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coisas que você nunca verá em seus sonhos — e o porquê
Seja
voando, ‘conhecendo’ pessoas novas ou explorando lugares que talvez não
existam, nossos sonhos podem provocar as mais loucas fantasias em nossa mente.
Mas por
mais extravagantes ou surreais que eles sejam, existem certos padrões por trás
sonhos: afinal, existem cinco coisas que nunca veremos neles.
“Nos sonhos, nossas mentes operam de uma
maneira mais fluida, emocional e associativa”, explica a Dra. Kelly Bulkeley,
pesquisadora de sonhos e diretora do Banco de Dados de Sono e Sonhos, em
entrevista ao Daily Mail.
Por
outro lado, tendemos a ter menos capacidade de sonhar acordados, devido à
necessidade de foco e concentração a curto prazo para atividades como ler,
contar e operar um computador”.
Sendo
assim, confira cinco coisas que nunca — ou quase nunca — estarão presentes em
nossos sonhos!
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1. Telefones
Embora
seja um fato que os sonhos reflitam, muitas vezes, detalhes da nossa vida
desperta, nem sempre eles trazem representações de nossos hábitos. Um exemplo
são os aparelho de telefone e outros dispositivos eletrônicos.
A
análise de 16.000 sonhos relatados mostra que os telefones aparecem em apenas
cerca de 3,55% dos sonhos das mulheres e 2,69% dos sonhos dos homens.
Cientistas
apontam que isso acontece porque os telefones não se encaixam na função que os
sonhos evoluíram para desempenhar.
A
“hipótese da simulação de ameaças” sugere que os sonhos são um mecanismo de
defesa evolutivo que nos ajuda a processar os perigos que podemos enfrentar no
mundo real.
“Conteúdo
relevante apenas para a vida moderna tende a ser sub-representado nos sonhos”,
explica a Dra. Deirdre Barrett, psicóloga da Universidade de Harvard e autora
de “The Committee of Sleep”.
O
conteúdo que teria sido mais relevante para os humanos durante 95% de sua
evolução, quando viviam em tribos nas savanas, está sobrerrepresentado nos
sonhos dos humanos modernos”.
Assim,
os seres humanos tendem a sonhar muito mais com tempestades, fugas de animais
selvagens e cobras, porque essas são coisas às quais a evolução nos programou
para prestar atenção visando a sobrevivência. Já os telefones são apenas uma
pequena fração de nossa história evolutiva.
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2. Escrita
Outra
característica interessante de nossos sonhos é que é praticamente impossível
ler textos escritos. Assim, quando documentos escritos aparecem em sonhos, as
pessoas frequentemente relatam que o texto é reduzido a absurdos ou símbolos
abstratos.
Apesar
de alguns relatos de sonhos com compreensão de texto, ainda assim a prática é
pouco comum. Cientistas acreditam que isso está relacionado aos processos
fisiológicos subjacentes que acompanham os sonhos.
As áreas do cérebro relacionadas à linguagem,
mesmo de forma geral, são menos ativas durante o sono REM (movimento rápido dos
olhos), a fase em que a maioria dos sonhos ocorre, e as áreas associadas
especificamente a textos e leitura são ainda menos ativas”, aponta Barrett.
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3. Números
Assim
como os textos, os números — sejam em equações ou outros usos — também são
distorcidos em sonhos. Afinal, especialistas apontam que em sonhos, essa é, na
verdade, uma consequência necessária da forma como os sonhos são estruturados.
Visto
que diferente da nossa vida desperta, os sonhos não se baseiam nos detalhes
reais do mundo que nos rodeia.
“Uma
maneira útil de pensar sobre isso é que a percepção em estado de vigília é
estabilizada por uma entrada contínua e detalhada de baixo para cima
proveniente do mundo externo”, aponta o Dr. Benjamin Baird, neurocientista
cognitivo da Universidade do Texas, ao Daily Mail.
“Nos
sonhos, por outro lado, o cérebro gera a cena em grande parte de cima para
baixo, com pouca ou nenhuma influência externa. Portanto, detalhes minuciosos,
como texto escrito, números ou interfaces de dispositivos, tendem a ser
instáveis ou a se transformar quando você olha para trás.”
Não é
necessariamente que nossos sonhos não possam conter números, mas sim que eles
carecem da estabilidade necessária para exibir números de forma coerente”,
esclarece.
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4. Cheiros e sabores
Você
pode já ter sonhado com uma refeição saborosa, mas será que realmente você teve
a experiência que realmente pensa ter?
