quinta-feira, 24 de julho de 2025

A confissão de Eduardo Bolsonaro que o coloca como pivô de crime financeiro bilionário

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) confessou publicamente que soube com antecedência da decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A declaração, feita durante participação no podcast Inteligência Ltda. nesta segunda-feira (21), coloca o filho de Jair Bolsonaro como suspeito de ser pivô de operação bilionária de compra e venda de dólares realizada poucas horas antes do anúncio oficial da medida. A suspeita é de insider trading, termo do mercado financeiro que se refere aa uso de informação privilegiada para obter lucros no mercado financeiro.

O caso, revelado por Spencer Hakimian, da gestora norte-americana Tulu Capital, é alvo de um inquérito aberto pela Polícia Federal (PF), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a denúncia, entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões em dólares foram comprados no dia 9 de julho às 13h32 (horário da Costa Leste dos EUA) e revendidos com lucro após a fala de Trump às 16h19, quando o real despencou. Com o uso de alavancagem, os ganhos podem ter chegado a 50% em apenas três horas.

A revelação de Eduardo de que já conhecia a medida antes da divulgação oficial fortalece a hipótese de que ele teria sido o elo no vazamento de informações confidenciais a operadores do mercado.

<><> Moraes manda PF investigar elo entre política e lucro cambial

A abertura do inquérito foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU). O objetivo é investigar se houve crimes financeiros, formação de organização criminosa e uso indevido de informação sigilosa. Segundo a AGU, “os fatos já em apuração estão além dos ilícitos penais relacionados à obstrução da Justiça, alcançando possíveis ganhos financeiros ilícitos decorrentes da criação deliberada de instabilidade econômica”.

Em sua decisão, Moraes autorizou o compartilhamento de informações com o Banco Central, a Comissão Mobiliária de Valores (CVM) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos. A apuração busca identificar se Eduardo Bolsonaro repassou antecipadamente a decisão da Casa Branca a grupos com capacidade de movimentar bilhões no mercado de câmbio brasileiro.

A própria AGU reforça que a atuação de Eduardo nos Estados Unidos – onde se reuniu com aliados de Trump – foi parte de uma ofensiva internacional para coagir o STF. Segundo a petição, “instrumentos comerciais internacionais foram utilizados como mecanismo de pressão sobre o Judiciário”, configurando possível atentado à soberania nacional.

<><> Confissão comprometedora e reação suspeita

Durante o podcast, Eduardo admitiu que ele e o influenciador Paulo Figueiredo discutiram o tarifaço com autoridades norte-americanas antes da medida ser anunciada. Disse, inclusive, que apoiou a aplicação das tarifas, apelidando-as de “Tarifa-Moraes”, em referência ao ministro do STF. A confissão contraria frontalmente a versão de Jair Bolsonaro, que negou qualquer envolvimento com as sanções. “Querem colar na gente os 50%. Mentira”, disse o ex-presidente, atualmente sob medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar.

O caso se agravou após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentar requerimento à Comissão de Relações Exteriores da Câmara pedindo a convocação de Eduardo para explicar sua participação nas tratativas com o governo Trump.

As suspeitas aumentaram ainda mais com um tuíte do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, que tentou desqualificar a investigação conduzida por Moraes. “A velha pesca probatória?”, ironizou, sugerindo que os lucros bilionários obtidos na operação seriam mera coincidência.

Se ficar comprovado que houve uso de informação privilegiada para fins de especulação, os envolvidos poderão ser responsabilizados por insider trading, corrupção e associação criminosa – crimes cujas penas somadas podem ultrapassar 10 anos de prisão. A confissão de Eduardo, feita com desdém e bravata, pode ter sido a peça-chave para conectar política, dólar e crime.

•        Cláudio Castro e aliados inventam manobra para financiar Eduardo Bolsonaro nos EUA

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), avalia nomear o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para uma secretaria especial no exterior, como parte de uma estratégia para impedir a possível cassação do parlamentar por faltas na Câmara dos Deputados. A medida criaria um novo posto no governo estadual fluminense, com sede nos Estados Unidos, onde Eduardo já se encontra.

