terça-feira, 2 de dezembro de 2025

5 coisas que você nunca verá em seus sonhos — e o porquê

Seja voando, ‘conhecendo’ pessoas novas ou explorando lugares que talvez não existam, nossos sonhos podem provocar as mais loucas fantasias em nossa mente.

Mas por mais extravagantes ou surreais que eles sejam, existem certos padrões por trás sonhos: afinal, existem cinco coisas que nunca veremos neles.

 “Nos sonhos, nossas mentes operam de uma maneira mais fluida, emocional e associativa”, explica a Dra. Kelly Bulkeley, pesquisadora de sonhos e diretora do Banco de Dados de Sono e Sonhos, em entrevista ao Daily Mail.

Por outro lado, tendemos a ter menos capacidade de sonhar acordados, devido à necessidade de foco e concentração a curto prazo para atividades como ler, contar e operar um computador”.

Sendo assim, confira cinco coisas que nunca — ou quase nunca — estarão presentes em nossos sonhos!

<><> 1. Telefones

Embora seja um fato que os sonhos reflitam, muitas vezes, detalhes da nossa vida desperta, nem sempre eles trazem representações de nossos hábitos. Um exemplo são os aparelho de telefone e outros dispositivos eletrônicos. 

A análise de 16.000 sonhos relatados mostra que os telefones aparecem em apenas cerca de 3,55% dos sonhos das mulheres e 2,69% dos sonhos dos homens.

Cientistas apontam que isso acontece porque os telefones não se encaixam na função que os sonhos evoluíram para desempenhar.

A “hipótese da simulação de ameaças” sugere que os sonhos são um mecanismo de defesa evolutivo que nos ajuda a processar os perigos que podemos enfrentar no mundo real.

“Conteúdo relevante apenas para a vida moderna tende a ser sub-representado nos sonhos”, explica a Dra. Deirdre Barrett, psicóloga da Universidade de Harvard e autora de “The Committee of Sleep”.

O conteúdo que teria sido mais relevante para os humanos durante 95% de sua evolução, quando viviam em tribos nas savanas, está sobrerrepresentado nos sonhos dos humanos modernos”.

Assim, os seres humanos tendem a sonhar muito mais com tempestades, fugas de animais selvagens e cobras, porque essas são coisas às quais a evolução nos programou para prestar atenção visando a sobrevivência. Já os telefones são apenas uma pequena fração de nossa história evolutiva.

<><> 2. Escrita

Outra característica interessante de nossos sonhos é que é praticamente impossível ler textos escritos. Assim, quando documentos escritos aparecem em sonhos, as pessoas frequentemente relatam que o texto é reduzido a absurdos ou símbolos abstratos.

Apesar de alguns relatos de sonhos com compreensão de texto, ainda assim a prática é pouco comum. Cientistas acreditam que isso está relacionado aos processos fisiológicos subjacentes que acompanham os sonhos.

 As áreas do cérebro relacionadas à linguagem, mesmo de forma geral, são menos ativas durante o sono REM (movimento rápido dos olhos), a fase em que a maioria dos sonhos ocorre, e as áreas associadas especificamente a textos e leitura são ainda menos ativas”, aponta Barrett.

>>> 3. Números

Assim como os textos, os números — sejam em equações ou outros usos — também são distorcidos em sonhos. Afinal, especialistas apontam que em sonhos, essa é, na verdade, uma consequência necessária da forma como os sonhos são estruturados.

Visto que diferente da nossa vida desperta, os sonhos não se baseiam nos detalhes reais do mundo que nos rodeia.

“Uma maneira útil de pensar sobre isso é que a percepção em estado de vigília é estabilizada por uma entrada contínua e detalhada de baixo para cima proveniente do mundo externo”, aponta o Dr. Benjamin Baird, neurocientista cognitivo da Universidade do Texas, ao Daily Mail.

“Nos sonhos, por outro lado, o cérebro gera a cena em grande parte de cima para baixo, com pouca ou nenhuma influência externa. Portanto, detalhes minuciosos, como texto escrito, números ou interfaces de dispositivos, tendem a ser instáveis ou a se transformar quando você olha para trás.”

Não é necessariamente que nossos sonhos não possam conter números, mas sim que eles carecem da estabilidade necessária para exibir números de forma coerente”, esclarece.

>>> 4. Cheiros e sabores

Você pode já ter sonhado com uma refeição saborosa, mas será que realmente você teve a experiência que realmente pensa ter?

