estão acelerando os planos para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, o que pode acelerar o início do declínio do mercado.

Um mercado pós-guerra definido por novos suprimentos de petróleo e demanda incerta seria menos do que ideal para os países do Golfo, à medida que retomam as exportações. É provável que bombeiem o máximo de petróleo bruto possível para ajudar a recuperar as economias devastadas pela guerra na região e reconquistar seu lugar no mercado, portanto, preços mais baixos a longo prazo são prováveis.

O cenário representa a antítese da agenda declarada da Opep. Desde a década de 1960, o poder do cartel reside na sua capacidade de responder, como um grupo unido, às oscilações do mercado de petróleo, contribuindo para a estabilização dos preços.

Quando a oferta de petróleo se torna escassa, a Arábia Saudita e seus aliados conseguem aumentar a produção para conter a alta dos preços. Quando o excesso de oferta de petróleo bruto causa uma queda acentuada nos preços, a Opep está pronta para reduzir sua produção e evitar um colapso do mercado.

Mas os sinais de que a aliança estava começando a se desfazer tornaram-se mais evidentes nos últimos anos, à medida que as turbulências no mercado global desafiaram o domínio da Arábia Saudita e levaram a acirradas guerras de preços em retaliação.

Em 2020, a Opep realizou seus maiores cortes de produção meses depois que a pandemia de Covid-19 forçou a economia global a uma paralisação sem precedentes, que eliminou milhões de barris de demanda de petróleo em questão de semanas.

A decisão do grupo de reter 9,7 milhões de barris de petróleo por dia representou um corte de 10% na demanda global de petróleo. Mas o acordo só foi fechado depois que a Arábia Saudita travou uma breve guerra de preços em resposta à recusa da Rússia em reduzir sua própria produção, o que fez com que os preços despencassem para o menor nível em 20 anos e agravou o impacto econômico da pandemia.

Não foi a primeira vez que Riade sacrificou os preços de mercado para restaurar sua dominância. Em 2014, quando o fluxo desenfreado de petróleo proveniente do boom do xisto nos EUA ameaçou saturar o mercado, os ministros sauditas ficaram cada vez mais frustrados com os membros da Opep que desrespeitaram o acordo de conter a produção para estabilizar os preços.

O reino respondeu aumentando sua própria produção, desencadeando uma das maiores e mais longas quedas nos preços do petróleo da história, relegando seus concorrentes de custos mais elevados às margens do mercado. Os membros menores do cartel da Opep foram danos colaterais, e as cicatrizes econômicas podem fazer com que alguns se mostrem cautelosos em relação a quaisquer limites pós-guerra em sua produção.

Kim Fustier, analista sênior da HSBC Investment, afirmou: “A perda de um membro central do Golfo enfraquece a credibilidade da Opep. Se o grupo remanescente não conseguir compensar os volumes dos Emirados Árabes Unidos por meio de disciplina coletiva, a gestão de preços poderá se tornar mais difícil de ser implementada.”

¨      O líder supremo do Irã emite uma declaração desafiadora sobre o Estreito de Ormuz

O líder supremo do Irã quebrou seu recente silêncio com uma declaração desafiadora, exaltando o controle do Irã sobre a navegação no Estreito de Ormuz e prometendo proteger os programas nucleares e de mísseis do país.

“Hoje, dois meses após o maior destacamento militar e agressão perpetrados pelos maiores valentões do mundo na região, e a vergonhosa derrota dos Estados Unidos em seus planos, um novo capítulo se inicia para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz”, disse Mojtaba Khamenei em um comunicado lido por um apresentador da televisão estatal.

O comunicado afirmou que Teerã garantiria a segurança da região do Golfo e eliminaria o que descreveu como "os abusos do inimigo na hidrovia", e que "a nova gestão do estreito trará conforto e progresso para o benefício de todas as nações da região, e as bênçãos econômicas trarão alegria aos corações do povo".

O Irã tem procurado cobrar um preço por ser atacado, exercendo controle sobre o estreito, a via navegável estreita por onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo mundial.