Segundo apuração da coluna de Mônica Bergamo, na Folha, Castro realizou diversas consultas em Brasília para medir a aceitação da ideia e deve tomar uma decisão ainda nas próximas horas. A proposta nasceu de conversas entre o governador e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo. A família Bolsonaro, segundo interlocutores, está mobilizada para impedir a perda de mandato do deputado.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o início do ano e se licenciou do cargo de deputado federal por 120 dias, período que terminou no último domingo (20). Na segunda-feira (21), o mandato foi automaticamente retomado, mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) corre o risco de ser cassado por ausências não justificadas.

A criação da secretaria especial no exterior permitiria a licença do cargo por nomeação para o Executivo estadual, o que legalmente afastaria o risco de perda do mandato por faltas no Legislativo federal.Articulação internacional e investigações

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro vem atuando nos bastidores junto a aliados do ex-presidente Donald Trump para que sanções sejam impostas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A manobra tem como objetivo pressionar a Corte brasileira a arquivar processos contra Jair Bolsonaro, que responde por ações no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.

Eduardo é alvo de investigações no STF por crimes como coação no curso do processo, obstrução de justiça e até atentado à soberania nacional. A possível ajuda institucional por parte de Castro poderia, segundo juristas ouvidos pela reportagem, ser interpretada como tentativa de facilitar a continuidade de ações ilegais, o que traria riscos jurídicos ao governador fluminense.

<><> Outras possibilidades

Também foi cogitada, nos bastidores, a inclusão de Eduardo em governos aliados nos estados de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Santa Catarina, sob gestão de Jorginho Mello (PL). Nenhuma das duas alternativas, porém, avançou como a de Cláudio Castro.

Até o momento, nenhuma manifestação oficial foi feita por Castro, Flávio ou Eduardo Bolsonaro.

•        Nem Pix: Alexandre de Moraes fecha o cerco e toma nova decisão contra Eduardo Bolsonaro

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal (STF), deu mais uma demonstração de que não vai deixar passar os ataques desferidos pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O magistrado bloqueou as contas do filho de Jair Bolsonaro (PL).

O parlamentar, que está nos Estados Unidos, tentou, nesta segunda-feira (21), fazer duas transações por Pix. Porém, não conseguiu concluir as operações. “Esse bloqueio já era esperado. É um passo natural de ditadura”, disse Eduardo, em entrevista à coluna de Paulo Cappelli, no Metrópoles.

O filho conspirador do ex-presidente, ainda assim, voltou a afirmar que vai continuar tramando contra o país e o STF nos Estados Unidos. “Estou preparado para seguir adiante mesmo sob condições difíceis”, acrescentou o deputado, em mais um de seus delírios persecutórios.

Alexandre de Moraes já havia determinado que Eduardo está proibido de falar com o pai, por causa das investigações que apuram coação durante o processo, em consequência das articulações junto aos Estados Unidos.

>>> Eduardo Bolsonaro ameaça “tirar Moraes do STF”

Eduardo Bolsonaro não tem limites em sua capacidade de atacar as instituições brasileiras. Durante uma live, neste domingo (20), o deputado federal licenciado fez graves ameaças a Alexandre de Moraes.

“Toda hora tenho que expor o nível de várzea que é o Moraes com a caneta do STF. O ideal seria ele fora do STF. Trabalharei para isso também, tá, Moraes? Quando a gente fala que o visto é só o começo, é porque o nosso objetivo será te tirar da Corte. Você não é digno de estar no too do poder judiciário. Eu estou disposto a me sacrificar para levar essa ação adiante”, disse o filho de Jair Bolsonaro.

Ele ainda prosseguiu desafiando o ministro do STF. “Não gostou? Coloca o Trump junto na investigação, coloca toda nossa quadrilha aqui do Marco Rubio e manda a Interpol vir pegar a gente. Seus argumentos, Moraes, são rasos, Você não consegue nem se expressar direito. Você é medíocre com a caneta na mão”.

Eduardo continuou: “Aproveita e coloca isso no inquérito. Vai lá, coleguinha da Polícia Federal, cachorrinho da Polícia Federal que está me assistindo. Deixa eu saber não, irmão. Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui. O couro é duro, a guerra não acabou. Vai vir mais sacrifício pela frente, sei disso. Mas estou disposto a ir até as últimas consequências”, ameaçou, novamente.

 

Fonte: Fórum

 

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