Isso porque pode ser extremamente comum ver comida na mesa ou observar outras pessoas comendo, mas certamente não sonhou com o sabor dela.

Estudos apontam que apenas um por cento dos homens e pouco mais de um por cento das mulheres relataram uma experiência “olfativa” em seus sonhos.

Isso pode ocorrer, segundo os especialistas, porque os circuitos cerebrais que controlam o olfato evoluíram em um passado muito remoto. O que significa que as informações olfativas não se sobrepõem aos sinais das redes visuais e auditivas e, portanto, são incluídas nos sonhos com menos frequência.

Outro ponto é que, talvez, a maioria das pessoas simplesmente não presta atenção aos cheiros e sabores da mesma forma que prestamos à visão e à audição.

Temos sensações de olfato e paladar todos os dias, mas quase nunca sonhamos com elas”, diz o Dr. Bulkeley. “Por quê? Nessa linha de raciocínio, porque geralmente não têm muito a acrescentar às histórias dramáticas e inconscientes que contamos a nós mesmos quando dormimos”.

>>> 5. Você mesmo

Por fim, por mais que sejamos protagonistas de nossos sonhos, nem sempre eles refletem como realmente somos. Afinal, quando as pessoas se veem no espelho, quase nunca enxergam seu reflexo como realmente seria na vida desperta.

O Dr. Barrett que, ao invés disso, o mais comum é que nos vejamos como pessoas bizarramente distorcidas ou desfiguradas. Também é possível que nos enxerguemos em qualquer idade, com alguma lesão plausível ou com uma transformação completamente fantástica.

“Eles podem ver uma pessoa completamente diferente no espelho. Podem ficar chocados com isso; em outros casos, nem sequer questionam”, finaliza o especialista.

•        Sonhos possuem significados? Saiba como a cultura pode influenciar as interpretações

No mundo dos sonhos, todo tipo de cenário é possível. Você pode caminhar por uma bela paisagem; pode voar; ou estar passando por uma experiência amedrontadora. Ou até mesmo em situações inusitadas, como parecer ser outra pessoa ou sonhar com seus dentes caindo de repente. 

Segundo dados do Centro de Prevenção e Doença dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), um adulto médio passa cerca de um terço da vida dormindo — o que significa que há muitas oportunidades para nossas mentes vivenciarem essas paisagens oníricas. Mas, afinal, todos os sonhos realmente possuem significados? Isso depende para quem você pergunta.

Os antropólogos dizem que se você entender o que um determinado grupo acredita sobre sonhos, você entendeu toda a sua [cultura]”, aponta Robin Sheriff, professor associado de antropologia na Universidade de New Hampshire, ao National Geographic.

Figuras importantes da psicologia como Sigmund Freud e Carl Jung ajudaram a popularizar ideias sobre as interpretações de sonhos. No entanto, elas, não necessariamente, condizem com o que especialistas de áreas como antropologia e folclore entendem esses momentos.

Mas, afinal, os sonhos são universais? Como as diferentes culturas podem influenciar a forma como nós sonhamos? Entenda!

<><> A interpretação de sonhos

Os primeiros registros sobre a interpretação dos sonhos remonta à Roma Antiga e ao Egito Antigo, mas é bem provável que a prática possua raízes muito mais antigas, como culturas pré-históricas. Mas sem registros escritos.

Antes do desenvolvimento da ciência do estudo dos sonhos, que chamamos de onirologia, a interpretação dos sonhos costumava ser uma prática cultural que servia como conexão entre as pessoas e seus ancestrais ou a espíritos culturais.

“Os sonhos tinham um significado profundo na cultura tradicional chinesa… particularmente dentro de uma visão de mundo sobrenatural onde se acreditava que fantasmas, espíritos e almas ancestrais participavam ativamente dos assuntos humanos”, aponta Ze Hong, professor assistente de biologia evolutiva na Universidade de Macau.

Hong, que pesquisou a interpretação dos sonhos chineses de uma perspectiva evolucionária, aponta que os sonhos eram frequentemente considerados canais significativos de comunicação do reino espiritual, capazes de revelar verdades ocultas ou prever eventos futuros.

Na Roma Antiga, por exemplo, documentos apontam que os sonhos eram vistos como uma forma de comunicação com os deuses. Já os oráculos desempenhavam um papel importante na interpretação deles.

O pesquisador aponta, ainda, que práticas semelhantes também aconteciam durante a Dinastia Zhou, na China, que durou entre 1046 a.C. e 256 a.C.