Em discurso para marcar o Dia do Golfo Pérsico no Irã, Khamenei também prometeu que o Irã "protegerá suas capacidades tecnológicas modernas – da nanotecnologia à biotecnologia, passando pela energia nuclear e de mísseis – como se fossem sua capital nacional, e as protegerá como protege suas fronteiras marítimas, terrestres e aéreas".

Nenhuma gravação ou imagem de Khamenei foi transmitida desde que ele foi nomeado líder supremo no início de março. Há relatos de que ele ficou gravemente ferido no atentado a bomba que matou seu pai e antecessor, de 86 anos, em 28 de fevereiro. Ele estaria hospitalizado recebendo tratamento para seus ferimentos.

Sua nova declaração sugere que o Irã está determinado a implementar um novo regime de tarifas no estreito, que apresentará como benéfico para toda a região, como uma afirmação tardia de soberania regional.

Desde 13 de abril, os EUA montaram um contra-bloqueio destinado a impedir a entrada e saída de petroleiros nos portos iranianos, paralisando a indústria petrolífera do Irã.

Com as negociações mediadas pelo Paquistão em impasse, há poucos indícios de que qualquer um dos bloqueios será suspenso, o que eleva o preço do petróleo acima de US$ 120 por barril. Os níveis de tráfego marítimo ainda estão extremamente baixos, chegando a apenas três navios por dia em alguns casos, em comparação com 120 a 140 em condições normais.

“Os estrangeiros que cobiçam maliciosamente o estreito a milhares de quilômetros de distância não têm lugar ali, exceto no fundo de suas águas”, afirmou Khamenei em comunicado.

O fechamento do estreito pressionou Trump, já que os preços do petróleo e da gasolina dispararam antes das cruciais eleições de meio de mandato, bem como seus aliados no Golfo, que usam a hidrovia para exportar petróleo e gás.

A admissão de Trump na quarta-feira de que não conhecia uma saída fácil para o impasse fez com que os preços do petróleo chegassem perto de US$ 125 por barril – o mesmo patamar das primeiras semanas da invasão russa em grande escala da Ucrânia em 2022.

O site de notícias Axios informou que os militares dos EUA ainda estavam apresentando opções a Trump para retomar os ataques.

O major-general Mohsen Rezaee, conselheiro militar do líder supremo, escreveu em sua conta no Facebook: “O cenário de cerco fracassará e o Irã jamais perderá o Estreito de Ormuz. A história registrará que a nação iraniana derrotou a superpotência americana no Golfo Pérsico e no Mar de Omã. Tanto o campo de batalha quanto a diplomacia estão avançando com a coordenação do líder da revolução e o apoio do povo.”

O mundo considera o estreito uma via navegável internacional, aberta a todos sem pagamento de pedágio, e as nações árabes do Golfo, principalmente os Emirados Árabes Unidos, denunciaram o controle do estreito pelo Irã como algo semelhante à pirataria.

O Irã propôs que as negociações com os EUA sobre seu programa nuclear sejam suspensas enquanto ambos os lados concordam com os termos para permitir que os navios retomem a passagem pelo estreito. No Irã, o Ministério das Relações Exteriores instou o parlamento a reconhecer que os planos que estão sendo elaborados em conjunto com Omã não exigem nova legislação iraniana. Também está instando o Irã a evitar termos como "pedágios" e, em vez disso, a exercer seu direito preexistente de cobrar taxas por serviços prestados.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, realizaram conversas em Washington na quarta-feira sobre o estreito. Um e-mail enviado pelo Departamento de Estado às embaixadas, divulgado pelo Wall Street Journal, sugeriu que os EUA estavam tentando se envolver em planos liderados principalmente pela Europa para a supervisão do estreito após o fim do conflito.

Os EUA estão se oferecendo para coordenar a diplomacia e as comunicações entre os países que utilizam o estreito, revitalizando e ampliando uma estrutura internacional de segurança marítima composta por 12 nações, uma operação naval preexistente criada após ameaças à navegação por parte da marinha iraniana.

 

Fonte: BBC News Brasil/The Guardian

 

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