Isso
porque pode ser extremamente comum ver comida na mesa ou observar outras
pessoas comendo, mas certamente não sonhou com o sabor dela.
Estudos
apontam que apenas um por cento dos homens e pouco mais de um por cento das
mulheres relataram uma experiência “olfativa” em seus sonhos.
Isso
pode ocorrer, segundo os especialistas, porque os circuitos cerebrais que
controlam o olfato evoluíram em um passado muito remoto. O que significa que as
informações olfativas não se sobrepõem aos sinais das redes visuais e auditivas
e, portanto, são incluídas nos sonhos com menos frequência.
Outro
ponto é que, talvez, a maioria das pessoas simplesmente não presta atenção aos
cheiros e sabores da mesma forma que prestamos à visão e à audição.
Temos
sensações de olfato e paladar todos os dias, mas quase nunca sonhamos com
elas”, diz o Dr. Bulkeley. “Por quê? Nessa linha de raciocínio, porque
geralmente não têm muito a acrescentar às histórias dramáticas e inconscientes
que contamos a nós mesmos quando dormimos”.
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5. Você mesmo
Por
fim, por mais que sejamos protagonistas de nossos sonhos, nem sempre eles
refletem como realmente somos. Afinal, quando as pessoas se veem no espelho,
quase nunca enxergam seu reflexo como realmente seria na vida desperta.
O Dr.
Barrett que, ao invés disso, o mais comum é que nos vejamos como pessoas
bizarramente distorcidas ou desfiguradas. Também é possível que nos enxerguemos
em qualquer idade, com alguma lesão plausível ou com uma transformação
completamente fantástica.
“Eles
podem ver uma pessoa completamente diferente no espelho. Podem ficar chocados
com isso; em outros casos, nem sequer questionam”, finaliza o especialista.
• Sonhos possuem significados? Saiba como
a cultura pode influenciar as interpretações
No
mundo dos sonhos, todo tipo de cenário é possível. Você pode caminhar por uma
bela paisagem; pode voar; ou estar passando por uma experiência amedrontadora.
Ou até mesmo em situações inusitadas, como parecer ser outra pessoa ou sonhar
com seus dentes caindo de repente.
Segundo
dados do Centro de Prevenção e Doença dos Estados Unidos (CDC, na sigla em
inglês), um adulto médio passa cerca de um terço da vida dormindo — o que
significa que há muitas oportunidades para nossas mentes vivenciarem essas
paisagens oníricas. Mas, afinal, todos os sonhos realmente possuem
significados? Isso depende para quem você pergunta.
Os
antropólogos dizem que se você entender o que um determinado grupo acredita
sobre sonhos, você entendeu toda a sua [cultura]”, aponta Robin Sheriff,
professor associado de antropologia na Universidade de New Hampshire, ao
National Geographic.
Figuras
importantes da psicologia como Sigmund Freud e Carl Jung ajudaram a popularizar
ideias sobre as interpretações de sonhos. No entanto, elas, não
necessariamente, condizem com o que especialistas de áreas como antropologia e
folclore entendem esses momentos.
Mas,
afinal, os sonhos são universais? Como as diferentes culturas podem influenciar
a forma como nós sonhamos? Entenda!
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A interpretação de sonhos
Os
primeiros registros sobre a interpretação dos sonhos remonta à Roma Antiga e ao
Egito Antigo, mas é bem provável que a prática possua raízes muito mais
antigas, como culturas pré-históricas. Mas sem registros escritos.
Antes
do desenvolvimento da ciência do estudo dos sonhos, que chamamos de onirologia,
a interpretação dos sonhos costumava ser uma prática cultural que servia como
conexão entre as pessoas e seus ancestrais ou a espíritos culturais.
“Os
sonhos tinham um significado profundo na cultura tradicional chinesa…
particularmente dentro de uma visão de mundo sobrenatural onde se acreditava
que fantasmas, espíritos e almas ancestrais participavam ativamente dos
assuntos humanos”, aponta Ze Hong, professor assistente de biologia evolutiva
na Universidade de Macau.
Hong,
que pesquisou a interpretação dos sonhos chineses de uma perspectiva
evolucionária, aponta que os sonhos eram frequentemente considerados canais
significativos de comunicação do reino espiritual, capazes de revelar verdades
ocultas ou prever eventos futuros.
Na Roma
Antiga, por exemplo, documentos apontam que os sonhos eram vistos como uma
forma de comunicação com os deuses. Já os oráculos desempenhavam um papel
importante na interpretação deles.
O
pesquisador aponta, ainda, que práticas semelhantes também aconteciam durante a
Dinastia Zhou, na China, que durou entre 1046 a.C. e 256 a.C.