Segundo ele, a oniromancia — prática da interpretação divinatória dos sonhos — se tornou amplamente usada para oferecer visões sobre relacionamentos pessoais. Não só para isso, mas também para o tratamento de doenças ou até mesmo a tomada de decisões políticas.

Mas a prática acabou perdendo popularidade ao longo dos anos. Em especial, entre o fim do período imperial e o início do século 20.

A relação entre sonhos e o reino espiritual também foi algo relatado pelo antropólogo Roger Lohmann (professor associado de antropologia na Universidade Trent, em Ontário, Canadá), que estudou a cultura dos sonhos em Papua-Nova Guiné.  

Apesar do mundo ocidental encarar os sonhos como uma visão metafórica, Lohmann aponta que a interpretação no país da Oceania é diferente. Por lá, os sonhos são vistos como uma jornada paralela que sua alma percorreu enquanto você dormia.

Assim, eles podem ser interpretados como algo profético ou revelador de informações ocultas. Lohmann conta que certa vez dormiu em uma vila perto da fronteira com a Indonésia e acordou de um pesadelo com suas anotações de pesquisa pegando fogo. 

Interpretei aquele [sonho] como uma expressão da minha ansiedade sobre algo dar errado com meu computador”, disse ele.

“[Mas] contei a história a um homem que estava me visitando naquela manhã e ele disse: ‘Ah, é melhor você tomar cuidado. Tenha muito cuidado com a lareira’, porque ele interpretou aquele sonho como algo que provavelmente acontecerá no futuro.”

<><> A influência de Jung e Freud

Hoje, no Ocidente, boa parte das diretrizes para interpretação dos sonhos vem de grandes nomes como Sigmund Freud e Carl Jung.

Em 1900, o pai da teoria psicanalista escreveu que os sonhos podem representar nossos desejos do subconsciente e até mesmo ser uma forma de realizar desejos instintivos reprimidos, ou mesmo hipersexuais.

Já Jung propôs que os sonhos podem ser uma conversa entre nossos “eus” consciente e subconsciente. Ao invés de nossos desejos reprimidos, ele via os sonhos como uma forma de revelar a forma como processamos problemas de vigília e encontramos possíveis soluções.   

Jung também inclui na teoria dos sonhos a ideia de um subconsciente coletivo — sugerindo que os sonhos podem ser interpretados de forma simbólica por meio de arquétipos distintos, como o herói, a mãe e o trapaceiro.

Para ele, esses grupos poderiam ser encontrados em diferentes culturas e tinham significados universais.

<><>Os sonhos em diferentes culturas

Os sonhos também podem ser interpretados de formas diferentes dependendo da cultura. Um exemplo disso é a cobra. Em certas culturas do ocidente que possuem familiaridade com as explicações de Freud, o reptil pode ser visto como algo potencialmente sexual.

Jung escreveu que as cobras representavam poder ou perigo, chegando a declarar que um “estado de inferno instintivo é representado como uma cobra com três cabeças”.

Já entre os hindus, porém, o sonho com cobra pode significar algo completamente diferente: um presságio de riqueza e fertilidade. Quer dizer, isso se você tiver as devorando no seu sonho.

Tribos do sudoeste americano também associam a fertilidade com sonhar com cobras, embora particularmente em relação aos ciclos agrícolas e à fertilidade da terra. Mas comunidades cristãs pentecostais na Zâmbia as enxergam como interpretações de uma prova do diabo.

É fato que uma pessoa tem inúmeros sonhos ao longo da vida, mas isso não significa que todos eles possuem significados — ou que todo sonho que você tiver seja realmente importante.

Perto do fim do período imperial, quase paralelamente há quando Jung e Freud formulavam a teoria dos sonhos, Hong disse que se tornou popular ver as origens dos sonhos como sobrenaturais e relacionadas ao estado psicológico de uma pessoa.

“Por exemplo, sonhos causados por ‘pensar demais durante o dia’ eram frequentemente descartados como ininterpretáveis e sem sentido”, disse ele.

Na tradição ocidental, o quanto um sonho significa depende da pessoa que o tem ou interpreta.

Os sonhos, assim como a poesia e a arte, oferecem maneiras de pensar sobre a experiência humana”, finaliza Sherrif.

“Pode haver interpretações ou análises melhores ou piores, mas não temos meios objetivos de verificar sua precisão.”

 

Fonte: Aventura na História

 

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