Segundo
ele, a oniromancia — prática da interpretação divinatória dos sonhos — se
tornou amplamente usada para oferecer visões sobre relacionamentos pessoais.
Não só para isso, mas também para o tratamento de doenças ou até mesmo a tomada
de decisões políticas.
Mas a
prática acabou perdendo popularidade ao longo dos anos. Em especial, entre o
fim do período imperial e o início do século 20.
A
relação entre sonhos e o reino espiritual também foi algo relatado pelo
antropólogo Roger Lohmann (professor associado de antropologia na Universidade
Trent, em Ontário, Canadá), que estudou a cultura dos sonhos em Papua-Nova
Guiné.
Apesar
do mundo ocidental encarar os sonhos como uma visão metafórica, Lohmann aponta
que a interpretação no país da Oceania é diferente. Por lá, os sonhos são
vistos como uma jornada paralela que sua alma percorreu enquanto você dormia.
Assim,
eles podem ser interpretados como algo profético ou revelador de informações
ocultas. Lohmann conta que certa vez dormiu em uma vila perto da fronteira com
a Indonésia e acordou de um pesadelo com suas anotações de pesquisa pegando
fogo.
Interpretei
aquele [sonho] como uma expressão da minha ansiedade sobre algo dar errado com
meu computador”, disse ele.
“[Mas]
contei a história a um homem que estava me visitando naquela manhã e ele disse:
‘Ah, é melhor você tomar cuidado. Tenha muito cuidado com a lareira’, porque
ele interpretou aquele sonho como algo que provavelmente acontecerá no futuro.”
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A influência de Jung e Freud
Hoje,
no Ocidente, boa parte das diretrizes para interpretação dos sonhos vem de
grandes nomes como Sigmund Freud e Carl Jung.
Em
1900, o pai da teoria psicanalista escreveu que os sonhos podem representar
nossos desejos do subconsciente e até mesmo ser uma forma de realizar desejos
instintivos reprimidos, ou mesmo hipersexuais.
Já Jung
propôs que os sonhos podem ser uma conversa entre nossos “eus” consciente e
subconsciente. Ao invés de nossos desejos reprimidos, ele via os sonhos como
uma forma de revelar a forma como processamos problemas de vigília e
encontramos possíveis soluções.
Jung
também inclui na teoria dos sonhos a ideia de um subconsciente coletivo —
sugerindo que os sonhos podem ser interpretados de forma simbólica por meio de
arquétipos distintos, como o herói, a mãe e o trapaceiro.
Para
ele, esses grupos poderiam ser encontrados em diferentes culturas e tinham
significados universais.
<><>Os
sonhos em diferentes culturas
Os
sonhos também podem ser interpretados de formas diferentes dependendo da
cultura. Um exemplo disso é a cobra. Em certas culturas do ocidente que possuem
familiaridade com as explicações de Freud, o reptil pode ser visto como algo
potencialmente sexual.
Jung
escreveu que as cobras representavam poder ou perigo, chegando a declarar que
um “estado de inferno instintivo é representado como uma cobra com três
cabeças”.
Já
entre os hindus, porém, o sonho com cobra pode significar algo completamente
diferente: um presságio de riqueza e fertilidade. Quer dizer, isso se você
tiver as devorando no seu sonho.
Tribos
do sudoeste americano também associam a fertilidade com sonhar com cobras,
embora particularmente em relação aos ciclos agrícolas e à fertilidade da
terra. Mas comunidades cristãs pentecostais na Zâmbia as enxergam como
interpretações de uma prova do diabo.
É fato
que uma pessoa tem inúmeros sonhos ao longo da vida, mas isso não significa que
todos eles possuem significados — ou que todo sonho que você tiver seja
realmente importante.
Perto
do fim do período imperial, quase paralelamente há quando Jung e Freud
formulavam a teoria dos sonhos, Hong disse que se tornou popular ver as origens
dos sonhos como sobrenaturais e relacionadas ao estado psicológico de uma
pessoa.
“Por
exemplo, sonhos causados por ‘pensar demais durante o dia’ eram frequentemente
descartados como ininterpretáveis e sem sentido”, disse ele.
Na
tradição ocidental, o quanto um sonho significa depende da pessoa que o tem ou
interpreta.
Os
sonhos, assim como a poesia e a arte, oferecem maneiras de pensar sobre a
experiência humana”, finaliza Sherrif.
“Pode
haver interpretações ou análises melhores ou piores, mas não temos meios
objetivos de verificar sua precisão.”
Fonte:
Aventura na História

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